Archive for the ‘ Efeméride ’ Category

‘POSSESSIO MARIS’

Neste 21 de Outubro em 1520, dia em que o navegador Fernão de Magalhães ‘descobriu’ a passagem entre os oceanos Atlântico e Pacífico, hoje conhecida como Estreito de Magalhães, fica a exaltação de Fernando Pessoa na segunda parte da ‘Mensagem‘, dedicada ao Mar Português:



POSSESSIO MARIS
VIII – FERNÃO DE MAGALHÃES
No vale clareira uma fogueira.
Uma dança sacode a terra inteira.
E sombras disformes e descompostas
Em clarões negros do vale vão
Subitamente pelas encostas,
Indo perder-se na escuridão.
De quem é a dança que a noite aterra?
São os Titãs, os filhos da Terra,
Que dançam da morte do marinheiro
Que quis cingir o materno vulto –
Cingi-lo, dos homens, o primeiro –,
Na praia ao longe por fim sepulto.
Dançam, nem sabem que a alma ousada
Do morto ainda comanda a armada,
Pulso sem corpo ao leme a guiar
As naus no resto do fim do espaço:
Que até ausente soube cercar
A terra inteira com seu abraço.
Violou a Terra. Mas eles não
O sabem, e dançam na solidão;
E sombras disformes e descompostas,
Indo perder-se nos horizontes,
Galgam do vale pelas encostas
Dos mudos montes.

‘The Maas at Dordrecht’, de Aelbert Cuyp

No dia em que passam quatrocentos anos do nascimento de Aelbert Jacobsz Cuyp [20 Outubro 1620 – 15 Novembro 1691], considerado um dos principais pintores da Idade de Ouro Holandesa e apelidado de Claude Lorrain holandês, pelo facto de a sua produção artística assentar maioritariamente em paisagens, fica a obra ‘The Maas at Dordrecht’, c. 1650.

Dordrecht, cidade natal de Cuyp situada na confluência dos rios Maas e Merwede, é o cenário de um evento histórico quando numa manhã de Julho de 1646 uma frota com 30 mil soldados se reuniu numa demonstração de força perante a Coroa Espanhola.
No site da The National Gallery of Art em Washington está um podcast com uma descrição da obra.


Aelbert Cuyp [1620-1691] – ‘The Maas at Dordrecht’, c.1650


Aelbert Cuyp [1620-1691] – ‘The Maas at Dordrecht’ (detalhe)


Aelbert Cuyp [1620-1691] – ‘The Maas at Dordrecht’ (detalhe)


300 anos do nascimento de Giovanni Battista Piranesi

Giovanni Battista Piranesi [Veneza, 4 Outubro 1720 – Roma, 9 Novembro 1778], um dos maiores expoentes da Gravura europeia de quem se assinala, precisamente hoje, o terceiro centenário do nascimento, foi arquitecto, teórico, arqueólogo, restaurador de peças antigas e proprietário de uma importante oficina de arte em Roma.

Da sua extensa produção como gravador, suscitam o maior entusiasmo as espectaculares Vedute di Roma, bem como o conjunto Carceri d’invenzione ou ‘Prisões Imaginárias’ (1.ª ed. 1749-50; 2.ª ed. 1761), extraordinária produção de 16 gravuras a água-forte.
A sua abordagem da Antiguidade Clássica, cuja influência perdura até hoje, tem um excelente exemplo em Metropolis de Fritz Lang.


Exposição Piranesi em Milão  – 1 Outubro a 14 Novembro 2020 na Biblioteca Braidense.


«A Torre Redonda», de Carceri d’invenzione (Prisões Imaginárias) – ca. 1749–50

‘Round Midnight’, por Miles Davis

Na passagem do vigésimo nono aniversário da morte de Miles Davis [26 Maio 1926 – 28 Setembro 1991], de recordar que foi esta interpretação de Round Midnight no Newport Jazz Festival, em Julho de 1955, que levou Miles Davis a gravar o seu primeiro trabalho para a Columbia em 1957.


Miles Davis, trompete – John Coltrane, saxofone tenor – Red Garland, piano
Paul Chambers, baixo – Philly Joe Jones, bateria

‘Outono’, de Giuseppe Arcimboldo

De Giuseppe Arcimboldo [c.1527 – 1593] – Outono, 1572


‘Blue Rondo A La Turk’ – The Dave Brubeck Quartet

Do álbum The Dave Brubeck Quartet ‎– Time Out [Columbia Records, 1959], o tema “Blue Rondo A La Turk” gravado em 18 de Agosto de 1959.

Paul Desmond, sax alto | Eugene Wright, contrabaixo | Joe Morello, bateria | Dave Brubeck, piano

‘Our Man in Jazz’, de Sonny Rollins

Quase a completar 90 anos, o colosso do saxofone Sonny Rollins pertence ao restrito grupo de músicos que gravaram na vibrante década de sessenta e que ainda estão vivos. As qualidades que o levaram a ser apelidado de “the greatest living improviser” estão bem presentes ao longo do álbum ‘Our Man in Jazz’.
A composição ‘Doxy’, originalmente interpretada com Miles Davis em 1954, foi gravada ao vivo em Greenwich Village, New York, a 29 de Julho de 1962.


Sonny Rollins – saxofone tenor | Don Cherry – corneta | Bob Cranshaw – baixo | Billy Higgins – bateria

O Cravo Bem-Temperado nos 270 anos da morte de Bach

O Cravo Bem-Temperado de Johann Sebastian Bach [1685-1750], consiste numa colecção de dois volumes de música para teclado, cada um contendo 24 prelúdios e fugas, utilizando todas as tonalidades do teclado. O Livro I, BWV 846-869 foi escrito em Weimar (1722) e o Livro II, BWV 870–893 pertence ao período de Leipzig (1739-1742).
O respeitado Maestro e cravista inglês Trevor Pinnock decidiu subir esta montanha – “uma das mais enriquecedoras experiências da sua vida”, tendo lançado em Abril passado a sua primeira gravação do Livro I (Deutsche Grammophon).


J.S. Bach: The Well-Tempered Clavier, Book I, BWV 846-869
Prelude & Fugue In C Major, BWV 846 – I. Prelude · Trevor Pinnock

J.S. Bach: The Well-Tempered Clavier, Book 1, BWV 846-869
Prelude & Fugue in B Minor, BWV 869 – II. Fugue · Trevor Pinnock

Francisco Xavier – A Rota do Oriente (II)

Acompanhado de missionários japoneses, o jesuíta Francisco de Xavier [1506-1552] partiu de Goa a 15 de Abril de 1549 e atingiu a costa do Japão no dia 27 de Julho, mas só obteve autorização para desembarcar no porto de Kagoshima a 15 de Agosto (segundo a versão japonesa, após o navio se ter desviado da rota).

Charles Mingus – ‘Mingus at Antibes’ (1960)

Wednesday Night Prayer Meeting is the opening theme of Charles Mingus album ‘Mingus at Antibes’, recorded at Jazz Festival, Antibes, July 13, 1960.