Archive for the ‘ Religião ’ Category

Hierofania Solar

Desde a Idade do Bronze que existia no norte da Europa o mito proto-histórico do Cavalo do Sol, o carro solar de Trundholme.
Descoberto em 1902 no Pântano de Trundholm na Dinamarca, este protótipo do carro profano, datado por volta de 1400 antes de Cristo, simboliza o movimento diário do Sol, conduzido por cavalos divinos.
Em dia de Solstício de Verão, o Trundholm Sun Chariot é um exemplo da consequência das descobertas empíricas do homem na sua relação com o Cosmos.

Trundholm Sun Chariot, Museu Nacional da Dinamarca

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‘San Antonio de Padua’, de El Greco

Hoy se celebra el día de San Antonio de Padua, fraile franciscano del siglo XIII.

‘San Antonio de Padua’ – El Greco, c.1580

Esta es la única ocasión en la que el Greco representó a San Antonio de Padua (1195-1231), una de las grandes figuras de la espiritualidad franciscana. El de Padua aparece en primer término y en imagen de algo más de medio cuerpo, sosteniendo una rama de lirios o azucenas, y un libro abierto sobre cuyas páginas emerge una representación del Niño Jesús. Esta imagen, que haría alusión a la aparición milagrosa del Niño, se inscribe de forma bastante extraña en una suerte de medallón que fue incorporado más tardíamente a la pintura, como demuestra la radiografía de la obra. Hay que tener en cuenta además que la tela procede de un convento femenino, el de franciscanas de los Ángeles, en Madrid; las franciscanas siempre se han caracterizado por la devoción al Niño Jesús. El trazado piramidal, la corpulencia y sentido monumental de la figura, así como la construcción pictórica y el tipo de firma en mayúsculas son características del periodo inicial en España. Via.

Alfonso X ‘O Sábio’

Do mui talentoso Afonso X [1221-1284], proclamado Rei de Castela e Leão neste dia 1 de Junho em 1252, as Cantigas de Santa Maria, com mais de 400 composições, constituem o mais importante repertório musical da lírica medieval galego-portuguesa, iniciada nas cortes de Alfonso III [1245-79] e D. Dinis [1279-1325].

Por que trobar, prólogo do album Eno nome do Maria – Cantigas de Santa Maria, pelo Ensemble Antequera

‘Purificación del botín de las vírgenes madianitas’, de Tintoretto

Na passagem dos 425 anos da morte de Jacopo Tintoretto [1518-1594], a obra ‘Purificación del botín de las vírgenes madianitas’, do último quartel do século XVI, veio a constituir a cena central de um conjunto de outras seis obras que Velazquez trouxera de Veneza para Madrid: Susana y los viejos, Esther ante Asuero, Judith y Holofernes, La reina de Saba ante Salomón, José y la mujer de Putifar e Moisés salvado de las aguas.

Ésta era la escena central del techo de la cámara nupcial pintada por Tintoretto en Venecia y posteriormente traída a España por Velázquez para decorar una pieza del Alcázar de Madrid. A su alrededor se distribuían seis escenas más, destacando entre ellas Susana y los viejos y José y la mujer de Putifar. En todas ellas aparece reflejada una relación, positiva o negativa, entre los dos sexos. Algunas de las 16.000 jóvenes vírgenes cogidas como botín en la victoria judía sobre los madianitas aparecen en primer plano, mientras al fondo Moisés escucha el mandato divino de purificar a 32 de esas vírgenes para dedicarlas al Señor. Como en sus escenas compañeras, resulta curiosa la perspectiva empleada, que lógicamente viene motivada por su situación en un techo. La composición, escalonada a través de diagonales, es muy utilizada por Tintoretto debido a la influencia del Manierismo, igual que los escorzos de las figuras que caracterizan toda su obra. El maestro demuestra su facilidad para realizar la anatomía femenina desnuda -de gran belleza- así como la riqueza de las telas y utensilios que aparecen distribuidos por el lienzo -los cacharros de cobre o los cestos de mimbre-. El colorido empleado es muy vivo, preferentemente los azules, rojos y naranjas. La luz elegida es algo dorada, posiblemente por la aparición del fondo, mientras que la pincelada es rápida y alegre, como tanto gustaba al maestro. Via.

Christ Mocked (The Crowning with Thorns) – Hieronymus Bosch

Four torturers surround Christ, pressing towards him, while he looks out at us. Bosch’s picture emphasises the contrast between the brutality of the tormentors and the mild, suffering Christ. Its emotional intensity is achieved in a variety of ways. The half-length figures create a sense of proximity, and the lack of recession in the painting makes it appear very claustrophobic. From the centre of the picture Christ seems to appeal to us to share in his suffering.

The characterisations here are not just grotesque, but reflect specific ideas. Christ’s torturers were often referred to as savage beasts, which may explain why the man at the top right appears to wear a spiked dog collar. The figure at the lower left has a crescent moon of Islam and yellow star of the Jews on his head-dress, which mark him as an opponent of Christianity.

Via The National Gallery and Google Arts & Culture

Rafael, O Príncipe das Artes

No próximo dia 9 de Abril ao serão a RTP2 exibe um documentário sobre vida e obra de Raffaello Sanzio.

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A vida e obra do pintor Raffaello Sanzio, um dos artistas maiores da Renascença

Um retrato cativante de um dos maiores artistas da Renascença e um dos que mais influenciou a arte moderna. Amplamente reconhecido e celebrado como um “enfant prodige”, tanto pelos seus pares como pelas gerações seguintes, Raffaello Sanzio integra, em conjunto com Michelangelo e Leonardo da Vinci, a tradicional tríade dos mestres da Renascença.

Uma história que começa na terra onde nasceu, Urbino, e passa por Florença, chegando a Roma e ao Vaticano, num total de 20 locais e 70 obras de arte, incluindo 40 das suas obras mais famosas e mais representativas.
Através de reconstruções históricas, testemunhos de importantes críticos e historiadores da arte, o documentário percorre a vida e obra do grande artista que marcou a passagem da Renascença para o Maneirismo e trouxe a arte figurativa a um nível sem precedentes.

Nós e os Chins

O grande objectivo das missões dos jesuítas era a evangelização da China, iniciada por Matteo Ricci (1552-1610), um italiano de famílias nobres que tinha partido para o Oriente em 1578, equipado de uma vasta cultura científica. Ricci percebera o grande interesse chinês pelos conhecimentos científicos que os ocidentais possuíam e foi o primeiro europeu a conseguir conquistar a confiança de altos dignitários do Império do Meio. Na sua esteira, os missionários jesuítas, muitos dos quais portugueses, conseguiram pouco a pouco ter uma posição influente em Pequim, chegando a presidir ao Tribunal das Matemáticas, que era um conselho imperial para matérias científicas, nomeadamente para a organização do calendário, para a previsão de eclipses e para a observação astronómica. Na sua correspondência com o Vaticano, Ricci e os seus companheiros insistiam frequentemente na importância da ciência.
«Enviem-nos matemáticos!», pedia Ricci, «enviem-nos livros!»

O texto que se segue foi retirado do blog De Rerum Natura, a partir do artigo de Jorge Fiolhais, publicado no jornal Público de 20 Fevereiro 2012.

O português Jorge Álvares foi o primeiro europeu a desembarcar na China, em 1513, faz agora 500 anos. Partindo de Malaca, que tinha sido conquistada por Afonso Albuquerque em 1511, dirigiu-se, com fins comerciais, para Norte até alcançar a foz do Rio das Pérolas.
De facto, a terra não era nova. Desde Marco Polo que a Europa sabia das maravilhas da China. Mas só a conquista de Malaca tinha assegurado aos ocidentais uma rota marítima para a China. Os portugueses encontraram, no que chamaram terra dos chins”, uma civilização avançadíssima. E, dada essa desigualdade, o intercâmbio entre os portugueses e os chineses não correu bem nas primeiras quatro décadas de contacto. O desconhecimento luso dos usos e costumes chins era tremendo. Passados quatro anos da chegada de Jorge Álvares, uma missão capitaneada por Fernão Peres de Andrade levando a bordo o embaixador Tomé Pires, um ex-boticário, entrava em Cantão com o intuito de entregar uma mensagem de D. Manuel ao imperador da China, estabelecendo relações diplomáticas e abrindo portas ao comércio. Mas essa primeira missão portuguesa na China falhou redondamente: não só demorou a chegar a Pequim, tolhida por todo o tipo de obstruções, como acabou por não ser recebida. A corte imperial da dinastia Ming não achou adequada a carta do monarca português. Os membros da missão foram presos, alguns mesmo executados, uma vez regressados a Cantão.
Os navegadores portugueses, ao entrar pela primeira vez em Cantão, tinham disparado uma salva num gesto ao mesmo tempo de saudação e intimidação. Os chins estranharam a primeira e não se deixaram impressionar pela segunda. Não era costume na China, onde a pólvora e o canhão tinham sido inventados, cumprimentar aos tiros. Os portugueses, que vinham de Malaca, um protectorado chinês, depressa perceberam que no Império do Meio não podiam, como tinham feito noutros sítios da Ásia, entrar a ferro e fogo. A artilharia portuguesa podia até ultrapassar a chinesa, mas os chins tinham bons navios e boa pontaria, para além da sua superioridade numérica (as duas primeiras batalhas navais foram por isso favoráveis aos chineses). Além disso, o comércio que os portugueses buscavam estava na China bem regulamentado, incluindo os tributos ao imperador. Os portugueses teriam de cumprir as regras se queriam transaccionar ali e, para seu infortúnio, não estavam sequer inscritos nos livros antigos de comércio que os mandarins mantinham. Era um encontro de civilizações em que os extraterrestres eram inferiores aos indígenas.
João de Barros, na sua 3.ª Década da Ásia (Lisboa, 1563) conta como os chineses viam os estrangeiros:E bem como os gregos, em respeito de si, todalas outras nações haviam por bárbaras, assi os chins dizem que eles tem dous olhos de entendimento acerca de todalas cousas, nós, os da Europa, depois que nos comunicaram, temos um olho, e todalas outras nações são cegas.” Acrescenta: E verdadeiramente quem vir o modo de sua religião (…) os estudos gerais onde se aprende toda ciência natural e moral, a maneira de dar os graus de cada ua ciência destas, e as cautelas que tem pera não haver subornações e terem impressão de letra muito mais antiga que nós, e sobre isso o governo de sua república, a mecânica de toda obra de metal, de barro, de pau, de pano, de seda, haverá que neste gentio estão todalas cousas de que são louvados gregos e latinos.” A visão do cronista é a de um dos lados. Quem ler os livros chineses logo percebe que o contraste era ainda mais nítido visto do outro lado. Os portugueses eram considerados piratas sanguinários que traficavam pessoas além de mercadorias, e foram, ainda que erroneamente, acusados de canibalismo (correu até o boato que comiam criancinhas!). O historiador Fok Kai Cheong, que investigou fontes chinesas, transcreve um texto coevo:Os Feringis [os Portugueses] são os mais cruéis dos bandidos. Devem, pura e simplesmente, ser afastados (Estudos sobre a Instalação dos Portugueses em Macau, Gradiva, 1996)
As relações haveriam, porém, de se normalizar com a cedência de Macau em 1557, como interposto comercial, sem quebrar as normas do império. Através de Macau a faceta humanista e científica da civilização ocidental haveria de chegar à China. Exemplo de um encontro feliz de civilizações foi a chegada a Macau, em 1582, e a Pequim, em 1601, do jesuíta italiano Matteo Ricci, que após ter estudado em Coimbra partiu de Lisboa para o Oriente, onde escreveu dicionários e tratados e traçou mapas. Os jesuítas portugueses tornaram-se peritos da corte imperial, dada a clara supremacia da astronomia ocidental. Só no século XVII, graças à sua influência apareceria na China um globo esférico para representar a Terra, como mostra a exposição 360º. Ciência Descoberta”, comissariada por Henrique Leitão, que está quase a abrir na Gulbenkian.
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