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‘Blue Maqams’, de Anouar Brahem

Depois do projecto Souvenance [ECM, 2014] apresentado pelo Quarteto do músico tunisino em concerto com a Orquestra Gulbenkian a 28 de Abril de 2015,  Anouar Brahem regressa a Lisboa para a apresentação ao vivo do álbum Blue Maqams [ECM, 2017] a 16 de Abril no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian,
Vem isto a propósito, claro está, do artigo de Gonçalo Frota publicado no Ípsilon:

No ano em que celebra o 60.º aniversário, o tunisino reuniu à sua volta uma formação de luxo — Dave Holland, Jack DeJohnette e Django Bates — para a gravação de Blue Maqams, lugar de encontro entre as liberdades da música árabe e do jazz.

O álbum pode ser escutado no Spotify

 

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Yuri Daniel Quartet na Culturgest

Concerto no Grande Auditório da Culturgest | 19 de Fevereiro, 21h30
Yuri Daniel Quartet: Baixo e direcção artística, Yuri Daniel
Piano, Filipe Raposo | Bateria, Vicky Marques | Trompete, Johannes Krieger
ritual-danceYuri Daniel é um dos mais reconhecidos contrabaixistas da nova geração do jazz, integrando várias bandas de prestígio, de entre as quais se destaca a de Jan Garbarek (Jan Garbarek Group), uma das maiores referências do saxofone mundial. Ritual Dance é o título do mais recente CD do Yuri Daniel Quartet, integrando composições originais de Yuri Daniel, Filipe Raposo e Johannes Krieger.
Fortemente inspirado no livro Império à Deriva – A Corte Portuguesa no Rio de Janeiro 1808-1821 de Patrick Wilcken, este novo trabalho discográfico percorre, de forma calma e serena mas simultaneamente inquieta e irrequieta, os deslumbrantes e luxuriantes caminhos da profusão rítmica brasileira e dos vestígios da herança lusitana na miscigenação cultural em “Terras de Vera Cruz”.
Em 1807, sob a ameaça das invasões napoleónicas, o príncipe regente D. João Maria de Bragança (futuro Rei D. João VI) vê-se obrigado a aceitar partir para o Brasil com a Família Real e a Corte, numa arriscada viagem transatlântica, sob a escolta dos britânicos, fazendo com que o Governo Português passasse a operar a partir daquela que era, então, a maior colónia portuguesa, que deixa de o ser para assumir o inusitado papel de “nova metrópole”. Este foi um período em que o Brasil e particularmente o Rio de Janeiro foram palco de uma grande evolução cultural, passando a ser o epicentro do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
Os títulos das faixas de Ritual Dance ilustram, de forma crua e explícita, todo este ambiente de efervescência cultural: Maracatu (música folclórica pernambucana afro-brasileira), Ebony Wood (madeira africana que é utilizada, entre outros, para as teclas do piano), 7 de setembro (data da independência do Brasil), entre outras. Via.

E porque hoje é quinta…

Vou improvisar com um copo-de-um-qualquer-extrato-de-cereal para o sítio do costume, enquanto o jazz toma forma, com: Jorge Moniz na bateria, Mário Delgado na guitarra, Júlio Resende ao Piano e João Custódio no contrabaixo. Passado e Futuro.

jazz-as-quintas-ccb-2009

Após alguns anos como sideman, o baterista Jorge Moniz achou chegada a altura de formar o seu próprio quarteto com alguns músicos portugueses com quem mais se identifica, Júlio Resende no piano, Mário Delgado na guitarra e João Custódio no contrabaixo. Este quarteto apresentará as suas composições escritas nos últimos anos, a que se juntarão algumas de Júlio Resende e Mário Delgado. Estas, seguem na sua maioria uma linha de difícil catalogação que cruza as influências do jazz com músicas de cariz tradicional, portuguesa e do Norte de África. Esta “etnicidade” é resultante de ritmos não convencionais na música ocidental e de melodias de sonoridade próxima da musica árabe, enriquecida, por sua vez,  pela electrónica das guitarras e do vigor da secção rítmica. O som da banda importa também traços da música contemporânea ocidental, onde se vislumbram compositores como Bartók ou Stravinski. A conjugação destes vários elementos resulta numa música de forte identidade.

Are you going with me?

Travels reflete a digressão da banda nos Estados Unidos em 1982.
São quase duas horas do melhor que Pat Metheny fez até hoje. E fez muito, e bom!
Esta gravação da ECM-1983, pertence com todo o mérito à short list de obras que se ouvem durante uma vida.

A formação contava então com Pat Metheny, Lyle Mays, Steve Rodby, Dan Gottlieb e Nana Vasconcelos.

Disco 1
1. Are You Going With Me?
2. The Fields, The Sky
3. Goodbye
4. Phase Dance
5. Straight On Red
6. Farmer’s Trust

Disco 2
1. Extradition
2. Goin’ Ahead – (with As Falls Wichita, So Falls Wichita Falls)
3. Travels
4. Song For Bilbao
5. San Lorenzo

Para renascer, é preciso morrer…

Em 1995, Max Roach esteve entre nós. Ontem, deixou-nos.
A sua good vibe é eterna. Até jazz…


Nova Iorque, 17 Ago (Lusa) – O baterista Max Roach, virtuoso da percussão e um dos pioneiros do jazz moderno, morreu quinta-feira em Nova York aos 83 anos, após doença prolongada, anunciou hoje a editora discográfica Blue Note.

Roach, nascido na Carolina do Norte em 1924 e criado no bairro nova-iorquino de Brooklyn, fica na história como um dos reinventores do jazz, a que dedicou toda a sua vida e com o qual quebrou numerosas barreiras musicais graças ao seu estilo peculiar de tocar bateria.

As suas improvisações e as inovações rítmicas que introduzia nas suas composições e que ajudaram a definir o som sofisticado do “bepop jazz” granjearam-lhe um lugar importante na história da música.

Génio autodidacta, destacou-se desde a adolescência, nos anos 40, como uno dos aventureiros que fizeram evoluir o jazz e desafiaram os ouvidos mais conservadores.

A sua atitude aventureira marcaria toda uma carreira, em que ultrapassou as fronteiras do jazz, ao colaborar com coros de gospel, grupos de hip-hop, artistas visuais e todo o tipo de iniciativas musicais.

Actuou pela primeira vez aos 16 anos, em 1940, quando conseguiu encher durante três noites um clube de jazz nova-iorquino como substituto de um baterista.

Essa actuação viria a abriu-lhe as portas do mítico Milton’s Playhouse, no bairro de Harlem, onde conheceria o saxofonista Charlie Parker e o trompetista Dizzy Gillespie.

Em 1944, Roach protagonizou uma das primeiras sessões de gravação de “bepop jazz” ao lado de Gillespie e do também lendário saxofonista Coleman Hawkins.

Com a sua rápida batida na bateria, Roach também colaborou com Miles Davis e a Capitol Orchestra em várias sessões de gravação.

Nos anos 60, 70 e 80, graças à sua imaginação, conseguiu manter-se no topo com inúmeras colaborações musicais e a formação de várias bandas que ele próprio dirigia.

Na década de 70, Roach fez história ao tornar-se o primeiro músico de jazz a dar lições de música como professor titular na Universidade de Massachusetts.

Deixou a actividade docente no final dos anos 90, mas continuou activo e fez digressões com o seu quarteto até 2000.

A sua última colaboração como compositor foi en 2002, quando escreveu e interpretou a música do documentário “How to fraw a bunny”, sobre o artista Ray Johnson.

CM

Jazz em Agosto, ou O Regresso das Estrelas

O regresso de Coleman a Portugal deu o mote para o regresso aos posts no Aqui Jazz o Fado, incompreensivelmente abandonado desde Abril.
A imaginada parceria para alimentar este espaço e que até agora não teve lugar levou-me a pensar em acabar com o blog, mas decidi-me por lhe dar um novo fôlego.
Vamos ver o que vai acontecer…

Numa sala esgotada e com o bonito cenário natural do jardim da Gulbenkian por trás do palco, era enorme a expectativa sobre a actuação de um dos monstros do jazz, a fechar o Jazz em Agosto 2007.

A abrir
O ritmo imposto por Coleman na meia dúzia de temas que alimentaram o concerto ao longo de pouco mais de uma hora, empurrou Tony falanga e Charnett Moffett ( contrabaixos) para registos frenéticos, enquanto Al MacDowell (baixo eléctrico) foi quase sempre a ordem no meio do aparente caos dos temas apresentados. O resultado final foi sempre brilhante.
Coleman é um bom ditador em palco. Como que espartilha a criatividade dos restantes músicos, obrigando-os a segui-lo nas mudanças de tom imprimidas ao longo dos temas.
Quanto a Denardo Coleman (bateria), é um óptimo exemplo do que distingue os bateristas americanos dos europeus. Mais enérgico que ele é difícil, mesmo nos temas com mais swing.


Soube a pouco
Mesmo tendo ficado com a sensação de um público pouco entusiasmado com este jazz que, convenhamos, não é de ouvido fácil, só no final do espectáculo mostrou o merecido reconhecimento a Coleman, com a sala de pé a aplaudir.
Após ter voltado uma única vez, Coleman foi à plateia buscar uma criança, talvez a única na sala, para, num simbólico encontro de gerações, dizer que o menino se chamava Jerôme e que não tinha nada para dizer… 🙂

Fado em Si bemol

Quarta-feira passada, o B Flat Jazz Club fez 11 anos. De parabéns, o António Ferro, que tive o prazer de conhecer. Quando ele disse que tinha uma raridade da Amália – um disco gravado na Broadway(!), liguei de imediato ao Jorge, que desmoralizou o António, coitado; Aquilo foi gravado em Lisboa, com músicos da GNR… e direcção de um americano. Pois!

Para abrilhantar a festa, tocaram os Fado em Si bemol, um nome que encaixa perfeitamente no espírito do blog. O quinteto, que apresentou quase duas dúzias de standards e tem em preparação um disco de originais, é composto por:
Miguel Silva, guitarra portuguesa – Paulo Gonçalves, viola – Pedro Silva, contrabaixo – Paulo Coelho, percussão – Pedro Matos, voz.
A produção do grupo é de Adalberto Ribeiro, a quem prometi ajudar a trazê-los a uma visita à Capital do Império. A ber bamos…

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