Archive for the ‘ Música ’ Category

A Winged Victory For The Sullen – ‘Travelling to Infinity’

A última emissão do Frequências Paralelas destaca os concertos que têm lugar esta semana em Lisboa (Culturgest) e Braga (Theatro Circo) com a dupla que constitui os A Winged Victory For The Sullen.

O projecto ambient dos norte-americanos Adam Wiltzie (ex Stars of the Lid) e o pianista e compositor de bandas-sonoras Dustin O’Halloran terá a companhia do ensemble de cordas belga Echo Collective, com Charlotte Danhier no violoncelo, Margaret Hermant no violino e Neil Leiter na viola. Além desta parceria com a banda, têm colaborações em projectos a solo com os músicos Dustin O’Halloran e o saudoso compositor islandês Jóhann Jóhannsson.

O alinhamento musical do programa inclui dois temas do álbum de estreia homónimo ‘A winged victory for the sullen’ (2011), três do álbum ‘Atomos’ (2014) – que a banda apresentou em concerto no Teatro Maria Matos em 2015 -, dois do álbum ‘The undivided five’ (2019) e seis do álbum ‘Invisible cities’ (2021).



Ainda a propósito desta visita, Adam Wiltzie concedeu a Rui Miguel Abreu uma entrevista para a Ritmos e Batidas, com o sugestivo título “A nossa música triste e silenciosa encontra eco em Portugal”.

Após o concerto, tentarei durante o fim-de-semana escrever duas linhas sobre esta viagem

Duelo de Titãs: 70 anos de ‘Tenor Madness’

Ao longo da década de 50 partilharam o palco em diversas ocasiões, mas foi nos estúdios Van Gelder no dia 24 de Maio de 1956 que Sonny Rollins [1930-2026] e John Coltrane [1926-1967] se encontraram para a única gravação em conjunto, a composição Tenor Madness.
Para esta gravação histórica, que deu o nome ao álbum lançado pela Prestige Records, Rollins juntou a secção rítmica do primeiro grande quinteto de Miles Davis, que Coltrane integrava na altura, com Red Garland no piano, Paul Chambers no contrabaixo e ‘Philly’ Joe Jones na bateria.
A gravação de Tenor Madness beneficia de duas abordagens distintas ao saxofone tenor, com o solo mais melódico e subtil de Sonny Rollins em confronto com a urgência de John Coltrane, cujas progressões harmónicas atingiram o auge no álbum Giant Steps, de 1960.
Sonny Rollins ascendeu ontem ao Olympus como Saxophone Colossus.


Os quartetos de cordas de Haydn (II)

Na passagem do ducentésimo nonagésimo quarto aniversário do nascimento de Joseph Haydn [1732-1809], fica o segundo andamento do ImperadorPoco adagio cantabil, o terceiro dos seis quartetos “Erdödy” Op. 76 (Hob. III:75–80) produzidos entre 1796 e 1797.
A escolha pela interpretação do Quatuor Mosaïques assenta no facto de o quarteto de cordas austríaco ser uma referência em instrumentos de época.


Max Richter no Gira-Discos

A música de Max Richter, compositor britânico de origem alemã que esta semana completou 60 anos, roda no último episódio de Gira-Discos e também na última emissão de Sala 2, programas de Nuno Galopim na Antena 2.
O seu projecto mais ambicioso – Sleep (2015)-, uma experiência sensorial de oito horas e meia, pode ser escutado no Spotify.

‘Figure in Blue’, de Charles Lloyd

No dia em que completou 87 anos, o lendário saxofonista Charles Lloyd apresentou-se em concerto com o pianista Jason Moran e o guitarrista Marvin Sewell. Seguiu então para estúdio onde gravou o seu décimo segundo trabalho pela Blue Note; No duplo LP Figure In Blue sente-se uma atmosfera sonora envolvente, de que o tema Hymn To The Mother, comovente homenagem ao venerável Zakir Hussain [1951-2024] é um bonito exemplo.


Fica um dos novos temas deste álbum editado em 2025, a meditativa composição Hina, Hanta, the way of peace

‘Notas Azuis’ 2.0

Grande aquisição nesta janela de transferências de inverno, o novo programa da Antena 2 Nota Azuis do radialista Rui Miguel Abreu, cronista na Blitz e mentor do projecto Rimas & Batidas.
Desde 2020 na Antena 3, o Notas Azuis ganha na dois um novo fôlego com duas horas de emissão, a primeira com as novidades na área do jazz, dedicando particular atenção aos artistas nacionais; na segunda hora, o autor olha para o passado que agita o presente escutando as importantes reedições ou edições de arquivo.

É o caso de ‘Nuits de la Fondation Maeght’, disco de Sun Ra gravado ao vivo em 1970, com uma espectacular reedição em 2025 pela londrina Strut Records. com duas boxset, uma com quatro CDs e outra com 6 LPs de vinil.


Mestre Ralph Towner

Ralph Towner [1940 – 2026] faleceu no passado dia 18, em Roma, aos 85 anos. Deste guitarrista de excepção, mestre do violão acústico, pianista e prolífico compositor que, ao longo de sete décadas de carreira, cinco das quais com a ECM, incorporou na sua obra géneros como o jazz de fusão, música erudita e world music, deixo aqui uma composição que ilustra bem o seu virtuosismo: do álbum Solstice (1974) – Nimbus, extraída da série :Rarum – Selected Recordings.


Album Solstice (1974) – Ralph Towner: 12-String Guitar, Classical Guitar, Piano | Jan Garbarek, Tenor Saxophone, Soprano Saxophone, Flute | Eberhard Weber, Bass, Cello | Jon Christensen, Drums, Percussion

60 anos de ‘Live At The Plugged Nickel’

Do primeiro set, gravado no dia 22 de Dezembro de 1965, precisamente há 60 anos, fica a composição Walkin’, integrada na série The Complete Live At Plugged Nickel 1965, com oito discos gravados ao vivo no mítico Clube de Chicago, activo durante grande parte da década de sessenta.
Os membros do segundo Quinteto de Miles Davis, incluindo Herbie Hancock no piano acústico, Ron Carter no baixo, Tony Williams na bateria e Wayne Shorter, que substituiu George Coleman no saxofone tenor, recuperam os solos da explosão criativa de finais da década de 50.


Walkin’ (Live at the Plugged Nickel, Chicago, IL) (1st Set) (- December 22, 1965) · Miles Davis
The Complete Live At The Plugged Nickel – 1965

‘Nuper Rosarum Flores’, de Guillaume Dufay

O franco-flamengo Guillaume Dufay [1397-1474], de quem neste dia 27 de Novembro em 2024 passaram 550 anos da morte, é considerado o mais importante compositor durante o período inicial do Renascimento. Fica o motete Nuper Rosarum Flores, composto para a consagração da Catedral de Florença em 1436.


Álbum: Dufay: O gemma lux (2011) · Isorhythmic Motets: Nuper rosarum flores · Huelgas-Ensemble · Paul Van Nevel

‘Heaven and Hell’, de Vangelis – 50º aniversário

Saído do laboratório de Vangelis [1943-2022] em Novembro de 1975, Heaven and Hell é um álbum conceptual, subordinado ao tema da dualidade entre os elementos céu e terra; filosoficamente, representa a viagem cósmica onde a ligação entre o espiritual e o material  são uma jornada para a transcendência.

A santíssima trindade do deus da música electrónica, prosaicamente conhecida como trilogia, definiu-se com Albedo 0.39 no ano seguinte e com Spiral, dois anos mais tarde. 

Simbolicamente, ficam uma entrevista que teve lugar no seu estúdio em 1979 e um artigo de John Diliberto em que tropecei esta manhã.