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500º aniversário do nascimento de Philippe de Monte

O Musica Aeterna dedicou uma emissão aos 500 anos do nascimento de Philippe de Monte [1521 – 4 Julho 1603], compositor franco-flamengo do final do Renascimento que ocupou o cargo de Hofkapellmeister em Viena e Praga, onde serviu a Corte Imperial dos Habsburgos durante trinta e cinco anos.

Em Abril passado, a Outhere Music reuniu no álbum Philippe De Monte: Madrigals and Chansons temas da colecção Delícias Harmónicas (1612) e do Livro primo de Madrigais a cinco vozes (1554), tendo como intérprete o grupo Ratas del Viejo Mundo


‘Motetos’, de Giaches de Wert

Na passagem dos 425 anos sobre a morte do madrigalista Giaches de Wert [1535 – Mântua, 6 Maio 1596],  o moteto Virgo Maria hodie ad coelum, extraído da selecção de música sacra do compositor renascentista que o agrupamento inglês Stile Antico reuniu no disco Giaches de Wert: Divine Theatre, Sacred Motets (2017).


Revelação do tecto da Capela Sistina

A 1 de Novembro de 2012 comemoraram-se os 500 anos da revelação do tecto da Capela Sistina ao Papa Julius II della Rovere (pontífice de 1503 a 1513).
Entre 1508 e 1512, quatro longos anos em cima de andaimes, à mercê do frio e do calor de Roma, Miguel Ângelo Buonarotti trabalhou praticamente em isolamento, apenas recebendo a visita do ‘dono da obra’ para lhe pedir que apressasse o trabalho. No final de 1509 entregou metade da obra, que seria concluída a tempo da celebração da Missa no Dia de Todos os Santos em 1512.

Os nove painéis centrais da abóbada ilustram cenas do Livro do Génesis, com os afrescos organizados cronologicamente em grupos de três episódios, relativos à origem do universo, do homem e do mal:

Separazione della luce dalle tenebre (Génesis 1,1-5)
Creazione degli astri e delle piante (Génesis 1,11-19)
Separazione della terra dalle acque (Génesis 1,9-10)

Creazione di Adamo (Génesis 1,26-27)
Creazione di Eva (Génesis 2,18-25)
Peccato originale e cacciata dal Paradiso terrestre (Génesis 3,1-13.22-24)

Sacrificio di Noè (Génesis 8,15-20)
Diluvio universale (Génesis 6,5-8,20)
Ebbrezza di Noè (Génesis 9,20-27)


Mais de duas décadas decorreram até Miguel Ângelo regressar a Roma para, sob encomenda do Papa Clemente VII [1478-1534], concluir o trabalho na Capela Sistina com a representação de Il Giudizio universale (O Juízo Final), um grande afresco atrás do altar, que o mestre pintou entre 1535 e 1541.

Jacques Arcadelt

Jacques Arcadelt [c. 1507 – 14 Outubro 1568], prolífico compositor franco-flamengo do Renascimento, legou à música sacra 24 motetos, 3 missas, umas Lamentações de Jeremias e um Magnificat; como compositor de música secular, deixou 125 canções francesas e foi, dos primeiros madrigalistas, um dos mais notáveis, com a produção de aproximadamente 250 obras, superando o contemporâneo Bernardo Pisano.

Do primeiro livro de madrigais para quatro vozes [Veneza,1539], Il bianco e dolce cigno, do segundo cd do álbum triplo Jacques Arcadelt: Motetti – Madrigali – Chansons [2018], pelo ensemble vocal belga Choeur de Chambre de Namur fundado em 1987, pelo ensemble Cappella Mediterranea, fundado em 2005 por Leonardo Garcia Alarcón e pelo ensemble francês Doulce Mémoire, fundado em 1989 por Denis Raisin-Dadre.


Claudin de Sermisy

Claudin de Sermisy [c.1490 – 13 Outubro 1562], compositor natural de Paris, esteve a maior parte da sua existência como cantor e mestre de coro ao serviço da corte francesa. Foi autor de uma dúzia de missas, publicou três livros de motetos, tendo no entanto sido a centena e meia de canções polifónicas por si compostas que lhe trouxeram maior notoriedade.

Resurrexi, et adhuc tecum sum, do álbum Sermisy: Tenebrae, Motets [1984], interpretado pelo Ensemble Clément Janequin, fundado em 1978 por Dominique Visse e especializado em música francesa do período de transição entre o Renascimento e o Barroco.


Tomás Luis de Victoria: Et Jesum, Motets for solo voice

Na passagem do quadricentésimo nono aniversário da morte de Tomás Luis de Victoria [c. 1548 – 20 Agosto 1611], o moteto Duo Seraphim clamabant, escrito em 1583.

Juan Carlos Rivera (alaúde e tiorba), Carlos Mena (contratenor)
Álbum Et Jesum, Motets for solo voice – Harmonia Mundi, 2010


‘Madrigais’, de Giaches de Wert

O franco-flamengo Giaches de Wert, também conhecido como Jacques de Wert [1535-1596], foi um dos mais influentes compositores de madrigais do final do Renascimento. Ao serviço dos Duques de Mântua como maestro di cappella entre 1560 e 1592, recebeu em 1590 como violista o jovem Claudio Monteverdi [1567-1643], que acabara de publicar o seu II Livro de Madrigais.

Madrigais de Giaches de Wert [1535-1596] dos Livros VII, VIII e XI
La Venexiana, dirigida por Claudio Cavina
Rossana Bertini, Valentina Coladonato, Nadia Ragni, Claudio Cavina, Giuseppe Maletto, Sandro Naglia, Daniele Carnovich, Gabriele Palomba, Franco Pavan



‘O Casamento da Virgem’, de Rafael

No dia em que passam 500 anos da morte de Rafael, a par de Leonardo da Vinci e de Miguel Ângelo, um dos grandes mestres do Renascimento, escolho o retábulo que o genial artista executou em 1504, Lo Sposalizio della Vergine – O Casamento da Virgem.
A encomenda da Família Albizzini para a igreja de San Francesco em Città di Castello, pertence actualmente à Pinacoteca di Brera, em Milão.


‘Villa Foscari’, de Andrea Palladio

Influenciado pela arquitectura clássica grega e romana, o estudioso Andrea Palladio, que nasceu neste dia 30 de Novembro em 1508, obteve reconhecimento com o Tratado “Os Quatro Livros da Arquitectura”, publicado em 1570.
Do seu legado de Villas, o destaque de hoje vai para a Villa FoscariLa Malcontenta“, arredores de Veneza.

‘Juízo Final’, de Michelangelo Buonarroti

Em 1534, vinte e dois anos após concluir o tecto da Capela Sistina, Michelangelo Buonarroti [6 Março 1475 – 18 Fevereiro 1564] deixou Florença e regressou a Roma para atender a uma encomenda do Papa Clemente VII, a de concluir o trabalho na Capela, com a representação de um grande afresco atrás do altar.
No dia em que passam 450 anos da morte de Miguel Ângelo, fica O Juízo Final que o mestre pintou entre 1535 e 1541.


Detail from a large fresco titled ‘The Last Judgement’ painted by Michelangelo (1475-1564) Italian sculptor, painter, architect, poet, and engineer of the High Renaissance. Dated 16th Century. (Photo by: Photo12/Universal Images Group via Getty Images)


La grandiosa composición realizada por Miguel Ángel entre 1536 y 1541 se concentra en torno a la figura dominante del Cristo, representado en el instante que precede a la emisión del veredicto del Juicio (Mateos 25,31-46). Su gesto, imperioso y sereno, parece al mismo tiempo llamar la atención y calmar la agitación circundante: esto pone en marcha un amplio y lento movimiento rotatorio en el que se ven involucradas todas las figuras. Quedan fuera de éste los dos lunetos de arriba, con grupos de ángeles que llevan en vuelo los símbolos de la Pasión (a la izquierda, la Cruz, los dados y la corona de espinas; a la derecha, la columna de la Flagelación, la escalera y la lanza con la esponja empapada en vinagre). Al lado de Cristo se halla la Virgen, que tuerce la cabeza en un gesto de resignación: en efecto, ella ya no puede intervenir en la decisión, sino sólo esperar el resultado del Juicio. Incluso los Santos y los Elegidos, colocados alrededor de las dos figuras de la Madre y del Hijo, esperan con ansiedad el veredicto. Algunos de ellos se pueden reconocer con facilidad: San Pedro con las dos llaves, San Lorenzo con la parrilla, San Bartolomé con su propia piel en la que se suele identificar el autorretrato de Miguel Ángel, Santa Catalina de Alejandría con la rueda dentada, San Sebastián de rodillas con las flechas en la mano. En la franja de abajo, en el centro, los ángeles del Apocalipsis despiertan a los muertos al son de sus largas trompetas; a la izquierda, los resucitados que suben hacia el cielo recomponen sus cuerpos (Resurrección de la carne); a la derecha, ángeles y demonios compiten para precipitar a los condenados en el infierno. Por último, abajo, Caronte a golpes de remo, junto con los demonios, hace bajar a los condenados de su barca para conducirlos ante el juez infernal Minos, con el cuerpo envuelto por los anillos de la serpiente. En esta parte es evidente la referencia al Infierno de la Divina Comedia de Dante Alighieri. Junto con los elogios, el Juicio suscitó entre sus contemporáneos reacciones violentas, como por ejemplo la del Maestro de Ceremonias Biagio da Cesena, quien dijo que “era cosa muy deshonesta en un lugar tan honorable haber realizado tantos desnudos que deshonestamente muestran sus vergüenzas y que no era obra de Capilla del Papa, sino de termas y hosterías” (G. Vasari, Vidas). Las polémicas, que continuaron durante años, hicieron que la Congregación del Concilio de Trento en 1564 tomase la decisión de hacer cubrir algunas de las figuras del Juicio consideradas “obscenas”. El encargo de pintar elementos de cobertura, las llamadas “bragas”, fue dado a Daniel de Volterra, desde entonces conocido como el “braghettone” (Pone-Bragas). Las “bragas” de Daniel fueron sólo las primeras: en efecto, otras se añadieron en los siglos sucesivos.
Via Museu do Vaticano

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