Mr. Griffith na Cinemateca

Decorre até final de Janeiro na Cinemateca um ciclo «sobre o cinema do medo, do grande quase abstrato medo que faz o espectador sentir-se sozinho, mesmo se a sala de cinema estiver cheia de gente», com uma selecção que atravessa todo o século XX.
De D.W. Griffith [22 Janeiro 1875 – 23 Julho 1948], pai fundador da sétima arte, que nos deixou The Birth of a Nation e Intolerance, respectivamente de 1915 e 1916, estão agendadas projecções nos dias 30 e 31 de An Unseen Enemy de 1912, o filme de estreia das irmãs Lillian Gish [1893-1993] e Dorothy Gish [1898-1968].

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Tomaso Albinoni, ‘musico violino dilettante veneto’

De Tomaso Albinoni [8 Junho 1671 – 17 Janeiro 1751], compositor italiano contemporâneo de Arcangelo Corelli e Antonio Vivaldi (what a wonderful world),  o Concerto para oboé em ré maior, Opus 9, n.º 2.
Han de Vries, Ensemble Alma Musica Amsterdam e direcção de Bob van Asperen.

Gustav Leonhardt

Em dia de homenagem a Gustav Leonhardt (30 de Maio de 1928 – 16 de Janeiro de 2012), As Variações Goldenberg explicadas “direitinho” pelo Fernando Miguel Jalôto.

As Suites de Johann Bernhard Bach

Johann Bernhard Bach [1676-1749], membro relativamente desconhecido da família Bach, era primo mais velho de Johann Sebastian. Para um melhor conhecimento do seu legado musical, instrumental na sua totalidade, temos a interpretação, pelo Ensemble L’Achéron dirigido por François Joubert-Caillet, das quatro Ouvertures (Orchestral Suites), numa edição da outhere music.

Johann Bernhard Bach: Ouverture-Suite No. 1 in G Minor
Johann Bernhard Bach: Ouverture-Suite No. 3 in E minor
Johann Bernhard Bach: Ouverture-Suite No. 4 in D Major

‘Frescos no Palácio Médici-Riccardi’, de Luca Giordano

 

Luca Giordano, nascido em Nápoles a 18 de Outubro de 1634, iniciou a sua aprendizagem com José de Ribera (Lo Spagnoletto), vindo a desenvolver um estilo semelhante ao de Rubens [1577-1640] ou Van Dyck [1599-1641], e sobretudo ao dos pintores venezianos como Ticiano ou Veronese, os quais havia descoberto no início da década de 60 numa viagem ao norte de Itália.
Giordano trabalhou intensamente entre 1683 e 1685 nos tectos da galeria do Palazzo Médici-Riccardi, em Florença.

Galleria Luca Giordano – Palazzo Médici-Riccardi, Firenze

Carlos II chamou-o para a corte espanhola em 1692 e, durante a década seguinte, realizou os frescos da igreja de San Lorenzo no Escorial e os episódios bíblicos no Palácio Buen Retiro, perto de Madrid.
Luca Giordano morreu na sua terra natal a 12 de Janeiro de 1705.

‘Antídoto contra la pestilente poesía de las «soledades»’, de Juan de Jáuregui

Juan de Jáuregui nasceu em Sevilha em 1583, de pais nobres. Sobre a sua formação pouco se sabe, excepto que esteve em Itália, provavelmente a estudar pintura. Na verdade, no seu tempo teve fama como pintor, de cuja obra não restam senão algumas gravuras em livros de época, pois o retrato de Cervantes que lhe foi atribuído já não se considera seu.


Retrato de Miguel de Cervantes (?) de Juan de Jáuregui.
Alonso Zamora Vicente, Historia de la Real Academia Española, Madrid, Espasa, 1999, p. 12.

Em Roma, publicou em 1607 a tradução de Aminta de Torquato Tasso.
Em Sevilha, Jáuregui participou na tertúlia que se realizava no atelier do pintor Francisco Pacheco (mestre e sogro de Velásquez); pelo que é geralmente incluído no grupo que, a partir do século XIX, se tem autodenominado impropriamente escola sevilhana.
Em 1614 começou a escrever o Antídoto contra la pestilente poesía de las «Soledades», aplicado a su autor para defenderle de si mesmo, […]
Em 1618, Jáuregui publicou um volume de Rimas com uma tradução do Aminta (em que muito alterou face à saída em 1607). A Introdução às Rimas é um texto importante para conhecer a poesia de Jáuregui e o que ele pensava da poesia do seu tempo.
Jáuregui fixou-se em Madrid em 1619, sendo censor de novelas a partir de 1621 até à sua morte, em 11 de Janeiro de 1641.
Em 1624 publicou em Madrid o poema Orfeo e o Discurso poético, em que expõe as suas ideias sobre poesia. Estes dois livros foram então julgados contraditórios: enquanto o Discurso poético é um ataque ao gongorismo extremo dessa altura, o Orfeo foi lido como um poema que segue os grandes poemas de Luis de Góngora [1561-1627], saídos uns anos antes. O Orfeo é um poema dividido em cinco cantos, com 186 oitavas, que segue o tema de Orfeu e Eurídice exposto nas Metamorfoses de Ovídio, valendo-se também das Geórgicas de Virgílio, da Eneida e de fontes italianas, nomeadamente Poliziano e Marino. […]

E Já que a lira, em afinadas vozes,
precursora do canto se adianta,
e em mui lentos acordes ou velozes
soa a constante ou trémula garganta,
feras vorazes, áspides atrozes
amansa terno, sonoroso encanta;
chega essa voz, em rochas e montanhas,
a infundir vidas, a humanar entranhas.

Fragmento do Canto IV de Orfeo

A publicação de Orfeo provocou o aparecimento do Orfeo en lengua castellana, assinado por Juan Pérez Montalbán, amigo de Lope de Vega, que tem sido considerado pela crítica como o verdadeiro autor desta obra, mas que não quis aparecer descoberto contra Jáuregui, que, com o seu Antídoto, se tornara um dos maiores inimigos de Góngora. […]
Jáuregui é uma interessante figura da primeira metade do século XVII em Espanha, tanto pela sua poesia como pelas suas ideias, que mantinha com independência frente aos grandes poetas do seu tempo. Seguiu a evolução da poesia espanhola desde Garcilaso de la Vega [1498? – 1536], sendo um cultista que possivelmente aprendeu com Góngora mas não se alistou no grupo que se formou em torno do autor das Soledades; Seguindo a lição de Garcilaso e Herrera, teve a preocupação de ser claro, como se depreende dos seus escritos teóricos. A sua poesia, sobretudo o Orfeo, distingue-se pela capacidade descritiva, pela movimentação e colorido próprio do pintor que ele foi.

in Antologia da Poesia Espanhola do Siglo de Oro, segundo volume – Barroco
selecção e tradução de José Bento

Posters de ‘Metropolis’

O poster mais conhecido da obra-prima Metropolis de Fritz Lang [1890-1976] foi concebido pelo artista gráfico e ilustrador Heinz Schulz-Neudamm [1899-1969] para a Produtora e Distribuidora alemã UFA, que estreou o filme em Berlim a 10 de Janeiro de 1927.

Poster para Metropolis (92,7 x 205 cm),  por Heinz Schulz-Neudamm.  Berlim, 1926

Para o lançamento do filme em França, que viria a ocorrer em Outubro desse mesmo ano, a ACE – L’Alliance Cinématographique Européenne, encomendou o material promocional ao designer russo Boris Bilinsky [1900-1948]. São dele os posters que se seguem:

Poster para Metropolis (240 x 320 cm),  por Boris Bilinsky.  Paris, 1927

Poster para Metropolis (160x 240cm),  por Boris Bilinsky.  Paris, 1927

Poster para Metropolis (240x 320cm),  por Boris Bilinsky.  Paris, 1927
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