Arquivo de Maio, 2009

John Gielgud`s ambition

Emília

 Criar-me, recriar-me, esvaziar-me, até
que o que de mim um dia, morto, vá
para a terra, não seja eu; enganar honradamente,
plenamente, com vontade firme,
o crime, e deixar-lhe este espantalho negro
do meu corpo, como sendo eu!
                                                                     E esconder-me,
a sorrir, imortal, nas margens puras
do rio eterno, árvore
– num poente imarcescível –
da imaginação mágica e divina!

Ruan Ramón Jimenez, 1923?
Benjamín Palencia - Las edades de la vida, 1932

Benjamín Palencia - Las edades de la vida, 1932

Historia de Amor y Muerte

«O Amor é filho de Boémia; nunca conheceu lei alguma; se tu me amas, eu não te amo; se eu te amo, sê cauteloso»
Esta sinceridade de Carmen, a mais famosa habanera da história da música – L’amour est un oiseau rebelle que nul ne peut pas apprivoiser… (1º Acto) -, que procura o amor do dia e não o amor da sua vida, foi-lhe tão fatal quanto a fatalidade de viver permanentemente apaixonada. «Quem quer a minha alma? Ela está livre!» Dom José, perde-se de amores  por esta cigana sevilhana, que o manipula até ao abismo; A paixão e o ciúme toldam-lhe o espírito de tal forma, que o jovem militar irá tornar-se num assassino. «Não tenho medo de nada. Carmen nunca cederá! nasceu livre e livre morrerá!»
A cena final do 4º e último Acto decorre no exterior da Praça de Touros, em dia de Corrida. Carmen, que se enamorara pelo toreador Escamilho, reage com indiferença aos avisos das amigas de que Dom José estava na cidade, como que antecipando o que o destino lhe reserva. Dom José chega para a levar e ela rejeita-o. «Je l’aime et devant la mort même, je répèterais que je l’aime!»
O que a desgraçada foi dizer… 😦

Georges Bizet (1838-1875) compôs Carmen com o admirável texto escrito pelos libretistas Meilhac e Halévy, a partir de uma novela publicada por Merimée em 1845 na revista «Dois Mundos».
Estreada em Março de 1875 na Ópera Cómica de Paris, onde as críticas foram duríssimas, a popularidade de Carmen tornou-se numa referência das obras musicais inspiradas em Espanha embora, quer Bizet quer os libretistas nunca lá tenham estado. 🙂
Este vídeo pertence à adaptação de Carmen para cinema, realizada por Francesco Rosi há 25 anos – creio que foi num dos ciclos de cinema no Fórum Picoas que a vi…

Batalha de La Albuera

O exército francês do marechal Soult, que incluia um regimento polaco, foi cercado e derrotado por uma força militar composta pelos exércitos luso-britânico e espanhol, comandados pelo marechal Beresford. A Batalha de 16 de Maio de 1811 em Albuera – 22 km a sul de Badajoz, – embora sangrenta, foi uma vitória mais  táctica do que decisiva.
Os horrores da Guerra da Independência Epanhola estão profusamente representados na pintura de Francisco de Goya, como neste exemplo. 
         

 

Decidido Napoleón a terminar con el ejercito británico de Portugal, ordena una operación combinada entre Massena y Soult que deberían formar sobre Lisboa una pinza que arrojara al mar a Wellington. Para ello es necesario tomar Badajoz. A tal fin, parte de Sevilla el 2 de enero de 1811 el mariscal Soult, al frente de un poderoso ejército, llevando como segundo al mariscal Mortier y dirigiéndose en primer lugar a la plaza de Olivenza, que se rinde el 26 de enero, y sentando sus reales frente a Badajoz el 26 del mismo mes. Después de feroz resistencia la plaza capitula el día 10 de marzo. Tras la toma de Badajoz, Soult regresa a Sevilla, dejando en la capital extremeña a Mortier que toma Campomayor y Alburquerque. Wellington confía a Beresford las operaciones en Extremadura, mientras él sigue de cerca los movimientos de Massena. Beresford reconquista Olivenza el 15 de abril, como paso previo al asedio de Badajoz y el 4 de mayo de 1811 se presenta ante ella. Pero Soult, enterado de las acciones, acude desde Sevilla con el propósito de levantar el cerco. En previsión de esta contingencia Wellington y Castaños habían previsto un plan para interceptar el progreso de Soult que debía ser detenido en la Albuera.

Después de la Albuera, el mariscal Soult regresa a Sevilla, sin haber logrado auxiliar a Badajoz. Las fuerzas aliadas vuelven al campo sitiador para proseguir el asedio sin resultado. A la vista que, de nuevo, viene Soult sobre Badajoz los aliados deciden levantar el sitio que se limita a un bloqueo a distancia de la plaza.

Tras el levantamiento de sitio, el ejército aliado tiene como objetivo primordial la conquista de Ciudad Rodrigo. El 28 de octubre de 1811, las fuerzas combinadas del segundo de Castaños, Girón, y las aliadas del general Hill inflingen cuantiosas perdidas a los franceses en la acción de Arroyolinos de Montánchez. En enero de 1812 se toma Ciudad Rodrigo y el 17 de marzo se formaliza el nuevo sitio de Badajoz.

El 19 de Mayo se toma el puente de Almaraz; el 17 de junio Salamanca, enfrentándose el día 22 de julio a los franceses en los Arapiles. El día 11 de agosto Wellington entra en Madrid. Via.

 

 

Ligações:
Cronologia das Invasões Francesas
Guerra Peninsular
Guerra de la Independencia Española
Batalla de La Albuera

 

 

 

 

Paul Bley – Solo

CULTURGEST – 19 DE MAIO DE 2009, 21h30 · Grande Auditório

O canadiano Paul Bley nasceu em 1932 em Montreal onde, desde muito novo, recebeu formação clássica em música. Em 1950, mudou-se para Nova Iorque, onde começou a sua carreira como pianista de jazz.

Paul Bley, a master of modernist purposes… has worked with more first-rate, wide-ranging original musical minds than anyone, except Miles Davis…”

Howard MandelDown Beat – Abril de 1995

 

Charlie Parker – Sonny Rollins – Ben Webster – Charles Mingus – Lester Young – Chet Baker – Steve Swallow – Gary Peacock – John Scofield – Gary Burton – Pat Metheny – Paul Motion – John Surman – Charlie Haden – Lee Konitz – Bill Evans – Cecil Taylor – Ornette Coleman, fazem parte da short list de jazzmen com quem tem tocado e gravado, ao longo da sua longa carreira.

 

Ligado à vanguarda do jazz dos anos de 1960, sendo um dos seus elementos mais activos. Foi igualmente precursor na utilização do sintetizador, tendo dado o primeiro concerto da história com esse instrumento em 1969 no Philarmonic Hall de Nova Iorque. Em meados da década de 1970, com a artista de vídeo Carol Goss, iniciou uma colaboração pioneira entre músicos de jazz e artistas de vídeo.
O seu primeiro disco de piano solo foi gravado em 1972 para a editora ECM.
Paul Bley apresenta-se, desde há muitos anos, em concertos por todo o mundo, a solo ou com formações muito diversas, tocando composições suas, 
standards, ou lançando-se em solos espontâneos, improvisados no momento.Via.

 

Discografia seleccionada
Complete Savoy Sessions 1962-63 Barrage 

Paul Bley With Gary Peacock  Paul Bley Quartet

ESA lança Herschel e Planck (editado)

Como mencionado nesta posta da semana passada , podemos hoje assistir em directo no site da ESA, a partir das 13:40 (hora de Portugal Continental), ao lançamento dos satélites Herschel e Planck, que viajarão até às profundezas do Universo. O Herschel terá como missão estudar a formação das estrelas e das galáxias, o Planck irá analisar a irradiação emitida no início do espaço, do tempo e da energia____________

há 13,7 mil milhões de anos!

Ariane 5 enclosing Herschel and Planck in the Ariane launch zone at Europe's Spaceport in Kourou, French Guiana, on 13 May 2009. Credits: ESA - S. Corvaja, 2009

 

O Observatório Espacial Herschel, que deve o seu nome aos irmãos William e Caroline Herschel que nos Séc. XVIII e XIX foram pioneiros na investigação e classificação sistemática do céu, vai realizar observações numa vasta gama de comprimentos de onda, desde o infravermelho longínquo até ao sub-milímetro. Os seus objectivos científicos incluem o estudo dos pequenos corpos do Sistema Solar (asteróides, cometas, objectos da cintura de Kuiper); o estudo do processo de formação de estrelasplanetas; o estudo das vastas regiões de gás e poeira que existem na nossa Galáxia; o estudo da taxa de formação de estrelas no Universo ao longo do tempo.       

O Observatório Espacial Planck deve o seu nome ao cientista alemão e prémio Nobel da Física, Max Planck. Este é o primeiro observatório Europeu dedicado ao estudo da Radiação Cósmica de Fundo (RCF), a radiação que preenche todo o Universo e mantém o registo fóssil do Big-Bang. O seu principal objectivo é medir, com uma precisão nunca antes alcançada, as pequenas flutuações na RCF, permitindo obter a melhor imagem de sempre do Universo jovem, quando tinha apenas 380.000 anos. Como consequência desta precisão sem precedentes, deverá também ser possível determinar o valor da constante de Hubble (que mede a velocidade de expansão do Universo), testar os modelos de inflação que deverá ter ocorrido nos primeiros instantes do Big-Bang.

Ambos os Observatórios vão ficar “estacionados” no segundo ponto de Lagrange (L2) do sistema Terra-Sol, ou seja, a cerca de 1,5 milhões de quilómetros da Terra na direcção oposta à do Sol. Via

 

NÓS, EUROPEUS!

Ariane 5 lifts off with Herschel and Planck on board

Chet Baker

Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa

Quinze anos depois…
Da revelação, ao mundo, de uns rabiscos que não sabiam nadar.
De os mesmos rabiscos chegarem a ter sido datados por especialistas, como tendo no máximo 300 anos – Juro que não fui eu! Apesar de por ali ter passado em miudo, quando ia banhar-me na ribeira, estou convencido que os rabiscos já lá estavam…
Do desvario dos senhores da Unesco, que classificaram o sítio como Património da Humanidade.
De pouco ou nada se ter investido em infraestuturas na Região, de modo a potenciar o Parque.
De o Rio Sabor – que não tem culpa nenhuma, – ser quem vai pagar as favas.

O Vale do Côa vai assistir, finalmente, à inauguração do seu Museu, que divulgará um dos mais longos ciclos de arte rupestre da Europa… e o resto é paisagem. Minimalista! 🙂

 

vale-do-coa_canada-do-inferno_DSCN4926_2060831

Swing Time

Passam hoje 110 anos sobre o nascimento de Fred Astaire. Com Ginger Rogers, formou um dos pares mais charmosos da história do cinema.

Gostou? Experimente ver no YooouuuTuuube! 🙂

Na década de 90, Frank Ghery prestou-lhes homenagem com o edifício Dancing House, em Praga.

 

Futuro (do) Terreiro do Paço

Não tenho competência para discutir conceptualmente o projecto do arquitecto Bruno Soares para a requalificação doTerreiro do Paço, do qual só sei o que li no Público. Vou por isso aguardar a publicitação dos desenhos para fundamentar os meus bitaites.  Todavia, não seria avisado conhecer nesta altura o que realmente será feito, por exemplo, em termos de circulação rodoviária nas zonas adjacentes, para que esta requalificação possa fazer sentido? Ou já está decidido? Porém, desde já um pormaior deve ser amplamente discutido.

Até ao final do séc. XIX, o Terreiro do Paço não estava pavimentado: era, como o nome indica, uma praça de terra. Foi essa memória que Bruno Soares quis manter no trabalho que desenvolveu para a Sociedade Frente Tejo.

 

 

Será este o princípio que se aplica para o desaparecimento da calçada portuguesa? 
O argumento, muito em voga nos dias de hoje, de que a calçada portuguesa é inimiga da mobilidade, não pode servir para matar o passeio público! 
A ideia dos losangos evocativos das rotas de navegação também se consegue concretizar com a nossa pedra, que melhor respeita  a nossa herança. Para isso, abra-se um concurso de ideias, que os nossos mestres calceteiros terão a arte de lhes dar forma. Pode até nem ser a melhor solução,  a calçada na  placa central, mas já que – e bem – se prevê o alargamento dos passeios laterais, então que se dê ainda mais visibilidade à calçada portuguesa, como no Rossio!
Uma ideia
Pegar nos motivos do Grande Panorama de Lisboa
e mostrar como a cidade era antes do Terramoto 
COM CALÇADA PORTUGUESA!

 

Com a devida vénia, recomendo a leitura do excelente artigo de opinião do Cidadania LX  publicado aqui.

No seguimento do post publicado no Sétima Colina.

 

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