Archive for the ‘ Fotografia ’ Category

fotografar palavras # 2449

“Já nem me lembro do som do silêncio. O ruído dos meus pensamentos é ensurdecedor.”


Texto: © Paulo Kellerman

Foto: fotografarpalavrasAnaMargaridaLopes © Ana Margarida Lopes

Projecto: fotografar palavras © Paulo Kellerman 

fotografar palavras # 2431

“Sem darem conta, iluminaram o entardecer quando os seus olhares se tocaram…”


Texto: © Liliana Silva

Foto: fotografarpalavrasAnaMargaridaLopes © Ana Margarida Lopes

Projecto: fotografar palavras © Paulo Kellerman 

fotografar palavras # 2335

“Quem escolheu esta minha maneira de viver?”


Texto: © Vítor Vieira

Foto: fotografarpalavrasAnaMargaridaLopes © Ana Margarida Lopes

Projecto: fotografar palavras © Paulo Kellerman 

 

fotografar palavras # 2287

“Talvez o céu pertença aos que voam pela sua essência de, somente, fazer voar…”


Texto: © Catarina Vale

Foto: fotografarpalavrasAnaMargaridaLopes © Ana Margarida Lopes

Projecto: fotografar palavras © Paulo Kellerman

 

fotografar palavras # 2231

“Achas mesmo que a tua vontade te pertence?”


Texto: © Miguel Clemente

Foto: fotografarpalavrasAnaMargaridaLopes © Ana Margarida Lopes

Projecto: fotografar palavras © Paulo Kellerman 

Woody Allen – When I’m Eighty Four

1964 – Seven stars of Woody Allen’s film “What’s New Pussycat?” in Paris.
Seated, left to right, Woody Allen, Peter O’Toole and Peter Sellers (1925 – 1980), standing behind them, left to right, Paula Prentiss, Romy Schneider (1938 – 1982), Ursula Andress and Capucine (1933 – 1990).

Photo by Keystone/Getty Images

Jack Torrance faz parte do Hotel Overlook

Jack Torrance aparece numa fotografia tirada em 4 Julho 1921 durante uma Festa no Overlook Hotel. Stanley Kubrick explica que Jack é uma reencarnação de algum hóspede ou de alguém do staff do Hotel…

Ciao Bella!

Laura Antonelli [28 Nov 1941 – 22 Jun 2015]

O dia não me promete mais que o dia…

Por entre a casaria, em intercalações de luz e sombra – ou, antes, de luz e de menos luz – a manhã desata-se sobre a cidade. Parece que não vem do sol mas da cidade, e que é dos muros e dos telhados que a luz do alto se desprende – não deles fisicamente, mas deles por estarem ali.
Sinto, ao senti-la, uma grande esperança; mas reconheço que a esperança é literária. Manhã, primavera, esperança – estão ligados em música pela mesma intenção melódica; estão ligados na lama pela mesma memória de uma igual intenção. Não: se a mim mesmo observo, como observo a cidade, reconheço que o que tenho que esperar é que este dia acabe, como todos os dias. A razão também vê a aurora. A esperança que pus nela, se a houve não foi minha: foi a dos homens que vivem a hora que passa, e a quem incarnei sem querer, o entendimento exterior neste momento.
Amanhecer em Lisboa – 18 Dez 2013
Esperar? Que tenho eu que espere? O dia não me promete mais que o dia, e eu sei que ele tem decurso e fim. A luz anima-me mas não me melhora, pois sairei daqui como para aqui vim – mais velho em horas, mais alegre uma sensação, mais triste um pensamento. No que nasce tanto podemos sentir o que nasce como pensar o que há-de morrer. Agora, à luz ampla e alta, a paisagem da cidade é como de um campo de casas – é natural, é extensa, é combinada. Mas ainda no ver disto tudo poderei eu esquecer que existo? A minha consciência da cidade é, por dentro, a minha consciência de mim.
Lembro-me de repente de quando era criança e via, como hoje não posso ver, a manhã raiar sobre a cidade. Ela então não raiava para mim, mas para a vida, porque então eu (não sendo consciente) era a vida. Via a manhã, e tinha alegria; hoje vejo a manhã, e tenho alegria, e fico triste. A criança ficou mas emudeceu. Vejo como via, mas por trás dos olhos vejo-me vendo; e só com isto se me obscurece o sol e o verde das árvores é velho e as flores murcham antes de aparecidas. Sim, outrora eu era de aqui; hoje, a cada paisagem, nova para mim que seja, regresso estrangeiro, hóspede e peregrino da sua presentação, forasteiro do que vejo e ouço, velho de mim.
Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei. No meu sangue corre até a menor das paisagens futuras, e a angústia do que terei que ver de novo é uma monotonia antecipada para mim.
E debruçado ao parapeito, gozando do dia, sobre o volume vário da cidade inteira, só um pensamento me enche a alma – a vontade íntima de morrer, de acabar, de não ver mais luz sobre cidade alguma, de não pensar, de não sentir, de deixar atrás, como um papel de embrulho, o curso do sol e dos dias, de despir, como um traje pesado, à beira do grande leito, o esforço involuntário de ser.
Bernardo Soares – 119

Jacarandás, Jardim de Neptuno

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