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Musica Aeterna – Johann David Heinichen

Os sábados musicais são enriquecidos com o Musica Aeterna, de autoria de João Chambers.
A emissão de hoje é dedicada a Claudio Monteverdi (1567-1643) e a Selva morale e spirituale, a primeira antologia de música sacra a ser publicada após as monumentais “Vésperas” de 1610.

Podcast de 05-09-2009
Do repertório sacro do teórico e homem de leis Johann David Heinichen (1683-1729), uma das grandes figuras do alto barroco alemão, destaco a Missa Nr 11 – Dixit Dominus, datada de 1728 e uma das criações mais tardias de Heinichen.
Esta obra foi executada pela Kammerchor Dresden e dirigida por Hans Christoph Rademann (biografia).

Galileu na China

Foi a 25 de Agosto de 1609. Há precisamente 400 anos, Galileu Galilei apresentava o seu telescópio ao dodge e aos outros elementos das esferas mais poderosas da cidade de Veneza.

Aproveitando a efeméride, aqui ficam os apontamentos recolhidos na aula do Professor Henrique Leitão, no Museu do Oriente.

Em Setembro de 1608, o holandês Hans Lipperhey anuncia um artefacto revolucionário em forma de tubo, que combinava um par de lentes gémeas e permitia ver com nitidez pessoas e coisas situadas a várias centenas de metros de distância e que, por isso, teria grande utilidade para fins militares; Duas semanas mais tarde, outros dois holandeses, Jacob Metius e Zacharias Janssen, apresentaram objectos semelhantes.
As notícias chegaram a Galileu que, engenhoso como era, se documentou devidamente e não se limitou a copiar, fez muito melhor. Galileu passou os três anos seguintes a efectuar observações telescópicas, período em que escreveu Sidereus Nuncius (1610).

Ptolomeu estava errado!
” A Lua é uma pedra! Nós até aqui não sabíamos nada! Júpiter tem satélites! Saturno não é nada redondo! Vénus anda à volta do Sol!

Galileu em Portugal
Importa recuar algumas décadas para perceber a importância da Rede Administrativa da Companhia de Jesus enquanto veículo de transmissão do conhecimento científico da época, nomeadamente na divulgação das descobertas de Galileu entre os Chineses. Os jesuítas portugueses eram em número muito inferior em relação aos outros jesuítas europeus, mas tinham de missionar áreas muito mais vastas, como o Brasil.

No Colégio de Santo Antão (1553), onde é hoje o Hospital de São José, era leccionada a famosa Aula da Esfera, onde se revia aprofundadamente a cosmologia da época. Ora, os professores jesuítas, em contacto constante com o Colégio Romano e os centros científicos da época, não podiam deixar de estar a par das grandes polémicas cosmológicas da altura. Devido à situação de Lisboa no trânsito de missionários, alguns dos mais competentes professores do Colégio Romano, tais como Christopher Grienberger, vieram por algum tempo para Portugal, com o objectivo de ensinar no Colégio de Santo Antão.

Para se ter um ideia da importância da instituição na época em Portugal, note-se que em 1759 havia 20 mil alunos jesuítas, o que, depois de Pombal, só voltou a verificar-se cerca de 150 anos mais tarde; Em Coimbra, não havia professores de matemática capazes, enquanto que o Colégio acolhia dos melhores professores estrangeiros.

A missionar na Índia, o Padre Giovanni Antonio Rubino, que partira de Lisboa para Macau em 1602, dizia em Novembro de 1612 sobre os famosos telescópios:

“Mandem-me as instruções, que aqui arranjarei quem os produza!”

Galileu na China (1609-1618) – Tribunal das Matemáticas conta com a presença de jesuítas com treino avançado:

O grande objectivo das missões dos jesuítas era a evangelização da China, iniciada por Matteo Ricci (1552-1610), um italiano de famílias nobres que tinha partido para o Oriente em 1578, equipado de uma vasta cultura científica. Ricci percebera o grande interesse chinês pelos conhecimentos científicos que os ocidentais possuíam e foi o primeiro europeu a conseguir conquistar a confiança de altos dignitários do Império do Meio. Na sua esteira, os missionários jesuítas, muitos dos quais portugueses, conseguiram pouco a pouco ter uma posição influente em Pequim, chegando a presidir ao Tribunal das Matemáticas, que era um conselho imperial para matérias científicas, nomeadamente para a organização do calendário, para a previsão de eclipses e para a observação astronómica. Na sua correspondência com o Vaticano, Ricci e os seus companheiros insistiam frequentemente na importância da ciência.
«Enviem-nos matemáticos!», pedia Ricci, «enviem-nos livros!»

Manuel Dias – Pequim, 1614: As primeiras notícias sobre Saturno, contadas na China por um português, abriram uma notável discussão sobre astronomia.

O padre Manuel Dias publicou na China o «Tien wen lueh», descrevendo já as observações astronómicas que Galileu tinha feito em 1609 e 1610. Numa altura em que as cartas de Pequim para Roma chegavam a demorar oito anos a chegar ao destino, quatro anos bastaram, mesmo com os longos meses da carreira da Índia, somados à paragem em Goa e aos meses da viagem até Macau, para que a Companhia de Jesus tivesse feito chegar ao Oriente as mais recentes e mais polémicas observações científicas da época.

Giovanni Paolo Lembo (1570?-1618), que ensinou no Colégio de Santo Antão a Aula da Esfera entre 1615 e 1617, promoveu a discussão das observações das Fases de Vénus, no sentido de provar que Vénus girava em torno do Sol.
G. P. Lembo tinha construído em 1610 os telescópios do Colégio Romano e tinha subscrito o célebre parecer de quatro matemáticos de 1611, documento que tinha confirmado às autoridades eclesiásticas a justeza das observações de Galileu.
Deixou-nos instruções sobre como se construir um telescópio, ou longemira, como se designava na época.
Enquanto que no resto da Europa a comunidade científica pouco ênfase ia dando ao assunto, na China e no Japão o telescópio acolhia grande entusiasmo.
Em 1759, os Jesuítas foram expulsos de Portugal…

O Paço da Ribeira no Tempo de D. João V

Na primeira metade do século XVIII, D. João V, rei de Portugal, seguindo o padrão dos monarcas europeus com uma aura de «Rei Sol», tudo fazendo para o engrandecimento da sua imagem e da do seu país, parece ter procurado mais do que o simples entretenimento da sua corte, ou mesmo da educação dos jovens príncipes.
Vivia-se então um período de intensa actividade ligada às descobertas científicas, nomeadamente no campo da astronomia, como forma de melhor conhecer a própria Terra, quer no que respeita à sua geodesia e cartografia, quer no que respeita à sua órbita.
Aproveitando os fluxos de ouro vindos do Brasil, D. João V desempenhou um papel activo enquanto mecenas de astrónomos italianos e promoveu o relacionamento da sua corte com a comunidade intelectual italiana, nos campos das Artes e das Ciências.

O Paço da Ribeira no início do Século XVIII

No seu tempo, foram construídas três grandes Bibliotecas: a do Convento de Mafra, destinada à história de Portugal e terminada já depois da morte do rei, em 31 de Julho de 1750; 🙂
A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, um admirável exemplo da arquitectura barroca e destinada à reforma dos estudos universitários em Coimbra, dentro de uma estratégia de expansão do Iluminismo em Portugal.
Mas nenhuma se comparava ao esplendor e actividade da Grande Biblioteca situada no próprio palácio real, o Paço da Ribeira. Chamada a Casa da Livraria, tornou-se famosa ainda em vida do rei e rapidamente se transformou num centro de experimentação e pesquisa científica, um símbolo do programa de ensino cuja reforma D. João V tinha iniciado.

  • fonte: Catálogo da Exposição Estrelas de Papel: Livros de Astronomia dos Séculos XIV a XVIII – BN, que terminou hoje, 31 de Julho. Como qualquer português que se preze, guardei a visita para o último dia. Devo até ter sido o último visitante, porque durante os cerca de noventa minutos da visita estive sempre sozinho! 🙂
  • Camões e a Astronomia

    Celebramos hoje o Príncipe dos Poetas. No dia em que passam quatrocentos e vinte e nove anos sobre a sua morte, vale a pena recordar dois conjuntos de textos que analisam as referências astronómicas utilizadas por Camões em “Os Lusíadas”:

    Em primeiro lugar, a Professora Carlota Simões desenvolveu no Portal do Astrónomo oito temas (A viagem de Vasco da Gama – A LuaO SolAs UrsasO Cruzeiro do SulAs dez esferasO firmamentoOs céusO movimento dos auges e estrelas fixas ) que permitem conhecer um pouco da obra de Luciano Pereira da Silva – A Astronomia de “Os Lusíadas”.
    Numa série de artigos publicados entre 1913 e 1915 na Revista da Universidade de Coimbra, LPS mostra que “Camões tinha um conhecimento claro e seguro dos princípios da astronomia, como ela se professava no seu tempo” e deduz que as ideias astronómicas de Camões decorrem das anotações de Pedro Nunes sobre os textos de Johannes de Sacrobosco, cuja obra Camões mostra conhecer com rigor, quando no Canto X coloca na voz da Deusa Tethis a descrição do mundo tal como esta é descrita no “Tratado da Sphera” , considerada a principal fonte astronómica de “Os Lusíadas”, a par da informação recolhida nos diários de bordo da viagem de Vasco da Gama e nas tábuas náuticas.

    Vês aqui a grande máquina do Mundo,
    Etérea e elemental, que fabricada
    Assim foi do Saber, alto e profundo,
    Quem é sem princípio e meta limitada.
    Quem cerca em derredor este rotundo
    Globo e sua superfície tão limada,
    É Deus; mas o que é Deus, ninguém o entende,
    Que a tanto o engenho humano não se estende.

    Canto X – 80
     

    Em segundo lugar, as Palestras do professor Félix Rodrigues, subordinadas ao tema A astronomia na obra de Camões – partes I – II – III -, no âmbito das comemorações do Ano Internacional da Astronomia.

    Giovanni Battista Tiepolo - Thetis Consoling Achilles, 1757

    ESA lança Herschel e Planck (editado)

    Como mencionado nesta posta da semana passada , podemos hoje assistir em directo no site da ESA, a partir das 13:40 (hora de Portugal Continental), ao lançamento dos satélites Herschel e Planck, que viajarão até às profundezas do Universo. O Herschel terá como missão estudar a formação das estrelas e das galáxias, o Planck irá analisar a irradiação emitida no início do espaço, do tempo e da energia____________

    há 13,7 mil milhões de anos!

    Ariane 5 enclosing Herschel and Planck in the Ariane launch zone at Europe's Spaceport in Kourou, French Guiana, on 13 May 2009. Credits: ESA - S. Corvaja, 2009

     

    O Observatório Espacial Herschel, que deve o seu nome aos irmãos William e Caroline Herschel que nos Séc. XVIII e XIX foram pioneiros na investigação e classificação sistemática do céu, vai realizar observações numa vasta gama de comprimentos de onda, desde o infravermelho longínquo até ao sub-milímetro. Os seus objectivos científicos incluem o estudo dos pequenos corpos do Sistema Solar (asteróides, cometas, objectos da cintura de Kuiper); o estudo do processo de formação de estrelasplanetas; o estudo das vastas regiões de gás e poeira que existem na nossa Galáxia; o estudo da taxa de formação de estrelas no Universo ao longo do tempo.       

    O Observatório Espacial Planck deve o seu nome ao cientista alemão e prémio Nobel da Física, Max Planck. Este é o primeiro observatório Europeu dedicado ao estudo da Radiação Cósmica de Fundo (RCF), a radiação que preenche todo o Universo e mantém o registo fóssil do Big-Bang. O seu principal objectivo é medir, com uma precisão nunca antes alcançada, as pequenas flutuações na RCF, permitindo obter a melhor imagem de sempre do Universo jovem, quando tinha apenas 380.000 anos. Como consequência desta precisão sem precedentes, deverá também ser possível determinar o valor da constante de Hubble (que mede a velocidade de expansão do Universo), testar os modelos de inflação que deverá ter ocorrido nos primeiros instantes do Big-Bang.

    Ambos os Observatórios vão ficar “estacionados” no segundo ponto de Lagrange (L2) do sistema Terra-Sol, ou seja, a cerca de 1,5 milhões de quilómetros da Terra na direcção oposta à do Sol. Via

     

    NÓS, EUROPEUS!

    Ariane 5 lifts off with Herschel and Planck on board

    Touching the Edge of the Universe

     

    European IYA 2009 planetarium show co-produced by ESAEuropean IYA 2009 planetarium show co-produced by ESA

     

    A Agência Espacial Europeia – ESA estreia amanhã o show Touching the Edge of the Universe , no âmbito das comemorações do Ano Internacional da Astronomia.
    A 14, se tudo correr bem, serão lançados os satélites Herschel e Planck, que viajarão até às profundezas do Universo. O Herschel terá como missão estudar a formação das estrelas e das galáxias, o Planck irá analisar a irradiação emitida no início do espaço, do tempo e da energia____________
    há 13,7 mil milhões de anos! 🙂

    Touching the Edge of the Universe  mostra em 3D a história de uma viagem com 400 anos, desde Galileo Galilei e o seu primitivo telescópio, até às sofisticadas missões espaciais dos nossos dias. 

     

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