Posts Tagged ‘ Terreiro do Paço ’

O Paço da Ribeira no Tempo de D. João V

Na primeira metade do século XVIII, D. João V, rei de Portugal, seguindo o padrão dos monarcas europeus com uma aura de «Rei Sol», tudo fazendo para o engrandecimento da sua imagem e da do seu país, parece ter procurado mais do que o simples entretenimento da sua corte, ou mesmo da educação dos jovens príncipes.
Vivia-se então um período de intensa actividade ligada às descobertas científicas, nomeadamente no campo da astronomia, como forma de melhor conhecer a própria Terra, quer no que respeita à sua geodesia e cartografia, quer no que respeita à sua órbita.
Aproveitando os fluxos de ouro vindos do Brasil, D. João V desempenhou um papel activo enquanto mecenas de astrónomos italianos e promoveu o relacionamento da sua corte com a comunidade intelectual italiana, nos campos das Artes e das Ciências.

O Paço da Ribeira no início do Século XVIII

No seu tempo, foram construídas três grandes Bibliotecas: a do Convento de Mafra, destinada à história de Portugal e terminada já depois da morte do rei, em 31 de Julho de 1750; 🙂
A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, um admirável exemplo da arquitectura barroca e destinada à reforma dos estudos universitários em Coimbra, dentro de uma estratégia de expansão do Iluminismo em Portugal.
Mas nenhuma se comparava ao esplendor e actividade da Grande Biblioteca situada no próprio palácio real, o Paço da Ribeira. Chamada a Casa da Livraria, tornou-se famosa ainda em vida do rei e rapidamente se transformou num centro de experimentação e pesquisa científica, um símbolo do programa de ensino cuja reforma D. João V tinha iniciado.

  • fonte: Catálogo da Exposição Estrelas de Papel: Livros de Astronomia dos Séculos XIV a XVIII – BN, que terminou hoje, 31 de Julho. Como qualquer português que se preze, guardei a visita para o último dia. Devo até ter sido o último visitante, porque durante os cerca de noventa minutos da visita estive sempre sozinho! 🙂
  • Anúncios

    Futuro (do) Terreiro do Paço

    Não tenho competência para discutir conceptualmente o projecto do arquitecto Bruno Soares para a requalificação doTerreiro do Paço, do qual só sei o que li no Público. Vou por isso aguardar a publicitação dos desenhos para fundamentar os meus bitaites.  Todavia, não seria avisado conhecer nesta altura o que realmente será feito, por exemplo, em termos de circulação rodoviária nas zonas adjacentes, para que esta requalificação possa fazer sentido? Ou já está decidido? Porém, desde já um pormaior deve ser amplamente discutido.

    Até ao final do séc. XIX, o Terreiro do Paço não estava pavimentado: era, como o nome indica, uma praça de terra. Foi essa memória que Bruno Soares quis manter no trabalho que desenvolveu para a Sociedade Frente Tejo.

     

     

    Será este o princípio que se aplica para o desaparecimento da calçada portuguesa? 
    O argumento, muito em voga nos dias de hoje, de que a calçada portuguesa é inimiga da mobilidade, não pode servir para matar o passeio público! 
    A ideia dos losangos evocativos das rotas de navegação também se consegue concretizar com a nossa pedra, que melhor respeita  a nossa herança. Para isso, abra-se um concurso de ideias, que os nossos mestres calceteiros terão a arte de lhes dar forma. Pode até nem ser a melhor solução,  a calçada na  placa central, mas já que – e bem – se prevê o alargamento dos passeios laterais, então que se dê ainda mais visibilidade à calçada portuguesa, como no Rossio!
    Uma ideia
    Pegar nos motivos do Grande Panorama de Lisboa
    e mostrar como a cidade era antes do Terramoto 
    COM CALÇADA PORTUGUESA!

     

    Com a devida vénia, recomendo a leitura do excelente artigo de opinião do Cidadania LX  publicado aqui.

    No seguimento do post publicado no Sétima Colina.

     

    O capricho

    O Presidente da Câmara decretou o encerramento do Terreiro do Paço aos domingos.
    Diz ele que a iniciativa custou 5.600 euros.

    Vindo do lado de Sta Apolónia e até ao largo do Corpo-Santo, contei 1 dezena de polícias, entre agentes da PM e PSP.
    Quem vier da 24 de Julho contará outros tantos.

    Fazendo uma conta de mercearia, contando com 2 turnos, teremos ao longo de cada domingo 30 a 40 polícias a impedir o acesso automóvel à Sala de Visitas da Capital.
    Devem estar ali pro bono, certamente!

    Estou seriamente inclinado a experimentar a bicicleta, para poder andar às voltas à Praça do Comércio e ver os tapumes das obras com mais detalhe…
    Agora a sério, onde se devia passar qualquer coisa não era ali, mas nas ruas de trás, onde estão os comerciantes, que não alinham, vá-se lá saber porquê…

    O Terreiro do Paço é das pessoas

    Quais pessoas?! Os turistas andam a pé ( já foi ver a nódoa que é o Welcome Center?) e os lisboetas vão lá para ver a Árvore de Natal (onde é que vai meter os milhares de carros nos domingos de Dezembro, com filas até à Rotunda do Marquês?). Esqueça lá os protocolos com a Carris e com o Metro, pois ninguém está interessado em levar as criancinhas às cavalitas desde o Rossio (esse sim, deveria ser o Terreiro dos lisboetas e não da fauna que por lá circula).

    “Plantar actividades culturais” é uma forma artificial de lidar com o histórico desinteresse dos lisboetas por um local puramente majestático, desde sempre associado ao poder, ao Império, e com o qual as pessoas não têm afinidades.
    Se medidas destas têm como objectivo estudar soluções para a cidade, devem ser articuladas e não de carácter avulso. Ou por mero capricho.

    A largueza de vistas do Terreiro do Paço, que devia ser fotografada com grande angular, continua a sê-lo com teleobjectiva…

    Anúncios
    %d bloggers like this: