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Michael Dessen Trio

Centro Cultural de Belém – Cafetaria Quadrante – 05 de Agosto de 2010, 22:00 – Entrada Livre
MICHAEL DESSEN trombone | CHRISTOPHER TORDINI contrabaixo | DAN WEISS bateria

No jazz electroacústico de Michael Dessen conjuga-se a tradição afro-americana com a técnica e a sonoridade da música experimental. No seguimento da produção musical de George Lewis, Dessen toca trombone recorrendo ao computador para processamento digital. A este método de criação em tempo real, o músico californiano denominou “digibone”.

Part 1, Jazz Telemotions from Michael Dessen on Vimeo.

This trio plays a unique mix of adventurous improvisation, intricate compositions, abstract soundscapes, and polyrhythmic flow. I compose the music and perform on trombone and live electronics, joined by a bassist and drummer. In August 2010, I’m excited to be recording a new trio album in Lisbon for Clean Feed Records, with Christopher Tordini on bass and Dan Weiss on percussion. Michael Dessen

Excerpt from Between Shadow and Space; More info and music samples…

Stella by Starlight – Miles Davis

Este standard, tantas vezes imortalizado, é peça obrigatória em qualquer colecção musical. Pertence ao disco The Complete Concert 1964: My Funny Valentine + Four and More [Live].

Miles Davis (tp) George Coleman (ts) Herbie Hancock (p) Ron Carter (b) Tony Williams (ds)
“Philharmonic Hall”, Lincoln Center, NYC, set one, February 12, 1964

Se o Museu conseguir esperar…

Tenho dificuldade em compreender, depois de sucessivos adiamentos da inauguração, a oportunidade do momento. No pico do verão, com um calor infernal para lá chegar?! Eles lá sabem!
O que sei é que nestes últimos 15 anos, exceptuando a obra, propriamente dita, nada de relevante aconteceu. Quer dizer, houve desinvestimento no Parque, com a redução para quase metade dos guias, esventrou-se a região para criar mais um tapete de alcatrão, sem que tenha havido qualquer investimento, digno desse nome, em alojamento, eno-turismo; A ligação ferroviária entre o Pocinho e Barca de Alva não há meio de ser recuperada, o apeadeiro do Côa está em ruínas há décadas mas… ah! caneco, agora é que vai ser investir!!

Os 260 anos da morte de Johann Sebastian Bach

Do Musica Aeterna de passado sábado, dedicado a assinalar a passagem do ducentésimo sexagésimo aniversário da morte do genial compositor seis e setecentista, está disponível o podcast

Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa

O Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa abre as portas na próxima sexta-feira, dia 30 de Julho, com a presença da ministra da Cultura Gabriela Canavilhas, 15 anos depois da polémica que suspendeu a construção da barragem devido aos protestos de ambientalistas e de especialistas em arte rupestre. Via.

O equipamento cultural representou um investimento de cerca de 18 milhões de euros, passando a ser o principal ponto de acolhimento do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC).Foi construído com o objectivo de divulgar e contextualizar os achados arqueológicos do vale do Côa descobertos em 1994 e que estiveram na origem da suspensão das obras de construção da barragem.

O processo teve como ponto alto Outubro de 1995 quando o Governo de António Guterres ordenou a suspensão da construção da barragem na foz do Côa devido às gravuras rupestres encontradas e classificadas pela UNESCO como Património da Humanidade, em Dezembro de 1998.

Com a identificação de diversos núcleos de gravuras e depois de vários protestos e debate público, nasceu o PAVC considerado como o maior museu do mundo ao ar livre do Paleolítico.

As gravuras, que já eram referenciadas por pastores locais, ganharam fama mundial após o arqueólogo Nelson Rebanda ter identificado a denominada rocha da Canada do Inferno.

Após muita polémica, que dividiu os habitantes de Foz Côa, a construção da barragem foi interrompida e a EDP foi indemnizada em muitos milhões de euros.

Após avanços e recuos, incluindo a alteração do local de construção do museu – inicialmente projectado para o sítio onde a barragem começou a ser edificada, na Canada do Inferno, mas posteriormente deslocado para uma encosta sobranceira à confluência dos rios Douro e Côa, no vale José Esteves, na zona norte do PAVC – a obra começou no terreno no início de 2007.

Naquele local, os autores do projecto, Tiago Pimentel e Camilo Rebelo, idealizaram um monólito com janelas em frestas, semi-enterrado e com oito metros de altura na vertente virada para o vale do Douro.

De acordo com a memória descritiva, o trajecto expositivo foi desenvolvido de forma a possibilitar duas alternativas: um percurso cronológico e outro temático, estando também previstos espaços para acolhimento de exposições temporárias.

O projecto foi concretizado mais tarde do que o previsto, em parte, por o Governo PSD/CDS-PP ter decidido uma nova localização para o museu, lembra o antigo deputado socialista Fernando Cabral.

Cabral recordou à Lusa que com a chegada de Durão Barroso ao poder, “o governo suspendeu, lamentável e irresponsavelmente, todo o processo e procurou uma nova localização”.

“O que se seguiu nos três anos seguintes foi um processo lentíssimo o que motivou da minha parte a apresentação de vários requerimentos ao Governo e várias questões colocadas ao então ministro Pedro Roseta”, disse, apontando que foi o Governo do PS eleito em 2005, que avançou “definitivamente para a concretização da obra”.

Um longo caminho de 15 ano

“É o ponto de chegada de um longo caminho de 15 anos”, reconheceu o secretário de Estado da Cultura Elísio Summavielle.

Esse caminho foi “marcado por momentos importantes, como a criação do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), a elevação a Património da Humanidade, e ainda com a preparação do projecto, depois de alterada a primeira localização do Museu”, recorda.

Elísio Summavielle, não tem dúvidas que “neste momento é também um ponto de partida que se abre para PAVC, e para o concelho de Vila Nova de Foz Côa, mas também para os concelhos limítrofes e, para todo um território”, considera.

“É uma âncora muito importante do desenvolvimento cultural futuro daquela região”, sublinha o secretário de Estado, que foi presidente do antigo Instituto Português de Arqueologia e do Instituto de Gestão do Património Arquitetónico (IGESPAR) na anterior legislatura.

Para Summavielle, “é um museu que se centra na arte, sobretudo no património do paleolítico, mas não se fica por aí, vai abrir com uma exposição de gravura da FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento”, adianta à Lusa.

Elísio Summaviele acredita que este museu deve polarizar tudo aquilo que o referido território já oferece, “como o vinho, o azeite, a amêndoa”. “Para além da atractividade arquitectónica e de conteúdos, o museu vai ter um belíssimo restaurante, com uma paisagem privilegiada, tudo isto, parte de um conjunto que queremos valorizar e assinalar devidamente neste Museu de Arte do Côa”, acrescenta.

“Existe um Museu do Douro, agora um Museu do Côa, digamos que se fecha aqui um ciclo, e que este trabalho em rede e em parceria é absolutamente necessário para um turismo que cresce cada vez mais nesta área da cultura e que faz parte estratégica de um desenvolvimento futuro daquela região”, sustenta.

A cerimónia de inauguração do Museu do Côa, tem início marcado para as 12h00 de sexta-feira, apurou a Lusa junto do Ministério da Cultura.

Coisas simples

A solidão da floresta e a vida sedutora do eremita, o silêncio das árvores e o recato de uma vida simples perto da natureza, enquanto expressão de uma nova atitude perante a vida.

O que o artista austríaco Moritz von Schwind (1804-1871) aqui reproduz é o distante período Biedermeier, da serena felicidade dos ambientes descontraídos, há muito desaparecidos da sociedade urbana pré-industrial. Na sua vida contemplativa e de comprometimento com Deus, o eremita piedoso parece manifestar uma espécie de sentimento religioso, perfeito porque íntimo. “Contagiado”, o músico manifesta uma atitude descontraída, antes de regressar ao alvoroço da cidade.

Siglo de Oro

La Gitanilha

Cuando Preciosa el panderete toca,
y hiere el dulce son los aires vanos,
perlas son que derrama con las manos,
flores son que despide de su boca.

Suspensa el alma y la cordura loca
queda a los dulces actos sobrehumanos,
que de limpios, de honestos y de sanos
su fama al cielo levantado toca.

Colgados del menor de sus cabellos
mil almas lleva, y a sus plantas tiene
Amor rendidas una y otra flecha:

ciega y alumbra con sus soles bellos,
su imperio Amor por ellos se mantiene,
y aun más grandezas de su ser sospecha.

(Novelas ejemplares, La gitanilha) – Miguel de Cervantes

Soneto de Preciosa

Quando Preciosa a pandeireta toca,
e o som suave fere os ventos vãos,
pér`las são que derrama com as mãos;
e flores são o que lança da boca.

A alma suspensa e a prudência louca
queda pròs doces actos mais que chãos,
que, de puros, de honestos e de sãos
a sua fama ao céu erguido toca.

Suspensas do menor dos seus cabelos
leva mil almas, e a seus pés tem
amor rendidas uma e outra seta.

Cega e ilumina com os seus sóis belos,
amor seu império por elas mantém,
e mais grandezas de seu ser suspeita.

Monte Athos

Não sabia nada, ou quase nada. O que sei hoje nem sequer é suficiente, mas a breve descrição sobre o silêncio que me foi dada por três amigos de Salónica impele-me, pelo menos, a tentar concretizar esta viagem. Como diz o padre ortodoxo no vídeo, vai-se de mãos vazias e traz-se sempre qualquer coisa de volta…

Ravi Shankar – The Master

O nonagésimo aniversário do pai da world music, assinalado a 7 de Abril passado, mereceu por parte da Deutsche Grammophon uma edição especial, que reuniu em três discos as suas gravações na editora.

Sétima Palavra – José Saramago

No dia da morte de José Saramago, parece-me apropriado transcrever o último capítulo de “As Sete Palavras do Homem”, reflexão pessoal que autor fez, a pedido de Jordi Savall, da obra Septem Verba Christi in Cruce – As Sete Últimas Palavras de Cristo, escrita por Joseph Haydn em 1786.
A sua leitura , a par da audição da Sonata VI ‘Consummatum est’ e da Sonata VII ‘In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum’, expressam a dimensão espiritual do homem e o seu destino.

Deus, Pai, Senhor, nas tuas mãos entrego o meu espírito, que a carne que o continha, essa, ficará agarrada a este madeiro enquanto o que de mim resta não for levado ao túmulo, donde ao terceiro dia ressuscitarei, se forem certas as palavras que puseste na minha boca para que as ouvissem os que me seguiam. Censurou-mas Pedro, que me chamou de parte e disse: “Deus te livre de tal. Uma coisa assim nunca te há-de suceder.” E eu respondi-lhe: “Sai da minha frente, Satanás. Impedes-me o caminho, porque não entendes as coisas à maneira de Deus, mas à maneira dos homens.” Foi isto o que eu lhe disse, mas agora, Deus, Pai, Senhor, agora que o meu espírito já deve ter chegado às tuas mãos, permite-me que procure, também eu, entender as coisas à maneira dos homens. Poderá o meu corpo, sem um espírito que o anime, levantar-se e sair do sepulcro, arredando a pedra que lhe tapa a entrada? E outra pergunta mais. Que sucederá comigo durante esses três dias? Apodrecerei? Será já com os primeiros sinais de podridão na cara e nas mãos que me apresentarei diante de Maria Madalena? Vivi no mundo como homem durante trinta anos, primeiro criança, depois adolescente, depois adulto, até este dia. Se te digo coisas que estás farto de saber, é para que compreendas por que razão aparecerei a Maria Madalena antes que a qualquer outro.
Acabámos. Representei o meu papel o melhor que podia. O futuro dirá se o espectáculo valeu a pena. E agora, Deus, Pai, Senhor, uma última pergunta: Quem sou eu? Em verdade, em verdade, quem sou eu? – 
José Saramago, 2007