Archive for the ‘ Leituras ’ Category

‘Jazz Images’ by Francis Wolff

O fotógrafo Francis Wolff (1907-1971) deixou Berlim em 1939 e chegou a Nova Iorque para trabalhar com o amigo e co-fundador da Blue Note Alfred Lion [1908-1987]. O livro Jazz Images by Francis Wolf, tem 164 páginas e um cd com notas introdutórias do crítico musical Ashley Kahn e reúne mais de 150 retratos – inéditos na sua maioria – de nomes do jazz como Art Blakey, Clifford Brown, Donald Byrd, Don Cherry, Ornette Coleman, John Coltrane, Miles Davis, Dexter Gordon, Grant Green, Herbie Hancock, Joe Henderson, Freddie Hubbard, Elvin Jones, Thelonious Monk, Lee Morgan, Bud Powell, Sonny Rollins e Wayne Shorter, que surgem agora nas capas de uma nova séries de discos.

Hugo Pratt e o universo musical de Corto Maltese

Hugo Pratt [15 Junho 1927 – 20 Agosto 1995], autor de uma obra gráfica de grande envergadura, foi o criador de Corto Maltese, o maior aventureiro romântico da Banda Desenhada, de quem se destacam  A Balada do Mar Salgado e Fábula de Veneza.

Para aumentar a densidade das inúmeras aventuras, há um precioso livrinho – Notes De Voyage – Les Musiques De Corto Maltese (Casterman) recheado de ilustrações sonoras sobre as peregrinações de Corto à volta do mundo.
Do primeiro cd [1887-1917], dedicado à juventude, fica o vídeo La Petenera, uma forma de cante jondo flamenco que evoca uma bela prostituta cigana por quem Corto se perdeu de amores e a quem Lorca dedicou uma suite no Poema del Cante Jondo.

‘Llanto por Ignacio Sánchez Mejía’, de Federico García Lorca

Inteligente e culto, Ignacio Sánchez Mejías [Sevilha, 6 Junho 1891 – Madrid, 13 Agosto 1934] era entusiasta do cante hondo e da dança espanhola. Casado com a irmã do toureiro Joselito, manteve até à fatal colhida uma ligação amorosa com a célebre bailarina Encarnación López, La Argentinita.
Federico García Lorca [5 Junho 1898 – 18 Agosto 1936] dedicou ao bandarilheiro sevilhano uma elegiaA Colhida e a MorteO Sangue DerramadoCorpo Presente e Alma Ausente) intitulada “Llanto por Ignacio Sánchez Mejías”, que Enrique Morente cantava como ninguém.
Recentemente, a Quetzal editou “Romanceiro Cigano seguido de Pranto por Ignacio Sánchez Mejías”, de Lorca, em edição bilingue com tradução de Vasco Graça Moura.

Francisco de Goya Y Lucientes [1746-1828]
‘Desgraciada embestida de un poderoso toro’, 1814-1816

Argonauta – Dom Quixote de La Mancha

Para acompanhar o Argonauta de 1 de Junho de 2019, dedicado a D. Quixote De La Mancha de Miguel de Cervantes, ilustrado musicalmente por Montserrat Figueras, Hespèrion XXI, La Capella Reial De Catalunya e Jordi Savall.

Capítulo XLVIII
Onde prossegue o cónego o assunto dos livros de cavalaria, com outras coisas dignas da sua inteligência

— Vossa Mercê , senhor cónego, tocou num assunto — disse nesta altura o cura —, que acordou em mim um antigo rancor que tenho às comédias agora habituais, tão grande que iguala o que tenho aos livros de cavalarias; porque devendo ser a comédia, segundo parece a Túlio, um espelho da vida humana, um exemplo dos costumes e imagem da verdade, as que se representam agora são espelhos de disparates, exemplos de ignorância e imagens de lascívia.

Josephine Baker em Portugal

O livro Josephine Baker em Portugal de João Moreira dos Santos foi editado em 2011, quando se completaram 70 anos sobre a primeira actuação de Josephine Baker [3 Junho 1906 – 12 Abril 1975] em Portugal, muito embora a larga fama por si alcançada em Paris a partir de 1925, ainda apenas como bailarina, tenha precedido em vários anos a sua primeira visita ao país. Com efeito, publicações como a revista ABC vinham desde esta mesma década dedicando artigos e comentários à “vedeta negra”, ela que nos anos 20 e 30 foi o ícone do Jazz, um símbolo da libertação sexual e um rosto da emancipação das mulheres, causando nas diversas capitais e cidades europeias por onde passou um misto de escândalo e sensação com as suas ousadas e desnudadas danças. Por isso mesmo, não raras vezes os seus espectáculos foram alvo de tentativas de boicote pelos poderes políticos e públicos de uma Europa que caminhava a largos passos para os nacionalismos e totalitarismos xenófobos.

‘Antídoto contra la pestilente poesía de las «soledades»’, de Juan de Jáuregui

Juan de Jáuregui nasceu em Sevilha em 1583, de pais nobres. Sobre a sua formação pouco se sabe, excepto que esteve em Itália, provavelmente a estudar pintura. Na verdade, no seu tempo teve fama como pintor, de cuja obra não restam senão algumas gravuras em livros de época, pois o retrato de Cervantes que lhe foi atribuído já não se considera seu.


Retrato de Miguel de Cervantes (?) de Juan de Jáuregui.
Alonso Zamora Vicente, Historia de la Real Academia Española, Madrid, Espasa, 1999, p. 12.

Em Roma, publicou em 1607 a tradução de Aminta de Torquato Tasso.
Em Sevilha, Jáuregui participou na tertúlia que se realizava no atelier do pintor Francisco Pacheco (mestre e sogro de Velásquez); pelo que é geralmente incluído no grupo que, a partir do século XIX, se tem autodenominado impropriamente escola sevilhana.
Em 1614 começou a escrever o Antídoto contra la pestilente poesía de las «Soledades», aplicado a su autor para defenderle de si mesmo, […]
Em 1618, Jáuregui publicou um volume de Rimas com uma tradução do Aminta (em que muito alterou face à saída em 1607). A Introdução às Rimas é um texto importante para conhecer a poesia de Jáuregui e o que ele pensava da poesia do seu tempo.
Jáuregui fixou-se em Madrid em 1619, sendo censor de novelas a partir de 1621 até à sua morte, em 11 de Janeiro de 1641.
Em 1624 publicou em Madrid o poema Orfeo e o Discurso poético, em que expõe as suas ideias sobre poesia. Estes dois livros foram então julgados contraditórios: enquanto o Discurso poético é um ataque ao gongorismo extremo dessa altura, o Orfeo foi lido como um poema que segue os grandes poemas de Luis de Góngora [1561-1627], saídos uns anos antes. O Orfeo é um poema dividido em cinco cantos, com 186 oitavas, que segue o tema de Orfeu e Eurídice exposto nas Metamorfoses de Ovídio, valendo-se também das Geórgicas de Virgílio, da Eneida e de fontes italianas, nomeadamente Poliziano e Marino. […]

E Já que a lira, em afinadas vozes,
precursora do canto se adianta,
e em mui lentos acordes ou velozes
soa a constante ou trémula garganta,
feras vorazes, áspides atrozes
amansa terno, sonoroso encanta;
chega essa voz, em rochas e montanhas,
a infundir vidas, a humanar entranhas.

Fragmento do Canto IV de Orfeo

A publicação de Orfeo provocou o aparecimento do Orfeo en lengua castellana, assinado por Juan Pérez Montalbán, amigo de Lope de Vega, que tem sido considerado pela crítica como o verdadeiro autor desta obra, mas que não quis aparecer descoberto contra Jáuregui, que, com o seu Antídoto, se tornara um dos maiores inimigos de Góngora. […]
Jáuregui é uma interessante figura da primeira metade do século XVII em Espanha, tanto pela sua poesia como pelas suas ideias, que mantinha com independência frente aos grandes poetas do seu tempo. Seguiu a evolução da poesia espanhola desde Garcilaso de la Vega [1498? – 1536], sendo um cultista que possivelmente aprendeu com Góngora mas não se alistou no grupo que se formou em torno do autor das Soledades; Seguindo a lição de Garcilaso e Herrera, teve a preocupação de ser claro, como se depreende dos seus escritos teóricos. A sua poesia, sobretudo o Orfeo, distingue-se pela capacidade descritiva, pela movimentação e colorido próprio do pintor que ele foi.

in Antologia da Poesia Espanhola do Siglo de Oro, segundo volume – Barroco
selecção e tradução de José Bento

Os Jesuítas e a Ciência em Portugal (séculos XIX e XX)

Apresentação do livro de Francisco Malta Romeiras “Ciência, Prestígio e Devoção” – Os Jesuítas e a Ciência em Portugal [séculos XIX e XX], com a presença do Professor Henrique Leitão (Prémio Pessoa 2014) e da Professora Ana Simões. | 10 de Fevereiro, às 18h30 na Livraria Ferin.

Os Jesuítas e a Ciência em Portugal

Quando a Companhia de Jesus foi restaurada em Portugal, em meados do século XIX, permanecia ainda a memória da forte campanha ideológica que o Marquês de Pombal lançara no século XVIII, segundo a qual os jesuítas teriam sido os principais responsáveis pelo atraso científico no nosso país. Conscientes da longevidade, da influência e da transversalidade absolutamente invulgares dos argumentos pombalinos, os jesuítas compreenderam que tinham de ultrapassar as acusações de obscurantismo para se estabelecerem com alicerces firmes em Portugal e, assim, reconquistarem a influência e o raio de acção que tinham tido nos séculos anteriores. Da vontade de recuperar a sua credibilidade científica acabaria por nascer um grande investimento no ensino e na prática das ciências naturais nos seus colégios, nomeadamente no Colégio de Campolide (1858-1910) e no Colégio de São Fiel (1863-1910). São Fiel foi ainda o berço da revista Brotéria (1902-2002), uma das mais importantes publicações científicas portugueses do século XX. Baseado nas histórias do Colégio de Campolide, do Colégio de São Fiel, e da revista Brotéria, este livro centra-se nas razões que levaram uma ordem religiosa como a Companhia de Jesus a empenhar-se tão ativamente no ensino e na prática das ciências, bem como no impacto profundo que esse empreendimento teve para a ciência e para a educação científica nos séculos XIX e XX. [Fonte]
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