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The Divine Comedy by Dante Alighieri

The masterpiece of the Florentine poet Dante Alighieri (1265-1321), The Divine Comedy was the most widely illuminated book of medieval literature, embraced as a subject for manuscript illumination within a decade of the author’s death. Conceived as an epic poem in three parts – Inferno (Hell), Purgatorio (Purgatory), and Paradiso (Paradise) – which are in turn subdivided into short sections called cantos, the Comedy is Dante’s personal account of a vision that he had during Holy Week in the year 1300.
The codex in New Haven is one of the finest examples of early Divine Comedy manuscripts to have survived, its remarkable state of preservation allowing full appreciation of the brilliant decoration and regular, harmonious writing. Conforming to an early type of Divine Comedy illustration, the illuminations are confined to the first page of each book, rather than to the whole text, as in later.
On folio 11, within an orange initial N (“Nel mezzo del cammin di nostra vita” [In the middle of the journey of our life]), marking the beginning of the first canto of the Inferno, appears an enthroned figure of Divine Justice. Winged, with a polygonal nimbus framing her head, and wearing a white and pink gown lined with green, she is seated on a lion, bearing a raised sword in her right hand and scales in her left. The brilliant palette, large, simplified forms and schematic rendering of the features are clear indicators of Don Simone’s authorship.

The second illuminated leaf is folio 27v, on which a large initial P in the middle left of the page, containing a second nimbed female figure with pink wings and an orange robe over a gilt tunic, illustrates the first canto of the Purgatorio (“Per correr migliore acqua alza le vele” [To course over better waters (now) lifts her sails]). Seated on a bank of clouds against a blue background, the figure cradles in her lap a nest in which perches a pelican feeding her young with blood from her own breast; an image known as the Pelican in Her Piety, it was a popular medieval symbol for the sacrifice of Christ and emblematic of Charity.

The last illuminated page is folio 54r, containing a large letter L to illustrate the beginning of the first canto of the Paradiso (“La gloria di colui che tutto muove” [The glory of him who moves all things]). Within the initial stands a third nimbed figure with green wings, wearing a white cape lined with green and orange and a blue dress, on which is emblazoned a head surrounded by golden rays. She is holding burning flames in both hands, while above her head floats a blue disk studded with stars, among which is visible a small crescent-shaped moon. The identity of this figure is less easily ascertained than in the previous two initials in the codex. It can be identified most probably as Divine Love.

Iluminator: Don Simone Camaldolese (active 1378-1405 in Florence)
Italian illuminator. He was a Camaldolese monk of Santa Maria degli Angeli, Florence, the scriptorium of which was an important centre of manuscript production. Documented there between 1378 and 1389, he was a slightly younger contemporary of Don Silvestro dei Gherarducci, and he was probably the teacher of Lorenzo Monaco. His signature Simon de Senis in an Antiphonary completed in 1381 (Florence, Biblioteca Medicea-Laurenziana) indicates that he was from Siena, although his work shows both Florentine and Sienese stylistic traits. His sweet, lyrical colour range of pale straw-yellows and lively turquoise shades shows knowledge of such Sienese artists as Lippo Vanni, while the ponderous forms are typical of the prevalent style practiced by such artists as Andrea and Jacopo di Cione Orcagna and Giovanni del Biondo in mid-14th-century Florence. Source.

A substância das coisas

“A fé é a substância de coisas esperadas
e o argumento das que não aparecem;
e isso parece-me ser a essência da fé.”

Dante Alighieri (1265-1321) – in Paraíso
“Foi ilustre, certamente, e cheio de humanidade, o desígnio daqueles que se esforçaram por proteger da inveja os feitos notáveis dos homens eminentes pela sua virtude e defender do esquecimento e da morte os nomes merecedores de imortalidade. Daí as imagens legadas à memória da posteridade, quer as esculpidas no mármore quer as forjadas no bronze; daí as estátuas erigidas, tanto as pedestres como as equestres; daí as colunas e as pirâmides, como diz o poeta, de custos astronómicos; daí, por fim, as cidades edificadas, distinguidas pelos nomes daqueles que a posteridade reconhecida julgou deverem ser confiados à eternidade. Tal é, com efeito, a condição do espírito humano, que, se não é continuamente solicitado pela representação das coisas que, do exterior, nele irrompem, toda a lembrança se escoa facilmente para fora dele.
Outros, porém, olhando a meios mais sólidos e duradouros, confiaram a celebração eterna dos grandes homens não à pedra e ao metal, mas ao cuidado das Musas e aos monumentos incorruptíveis das letras. Mas porque relembro eu estas coisas como se o engenho humano, afeito a estes domínios, não tivesse ousado ir mais além? Com efeito, olhando mais adiante e compreendendo perfeitamente que todos os monumentos humanos acabam por perecer sob a força do tempo e da velhice, concebeu símbolos mais incorruptíveis em relação aos quais o tempo voraz e a invejosa velhice não reivindicassem para si nenhum direito. E, assim, passando para os céus, inscreveu naqueles conhecidos orbes eternos dos astros mais brilhantes os nomes dos que, por seus feitos ilustres e quase divinos, foram julgados dignos de desfrutar com as estrelas de uma vida eterna.”
Galileu Galilei – Sidereus Nuncius ou “O Mensageiro das Estrelas” 
Edição da Fundação Calouste Gulbenkian – tradução de Henrique Leitão

in Musica Aeterna, 12-06-2010

Dante Alighieri condenado ao exílio

Quando Dante nasceu, por volta de 1265, persistia o conflito entre guelfos e gibelinos. Florença, a sua cidade natal, era guelfa, fiel ao Papa, e combatia uma liga de cidades toscanas partidárias dos gibelinos, apoiados pelo Sacro Império Romano.
O próprio poeta combateu na batalha de Campaldino (1289), na qual os guelfos florentinos bateram os gibelinos de Arezzo. Após a sua vitória, os guelfos florentinos dividiram-se em duas correntes: os negros, que apoiavam o Papa, e os brancos, que exigiam mais autonomia face a Roma. Dante apoiava os primeiros, e integrou uma embaixada que foi negociar com o Papa Bonifácio VIII. Estava ainda em Roma quando, no final de 1301, Charles de Valois, apoiado pelos guelfos negros, invadiu Florença.
A 27 de Janeiro de 1302, o novo governo condena-o a um exílio de dois anos e ao pagamento de uma avultada multa. Dante, cujos bens tinham já sido saqueados, não paga, e é então sentenciado a um exílio permanente, durante o qual escreve a célebre Divina Comédia, ficando sujeito a ser queimado vivo, se regressasse a Florença. Virá a morrer em 1321 sem voltar a ver a sua cidade.
O decreto que o exilou só veio a ser revogado mais de 700 anos depois, em 2008. A moção foi votada no Conselho Municipal de Florença e ganhou com 19 votos contra 5. Os que se opuseram apresentaram o curioso argumento de que a poesia de Dante nunca teria existido sem os sofrimentos que o seu autor padecera no exílio.
Texto de Luís Miguel Queirós para o P2 de 27-01-2012

BARTOLOMEO DI FRUOSINO – Inferno, from the Divine Comedy by Dante (Folio 3v), 1430-35
Tempera, gold, and silver on parchment, 365 x 265 mm | Bibliothèque Nationale, Paris

É melhor reinar no inferno que servir nos céus

O peito do Imperador do doloroso reino saía, a meio, para fora do casaco;
e mais com um gigante eu me convenho,
que os gigantes não fazem com os seus braços (…);
Oh, quanto me pareceu grã maravilha
quando vi três faces com sua cabeça!
Uma por diante e era escarlate;
a outra eram duas que a esta se juntavam
sobre o meio de cada ombro (…)
e a direita parecia entre branca e amarela,
a esquerda tal se mostrava, quais
vêm lá de onde o Nilo se aparta.
Sob cada qual saíam duas grandes asas,
o que convinha a tamanha ave;
nunca eu vira no mar umas velas tais.
Não tinham penas, mas de morcego
era o seu modo; e agitava-as,
como se três ventos dele se movessem:
depois, Cocito todo se enregelava.
Com seis olhos plangia e por três queixos
gotejava o pranto e sanguinolenta baba.
Com cada boca rasgava com os dentes
um pecador, à guisa de ripanço, e tanto
que a três fazia mui dolentes.

Lúcifer em Dante – Inferno, XXXIV, 22-57 (século XIV)
William Blake – Satanás enche Job de chagas, Livro de Job – 1826
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