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Nove dias andados do mês de Outubro de 1261: os 750 anos do nascimento de D. Dinis, o qual, para além de admirado pela perfeição técnica e pela imaginação literária, ficou para a História como o grande responsável por um longo período de paz e de prosperidade tardo-medieval. A transmissão de poesia alusiva de Luís de Camões, Dante Alighieri e Fernando Pessoa, de uma citação de Franco Sacchettie de repertório de Afonso X, “o Sábio”, Frei Manuel Cardoso, Arnaut Daniel, Duarte Lobo, Martin Codax e autores anónimos da província de Aragão, quase todos contemporâneos do também incluído monarca na Ibéria e na Península Itálica dos séculos XIII e XIV. João Chambers.Integrado nas XIV Jornadas Internacionais “Escola de Música da Sé de Évora”, O Grupo inglês Stile Antico apresenta-se novamente em Portugal, amanhã dia 4 de Outubro às 21:00 na Sé de Évora, com um Programa a não perder:
Commissa mea pavesco de Filipe de Magalhães (1571 – 1652); Jubilate Deo de Cristóbal de Morales (ca. 1500 – 1553); Missa Gaudeamus: Kyrie de Tomás Luis de Victoria (1548 – 1611); Missa Gaudeamus: Gloria de Tomás Luis de Victoria; Audivi vocem de caelo de Duarte Lobo (ca. 1565 – 1646); Surge Propera de Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525 – 1594); Missa Surge Propera: Sanctus de Tomás Luis de Victoria; Missa Surge Propera: Benedictus de Tomás Luis de Victoria; Turbae quae precedebant de Manuel Cardoso (1566 – 1650); Simile Est Regnum de Francisco Guerrero (1528 – 1599); Missa Simile Est Regnum: Agnus Dei de Tomás Luis de Victoria; Pater peccavi de Duarte Lobo e Laetatus Sum de Tomás Luis de Victoria. Via.
Este Vilancico pertence ao delicado livrinho ‘Jardim de Poesias Eróticas do Siglo de Oro’, com selecção, tradução, introdução e notas de José Bento, numa edição da Assírio e Alvim.
Quem tiver curiosidade de comparar com a tradução que aqui encontrei, facilmente constata a subjectividade que cada autor empresta à obra traduzida. Não será o caso, mas há textos que nem se deviam traduzir!
Porque me beijou Perico,
porque me beijou o traidor.
Que estando, mãe, a dormir,
do que estou arrependida,
senti-o estar a subir
minha camisa florida;
mesmo de riso esvaída,
pensá-lo dá-me temor,
porque me beijou Perico,
porque me beijou o traidor.
E estando eu, como vos digo,
a dormir me surpreendeu;
tocou-me sob o umbigo,
tudo quanto Deus me deu.
Assim, como quereis que eu
possa por ele ter amor?
Porque me beijou Perico,
porque me beijou o traidor.
Porque, com artes mesquinhas,
remexeu pouco a pouquito
suas pernas entre as minhas
até que me deu no fito:
é meu sofrer infinito,
já não pode ser maior,
porque me beijou Perico,
porque me beijou o traidor.
Que, como se meneava,
mais se mostravam gostosos,
dois mil gozos que me dava
como açúcares saborosos.
Deu-me uns beijos tão sumosos
que jamais perco o sabor.
Porque me beijou Perico,
porque me beijou o traidor.
“Susana y los viejos”, de José de Ribera

Para Ana Margarida 🙂
O Câmara Clara de 25 de Setembro foi dedicado ao Museu e Parque Arqueológico do Vale do Côa.
OS TESOUROS DO CÔA
CONVIDADOS: DALILA CORREIA, ANTÓNIO MARTINHO BAPTISTA, THIERRY AUBRY, JOÃO TRABULO
Os homens que há 12 mil, 15 mil, 20 mil anos gravaram figuras nas rochas das margens do rio Côa eram iguais a nós. Homo Sapiens Sapiens que cosiam a sua roupa, pescavam e caçavam, trocavam ideias e conhecimentos com outras grupos e faziam… arte. As descobertas dos últimos 15 anos no Parque Arqueológico do Vale do Côa revolucionaram os conhecimentos sobre a Pré-História. O Vale do Côa é o maior museu do mundo de arte do Paleolítico ao ar livre e foi imediatamente reconhecido pela UNESCO como Património da Humanidade. O novo Museu do Côa, um edifício magnífico de uma dupla de arquitetos portugueses, candidato a Museu Europeu do Ano, e a primeira edição do Cinecoa – Festival Internacional de Cinema de Foz Côa, mais que justificam uma visita guiada a um dos maiores tesouros nacionais. Os arqueólogos Dalila Correia, Thierry Aubry e António Martinho Baptista e o cineasta João Trabulo são os nossos guias nesta viagem inesquecível. Uma viagem no tempo e no espaço, único, do Parque Arqueológico do Vale do Côa.

A ilustração musical da obra “The Forgotten Kingdom/Le Royaume Oublié“, expressa através da arte trovadoresca, relata a intolerância e perseguição por parte da igreja católica sobre os cátaros, no que se constitui como um compêndio sobre a história do sul da Europa nos séculos XI a XIV. Quem tiver a bondade de ouvir as cerca de duas horas deste vídeo (enquanto permanecer em rede), não dará o tempo por perdido.
Para assinalar os 270 anos da conclusão do Oratorio “Messiah”, escolhi parte do texto que João Chambers utilizou no Musica Aeterna de Abril de 2009, destinado a assinalar a passagem dos 250 anos da morte de Handel; A escolha musical, desta vez, recai sobre o agrupamento vocal e instrumental Les Arts Florissants, dirigido por William Christie.
Espero que gostem. 🙂
Considerado o primeiro filme de ficção científica, “Le voyage dans la lune” foi inspirado na obra de Júlio Verne. O prolífico Georges Méliès (1861-1938) oferece-nos uma excitante aventura futurista, plena de animação e efeitos especiais, um regalo para a vista! – que o diga o homem da lua, que levou com a nave no olho. 🙂
A rodagem em 14 frames por minuto, em lugar das actuais 24, faz desta obra prima um filme muito à frente! 🙂

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