“Natal”, de Miguel Torga

“Natal”, de Miguel Torga
“Adoração dos magos” (painel da esquerda – detalhe), de Hieronymus Bosch

Um anjo imaginado,
Um anjo diabético, atual,
Ergueu a mão e disse: — É noite de Natal,
Paz à imaginação!
E todo o ritual
Que antecede o milagre habitual
Perdeu a exaltação.

Em vez de excelsos hinos de confiança
No mistério divino,
E de mirra, e de incenso e ouro
Derramados
No presépio vazio,
Duas perguntas brancas, regeladas
Como a neve que cai,
E breve como o vento
Que entra por uma fresta, quizilento,
Redemoinha e sai:

A volta da lareira
Quantas almas se aquecem
Fraternalmente?
Quantas desejam que o Menino venha
Ouvir humanamente
O lancinante crepitar da lenha?

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‘Inverno’, de Giuseppe Arcimboldo

Entre 1549 e 1558, Giuseppe Arcimboldo [c.1527 – 1593] assistiu o seu pai nas oficinas da Catedral de Milão, tendo-se iniciado nessa altura na composição de vitrais. Em 1562 foi chamado para a Côrte de Fernando I de Praga e no ano seguinte realizou o primeiro conjunto das «Estações». Em 1566 pintou os quatro «Elementos».
No final de 1569, ambos os conjuntos foram oferecidos ao sucessor de Fernando I, o Imperador Maximiliano II.

O «Inverno» é um busto composto por um tronco de árvore. O nariz é um ramo rachado, a barba restolho de musgo e o cabelo feito de ramos; a boca são dois fungos e o olho uma racha do tronco. Na roupa, feita de palha, distingue-se a letra M (de Maximiliano II).

‘Paz – Funeral no Mar’, de William Turner

Nascido em Londres em 1775, J.M. William Turner tinha apenas 14 anos quando foi admitido na Royal Academy of Arts. Tendo começado a pintar a óleo em 1796, fez viagens prolongadas a várias regiões da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Em 1802 estudou os mestres no Louvre, com particular atenção a Claude Lorrain, que teve acrescida influência nas suas obras de efeitos atmosféricos lumínicos.
As pinturas de Turner são visões do poder da natureza, como as representações de naufrágios e desastres naturais. Ao abandonar a forma ou ao revelá-la apenas através de contornos indefinidos, Turner conferiu à luz um poder próprio.
Morreu na sua cidade natal a 19 de Dezembro de 1851.

Na obra ‘Paz – Funeral no Mar’, exposta na Tate Gallery em 1842, Turner presta homenagem ao pintor escocês David Wilkie, que morreu em 1841 a bordo de um vapor. A cena é dominada por uma névoa pálida que esbate a água e o céu na mesma luz fria. A única zona quente e luminosa é o local do funeral, onde o corpo é baixado à água, à luz de tochas flamejantes que parecem rasgar o casco do navio.

From Baroque to Fado – A Journey Through Portuguese Music

“From Baroque to Fado – A Journey Through Portuguese Music”, é uma jornada através do tempo e do lugar, com elementos de música árabe e galega que vão da música medieval até ao fado tradicional, numa viagem musical desde o século XIII até aos nossos dias.
Este disco é o produto do concerto gravado ao vivo em 2016 no Grande Auditório da Gulbenkian.


Artigos no Público e no Diário de Notícias.

Vermeer e os mestres da pintura de género

A propósito da Exposição “Vermeer et les maîtres de la peinture de genre” – 22 Fevereiro 2017 a 22 Maio 2017, o Le Figaro – Hors-Série dedica uma edição especial ao século de ouro da pintura holandesa.

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Artigo de Sérgio C. Andrade, Ípsilon de 24 de Fevereiro de 2017

Em meados do século XIX, o coleccionador e crítico de arte francês Théophile Thoré-Bürger cunhou a expressão “a esfinge de Delft” para se referir ao pintor holandês Johannes Vermeer (1632-1675). A história da arte subsequente e o filme Rapariga com Brinco de Pérola (2003), de Peter Webber — com a fantástica luz coada pelo director de fotografia português Eduardo Serra, que lhe valeria uma nomeação para o Óscar —, fizeram o resto: Vermeer ficou confinado a essa imagem de artista sombrio e solipsista, fechado no seu mundo inacessível ao exterior. O facto de ter pintado pouco mais de três dezenas de telas, e de ter ficado na sombra de Rembrandt no caleidoscópio das figuras que fizeram o chamado “século de ouro” da pintura holandesa, completaram esse perfil do artista de Delft.

Foi também para alterar esta visão, e para colocar em perspectiva a obra de Vermeer, no contexto do seu país e do seu tempo, que o Museu do Louvre inaugura esta semana, dia 22, uma exposição que vem sendo preparada desde há já cinco anos, em articulação com as National Gallery de Dublin (Irlanda) e de Washington (Estados Unidos), e com instituições de vários países que têm a rara fortuna de possuir obras do pintor d’A leiteira (1658-59).

Vermeer et les maîtres da la peinture de genre (Vermeer e os mestres da pintura de género) é o título da “exposição-acontecimento” — a qualificação é do próprio Louvre -, que reúne, pela primeira vez na capital francesa, desde 1966, doze quadros do pintor em diálogo com obras de artistas seus contemporâneos: Gerrit Dou (1613-1675), Gerard ter Borch (1617-1681), Jan Steen (1626-1679), Pieter de Hooch (1629-1684) e Frans van Mieris — o Velho (1635-1681).

Apagar e ultrapassar a lenda do artista isolado no seu mundo, silencioso e inexpugnável, é pois o propósito da mostra, que simultaneamente dá a conhecer as circunstâncias em que esta geração retratou um país — então ditos os Países Baixos Unidos — que na época vivia também um momento de ouro na sua economia.

Paralelamente ao florescimento do barroco na Europa católica e do sul, a arte dos Países Baixos cultivava a designada “pintura de género”, uma espécie de estética realista que privilegiava como tema a vida quotidiana, homens e mulheres nas suas ocupações diárias.

Vista neste contexto, a pintura de Vermeer, na sua genialidade, ganha contudo novo sentido quando em diálogo com os artistas seus contemporâneos — acredita o Louvre. “Vermeer certamente viajou e viu o trabalho de outros pintores, se não ele não teria tido um tão grande conhecimento do que estava a acontecer no mundo da pintura. Como Rembrandt, ele nunca viajou para o estrangeiro, mas não foi um artista recluso em Delft, fechado a trabalhar no seu pequeno estúdio”, disse ao The Art Newspaper Blaise Ducos, o conservador do museu parisiense que é um dos comissários da exposição — os outros sendo Adriaan E. Waiboer (National Gallery, Dublin) e Arthur K. Wheelock (National Gallery, Washington). Depois do Museu do Louvre, onde ficará até 22 de Maio, Vermeer et les maîtres da la peinture de genre viajará para os museus de Dublin (17 de Junho a 17 de Setembro) e de Washington (22 de Outubro a 21 de Janeiro de 2018).

Long Live Professor Stephen Hawking!

“I look up at the night sky, and I know that, yes, we are part of this Universe, we are in this Universe, but perhaps more important than both of those facts is that the Universe is in us. When I reflect on that fact, I look up—many people feel small, because they’re small and the Universe is big, but I feel big, because my atoms came from those stars.” – Neil deGrasse Tyson

Makan, de Driss El Maloumi

Concerto no Grande Auditório da Culturgest | 13 de Março, 21h30
Oud, Driss El Maloumi | Percussão, Saïd El Maloumi e Lahoucine Baquir

Driss El Maloumi, nascido em 1970 em Agadir, Marrocos, licenciou-se em literatura árabe, estudou filosofia da música, seguiu uma muito sólida formação musical clássica árabe e ocidental, recebendo vários prémios. Trabalhou intensivamente com Jordi Savall e o Ensemble Hesperion XXI e com Monserrat Figueras, colaborou em muitos álbuns de música antiga, tradicional ou clássica, e de jazz. […] O disco, que está na base do concerto desta noite, Makan (Viagem), foi entusiasticamente recebido pela crítica. Com razão, porque é de uma beleza que nos deixa felizes.

Citando alguns dos comentários feitos na imprensa da especialidade, “El Maloumi é daqueles músicos miraculosos que é indispensável ouvir, porque nos tornam melhores.” (Les Inrockuptibles). “Enraizado na tradição harmónica e ornamental do Oriente, o mestre de Agadir sintetiza as cores berberes, árabes ou andaluzas, cultivando as tonalidades que fazem a diferença (…). Saboreia-se a variedade e a modernidade dos modos de tocar. Assim como a subtileza de uma música que se revela menos na demonstração do virtuosismo, do que na elegância do som, a volubilidade do swing.” (Telerama). “Não há nenhuma necessidade de se ser iniciado na música clássica árabe para apreciar estes preciosos momentos de serenidade e de delicadeza.” (Mondomix). Via Culturgest.

Ainda o artigo “Driss El Maloumi leva a magia do Oud à Culturgest” de Nuno Pacheco, PUBLICO.

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