Archive for the ‘ Breve Biografia ’ Category

‘Sonata para Oboé’, de Gottfried August Homilius

De Gottfried August Homilius [2 Fevereiro 1714 – 2 Junho 1785], insigne compositor alemão de música sacra de quem em 2014 se comemoraram os 300 anos do nascimento e que, a par de C. P. E. Bach [1714-1788], Carlos Seixas [1704-1742] e Johann Joachim Quantz [1697-1773], integrou o grupo dos mais significativos representantes da Emfindsamkeit – ou música sensível – que sucedeu ao período barroco, o Allegro Assai – segundo andamento da Sonata para Oboé em Fá maior HoWV XI.1.


Álbum: Gottfried August Homilius: Erwachet, ihr Christen. Choralvorspiele, Kantaten und Sonate für Oboe · ℗ 2010 Carus

Andreas Lorenz · Virtuosi Saxoniae Chamber Orchestra · Ludwig Güttler

Johann Joachim Quantz, o pai da flauta (II)

Na passagem do trecentésimo vigésimo sexto aniversário sobre o nascimento de Johann Joachim Quantz [1697 – 1773], prolífico compositor alemão, fabricante de instrumentos, docente e autor de um tratado de referência para todos os que se interessam pela música barroca, o Concerto em Mi menor para flauta, cordas e baixo contínuo QV 5: 117 “Pour Potsdam”, dividido em três secções.


Orquestra: Akademie für Alte Musik Berlin
Solista:Ernst-Burghard Hilse, flauta traverso
Álbum: Música na Corte de Berlim, 1992

‘Concertos para violino’, de Pietro Locatelli

Do virtuoso violinista e compositor do barroco italiano Pietro Locatelli [1695-1764], activo em Roma e posteriormente em Amsterdão, o Concerto para Violino em Mi Menor, Op. 3 Nº 8, terceiro de doze que concertos que integram a série L’Arte del Violino; XII Concerti Cioè, Violino solo, con XXIV Capricci ad libitum, publicados em 1733 e criados no estilo veneziano de Antonio Vivaldi.
A interpretação é do jovem e viruoso violinista francês Théotime Langlois de Swarte, acompanhado pelo ensemble Les Ombres, cujo disco Jean-Marie Leclair / Antonio Vivaldi / Pietro Locatelli, Concertos pour Violon editado pela Harmonia Mundi em Fevereiro último integrou esta semana a lista de Vencedores do Diapason d’or do ano de 2022.


‘Toccata dell’ottavo tono’, de Paolo Quagliati

Do compositor italiano tardo-renascentista Paolo Quagliati [cerca de 1555 – 16 Novembro 1628], activo durante a transição para o período barroco e organista na Basilica di Santa Maria Maggiore em Roma, possivelmente durante as duas últimas décadas de vida, a Toccata dell’ottavo tono escrita para órgão ou cravo, aqui interpretada pela cravista Federica Bianchi.


Álbum: Aquila altera (Early Keyboards)  – Passacaille, 2022

400 anos da morte de Sebastián De Vivanco

Natural de Ávila, tal como o contemporâneo Tomás Luis de Victoria [1548-1611], o eclesiástico e compositor tardo-renascentista Sebastián De Vivanco [c. 1551-1622] exerceu os cargos de Mestre de Capela na Catedral de Salamanca e de professor na Universidade da mesma cidade durante as últimas duas décadas de vida, até à sua morte em 26 de Outubro de 1622.
No âmbito das comemorações do IV Centenário da morte do compositor, teve lugar na passada semana  em ambas as instituições o congresso internacional de musicologia «Sebastián de Vivanco y la música de su tiempo».


Álbum Vivanco: Sancti et Justi (Motecta, 1610) – ℗ Cantus Records, 2016
Dulcissima Maria, a 4 · Capilla Flamenca · Dirk Snellings

Jazz com passado e futuro

O disco de estreia do pianista João Pedro Coelho é uma maravilhosa surpresa.
Nuno Catarino, Ípsilon de 7 de Outubro de 2022
Crónicas – João Pedro Coelho (2022)



Um dos momentos mais brilhantes no jazz português recente foi a edição do disco de estreia do quarteto de Ricardo Toscano. Nessa gravação, editada pela imparável Clean Feed, ouvíamos não apenas o fervilhante líder saxofonista, em notável forma, mas também os seus acompanhantes, três jovens músicos que se exibiam a um nível muito alto. Um dos membros desse aplaudido quarteto é o pianista João Pedro Coelho. Nascido em 1993, é licenciado em jazz pela Universidade Lusíada e pelo Conservatório de Amesterdão e tem acompanhado músicos e projectos como Elas e o Jazz, Nelson Cascais, André Fernandes, Afonso Pais, João Espadinha e Marta Garrett (no duo Canções da Ilha Deserta) e integra o Trio de Jazz de Loulé.
Coelho apresenta neste seu registo de estreia como líder um conjunto de 11 composições originais, interpretadas em trio. O pianista surpreende ao não se fazer acompanhar por talentos emergentes da sua geração.
Escolheu trabalhar com dois músicos veteranos da cena nacional: o contrabaixista Bernardo Moreira e o baterista André Sousa Machado. Começou por escreveu as composições num processo solitário ao piano e o trio desenvolveu e transformou a música num processo colectivo, durante uma residência artística em Valença, tendo depois seguido para estúdio gravar em Novembro de 2021).
Sendo que o quarteto de Toscano evoluiu sobre a herança coltraneana (e eram lendárias as sessões do grupo a interpretar A Love Supreme), o pianista cresceu com a necessidade de criar estruturas sólidas e fortes, do mesmo modo que McCoy Tyner fazia um som cheio para Coltrane. Mas, neste disco, João Pedro Coelho mostra não se acomodar como simples herdeiro/sucedâneo do “real McCoy”, vai às suas origens e revela os (muitos) mundos que o rodeiam e inspiram. Desde logo, será impossível que qualquer pianista ligado ao jazz em Portugal não carregue a herança de três mestres: Bernardo Sassetti, Mário Laginha e João Paulo Esteves da Silva.

Nicolas de Grigny – 350 anos

Oriundo de uma família de organistas, Nicolas de Grigny [1672-1703] foi aluno de Nicolas Lebègue [1631-1702] e titular do órgão da Catedral de Notre-Dame da sua cidade-natal Reims, cargo que ocupou até à sua morte prematura, apenas com 31 anos. A única música que nos legou foi um grande volume de obras para órgão, Premier livre d’orgue.


Álbum: Nicolas de Grigny, Nicolas Lebègue: Écrire le temps, 2020
Veni creator en taille à 5 – Qui Paraclitus diceris
Nicolas Bucher, órgão · Ensemble Gilles Binchois · Dominique Vellard

‘Responsori per la Settimana Santa’, de Francesco Corteccia

Na passagem do quingentésimo vigésimo aniversário do nascimento de Francesco Corteccia [1502-1571], compositor e Maestro di cappella activo em Florença ao serviço dos Medici, que tem como obra maior os Responsórios para a Semana Santa, de 1527.


Álbum: Corteccia: Responsories for the Holy Week ℗ 1999 Dynamic Records
Coro: I Cantori di Lorenzo · Direcção: Filippo Maria Bressan

Unus ex discipulis meis tradet me hodie

‘Trio Sonata’, de Philipp Heinrich Erlebach

No trecentésimo sexagésimo quinto aniversário sobre o nascimento de Philipp Heinrich Erlebach [1657-1714], compositor do barroco alemão cujo trabalho foi praticamente esquecido após o incêndio que devastou o castelo de Rudolstadt em 1735, onde exerceu o cargo de kapellmeister na corte do Conde Schwarzburg-Rudolstadt.
Em 1694 publicou uma colecção de trio sonatas para um ensemble tipicamente alemão da época: violino, viola da gamba e baixo contínuo.
Em 2019, a Outhere Music editou o álbum Erlebach: Complete Trio Sonatas, gravado no ano anterior na capela Notre-Dame de Centeilles (século XIII), com François Joubert-Caillet a dirigir o conjunto L’Achéron.


Sonata prima in D Major: IV. Sarabande & variatio

Marie Rouquié: violino | Sarah Van Oudenhove: viola baixo | François Joubert-Caillet: viola baixo

‘Fantasía para un gentilhombre’, de Joaquín Rodrigo

O concerto para guitarra e orquestra ‘Fantasía para un gentilhombre’ resulta de um pedido que o virtuoso do violão Andrés Segovia [1893-1983] endereçou em 1954 ao compositor Joaquín Rodrigo [22 Novembro 1901- 6 Julho 1999].
Composto em quatro movimentos – Villano y Ricercare (Adagietto), Españoleta y Fanfare de la Caballería de Nápoles (Adagio – Allegretto), Danza de las Hachas (Allegro con brio) e Canario (Allegro ma non troppo) – foi influenciado pela obra “Instrucción de Música sobre la Guitarra Española” do compositor do século XVII Gaspar Sanz [1640-1710].


Álbum: “Rodrigo: Concierto de Aranjuez & Fantasía para un gentilhombre”, 2021
Guitarra – Regino Sainz De La Maza [1896-1981]
Orquestra Manuel de Falla, dirigida por Cristóbal Halffter

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