CORTEX- II Festival de Curtas-Metragens de Sintra

A segunda edição do Córtex – Festival de Curtas-Metragens de Sintra, acontecimento produzido pela Associação Cultural e Teatral Reflexo, realiza-se  entre 27 e 30 de Outubro no Centro Cultural Olga Cadaval. O Festival tem como principal objectivo estimular os Jovens Realizadores e Produtoras de Cinema!

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 27 de OutubroUm Dia Longo, de Sérgio Graciano | Desassossego, de Lorenzo Innocenti | Justino, de Carlos Amaral | Infinito, de André Santos, Marco Leão | A Cova, de Luís Alves | O Voo da Papoila, de Nuno Portugal | Viagem a Cabo Verde, de José Miguel Ribeiro

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28 de Outubro – Carne, de Carlos Conceição | Homenagem a quem não tem onde cair morto, de Patrick Mendes | Conto do Vento, de Cláudio Jordão | Vicky and Sam, de Nuno Rocha | O Tenente, de Rafael Martins | Nocturnos, de Aya Koretsky

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 29 de Outubro – Verónica, de António Gonçalves, Ricardo Oliveira | Pickpocket, de Joáo Figueiras | O Universo de Mya, de Miguel Clara Vasconcelos | Lisboa – Província, de Susana Nobre | Os Milionários, de Mário Gajo de Carvalho | Mariana, de Maria João Carvalho | Broken Clouds, de Yuri Alves

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30 de Outubro – Competição InternacionalLe frére, de Jullien Darras | Ctin!, de Cyrelle Trevon | Yoni e Tádeo, de Rómeo Martins

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Editado em 31 de Outubro. Via.
E os vencedores da segunda edição do Córtex são:
– Prémio para melhor Curta Internacional: “Yoni & Tadeo” de Rómeo de Melo de Martins.
– Prémio para Melhor Curta Nacional votação do público: “Viagem a Cabo Verde” de José Miguel Ribeiro.
– Prémio para Melhor Curta Nacional escolhida pelo júri: “Infinito” de André Santos e Marco Leão.

«1961 – O Ano que Mudou Portugal»

Um livro fundamental para os que nasceram em 1961! 🙂 Poderia fazer-se tal afirmação. Mas 1961 – O Ano que Mudou Portugal é também fundamental para os que viveram esse ano e para aqueles, mais novos, que querem hoje compreender o que representou esse momento irrepetível da história portuguesa. 1961 foi um ano surpreendente por várias razões: o desvio, com fins políticos, do paquete Santa Maria e de um avião da TAP; a oposição das Nações Unidas à política colonial de Salazar e a descoberta de que o governo de John Kennedy financiava os movimentos independentistas do Ultramar; o massacre de brancos em Angola, que deu início a treze anos de guerra que afetaram diretamente mais de um milhão de portugueses. Um ano que terminaria ainda com a invasão de Goa pela União Indiana, que deixou no terreno 3500 prisioneiros. […]Via http://www.clubedoslivros.org

1961 foi um ano estranho na História de Portugal. Decisivo também, pois originou o fim de quinhentos anos de império ultramarino. Radical ainda, porque a orientação política isolou o país a nível internacional, enquanto a maioria do povo português apoiava Salazar nas decisões contrárias ao que sopravam os ventos da contemporaneidade.
Foi um ano inaugurado com um protesto inédito realizado por um ex-homem de mão do regime, Henrique Galvão, que desviou o Paquete Santa Maria, e encerrado com uma rebelião liderada por outro ex-homem de confiança do regime, Humberto Delgado. Pelo meio, um general de topo da hierarquia militar encontra-se com o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa para debaterem o modo de derrubar o presidente do Conselho do primeiro e, no dia seguinte à intentona falhada, o próprio Salazar cunha a frase «Para Angola e em força».
O que apegava de modo tão forte Salazar ao poder? Que sentimentos inspirava nos oito milhões de cidadãos sobre os quais reinava? Como contrariava o desenvolvimento do país de modo a fazer com que, a partir deste ano, mais de um milhão de portugueses emigrasse? De que modo planeava as actividades da polícia política na repressão aos que se lhe opunham? O que fez para que a Índia não recuperasse os três enclaves que Portugal aí mantinha? Porque foi obrigado a abrir o caminho ao envio de mais de um milhão de jovens para a guerra de África, sem aceitar negociar soluções económicas ou políticas que salvassem o último grande império do planeta? Como suportou um diferendo perigoso com as Nações Unidas, os Estados Unidos e a União Soviética?
São respostas a estas perguntas que se vão encontrar numa viagem ao quotidiano de um ano que mudou Portugal para sempre e que moldou todo o pensamento e a realidade social que ficou até aos dias de hoje.
Este olhar aconteceu através da leitura de três jornais da época, que refectem igual número de visões sobre a realidade nacional. Os primeiros quatro meses são observados no noticiário do Diário de Notícias; de Maio a Agosto no do Diário de Lisboa e, nos últimos quatro meses de 1961, no do jornal República. Via http://www.portoeditora.pt/
Sobre autor:
Depois de cinco retratos biográficos sobre escritores portugueses – Uma Longa Viagem com Álvaro Cunhal (2005), Uma Longa Viagem com Miguel Torga (2007), Uma Longa Viagem com José Saramago, Uma Longa Viagem com António Lobo Antunes (2009) e Uma Longa Viagem com Manuel Alegre (2010) – o autor decidiu agora viajar no tempo e dar-nos um retrato dos 365 dias que decidiram o fim do Império Português.
João Céu e Silva nasceu em Alpiarça, em 1959, licenciou-se em História durante os anos em que viveu no Rio de Janeiro e é, desde 1989, jornalista do Diário de Notícias. Publicou também um livro de viagens (Caravela Tropical) e um romance (28 Dias em Agosto).
Título: 1961 – O Ano que Mudou Portugal
Autor: João Céu e Silva
Editora: Porto Editora, 2011

Musica Aeterna – 750 anos do nascimento de D. Dinis

Nove dias andados do mês de Outubro de 1261: os 750 anos do nascimento de D. Dinis, o qual, para além de admirado pela perfeição técnica e pela imaginação literária, ficou para a História como o grande responsável por um longo período de paz e de prosperidade tardo-medieval. A transmissão de poesia alusiva de Luís de Camões, Dante Alighieri e Fernando Pessoa, de uma citação de Franco Sacchettie de repertório de Afonso X, “o Sábio”, Frei Manuel Cardoso, Arnaut Daniel, Duarte Lobo, Martin Codax e autores anónimos da província de Aragão, quase todos contemporâneos do também incluído monarca na Ibéria e na Península Itálica dos séculos XIII e XIV. João Chambers.
8 de Outubro de 2011 | 14:00 – 16:00 | Antena 2.

Eborae Mvsica – Os Mestres do Século de Ouro pelo Stile Antico

Integrado nas XIV Jornadas Internacionais “Escola de Música da Sé de Évora”, O Grupo inglês Stile Antico apresenta-se novamente em Portugal, amanhã dia 4 de Outubro às 21:00 na Sé de Évora, com um Programa a não perder:

Commissa mea pavesco de Filipe de Magalhães (1571 – 1652); Jubilate Deo de Cristóbal de Morales (ca. 1500 – 1553); Missa Gaudeamus: Kyrie de Tomás Luis de Victoria (1548 – 1611); Missa Gaudeamus: Gloria de Tomás Luis de Victoria; Audivi vocem de caelo de Duarte Lobo (ca. 1565 – 1646); Surge Propera de Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525 – 1594); Missa Surge Propera: Sanctus de Tomás Luis de Victoria; Missa Surge Propera: Benedictus de Tomás Luis de Victoria; Turbae quae precedebant de Manuel Cardoso (1566 – 1650); Simile Est Regnum de Francisco Guerrero (1528 – 1599); Missa Simile Est Regnum: Agnus Dei de Tomás Luis de Victoria; Pater peccavi de Duarte Lobo e Laetatus Sum de Tomás Luis de Victoria. Via.


Porque me beijou Perico, porque me beijou o traidor.

Este Vilancico pertence ao delicado livrinho ‘Jardim de Poesias Eróticas do Siglo de Oro’, com selecção, tradução, introdução e notas de José Bento, numa edição da Assírio e Alvim.
Quem tiver curiosidade de comparar com a tradução que aqui encontrei, facilmente constata a subjectividade que cada autor empresta à obra traduzida. Não será o caso, mas há textos que nem se deviam traduzir!

Porque me beijou Perico, 
porque me beijou o traidor. 

    Que estando, mãe, a dormir,
do que estou arrependida,
senti-o estar a subir
minha camisa florida;
mesmo de riso esvaída,
pensá-lo dá-me temor,
porque me beijou Perico, 
porque me beijou o traidor.

   E estando eu, como vos digo,
a dormir me surpreendeu;
tocou-me sob o umbigo,
tudo quanto Deus me deu.
Assim, como quereis que eu
possa por ele ter amor?
Porque me beijou Perico, 
porque me beijou o traidor. 

   Porque, com artes mesquinhas,
remexeu pouco a pouquito
suas pernas entre as minhas
até que me deu no fito:
é meu sofrer infinito,
já não pode ser maior,
porque me beijou Perico, 
porque me beijou o traidor. 

   Que, como se meneava,
mais se mostravam gostosos,
dois mil gozos que me dava
como açúcares saborosos.
Deu-me uns beijos tão sumosos
que jamais perco o sabor.
Porque me beijou Perico, 
porque me beijou o traidor.

“Susana y los viejos”, de José de Ribera

Para Ana Margarida 🙂

Os Tesouros do Côa

O Câmara Clara de 25 de Setembro foi dedicado ao Museu e Parque Arqueológico do Vale do Côa.

OS TESOUROS DO CÔA
CONVIDADOS: DALILA CORREIA, ANTÓNIO MARTINHO BAPTISTA, THIERRY AUBRY, JOÃO TRABULO
Os homens que há 12 mil, 15 mil, 20 mil anos gravaram figuras nas rochas das margens do rio Côa eram iguais a nós. Homo Sapiens Sapiens que cosiam a sua roupa, pescavam e caçavam, trocavam ideias e conhecimentos com outras grupos e faziam… arte. As descobertas dos últimos 15 anos no Parque Arqueológico do Vale do Côa revolucionaram os conhecimentos sobre a Pré-História. O Vale do Côa é o maior museu do mundo de arte do Paleolítico ao ar livre e foi imediatamente reconhecido pela UNESCO como Património da Humanidade. O novo Museu do Côa, um edifício magnífico de uma dupla de arquitetos portugueses, candidato a Museu Europeu do Ano, e a primeira edição do Cinecoa – Festival Internacional de Cinema de Foz Côa, mais que justificam uma visita guiada a um dos maiores tesouros nacionais. Os arqueólogos Dalila Correia, Thierry Aubry e António Martinho Baptista e o cineasta João Trabulo são os nossos guias nesta viagem inesquecível. Uma viagem no tempo e no espaço, único, do Parque Arqueológico do Vale do Côa.

Jordi Savall – Le Royaume Oublié – 2

A ilustração musical da obra The Forgotten Kingdom/Le Royaume Oublié, expressa através da arte trovadoresca, relata a intolerância e perseguição por parte da igreja católica sobre os cátaros, no que se constitui como um compêndio sobre a história do sul da Europa nos séculos XI a XIV. Quem tiver a bondade de ouvir as cerca de duas horas deste vídeo (enquanto permanecer em rede), não dará o tempo por perdido.

Paul Verlaine par Patricia Barber

Dansons la gigue!

 J'aimais surtout ses jolis yeux
 Plus clairs que l'étoile des cieux,
 J'aimais ses yeux malicieux.

   Dansons la gigue!

 Elle avait des façons vraiment
 De désoler un pauvre amant,
 Que c'en était vraiment charmant!

   Dansons la gigue!

 Mais je trouve encore meilleur
 Le baiser de sa bouche en fleur
 Depuis qu'elle est morte à mon coeur.

   Dansons la gigue!

 Je me souviens, je me souviens
 Des heures et des entretiens,
 Et c'est le meilleur de mes biens.

   Dansons la gigue!

Última Sessão

El artista mallorquín Miquel Barceló ha diseñado el cartel taurino del que posiblemente será el último festejo taurino que se celebre en Catalunya, la corrida prevista para el domingo 25 de septiembre en La Monumental de Barcelona. Via.

Georg Friedrich Händel – 270 anos de ‘Messias’

Para assinalar os 270 anos da conclusão do Oratorio “Messiah”, escolhi parte do texto que João Chambers utilizou no Musica Aeterna de Abril de 2009, destinado a assinalar a passagem dos 250 anos da morte de Handel; A escolha musical, desta vez, recai sobre o agrupamento vocal e instrumental Les Arts Florissants, dirigido por William Christie.
Espero que gostem. 🙂

A concepção da oratória “O Messias”, que passaria à posteridade como um dos apogeus da História da Música Ocidental e ocupa um lugar de destaque em todo o seu espólio, constitui um dos muitos paradoxos em que o mundo da arte é fértil. Composta em apenas três semanas, mais concretamente, entre 22 de Agosto e 14 de Setembro de 1741, seria apenas estreada no ano seguinte, no Music Hall em Fishamble Street, durante uma viagem efectuada a Dublin talvez já na expectativa de um convite por parte das autoridades irlandesas. Numa récita de beneficência em favor de presos e doentes internados em várias instituições locais iria então surgir, de novo, a estranha relação entre harmonia, asilos e hospícios sempre tão fecunda ao longo dos tempos.
Após o seu regresso a Londres, Handel foi obrigado a alterar o título daquela sua genial criação, de modo a poder calar as críticas que o acusavam não só de profanar um tema sacro e interpretá-lo num lugar tão pouco idóneo como, também, pelo facto de se ter servido de intérpretes que nada tinham a ver com o culto da liturgia. Todas estas vicissitudes viriam a contribuir para que, de início, não tivesse despertado o fervor popular que, anos mais tarde, acabaria por vir a provocar. Com efeito, seria apenas a partir de 1750, ano da morte de Johann Sebastian Bach, durante a temporada da Quaresma do Teatro do Covent Garden, em Londres, que começou a ter apresentações regulares, tendo acabado por se tornar numa verdadeira “instituição” da arte dos sons inglesa. Foi, ainda, durante esse mesmo ano que renovou habilmente a ligação entre a obra e diversos locais de caridade, tendo iniciado a tradição de a fazer executar em benefício do Hospício dos Expostos, do qual era provedor, começando, então, a manifestar-se uma alteração de sentimentos por parte do público que o passou a receber com entusiásticas ovações.
Baseado num texto homogéneo e equilibrado da autoria de Charles Jennens, o libreto não aborda qualquer tema sacro mas tão-somente o da reflexão sobre o mistério da redenção e da relação entre Deus e o Homem. Demonstrando grande preocupação com a profecia e a meditação, o respectivo teor foi inteiramente retirado da versão autorizada da Bíblia e do Book of Common Prayer, cuja utilização num contexto profano, muito ofendeu “pessoas escrupulosas” tal como Jennens rotulava esses puritanos. A alternância quase simétrica de recitativos, árias e coros não enfraquece a linha dramática, a qual foi conseguida com recurso a uma grande economia de meios harmónicos e graças a uma orquestração que, não servindo de apoio ao texto, ajuda, no entanto, a elevar o espírito dos ouvintes. A criteriosa compilação bíblica revestiu-se de uma forte concepção de conjunto e, através da combinação hábil de textos extraídos do Antigo e do Novo Testamento, procurou ilustrar o cumprimento das profecias messiânicas do primeiro nos acontecimentos constantes dos Evangelhos. Dividida em três partes, as suas passagens referem-se às profecias da vida de Cristo, à Sua redenção e, em epílogo, à imortalidade da alma cristã.
Faltando um fio dramático e unificador de forma a impor um sentido forte de estrutura, a primeira função de Handel, ao adaptar o texto de Jennens, foi criar um enquadramento musical capaz de tratar passagens potencialmente desconexas enquanto procurava manter a continuidade do pensamento subjacente. Tal objectivo foi conseguido através de um esquema global de tonalidades e harmonias em que a obra se estrutura e na qual vai, pouco a pouco, gerindo a construção e a resolução da tensão. Tudo isto foi complementado com uma distribuição ponderada dos vários ingredientes formais, ou seja, recitativos, árias e coros, pelas secções de texto mais apropriadas, dando a devida atenção ao peso relativo de cada uma na sua concepção global. Deste modo, possibilitou a percepção de um sentido quase dramático da progressão da música que, simultaneamente, ilustra e reforça a respectiva narrativa à medida que se vai desenrolando.
Apesar do pouco tempo que a composição terá demorado esta absolutamente notável oratória não é, de forma alguma, uma obra precipitada. Embora Handel tenha reutilizado como secções corais dois duetos amorosos que tinha anteriormente composto, contém, na realidade, poucas citações de peças preexistentes. Tal circunstância leva a crer que terá despendido tempo e paciência consideráveis no Amen final, do qual subsistem, nada menos, do que sete esboços, embora o manuscrito autógrafo original contenha também diversas emendas transcritas pelo seu próprio punho.
Durante a sua existência, o “Messias” jamais iria conhecer uma forma definitiva, uma vez que ele próprio ia frequentemente inovando de modo a adaptá-lo não só aos cantores disponíveis mas também às circunstâncias especiais de cada representação. Este hábito de “alteração” regular prolongar-se-ia muito para além da morte, tendo a célebre readaptação de Mozart aberto possibilidades a outras tentativas, bem intencionadas mas desastrosamente mal orientadas, em reforçar a propositadamente sóbria orquestração. Porém, nas últimas décadas do século XX e fruto de intensas e sérias investigações musicológicas tem, felizmente, vindo a ser adoptada uma abordagem diferente na interpretação do repertório anterior ao Romantismo, tendo este verdadeiro monumento, que sempre ocupou um lugar de destaque na História da Música Ocidental, servido de perfeito exemplo ao admirável e sempre em constante evolução movimento de renovação interpretativa.