Archive for the ‘ Artes ’ Category

A Invenção da Glória – D. Afonso V e as Tapeçarias de Pastrana

Museu Nacional de Arte Antiga – 12 Junho – 12 Setembro de 2010

A exposição ‘A Invenção da Glória. D. Afonso V e as Tapeçarias de Pastrana’ reúne pela primeira vez em Portugal os quatro monumentais panos, tecidos em Tournai por encomenda de D. Afonso V, conservados na Colegiada de Pastrana desde o século XVI e recém-restaurados sob o patrocínio da Fundação Carlos de Amberes. Peças de extraordinária monumentalidade e absolutamente únicas em termos da produção borgonhesa, relatando as conquistas de Arzila e Tânger, a sua encomenda e produção — ainda envolta em sombras — enquadra-se num programa mais vasto, de construção mítica da História, que o conjunto de obras em seu redor agora reunidas procura enquadrar e problematizar. Via.

Relacionado: Um tesouro perdido no Museu de Arte Antiga, por MARIA DE LURDES VALE, no DN

Nos 120 anos de Mário de Sá-Carneiro

O dúbio mascarado o mentiroso
Afinal, que passou na vida incógnito
O Rei-lua postiço, o falso atónito;
Bem no fundo o covarde rigoroso.
Em vez de Pajem bobo presunçoso.
Sua Ama de neve asco de um vómito.
Seu ânimo cantado como indómito
Um lacaio invertido e pressuroso.

O sem nervos nem ânsia – o papa- açorda,
(Seu coração talvez movido a corda…)
Apesar de seus berros ao Ideal

O corrido, o raimoso, o desleal
O balofo arrotando Império astral
O mago sem condão, o Esfinge Gorda.

Poema Aqueloutro, de Mário de Sá Carneiro
Gravura de Nicolas Poussin – Rinaldo and Armida, 1629

“Para Botticelli”, nos 500 anos da sua morte

Para Botticelli

Pressinto que o mundo cresce de teus dedos
quando num clarão mortal se rasgam asas
e faces lívidas de anjos
choram suas raízes arrancadas do chão.

Quando o vento grita em teus cabelos
que não é o mar a seara que se ondula.

Quando um perfil destrói em si a noite
e o teu peito,
onde límpida era a sua côr.

Quando uma árvore frutifica a sua solidão
e se ilumina
com um súbito canto
ou um vulto quase irreal de ser tão breve.

Quando, de olhos sangrentos,
sentes nitidamente o anoitecer
e exausto abandonas a cabeça a mãos ausentes:
náufrago de veias que prolongam a terra,
transfigurado no rosto
onde a manhã te anuncia o seu regresso.

in Silabário, de José Bento

150º Aniversário do “Tratado de Paz entre Portugal e o Japão”

Após prolongada presença portuguesa, inicialmente no sul e centro do Japão (de 1543 a 1639), as relações diplomáticas entre os dois países foram formalmente estabelecidas pelo Tratado de Paz, Amizade e Comércio, assinado em 1860, pelo Rei D. Pedro V e o Imperador do Japão. Embaixada de Portugal no Japão

A partir de hoje e para ir acompanhando, O Vento nas Velas colocará em rede as memórias dos aventureiros e dos missionários de há quatro séculos no país do Sol Nascente.

Em Outubro de 2010, o CHAM promove o Colóquio As relações luso-nipónicas (1860-2010).

Entre os muitos tesouros que o Museu Nacional de Arte Antiga encerra, encontra-se uma rara série de biombos Nambam (que narram as actividades religiosas e comerciais dos portugueses no Japão) e um frasco, ambos pertencentes ao Período Momoyama, finais do século XVI.


Musica Aeterna – Casa Perfeitíssima

Retábulo de Santa Auta | Oficina de Lisboa, intérprete desconhecido

Casa Perfeitíssimaos 500 anos da fundação do Mosteiro da Madre de Deus por D. Leonor, referida, na Crónica Seráfica de Frei Jerónimo de Belém e num texto do padre Mestre Jorge de São Paulo, como Rainha Perfeitíssima, cuja exposição se encontra patente até amanhã, dia 11, no Museu Nacional do Azulejo, ilustrados, para além de Canto Gregoriano de Monges Franciscanos e extraído do Canto da Sibila Castelhana, por obras de Pedro de Escobar, Jean Lhéritier, Francesco da Milano, Umberto Naich, Duarte Lobo, Francisco António de Almeida, Estêvão de Brito, Georg Philipp Telemann, Heinrich Isaac, Diogo Dias Melgás, Cristóbal de Morales, Giorgio Mainerio e de um autor anónimo. João Chambers

Monstra 2010

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O CAFÉ | 2009 | 7 MINUTOS| JOÃO FAZENDA

Em co-autoria com Alexandre Gozblau, fala dos cafés dos bairros antigos de Lisboa, onde o tempo não passa ao mesmo ritmo que lá fora. O cenário mantém-se, mas as personagens vão mudando, tal como as roupas dos que permanecem.

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HISTÓRIA TRÁGICA COM FINAL FELIZ | 2005 | 7 MINUTOS | REGINA PESSOA

Um filme que joga muito nas ambiências, claro-escuro, dentro e fora. Uma menina que é diferente e uma comunidade que tarda em aceitá-la. A sua diferença torna-se inelutável e acaba por ter de abandonar a comunidade que a viu crescer. O espaço urbano e o quarto da menina é um desdobramento das vivências internas e externas das personagens

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Não me interessava espaços reais, mas nalguns elementos, o rio, o eléctrico, sem que fosse óbvio, a inspiração iria mais para o do trabalho de carlos Botelho, no que se refere aos traços da cidade. Daniel Lima, sobre “Um degrau pode ser um mundo”, de 2009.

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PÁSSAROS | 2009 ! 7 MINUTOS | FILIPE ABRANCHES

Tudo gira em volta de aves. Uma velha, torta e com um nariz em forma de bico, alimenta os seus pássaros no terraço. Na cozinha olha enternecida para a fotografia do filho. Em seguida prepara uma galinha que esquarteja para uma sopa. Senta-se e adormece com a panela ao lume. Lá em baixo no pátio interior, surge o filho. É esguio e sem pescoço como um pinguim. O seu nariz rivaliza com o da mãe. Sobe as escadas e toca à campainha. A velhota recebe-o numa festa. Leva-o para a cozinha onde lhe serve uma canja repleta de miudezas de galinha. Mostra-lhe os pássaros lá fora. São numerosas as gaiolas de todos os feitios e tamanhos. Ele observa atentamente as aves…

Carnaval a gosto

Juntamente com Os Provérbios Holandeses, também de 1559, esta é a primeira de uma série de alegorias de Pieter Brugel (c.1525-1569) sobre a maldade e imprudência humanas, tendo por base o trabalho de Hieronymus Bosch O Jardim das Delícias Terrenas, em cuja composição nos é dada uma visão ao alto das pequenas figuras representadas.

Esta obra enfatiza a oposição entre o Carnaval tradicional que acontecia nas cidades e aldeias flamengas e o início dos festejos da Quaresma. As festas, meio-religiosas meio-seculares, serviam de pretexto para todos os excessos, desde a bebida ao sexo.

Vejamos a contenda entre os adversários, alegórica e severamente representados por protestantes e católicos: No meio da praça de uma pequena cidade flamenga, o Senhor Carnaval, barrigudo e sentado num barril, enfrenta, com um espeto em forma de lança, a magra figura da Quaresma, sentada num carro, segurando uma pá de padeiro como arma.

The Fight Between Carnival and Lent – Pieter Brugel, 1559

The Real Van Gogh – The Artist and His Letters

Royal Academy of Arts apresenta uma exposição do trabalho de Vincent Van Gogh (1853-1890), cujo foco é a sua extraordinária correspondência, através de 35 cartas originais, raramente apresentadas ao público devido à sua fragilidade, juntamente com 65 quadros e 30 desenhos.

Esta é a primeira grande exposição de Van Gogh em Londres em mais de 40 anos e constitui uma oportunidade única de conhecer a mente complexa de Vincent Van Gogh. Via.

Vincent van Gogh – The Letters
As cartas de Vincent van Gogh foram durante muito tempo consideradas como alguns dos mais valiosos documentos no mundo da arte, sendo que a totalidade da correspondência existente foi agora publicada numa edição jamais produzida.
Pela primeira vez, todos os trabalho referentes a Van Gogh são acompanhados das cartas, incluindo os auto-retratos, desenhos e trabalhos de outros por ele mencionados, esboços feitos nas cartas, todos reproduzidos em tamanho natural.
As mais de 900 cartas, os pensamentos e opiniões de Van Gogh, as suas por vezes complicadas relações, as dúvidas e medos pessoais e, sobretudo, a paixão nula pela sua própria arte, estão reunidas nesta edição notável.
O Museu Van Gogh Museu de Amsterdão lançou o Projecto Cartas de Van Gogh em parceria com o Instituto Huygens, The Hague, em 1994. A presente publicação presente resulta de 15 anos de dedicada pesquisa por uma equipa de editores e tradutores.
Editores: Leo Jansen, Hans Luijten, Nienke Bakker | Tradutores ingleses sob supervisão editorial de Michael Hoyles: Sue Dyson, Imogen Forster, Lynne Richards, John Rudge, Diane Webb. | Desenhador: Wim Crouwel..
Esta histórica publicação  foi assinalada através da exibição das cartas numa Exposição no Museu Van Gogh Museu de Amsterdão em Outubro de 2009 e na Real Academia de Londres, de 23 de Janeiro a 18 de Abril de 2010.




Musica Aeterna – “Cântico dos Cânticos”

O “Cântico dos Cânticos”, admirável poema lírico hebraico que se refere ao livro canónico do Antigo Testamento, escrito, talvez, no século IV a.C. e atribuído, por uma longa tradição, ao Rei Salomão, ilustrado através de obras, sobre excertos dali extraídos, da autoria de Marc-Antoine Charpentier, Alexander Agricola, Jacob Clemens non Papa, Giovanni Pierluigi da Palestrina, Antoine de Févin, Gioseffo Zarlino, Heinrich Schütz, Adrian Willaert, Nicolas Gombert, Cristóbal de Morales, Domenico Mazzocchi e Heinrich Isaac. João Chambers


Conversa de elevador

Qualquer caminho leva a toda a parte
Qualquer caminho
Em qualquer ponto seu em dois se parte
E um leva a onde indica a estrada
Outro é sozinho.
Uma leva ao fim da mera estrada. Pára
Onde acabou.
Outra é a abstracta margem

……

No inútil desfilar de sensações
Chamado a vida.
No cambalear coerente de visões
Do […]

Ah! os caminhos estão todos em mim.
Qualquer distância ou direcção, ou fim
Pertence-me, sou eu. O resto é a parte
De mim que chamo o mundo exterior.
Mas o caminho Deus eis se biparte
Em o que eu sou e o alheio a mim
[…]

Fernando Pessoa