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‘Nascita di Venere’, de Sandro Botticelli

Sandro Botticelli [c. 1445 – 17 Maio 1510]
“Nascimento de Vénus”, c. 1485 | Gallerie degli Uffizi, Florença

Known as the “Birth of Venus”, the composition actually shows the goddess of love and beauty arriving on land, on the island of Cyprus, born of the sea spray and blown there by the winds, Zephyr and, perhaps, Aura. The goddess is standing on a giant scallop shell, as pure and as perfect as a pearl. She is met by a young woman, who is sometimes identified as one of the Graces or as the Hora of spring, and who holds out a cloak covered in flowers. Even the roses, blown in by the wind are a reminder of spring. The subject of the painting, which celebrates Venus as symbol of love and beauty, was perhaps suggested by the poet Agnolo Poliziano.

It is highly probable that the work was commissioned by a member of the Medici family, although there is nothing written about the painting before 1550, when Giorgio Vasari describes it in the Medici’s Villa of Castello, owned by the cadet branch of the Medici family since the mid-15th century. This hypothesis would seem to be born out by the orange trees in the painting, which are considered an emblem of the Medici dynasty, on account of the assonance between the family name and the name of the orange tree, which at the time was ‘mala medica’.

Unlike the “Allegory of Spring”, which is painted on wood, the “Birth of Venus” was painted on canvas, a support that was widely used throughout the 15th century for decorative works destined to noble houses.

Botticelli takes his inspiration from classical statues for Venus’ modest pose, as she covers her nakedness with long, blond hair, which has reflections of light from the fact that it has been gilded; even the Winds, the pair flying in one another’s embrace, is based on an ancient work, a gem from the Hellenistic period, owned by Lorenzo the Magnificent.
Via Gallerie degli Uffizi.

“Para Botticelli”, nos 500 anos da sua morte

Para Botticelli

Pressinto que o mundo cresce de teus dedos
quando num clarão mortal se rasgam asas
e faces lívidas de anjos
choram suas raízes arrancadas do chão.

Quando o vento grita em teus cabelos
que não é o mar a seara que se ondula.

Quando um perfil destrói em si a noite
e o teu peito,
onde límpida era a sua côr.

Quando uma árvore frutifica a sua solidão
e se ilumina
com um súbito canto
ou um vulto quase irreal de ser tão breve.

Quando, de olhos sangrentos,
sentes nitidamente o anoitecer
e exausto abandonas a cabeça a mãos ausentes:
náufrago de veias que prolongam a terra,
transfigurado no rosto
onde a manhã te anuncia o seu regresso.

in Silabário, de José Bento

A Natividade Mística, de Botticelli

Não existe nenhuma evidência documental que comprove se foi seguidor de Savonarola; No entanto, alguns dos trabalhos tardios de Botticelli, como A Natividade Mística, são inspirados nos seus sermões, podendo concluir-se que o artista foi atraído de forma decisiva pelo papel central que Savonarola teve nos meios político e cultural dos finais do século XV.

Tem sido sugerido que A Natividade Mística, o único trabalho existente assinado por Botticelli, foi concebida para as suas devoções privadas, ou para alguém próximo.
Não sendo uma obra convencional, pois os acontecimentos tradicionais do nascimento de Cristo, da adoração dos pastores e dos Reis Magos está ausente, esta obra inspira-se  nas Profecias da Revelação de São João e inclui, simbolicamente, textos em latim e em grego.

Em A Natividade Mística, Botticelli estabelece uma ruptura com o realismo pictórico da época, patente na desproporcionada figura do Menino, obrigando a Virgem Maria a estar inclinada dentro do estábulo.
Sob a inscrição “Glória a Deus nas Alturas e Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade” (Lucas 2:14), os anjos no céu dançam empunhando ramos de oliveira, com os quais coroam os pastores, simbolizando a paz.
Sobre o telhado do estábulo, o Céu, que se abre para revelar o Paraíso, deixa cair algumas coroas douradas.
Os anjos que apontam para o berço seguram a inscrição “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29).
Em baixo, os anjos abraçam os homens, enquanto pequenos demónios emergem das profundezas.

Sandro Botticelli – A Natividade Mística, cerca de 1500

Sublimação!

Que forma tão sentida de admirar a Renascença e os seus vultos!

Sandro Botticelli (1445-1510) – Giovanna degli Albizzi Receiving a Gift of Flowers from Venus – 1486 – Fresco destacado e colocado em tela – 211 x 284 cm – Museu do Louvre, Paris

 

Para Botticelli

Pressinto que o mundo cresce de teus dedos
quando num clarão mortal se rasgam asas
e faces lívidas de anjos
choram suas raízes arrancadas do chão.

Quando o vento grita em teus cabelos
que não é o mar a seara que se ondula.

Quando um perfil destrói em si a noite
e o teu peito,
onde límpida era a sua côr.

Quando uma árvore frutifica a sua solidão
e se ilumina
com um súbito canto
ou um vulto quase irreal de ser tão breve.

Quando, de olhos sangrentos,
sentes nitidamente o anoitecer
e exausto abandonas a cabeça a mãos ausentes:
náufrago de veias que prolongam a terra,
transfigurado no rosto
onde a manhã te anuncia o seu regresso.

in Silabário, de José Bento

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