Archive for the ‘ Aniversário ’ Category

‘The Loge’, de Mary Cassatt

Mary Stevenson Cassat [22 Maio 1844 – 14 Junho 1926] estudou na Pennsylvania Academy of Fine Arts em Filadélfia entre 1861 e 1865. Em 1868, expôs pela primeira vez no Salon de Paris, onde viria a conhecer Edgar Degas, com quem cultivou amizade e cuja influência foi decisiva para se afirmar no movimento impressionista. Em 1910 tornou-se membro da National Academy of Design, em Nova Iorque.

Mary Cassatt – The Loge, c. 1878-1880
Chester Dale Collection – National Gallery of Art, Washington

 

A cultivated woman, Mary Cassatt was at home at the theater and opera. In The Loge she depicts two elegantly dressed young women who sit primly in their theater box absorbed in the performance below. The figures are shown close-up, suggesting that we share both their vantage point and their experience of the performance. Reflected in a large mirror behind them, a glittering chandelier illuminates the tiers of gilded balconies that curve majestically around the auditorium. Aware that they are on view from the other boxes, the young women appear slightly self-conscious. One young woman retreats behind her fan. The other clutches her bouquet; her carefully neutral expression establishes a discreet emotional distance.

Cassatt was as attentive to the formal qualities of composition as to the individualization of the figures. Here the sweeping lines of the balconies in the background and the spread of the open fan establish the pattern for this carefully organized composition. The curves are echoed in the black neck ribbon, the rounded shoulders, the arc of the bouquet, and the crystal chandelier. Eliminating details with loose brushwork and softly merging colors, Cassatt suggested rather than defined such elements as the flowers on the fan and the distant audience. Elsewhere, in the arms for example, she emphasized form by allowing the brushstrokes to follow contours and, at times, by using pure line to emphasize a particular shape. The resulting image is, at once, solid and evanescent.

‘Melencolia I’, de Albrecht Dürer

Albrecht Dürer [21 May 1471 – 6 April 1528] – ‘Melencolia I’, 1514

Dürer’s Melencolia I is one of three large prints of 1513 and 1514 known as his Meisterstiche (master engravings). The other two are Knight, Death, and the Devil and Saint Jerome in His Study. The three are in no way a series, but they do correspond to the three kinds of virtue in medieval scholasticism moral, theological, and intellectual and they embody the complexity of Dürer’s thought and that of his age.

Melencolia I is a depiction of the intellectual situation of the artist and is thus, by extension, a spiritual self-portrait of Dürer. In medieval philosophy each individual was thought to be dominated by one of the four humors; melancholy, associated with glack gall, was the least desirable of the four, and melancholics were considered the most likely to succumb to insanity. Renaissance thought, however, also linked melancholy with creative genius; thus, at the same time that this idea changed the status of this humor, it made the self-conscious artist aware that his gift came with terrible risks.

The winged personification of Melancholy, seated dejectedly with her head reasting on her hand, holds a caliper and is surrounded by other tools associated with geometry, the one of the seven liberal arts that underlies artistic creation and the one through which Dürer, probably more than most artists, hoped to approach perfection in his own work. An influential treatise, the De Occulta Philosophia of Cornelius Agrippa of Nettesheim, almost certainly known to Dürer, probably holds the explanation for the number I in the title: creativity in the arts was the realm of the imagination, considered the first and lowest in the hierarchy of the three categories of genius. The next was the realm of reason, and the highest the realm of spirit. It is ironic that this image of the artist paralyzed and powerless exemplifies Dürer’s own artistic power at its superlative height. Via.

 

“João Bénard da Costa: Outros Amarão as Coisas que Eu Amei”

“João Bénard da Costa: Outros Amarão as Coisas que Eu Amei”, realizado por Manuel Mozos, será exibido a 21 de Maio de 2019 na RTP2.

Uma homenagem ao cinema a pretexto da extraordinária vida de João Bénard da Costa [7 Fev 1935 – 21 Mai 2009], director da Cinemateca Portuguesa durante 18 anos mas também actor, cinéfilo, escritor inspirado e leitor criativo. Esta é uma biografia inusual que conta a vida do homem através dos seus amores, medos e contemplações, impressas na arte da pintura, do cinema e da literatura.
Da pintura barroca à literatura de Borges, o amado diário de um homem universal.
João Bénard da Costa, licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, foi um dos fundadores da revista “O Tempo e o Modo”. Dirigiu o Sector de Cinema do Serviço de Belas-Artes da Fundação Calouste Gulbenkian e presidiu à Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal. Dedicou-se à crítica e ao ensaio, tendo participado como actor em vários filmes, grande parte dos quais de Manoel de Oliveira (vídeos I e II).
Pelo trabalho à frente da Cinemateca Portuguesa, de que era director desde 1991, foi condecorado com a medalha de mérito cultural. Via RTP2

‘Nossa Senhora de Paris’, de Mário de Sá-Carneiro

Mário de Sá-Carneiro [19 Mai 1890 – 26 Abr 1916]
Imagem – Les vitraux du cloître, Catedral de Notre-Dame
Música de Magister Leoninus [1150-1219], Mestre da Escola de Notre-Dame – Organum a duas vozes


Listas de som avançam para mim a fustigar-me
Em luz.
Todo a vibrar, quero fugir… Onde acoitar-me?…
Os braços duma cruz
Anseiam-se-me, e eu fujo também ao luar…

Um cheiro a maresia
Vem-me refrescar,
Longínqua melodia
Toda saudosa a Mar…
Mirtos e tamarindos
Odoram a lonjura;
Resvalam sonhos lindos…
Mas o Oiro não perdura,
E a noite cresce agora a desabar catedrais…
Fico sepulto sob círios–
Escureço-me em delírios,
Mas ressurjo de Ideais…

– Os meus sentidos a escoarem-se…
Altares e velas…
Orgulho… Estrelas…
Vitrais! Vitrais!

Flores de Liz…

Manchas de cor a ogivarem-se…
As grandes naves a sagrarem-se…
– Nossa Senhora de Paris!…

Paris, 15 de Junho de 1913


Les vitraux du cloître, Catedral de Notre-Dame

Rick Wakeman & Anne Boleyn

Dois pioneiros do Rock Progressivo entraram esta semana na casa dos setenta,  Bill Bruford a 17 e Rick Wakeman a 18 de Maio.

Rick Wakeman produziu em 1973  The Six Wives of Henry VIII, o primeiro trabalho a solo após a saída dos YES.

O penúltimo tema do album – Anne Boleyn ‘The Day Thou Gavest Lord Hath Ended’ –, é dedicado à segunda mulher de Henrique VIII, que neste dia 19 de Maio em 1536 foi decapitada na Torre de Londres e sepultada na Capela Real de São Pedro ad Vincula , onde tem um pequeno memorial.

Tapeçaria ‘A Última Ceia’

Como parte integrante das comemorações do quinto centenário da morte de Leonardo da Vinci, em conjunto com a exposição “Leonardo. Il San Girolamo dei Musei Vaticani”, os Museus do Vaticano prestam homenagem ao genial artista com a conclusão do restauro da Tapeçaria inspirada na Última Ceia de Leonardo, que se encontra presentemente na Pinacoteca do Museu do Vaticano até final do mês de Maio, após o que viajará para França para ser apresentada, entre Junho e Setembro, na exposição “La Cène de Léonard de Vinci pour François Ier, un chef-d’oeuvre en or et soie”, no Castelo Clos Lucé em Amboise, onde Leonardo morreu no célebre dia 2 de Maio de 1519.

O valioso tecido, exclusivamente em fios de seda, ouro e prata, tem as mesmas dimensões do fresco produzido pelo mestre da Renascença no refeitório do convento Dominicano adjacente à igreja de Santa Maria delle Grazie, em Milão, entre 1494 e 1498.

Apesar de a iconografia reproduzir fielmente a posição das figuras na Assembleia dos Apóstulos em torno do Mestre, a tapeçaria possui um fundo diferente, enquadrado por um cenário arquitectónico. O trabalho de tecelagem deverá ter sido produzido na Flandres, sob encomenda de Luísa de Sabóia, mãe de Francisco I, rei de França.

Realizada inteiramente pelo Laboratório de Restauro de Tapeçarias e Têxteis dos Museus do Vaticano, esta  intervenção devolveu à obra o seu esplendor original e permitiu equacionar a hipótese de ter sido produzida em 1516, durante a presença de Leonardo em Amboise a convite do monarca, embora a questão da autoria ainda não esteja completamente esclarecida.

Tamara de Lempicka – A Rainha da Art Déco

Tamara de Lempicka [16 May 1898 – 18 Mar 1980] was a pioneer in the development of Art Deco, the most famous movement of her time, marked by the geometric motifs, bright colours and forthright forms of the 1920s aesthetic. The roots of this classic, symmetrical and linear style, which reached its peak between 1925 and 1935, can be traced back to prior movements like Cubism and Futurism, as well as to the influence of the Bauhaus. Lempicka was one of its outstanding representatives in the realm of the visual arts, for which she proved to be a true revolution.

O Palácio de Gaviria em Madrid acolhe a Exposição “Tamara de Lempicka – Reina del Art Déco”, organizada pela Arthemisia [ 5 Outubro 2018 – 26 Maio 2019]

The Girls, c.1930

The Polish Girl, 1933

The Blue Scarf, 1930

La Belle Rafaela, 1927

 

‘Apollo: Atmospheres & Soundtracks’ de Brian Eno

Para assinalar o 50º aniversário da Missão Apollo 11, será reeditado no verão de 2019 o álbum Apollo: Atmospheres & Soundtracks de Brian Eno [n. 15 Mai 1948].
Originalmente produzido para o documentário For All Mankind de Al Reinert, terá uma edição especial com som remasterizado e novo material, do qual já se conhece “Like I Was a Spectator”.

‘La ventana abierta’, de Juan Gris

Juan Gris [23 Mar 1887 – 11 Mai 1927]
“La ventana abierta”, 1921

Juan Gris - La fenêtre ouverte (La ventana abierta)

En óleos como La guitare devant la mer (La guitarra ante el mar) Juan Gris aporta soluciones pictóricas novedosas, aunque en el caso de composiciones iconográficamente semejantes a esta es preciso remontarse a 1915, año de datación del lienzo Nature morte et paysage. Place Ravignan (Naturaleza muerta y paisaje. Place Ravignan), pieza clave en la producción del pintor. En su empeño por añadir un componente de sensualidad a sus obras, Juan Gris resuelve entonces incluir en un mismo cuadro, y en estricto código cubista, la representación del interior de un estudio y las vistas urbanas del exterior del mismo. Nace así un género inédito, aun para el adelantado ingenio de Picasso, que no lo abordará sino algunos años después: la naturaleza muerta ante una ventana abierta. La transición entre ambos ambientes, sin el recurso a argucias luministas ni procedimientos perspectivos del pasado, se realiza por medio de una sabia solución que en La guitare devant la mer incluye las diferencias de escala de los objetos y el empleo de planos tonalmente diferenciados, superpuestos y situados en diferentes ángulos. Todo ello contribuye a posibilitar la convivencia de dos espacios diferentes pero que, a la vez, constituyen un todo armónico. Además de retomar en 1921 este motivo inicialmente creado en 1915, Juan Gris seguirá utilizándolo sobre todo en los años 1923 y 1925, aunque ya de manera más esporádica. Paloma Esteban Leal, Museo Reina Sofía

‘Un huerto bajo la iglesia de Bihorel’, de Paul Gauguin

Gauguin se trasladó a Rouen junto con su mujer y cuatro de sus cinco hijos en el mes de enero del año 1884. Después de haber dejado su trabajo en la bolsa de París, tomó la trascendental decisión de dedicarse por completo a la pintura. Durante su época relativamente próspera de París adquirió una magnífica colección de cuadros de arte «moderno», entre los que figuraban obras de Manet, Degas, Monet, Sisley, Renoir y especialmente de Cézanne, Guillaumin y Pissarro. Como contrapartida, fue invitado a participar junto con los impresionistas en las exposiciones que celebraron entre los años 1879 y 1882. Pissarro fue consejero y guía de Gauguin en sus primeros pasos: los dos amigos pintaban juntos a menudo y cuando estaban separados se escribían con regularidad. Nuestro conocimiento sobre la estancia de Gauguin en Rouen desde enero a noviembre de 1884 se basa sobre todo en las cartas que el pintor dirigió a Pissarro.

Paul Gauguin [ 7 Jun 1848 – 8 Mai 1903] – ‘Un huerto bajo la iglesia de Bihorel’, 1884

La zona de la ciudad de Ruán donde vivió Gauguin fue destruida durante la Segunda Guerra Mundial. Un huerto bajo la iglesia de Bihorel es uno de los tres lienzos que muestra lo que debió de haber sido el huerto de la casa que el pintor alquiló y en el que aparecen sus hijos jugando. Sobre ellos, en lo alto de una empinada colina, vemos la iglesia de Notre-Dame-des-Anges.

No es una pintura grande; pero, a decir verdad, pocos de los aproximadamente treinta cuadros que Gauguin pintó durante su estancia en Ruán lo fueron. Estilísticamente la imagen que se representa recuerda el huerto cerrado del jardín que Pissarro pintó en los cuadros de su etapa en Pontoise y que Gauguin debió conocer muy bien. Pero Gauguin también habla estudiado muy bien la obra de Cézanne: el árbol escasamente convencional, sin duda el eje de la composición, así como el recuerdo de la pincelada formalista que se ha dado en denominar pincelada constructiva, así parecen atestiguarlo. Para ser exacto también debería señalarse la influencia de Guillaumin, con quien Gauguin mantuvo relaciones cordiales durante la década de los años 1880. Ronald Pickvance [Museo Thyssen, Madrid]