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Museu da Paisagem

É um projecto digital, disponível aqui, e surge “no contexto de uma sensibilização e educação para uma cidadania paisagística”, como ali se lê, e é, sobretudo, ponto de partida para desafios que podem levar o “visitante” a conhecer os espaços de que se fala. O Museu da Paisagem, que surgiu no âmbito de um projecto de investigação da Escola Superior de Comunicação Social do Politécnico de Lisboa desenvolvido desde 2017, “abre” agora a sua relação com a comunidade propondo três exposições, uma série de roteiros (que vão do troço ferroviário entre Abrantes e Vila Nova da Barquinha às Termas de Água Radium, na freguesia da Sortelha, entre outras opções) e um universo de pesquisa complementar que passa por livros sugeridos, a escuta dos podcasts “Território Tejo” ou a visualização dos episódios da série Filmar a Paisagem.

Monte dos Alares | | © Museu da Paisagem

A exposição Sons e Matérias da Paisagem sugere uma experiência interactiva que permite combinar imagens e observar montagens visuais, que mergulham, inclusivamente com sons, por paisagens do Tejo, juntando fotografias de Duarte Belo e um trabalho de sonoplastia de Magnus Robb, um músico que, desde os anos 90, tem gravado sons do canto de aves. Mapas de palavras: itinerários temáticos no território Tejo apresenta uma série de percursos de descoberta pelo território da bacia do Tejo “em busca de uma cartografia temática”. A partir “das viagens e caminhadas do trabalho de campo, realizadas nesta bacia hidrográfica, foram surgindo temas recorrentes” que são agora agrupados em imagens, devidamente acompanhadas por textos.

Ribeira de Alpreade | © Olhares.com

A terceira exposição que actualmente encontramos no Museu da Paisagem, O Que Há Neste Lugar?, convida o visitante a ser explorador. Sugere, por isso, um “guia de exploração da paisagem que pretende cultivar a literacia e a cidadania paisagística nos públicos mais jovens, contribuindo para o desenvolvimento de atitudes de curiosidade, encanto, cuidado e responsabilidade”. O museu tem ainda um serviço educativo com visitas guiadas, conferências, ciclos documentais, exposições, oficinas e workshops, cuja agenda ali podemos consultar.

Texto de Nuno Galopim, Expresso de 1 Junho 2019

Stan Getz’s Finest Hour

De Stan Getz [2 Fevereiro 1927 – 6 Junho 1991], sem dúvida um dos grandes sax-tenor da segunda metade do século XX, “I’m Late, I’m Late”, o tema de abertura do album Focus, gravado em 13 de Julho de 1961. A particularidade deste tema reside no vibrante diálogo entre o saxofone de Getz e a bateria de Roy Haynes, em resposta ao desafio de orquestração lançado pelo compositor Eddie Sauter.


 

‘Llanto por Ignacio Sánchez Mejía’, de Federico García Lorca

Inteligente e culto, Ignacio Sánchez Mejías [Sevilha, 6 Junho 1891 – Madrid, 13 Agosto 1934] era entusiasta do cante hondo e da dança espanhola. Casado com a irmã do toureiro Joselito, manteve até à fatal colhida uma ligação amorosa com a célebre bailarina Encarnación López, La Argentinita.
Federico García Lorca [5 Junho 1898 – 18 Agosto 1936] dedicou ao bandarilheiro sevilhano uma elegiaA Colhida e a MorteO Sangue DerramadoCorpo Presente e Alma Ausente) intitulada “Llanto por Ignacio Sánchez Mejías”, que Enrique Morente cantava como ninguém.
Recentemente, a Quetzal editou “Romanceiro Cigano seguido de Pranto por Ignacio Sánchez Mejías”, de Lorca, em edição bilingue com tradução de Vasco Graça Moura.

Francisco de Goya Y Lucientes [1746-1828]
‘Desgraciada embestida de un poderoso toro’, 1814-1816

Argonauta – Dom Quixote de La Mancha

Para acompanhar o Argonauta de 1 de Junho de 2019, dedicado a D. Quixote De La Mancha de Miguel de Cervantes, ilustrado musicalmente por Montserrat Figueras, Hespèrion XXI, La Capella Reial De Catalunya e Jordi Savall.

Capítulo XLVIII
Onde prossegue o cónego o assunto dos livros de cavalaria, com outras coisas dignas da sua inteligência

— Vossa Mercê , senhor cónego, tocou num assunto — disse nesta altura o cura —, que acordou em mim um antigo rancor que tenho às comédias agora habituais, tão grande que iguala o que tenho aos livros de cavalarias; porque devendo ser a comédia, segundo parece a Túlio, um espelho da vida humana, um exemplo dos costumes e imagem da verdade, as que se representam agora são espelhos de disparates, exemplos de ignorância e imagens de lascívia.

Josephine Baker em Portugal

O livro Josephine Baker em Portugal de João Moreira dos Santos foi editado em 2011, quando se completaram 70 anos sobre a primeira actuação de Josephine Baker [3 Junho 1906 – 12 Abril 1975] em Portugal, muito embora a larga fama por si alcançada em Paris a partir de 1925, ainda apenas como bailarina, tenha precedido em vários anos a sua primeira visita ao país. Com efeito, publicações como a revista ABC vinham desde esta mesma década dedicando artigos e comentários à “vedeta negra”, ela que nos anos 20 e 30 foi o ícone do Jazz, um símbolo da libertação sexual e um rosto da emancipação das mulheres, causando nas diversas capitais e cidades europeias por onde passou um misto de escândalo e sensação com as suas ousadas e desnudadas danças. Por isso mesmo, não raras vezes os seus espectáculos foram alvo de tentativas de boicote pelos poderes políticos e públicos de uma Europa que caminhava a largos passos para os nacionalismos e totalitarismos xenófobos.

‘Auto da Barca da Glória’, de Gil Vicente

Musica Aeterna de 2 Jun 2019
Os 500 anos sobre a estreia do ‘Auto da Barca da Glória’ de Gil Vicente e a música de Damião de Góis, Pedro de Escobar, Nicolas Gombert, Fernão Gomes Correia, Cristóbal de Morales, Hildegard von Bingen, de autores anónimos e das Matinas do Ofício de São Geraldo de Braga, festividade anualmente celebrada a 5 de Dezembro de harmonia com o Breviário local de 1494.

O Violão de Andrés Segovia

Tradicionalmente associado ao flamenco, o violão clássico foi resgatado por Andrés Segovia [21 Fev 1893 – 2 Jun 1983] como instrumento de prestígio para salas de concerto. A Miss Segovia, como carinhosamente lhe chamava, atribuia um sentido poético e comparava-o a uma pequena orquestra.
Artista de projecção internacional, Segovia teve como referências Francisco Tárrega [1852-1909], Pablo Casals [1876-1973] e Joaquín Rodrigo [1901-1999].


Álbum: Tárrega & Albéniz: Guitar Works – Artemisia, 2021
Recuerdos de Alhambra

Alfonso X ‘O Sábio’

Do mui talentoso Afonso X [1221-1284], proclamado Rei de Castela e Leão neste dia 1 de Junho em 1252, as Cantigas de Santa Maria, com mais de 400 composições, constituem o mais importante repertório musical da lírica medieval galego-portuguesa, iniciada nas cortes de Alfonso III [1245-79] e D. Dinis [1279-1325].

Por que trobar, prólogo do album Eno nome do Maria – Cantigas de Santa Maria, pelo Ensemble Antequera

Os quartetos de cordas de Haydn

Na passagem dos 210 anos da morte de Joseph Haydn [1732-1809], seleccionei, da série de seis concertos russos opus 33 [1781], o gracioso Quarteto nº 32 em Dó Maior “The Bird” – Hoboken No. III:39, interpretado pelo Apponyi Quartet.
Para explorar a evolução dos quartetos de cordas, está disponível um interessante artigo de José Carlos Fernandes no Observador.


Joseph Haydn foi o compositor mais importante de quartetos de cordas no Classicismo, bem como de sinfonias, tendo estabelecido os moldes formais deste género para as gerações futuras e definido um novo equilíbrio de forças entre os quatro instrumentos que constituem o quarteto de cordas: dois violinos, viola de arco e violoncelo. Anteriormente, no género similar a que se chamava divertimento, o violino tocava as melodias principais e os restantes instrumentos limitavam‐se, praticamente, a ter um papel de acompanhamento harmónico. Após Haydn, o novo equilíbrio entre os instrumentos estabeleceu um princípio dialogante que viria a caracterizar este género até aos nossos dias. Via.

 

‘Purificación del botín de las vírgenes madianitas’, de Tintoretto

Na passagem dos 425 anos da morte de Jacopo Tintoretto [1518-1594], a obra ‘Purificación del botín de las vírgenes madianitas’, do último quartel do século XVI, veio a constituir a cena central de um conjunto de outras seis obras que Velazquez trouxera de Veneza para Madrid: Susana y los viejos, Esther ante Asuero, Judith y Holofernes, La reina de Saba ante Salomón, José y la mujer de Putifar e Moisés salvado de las aguas.

Ésta era la escena central del techo de la cámara nupcial pintada por Tintoretto en Venecia y posteriormente traída a España por Velázquez para decorar una pieza del Alcázar de Madrid. A su alrededor se distribuían seis escenas más, destacando entre ellas Susana y los viejos y José y la mujer de Putifar. En todas ellas aparece reflejada una relación, positiva o negativa, entre los dos sexos. Algunas de las 16.000 jóvenes vírgenes cogidas como botín en la victoria judía sobre los madianitas aparecen en primer plano, mientras al fondo Moisés escucha el mandato divino de purificar a 32 de esas vírgenes para dedicarlas al Señor. Como en sus escenas compañeras, resulta curiosa la perspectiva empleada, que lógicamente viene motivada por su situación en un techo. La composición, escalonada a través de diagonales, es muy utilizada por Tintoretto debido a la influencia del Manierismo, igual que los escorzos de las figuras que caracterizan toda su obra. El maestro demuestra su facilidad para realizar la anatomía femenina desnuda -de gran belleza- así como la riqueza de las telas y utensilios que aparecen distribuidos por el lienzo -los cacharros de cobre o los cestos de mimbre-. El colorido empleado es muy vivo, preferentemente los azules, rojos y naranjas. La luz elegida es algo dorada, posiblemente por la aparición del fondo, mientras que la pincelada es rápida y alegre, como tanto gustaba al maestro. Via.