Arquivo de Março, 2010

O Universo Numa Casca de Noz

No CERN, o LHC fez ontem colidir dois feixes de protões  de 3,5 TeV vinte milhões de vezes por segundo a uma energia total de 7 TeV, para identificar os produtos das colisões através de quatro grandes detectores de partículas,  Atlas, CMS, ALICE e LHCb.
Nas experiências CMS, procura-se compreender a estrutura da matéria e a formação do universo, há 13,7 mil milhões de anos e a confirmação da existência do bosão de Higgs.
Tudo isto é de uma evidência cristalina!! 🙂

Francisco de Goya visionário

O gigante imóvel de punhos em riste e pronto para a batalha, sobre a multidão que foge desordenadamente com o gado, evidencia o domínio que o destino exerce sobre o homem, numa luta entre o céu e a terra.
Nesta obra onírica de Francisco de Goya (30 de Março de 1746 – 15 de Abril de 1828), estamos perante a ambiguidade de saber se o monstrengo personifica a revolução dos homens ou se representa o perigo em si mesmo.
Confesso a pouca sabedoria para compreender este quadro, pois para isso teria de entender a mentalidade humana, cujas crueldade e bondade se entrecruzam ao longo da nossa história. Vou reler Sun Tzu! 🙂

Francisco de Goya - El Coloso, 1808 - Museu do Prado, Madrid

Cristo começa a caminhada rumo ao calvário

Alexandre Herculano e o Ensino Público

No dia em que se comemora o bicentenário do nascimento de Alexandre Herculano, reuni nesta página alguns artigos publicados na imprensa e textos em blogs.
Neste post reproduzo o capítulo dedicado à análise do pensamento de Herculano sobre o Ensino Público, in “História do Pensamento Filosófico Português”, sob a direcção de Pedro Calafate e coordenação de Manuel Cândido Pimentel – Volume IV, O Século XIX, Tomo 2, pp.45-57.


A educação do período liberal conhece, pois, a importância dos ideais da «escola única». Daí a importância atribuída ao ensino primário, sendo que um dos intelectuais portugueses que mais sublinhou a importância deste grau inicial de ensino foi precisamente Alexandre Herculano, empenhado que estava na transformação do súbdito em cidadão, partindo dos instrumentos jurídicos já enunciados na Carta Constitucional de 1826, bem como no princípio constitucional de 1820 que afirmava o dever que a todos os cidadãos assiste de serem «justos e bons».

Na realidade, no célebre opúsculo significativamente intitulado «Instrução Pública» (1833), Herculano não deixa de elogiar a dinâmica instaurada na Europa pela Revolução Francesa, que, a despeito dos seus «desmandos», contribui, segundo refere, para a aceitação geral do princípio de que «a república deve dar aos cidadãos um instrução geral», elogiando, por isso mesmo, a Carta Constitucional, que consagra, como vimos, o mesmo princípio.

Fora com efeito a constituição francesa de 4 de Setembro de 1791 que avançara com a obrigatoriedade para o Estado francês de «criar e organizar uma instrução pública comum a todos os cidadãos e gratuita naquela parte que é indispensável a todos os homens». Foi este o ideal fundamental da chamada «escola única», também veiculado por Alexandre Herculano, na medida em que se identificava com a tese da criação de uma escola pública comum a todos os cidadãos, num quadro de universalidade e obrigatoriedade.

O núcleo do pensamento de Alexandre Herculano no domínio da educação volta-se para a concepção desta não apenas como um direito do indivíduo feito cidadão mas sobretudo como um direito da sociedade. Por isso, equaciona a instrução primária simultaneamente como garantia pública e como garantia individual, referindo-se-lhe, então, como «garantia mista».

No primeiro caso, enquanto garantia pública ou geral, a instrução primária era encarada em três vectores complementares, de natureza política, moral e económica: primeiro, como assegurando a espontaneidade e a independência do elemento capital dos governos representativos, ou seja, a eleição e a vitalidade do poder municipal, contra as tentativas centralizadoras do poder central, aspecto em que Herculano revela o seu acentuado municipalismo de feição romântica; segundo, como agente moralizador do país, diminuindo a necessidade de leis excepcionais, aspecto que considerava dever ser assegurado pelo ensino básico da religião, maugrado o seu conhecido anticlericalismo, e, finalmente, num contexto essencialmente pragmático, na medida em que a difusão e o alargamento da instrução pública favoreceria o acréscimo da indústria, aumentando a riqueza e promovendo o engrandecimento da nação.

Já como garantia individual, a educação básica, de vertente universal, «realiza o direito que tem qualquer cidadão de aperfeiçoar o seu entendimento, não só para se ajudar desse aperfeiçoamento no género de indústria a que se dedica mas também para poder avaliar o estado das coisas públicas, os actos e as opiniões dos que governam, erguendo-se assim, de feito, à dignidade de homem livre».(1)

Nesta caracterização, Herculano dava expressão a uma das traves mestras do seu pensamento, na medida em que sempre viu na essências das associações humanas, em todas as épocas e em todas as nações, a acção de um princípio fundamental: o sentimento inato da dignidade e da liberdade pessoal, conjugado com o princípio da desigualdade acidental entre os indivíduos. Por isso, condenava a monarquia centralizadora e o absolutismo dos reis por por contrariarem e ofenderem o princípio da dignidade individual, como condenava também o socialismo, por assentar, no seu parecer, na tese de uma quimérica igualdade entre os indivíduos. A solução ideal estaria no estudo das instituições medievais, mormente do municipalismo, a fim de as harmonizar com «a ilustração do século«.

Assim, o seu combate visava harmonizar a instrução, entendida como direito universal, com a vitalidade da vida política, sendo deveras interessantes as suas considerações a este respeito. De facto, Herculano sempre se apresentou como «liberal ferrenho», sendo, no entanto, bem conhecidas as suas diatribes contra a «democracia».

Urge por isso distinguir no seu pensamento, os dois conceitos: a democracia de que se não mostrou partidário, era o regime que implicava o conceito de soberania popular, a qual apenas poderia ser aceite se todos os indivíduos em Portugal estivessem em condições de exercer o voto num quadro de probidade e independência.
Não era isso que sucedia no seu tempo. Para que esse sistema representativo pudesse funcionar, seria mister que a cultura e a vida política fossem levadas a todas as extremidades do corpo nacional, transformando-se a instrução não apenas num direito já consignado mas num facto real.

Ora, é fora de dúvida que Herculano tinha – a despeito da defesa do princípio da universalidade da instrução pública – uma concepção elitista da sociedade, alicerçada no princípio da desigualdade social (não da desigualdade civil, que ofenderia o princípio da dignidade humana), concebendo, por isso, que «a ideia de pátria concebem-na as classes superiores, cujos horizontes intelectuais são mais vastos, e entre as quais a faculdade de generalização se desenvolve desde a meninice (…). São elas que constituem o laço desses diversos patriotismos locais, que lhes dão unidade, que sem os destruir os organizam, para estribar sobre eles o sentimento geral de nacionalidade».

Sobre este pano de fundo da igualdade essencial e civil e da desigualdade acidental dos indivíduos, a instrução pública surge-lhe como um «dever da sociedade e direito do indivíduo», mas, simultaneamente, como «dever do indivíduo e direito da sociedade», isto é, a instrução pública não é apenas um direito do cidadão, porque a educação é também uma garantia social, não é apenas um benefício do cidadão, mas também uma utilidade pública.

Desta dupla vertente da instrução pública deriva a sua consideração em dois níveis: uma instrução geral elementar obrigatória para todos; uma instrução geral superior facultada a todos e, por isso, não obrigatória. A primeira cumpriria a vertente do homem considerado como cidadão e membro da República; a segunda a vertente do homem considerado como indivíduo, à semelhança do que sucedia na Prússia, a qual estabelecera um ensino primário elementar e um ensino primário superior, este último sob a designação de «bürgerschulen» ou escolas burguesas, compreendendo ambos os níveis as mesmas matérias, mas em escala e graus de profundidade diferentes.

O primeiro nível assegura e garante fins principalmente sociais; já o segundo assegura fins principalmente individuais; o primeiro, repetimos, é obrigatório para todos; o segundo é facultado a todos, realizando-se assim o princípio da desigualdade a que acima fizemos referência, sem obstruir o princípio da igualdade civil.

O primeiro grau da instrução pública compreenderia a leitura, a escrita, os rudimentos da matemática e o catecismo religioso (no qual via a «moralidade possível» para a infância); o segundo compreenderia e extensão do ensino da escrita ao estudo aprofundado da gramática; a história e a geografia pátrias; a aritmética completa, a geometria, os rudimentos da física, da química e da botânica.

No entanto, ambos os fins se harmonizam, porque a instrução nas escolas primárias superiores habilita o indivíduo a desempenhar superiormente os seus deveres públicos numa escala ascendente; ao passo que a instrução elementar habilita todos os cidadãos a participar no elemento capital dos governos representativos, ou seja, na eleição dos seus representantes, ao mesmo tempo que favorecia o desenvolvimento da actividade económica do país.

Num esclarecedor juízo de valor a propósito da tese de Herculano de que o ler, escrever e contar, associados ao catecismo religioso, bastariam para fornecer as bases de uma educação cívica, valerá a pena ler as palavras do filósofo da educação que analisaremos no ponto imediatamente a seguir. Diz, com efeito, Francisco Adolfo Coelho: «Não se compreende até facilmente como é que um tal homem pensasse um momento que semelhante ensino bastasse para “habilitar os indivíduos para desempenharem as obrigações que lhes há-de impor a sociedade, como cidadãos de um país livre”.» (2)

Sucede, porém, como propõe de resto o mesmo Adolfo Coelho, que uma apreciação do pensamento de Herculano sobre a educação não pode esquecer que se tratava de um espírito essencialmente «prático», num país de vasto analfabetismo. A sua preocupação tinha uma componente política fundamental: o predomínio de alguns, quase nunca os melhores, cujo poder dependia ou se alimentava do despotismo e da ignorância das multidões votantes, a que chamava «a populaça».

Tangerine Dream no Coliseu

A abrir, “eu estive no Restelo em 1980” serve para demonstrar que a antiguidade é um posto. 🙂 Dito isto, ainda que o peso do nome Tangerine Dream não contrarie a tendência do que está a dar, aos poucos privilegiados, entre os quais o venerável Mago da Lua, foram oferecidas 3 (três) horas de música sinfónica, menos cósmica que no passado, como disse o eclético Zé Pedro enquanto me perguntava quem eram os gajos dos posters à venda. 😛
Voltando à essência da coisa, primeiro estranhei o sax da sexy Linda Spa, que por momentos adquiriu a espacialidade de Garbarek, os riffs do Bernhard Beibl, que aqui e ali soaram a Oldfield e a percussão da frenética Iris Camaa, pouco consonantes com a minha memória dos TD, mas lá me fui habituando.
Facto é que o sobrevivente Edgar Froese sabe muito bem para onde vai e a nós resta segui-lo, na esperança que não demore vinte anos a voltar.






















Vésperas da Beata Virgem de Claudio Monteverdi

O próximo Musica Aeterna transmite, em ante-estreia mundial, as “Vésperas” de Monteverdi, produzidas de acordo com a técnica quinhentista e seiscentista do “cantar lontano” (cantar à distância), interpretadas pelo grupo “Cantar Lontano” de Marco Mencoboni, que actuou na Sé Patriarcal de Lisboa a 18 de Dezembro de 2008.

A efeméride dos 400 anos da primeira apresentação pública das Vésperas da Beata Virgem de Claudio Monteverdi, efectuada, por ocasião da festa da Anunciação e em honra das filhas do duque Francesco Gonzaga, na Basílica de Santa Bárbara, em Mântua, no dia 25 de Março de 1610. A transmissão integral deste verdadeiro monumento e, bem assim, de peças especificamente concebidas para a Semana Santa, que amanhã tem o seu início, da autoria dos contemporâneos Marc’Antonio Ingegneri, Emilio de’Cavalieri e Johann Rosenmüller. João Chambers

João Chambers, Lisbon musicologist, proposed us to give a preview of our version of Monteverdi’s Blessed Virgin Vesper for the portuguese public. Portuguese state radio Antena 2 will broadcast a world premiere on March 27th, 2010 giving a taste of the upcoming cd inside the program Musica Aeterna, devoted to early music. The transmission can be heard in streaming on the web connecting to this link.

O Codonauta tem na sua página do Youtube uma selecção notável das “Vésperas“, gravada em 1989 na Basílica de São Marcos, Veneza – The Monteverdi Choir | The London Oratory Junior Choir | The English Baroque Soloists | John Eliot Gardiner

Saudação à Primavera

DANÇAS E CÂNTICOS SAUDARAM PRIMAVERA CHUVOSA COM ALGUNS SORRISOS DE AZUL E DE SOL – NA PEDRA DA CABELEIRA DE NOSSA SENHORA
O Equinócio da Primavera, no passado dia 20, embora cinzento e chuvoso, nem por isso deixou de ser saudado pelas já tradicionais celebrações nos Calendários Solares dos Tambores, na aldeia de Chãs, de Foz Côa
Os dias de chuva, frio e mau tempo, que marcaram o último Inverno, pareciam fazer negaças à entrada de uma Primavera que se esperava alegre e sorridente, colorida de flores, irradiante de perfumes por um sol radioso e bem-vindo!
A cerimónia, que estava prevista para o nascer do sol, com a iluminação da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, pelo eixo da sua cripta, decorreu ao fim da tarde, com rituais de dança, música, cânticos e poesia, coincidindo, justamente, com a hora astronómica, 17.32, em que os dias e as noites tiveram a mesma duração.

Os bailarinos da Amalgama Companhia de Dança, que naquele mesmo dia de Sábado se haviam deslocado propositadamente de Lisboa e que, por força das condições meteorológicas, estavam resignados a um simples ensaio no local para um espectáculo na manhã seguinte, acabariam por viver momentos de grande espiritualidade, profundo recolhimento e de rara beleza!
Aquele fim de tarde, esse, sim, fôra mesmo uma verdadeira saudação ao sol da Primavera, já que, o amanhecer de domingo, conquanto a alegria também não faltasse nos artistas e na assistência, fôra recebido com algumas névoas e nevoeiros.

A iniciativa, que contou com o apoio da Câmara de V. N. de Foz Côa e da Junta de Freguesia local, pretende celebrar os ciclos da natureza, evocando antigas tradições dos povos que ali viveram e, ao mesmo tempo, recolher contributos científicos para um melhor aprofundamento do passado histórico e místico daquela área.

O próximo evento está previsto para o dia 21 de Junho, com a celebração do dia maior do ano, ao pôr-do-sol, junto à pedra do Solstício do Verão. Deverá ser igualmente objecto do registo para um futuro documentário televisivo sobre os templos solares ali existentes e a sua área envolvente, realizado por José Manuel Lopes, com a colaboração de Clara Ferrão e Luís Pereira de Sousa e depoimentos dos vários especialistas que ali fizeram estudos ou visitaram os sítios, nomeadamente Adriano Vasco Rodrigues, a quem se ficaram a dever os primeiros trabalhos de investigação.

Jorge Trabulo MarquesDa Comissão Organizadora

In Gaza

and beyond

Ana Isa Figueira

Psicologia Educacional

Histórias de Portugal e Marrocos

sobre Património, História e outras histórias

Carlos Martins

Portuguese Jazz Musician, Saxophone Player and Composer

O Cantinho Sporting

Onde a opinião é verde e branca!

TABOO of ART

'Also known as loveartnotpeople.uk, taboofart.com might just be the unintentional cure for the art world malaise: Spend twenty minutes trawling through the archives and you’ll be begging for the arcane pomposity of an Artforum Critic’s Pick' said BLACKBOOK Magazine

Michelangelo Buonarroti è tornato

Non ce la fo' più a star zitto

Lino Guerreiro

Compositor/Composer

TheCoevas official blog

Strumentisti di Parole/Musicians of words

David Etxeberria

Visual artist

Mary had a little blog

This is the bee's knees

Luz da imagem

A luz, essência da imagem e da fotografia. Analógica/digital; imagem real; imagem artística; Ensaios fotográficos.

The Libertine

A public blog that features a compilation of exceptional artists' works; serendipitously discovered by a secret admirer. The ongoing overtones of the production frequently include evocative imagery, passionate emotions, pure beauty and raw exprience (to name a few themes). Our content is composed of artistic expressions, fashion editorials, promising talents, diverse bodies, freedom for all, love forever and the eternal search for truth in the visceral .......................................................................................................................................................................................... (SUBMISSIONS TO satietypaper@gmail.com)

Instituto de História da Arte

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa

Franz E.

a tua palavra conta...

Devaneios e Poesias

Devaneios, poesias, literatura e cultura geral

ABA SYSTEMS

Advanced Business Advisor

Speakers' Corner

"I could be bounded in a nutshell, and count myself a king of infinite space" - William Shakespeare, in Hamlet

%d bloggers like this: