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Flowering plum tree – Japonaiserie (after Hiroshige) – Vincent van Gogh, 1887

Quando amanhecer em Portugal, neste dia 20 de Março, estaremos a celebrar o Equinócio da Primavera enquanto a Terra do Sol Nascente sofre, mesmo quando as cerejeiras estão em flor.  
A minha homenagem, através da visão poética que Van Gogh nos deixou da Mãe-Terra.

One may recognize a Japanese influence even in Vincent van Gogh’s later work. In the stylized designs, the use of strong contours and contrasting colors, the cut-off compositions, and in his continuing interest in certain themes, such as blossoming trees or twisting branches.

Van Gogh made this painting after a Japanese print by Hiroshige from the extensive collection he shared with his brother. He closely followed the composition of Hiroshige, but did not stick to the exact colours of the original. The Oriental characters he painted on the frame were derived from a Japanese example. The text they create has no coherent meaning and their function is primarily decorative.

The ancient plum tree that was the subject of the original print by Hiroshige had the poetic nickname of ‘the sleeping dragon plum tree’. A name it got from the way that the tree branched out via a network of underground roots only to emerge above ground somewhere else. Via.

Saudação à Primavera

DANÇAS E CÂNTICOS SAUDARAM PRIMAVERA CHUVOSA COM ALGUNS SORRISOS DE AZUL E DE SOL – NA PEDRA DA CABELEIRA DE NOSSA SENHORA
O Equinócio da Primavera, no passado dia 20, embora cinzento e chuvoso, nem por isso deixou de ser saudado pelas já tradicionais celebrações nos Calendários Solares dos Tambores, na aldeia de Chãs, de Foz Côa
Os dias de chuva, frio e mau tempo, que marcaram o último Inverno, pareciam fazer negaças à entrada de uma Primavera que se esperava alegre e sorridente, colorida de flores, irradiante de perfumes por um sol radioso e bem-vindo!
A cerimónia, que estava prevista para o nascer do sol, com a iluminação da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, pelo eixo da sua cripta, decorreu ao fim da tarde, com rituais de dança, música, cânticos e poesia, coincidindo, justamente, com a hora astronómica, 17.32, em que os dias e as noites tiveram a mesma duração.

Os bailarinos da Amalgama Companhia de Dança, que naquele mesmo dia de Sábado se haviam deslocado propositadamente de Lisboa e que, por força das condições meteorológicas, estavam resignados a um simples ensaio no local para um espectáculo na manhã seguinte, acabariam por viver momentos de grande espiritualidade, profundo recolhimento e de rara beleza!
Aquele fim de tarde, esse, sim, fôra mesmo uma verdadeira saudação ao sol da Primavera, já que, o amanhecer de domingo, conquanto a alegria também não faltasse nos artistas e na assistência, fôra recebido com algumas névoas e nevoeiros.

A iniciativa, que contou com o apoio da Câmara de V. N. de Foz Côa e da Junta de Freguesia local, pretende celebrar os ciclos da natureza, evocando antigas tradições dos povos que ali viveram e, ao mesmo tempo, recolher contributos científicos para um melhor aprofundamento do passado histórico e místico daquela área.

O próximo evento está previsto para o dia 21 de Junho, com a celebração do dia maior do ano, ao pôr-do-sol, junto à pedra do Solstício do Verão. Deverá ser igualmente objecto do registo para um futuro documentário televisivo sobre os templos solares ali existentes e a sua área envolvente, realizado por José Manuel Lopes, com a colaboração de Clara Ferrão e Luís Pereira de Sousa e depoimentos dos vários especialistas que ali fizeram estudos ou visitaram os sítios, nomeadamente Adriano Vasco Rodrigues, a quem se ficaram a dever os primeiros trabalhos de investigação.

Jorge Trabulo MarquesDa Comissão Organizadora

O Equinócio da Primavera!

ESPECTÁCULO DE SAUDAÇÃO AO NASCER DO SOL EM HONRA À DEUSA MÃE -TERRA
O SANTUÁRIO DA PEDRA DA CABELEIRA É UMA DAS PORTAS DA TERRA, ONDE O ANTIGO DEUS DO SOL, ESPELHO DO DEUS SUPREMO, REGRESSA DO ALTO DA SUA MORADA E FAZ A SUA ENTRADA TRIUNFAL!

Aldeia de Chãs – Maciço dos Tambores – Vila Nova de Foz Côa
Sábado, 20 de Março – 07.00 – 07.30 Horas

A entrada da estação mais florida do ano, momento em que a Terra é iluminada de igual forma no hemisfério sul e no hemisfério norte, vai ser celebrada no recinto amuralhado do Santuário Sacrificial da Pedra da Cabeleira, com um ritual de danças, música, poesia e cânticos, apresentado pela Amálgama – Companhia de Dança.

Devido à instabilidade do tempo, o espectáulo da Amalga Companhia de Dança, será apresentado à mesma hora( 07.00- 07.30) de Domingo. Porém, a organização não deixará de lá estar, frente à Pedra da Cabeleira (com sol ou tempo cinzento) para saudar a entrada da Primavera

O templo sacrificial está orientado no sentido nascente-poente, possui uma gruta em forma de semi-arco, com cerca da 4,5 metros de comprimento, que é iluminada no seu eixo no momento em que o Sol se ergue no horizonte, proporcionando uma imagem deslumbrante!

O enorme penedo, eleva-se no topo de um amuralhamento circular, num planalto rochoso, próximo de um antigo castro, no perímetro do Parque Arqueológico. Tem, no interior da cripta que o atravessa, um nicho com uma pintura que sugere uma cabeleira negra e, na face frontal, perfeitamente lisa e em forma de leque, sobressai, incrustado, um pequeno círculo solar. Porém, visto por detrás do seu altar e da laje em que assenta, num claro desafio às leis da gravidade, configura um gigantesco crânio humano.

Adriano Vasco Rodrigues, o primeiro estudioso a debruçar-se sobre o referido templo, classificou a pedra e o recinto como “um local de sacrifícios ou de culto do crânio”, remontando ao período “de transição do paleolítico para o neolítico”. Hoje, o investigador, profundo conhecedor do passado histórico da região, não tem dúvida que:

“A identificação com uma entidade feminina, em consagração à Virgem Maria, acompanhada de lenda popular, sugere um culto inicial à Deusa-Mãe, símbolo da fertilidade, trazido do Médio Oriente para o Ocidente peninsular pelos primeiros povos agricultores”, e que “o culto do sol é fundamental nas sociedades primitivas e o conhecimento do calendário das estações para poderem fazer as sementeiras”.

Por sua vez, o autor da Sociologia das Religiões, Moisés Espírito Santo, num levantamento à toponímia da área envolvente, encontrou nos nomes dos vários sítios fortes associações ao culto solar. Num levantamento que fez sobre a toponímia da área envolvente, mostrou-se deslumbrado com a beleza e a singularidade da herança histórica que pôde testemunha

A curta distância do Santuário da Pedra da Cabeleira situa-se a imponente Pedra do Solstício, orientada com o pôr-do-sol, no Solstício de Verão, onde é saudado o dia mais longo do ano, ergue-se na vertente de uma vasta depressão rochosa, sobranceira à falha sísmica de Longroiva – um fértil vale que desemboca na Ribeira de Piscos, em cujo curso se situam um dos principais núcleos de gravuras rupestres classificadas como Património da Humanidade. O astrónomo Máximo Ferreira assistiu a uma dessas observações e pôde testemunhar o perfeito alinhamento solsticial.

Jorge Trabulo Marques, dinamizador do evento e autor da descoberta do fenómeno solar, acredita que:

“O altar sacrificial existente naquele local é um verdadeiro observatório astronómico primitivo, que os antigos povos sabiamente teriam aproveitado não só como calendário, mas também para ali realizarem os seus cultos, festividades e rituais, com uma forte ligação à agricultura, à fertilidade e às estações do ano. Trata-se de um local mágico, pleno de história e de misticismo, dos poucos lugares da terra onde a beleza e o esplendor solar se podem repetir à mesma hora e com a mesma imagem contemplativa de há vários milénios pelos povos que habitaram a área”.

Celebração da Primavera

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