Arquivo de Setembro, 2009

Francisco António de Almeida – “La Giuditta”

“Senhor Francisco Português, que veio para Roma estudar, e presentemente é um bravissimo compositor de Concertos e de música de Igreja, e por ser jovem, é um assombro e canta com gosto inatingível…”

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Este elogioso comentário faz parte da legenda do único retrato conhecido de Francisco António de Almeida (c.1702-1755), um dos compositores a quem D. João V financiou os estudos em Roma, onde estreou as suas primeiras oratórias, entre as quais “La Giuditta”, a sua última oratória romana, documenta bem a consideração e o reconhecimento que teve em terras italianas.
Autor da primeira ópera representada em Portugal, La Pazienza di Socrate (1733), é também a Almeida que se deve a bela música da oratória “La Giuditta” ( Lena Lootens, Axel Köhler, Martyn Hill, Francesca Congiu – Concerto Köln, René Jacobs, Harmonia Mundi – 1992). A interpretação de René Jacobs realça a beleza melódica e a variedade de emoções desta obra, tirando também grande partido expressivo do tecido musical.
Estreada em Roma em 1726, cuja partitura, dedicada ao embaixador André Melo de Castro quando Almeida estudava na cidade pontifícia, “La Giuditta” não fica atrás em qualidade e invenção musical de outras oratórias de alguns dos seus contemporâneos mais famosos a nível europeu.

Em Abril de 1728, o compositor encontrava-se já em Lisboa, onde foi apresentada a serenata “Il Trionfo della Virtù”. Um dicionário de músicos portugueses setencentista, da autoria de José Mazza, menciona-o como “organista da Patriarcal”.

Além de La Pazienza di Socrate (1733) compôs ainda as óperas La finta pazza (1735) e La Spinalba (1739), várias obras litúrgicas e, provavelmente, música para as representações populares dos Presépios lisboetas. La Spinalba, que tem sido objecto de várias apresentações modernas, revela um estilo elegante e expressivo que acentua mais o carácter sentimental do libreto do que a sua vertente cómica, lembrando por vezes Pergolesi, cuja Serva Padrona fora escrita seis anos antes.

Cristina Fernandes in “Crónicas Musicais de uma Europa Barroca”, Público/Centro Cultural de Belém, 2006

Equinócio – Os Alinhamentos Sagrados

No Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira, na aldeia de Chãs, Foz-Côa, os nossos antepassados celebravam o esplendoroso momento do Equinócio de Outono com oferendas à deusa-mãe, gratos pela fertilidade da Terra.
Nos nossos dias, os agricultores derramam o leite nas ruas das cidades europeias, pois o preço de venda, imposto pelo Directório de Bruxelas, é inferior aos custos de produção. Pouco têm para celebrar…

O ciclo que hoje pretendo evocar, em comunhão, é o ciclo do equilíbrio e da harmonia da Terra com o Sol, da noite igual ao dia.
Venha o Outono, que nós, o Mago das Teclas, o Sacerdote e este vosso humilde escriba, estamos já a pensar no Solstício de Verão e na celebração maior que alguma vez a Pedra do Sol terá visto! 🙂

O nascer do Sol assinala hoje, na Pedra da Cabeleira, a chegada do Outono

Recinto do Santuário da Pedra da Cabeleira

O Mistério Inglês e a Corrente de Ouro

Winston Churchill: Simplesmente, um grande homem

Winston Churchill era abertamente um defensor do capitalismo e do comércio livre. Sabia muito bem que o nazismo e o comunismo pretendiam substituir os mecanismos de mercado e a propriedade privada por uma economia centralizada e militarizada.

Sir Winston Leonard Spencer Churchill - Oxfordshire, 30 de Novembro de 1874 - Londres, 24 de Janeiro de 1965

Ensaio publicado no I em 2009.
por João Carlos Espada, Doutorado em Ciência Política em Oxford; Director do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa; Presidente da Churchill Society e da Revista Nova Cidadania

A ‘Casa das Histórias’ de Paula Rego

Uma história simples. Paula Rego é a artista - deu as obras. Eduardo Souto de Moura foi o arquitecto - desenhou o edifício.

Por Vanessa Rato – Público

Não é propriamente o tipo de história a que estamos habituados. Portugal: num país onde são mais comuns as colecções que procuram museu e que conhece, como alternativa, museus sem orçamento para constituir colecções, eis, de repente, este caso: o da Casa das Histórias Paula Rego.
Avenida da República, Cascais, à direita depois da Cidadela, afastando-nos ligeiramente da baía e do centro histórico, uma avenida ampla, algo árida. Faixas de rodagem, carros para cá e para lá, uns quantos prédios e moradias escondidos por grades e sebes, e, agora, no número 300, um muro baixo e reboludo, pouco mais do que à altura do nosso peito, a deixar ver um relvado espesso e fofo como um tapete de lã cruzado por um discreto caminho de pedra e cortado a dada altura por uma elegante frente de eucaliptos frondosos. Lá ao fundo, por detrás desta harmoniosa moldura natural, uma construção cor de barro, um edifício térreo e quase cego do qual irrompem duas torres em forma de pirâmide, tudo num vermelho Ferrari que desmaiou e começou a fazer-se rosa-velho.
Aparição misteriosa esta, perfume vago a exotismo tumular de civilização antiga, mas, ao mesmo tempo, com qualquer coisa discreta e muito cá de casa, escala inesperadamente humana e quente, sem os sobressaltos e espantos epifânicos que a maioria da arquitectura museológica contemporânea mais conhecida tem vindo a impor na paisagem internacional.
Duas torres
Um piso térreo com uma entrada baixa e duas torres: esta é a Casa das Histórias Paula Rego vista de fora, a mesma que se prevê que o Presidente da República Aníbal Cavaco Silva e Paula Rego, ela própria, inaugurem oficialmente hoje pelas 11h00, e que na inauguração ao público, às 18h00, receberá largas centenas de convidados.
Desde que assumiu funções, em 2006, Cavaco Silva – e Portugal com ele – teve oportunidade de assistir a dois momentos do género, o primeiro logo no ano da sua tomada de posse, quando a Fundação Ellipse abriu portas em Alcoitão; o segundo em 2007, quando o Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém reabriu como Museu Colecção Berardo de Arte Moderna e Contemporânea, em Lisboa.
Dois museus, duas controvérsias: após anos de tensões, ameaças e polémicas, Cavaco Silva aprovou, mas afirmou ter dúvidas sobre o modelo do Museu Berardo – questionou a distribuição de poderes entre o Estado e Joe Berardo, o conhecido coleccionador e investidor que cedeu a sua conhecida colecção por dez anos ao país mediante a criação de um pólo permanente para a sua exposição; quanto à Fundação Ellipse, continua com destino incerto meses depois de lançadas as investigações sobre as actividades do Banco Privado Português (BPP) e do seu ex-presidente, João Rendeiro – a empresa de auditoria Delloite apurou em Fevereiro que a Colecção Ellipse, um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do país, com cerca de 800 obras de alguns dos mais relevantes artistas internacionais, pertence em 83 por cento ao BPP, e não a Rendeiro, como se pensava, tendo aconselhado a venda como medida de saneamento das contas do banco.
Perante isto, à primeira vista, parece simples a história do museu dedicado a Paula Rego, “uma das maiores pintoras vivas” do mundo, segundo o Finantial Times, que, a propósito da inauguração da Casa das Histórias, dedicou recentemente um longo artigo à pintora, a mais internacional artista portuguesa viva, ou a mais portuguesa das artistas inglesas, dependendo da perspectiva.
Uma história simples, dizíamos: primeiras conversações entre Paula Rego e a Câmara Municipal de Cascais, presidida por António Capucho, em 2004. Menos de dois anos volvidos e com o projecto de arquitectura entregue a Eduardo Souto de Moura, a artista, radicada em Londres há mais de 30 anos mas nascida no Estoril, onde ainda tem uma casa de família, estava a assinar um contrato de doação e empréstimo por dez anos de uma centena de obras de pintura, desenho e gravura, trabalhos correspondentes a um percurso de cinco décadas, dos anos 1960 à actualidade.
Com um orçamento de obra de 5,3 milhões de euros, vindos do Programa de Investimento e Qualificação do Turismo, a primeira pedra do museu foi lançada no início de 2008 e, meio ano depois, ficava apontada uma directora, Dalila Rodrigues, antiga directora do Museu Nacional de Arte Antiga.
É Dalila Rodrigues que nos recebe para uma primeira visita ao espaço, já com a exposição inaugural montada.

A visita de Paula
“A ideia é que o museu seja também a concretização da visão de Paula Rego“, diz-nos à partida.
O percurso é cronológico e divido em quatro grandes zonas temáticas. Na primeira sala, trabalhos correspondentes aos dez primeiros anos, de uma Life Painting datada de 1954, altura em que Paula Rego era aluna da Slade School of Fine Arts, de Londres, a obras como Quando Tínhamos uma Casa de Campo (1961) ou O Exílio (1963), técnicas mistas com colagem que cruzam já o statement político com referências da esfera familiar e pessoal da artista.
Depois, o salto é para os anos 1980, quando Paula Rego abandona a colagem e se dedica a um figurativismo cada vez mais assumido em obras como O Macaco Vermelho Bate na Mulher (1981) ou a grande série Óperas (1983), das quais se apresentam, em simultâneo, cinco grandes telas e cinco pequenas aguarelas preparatórias. A etapa seguinte – 1994 a 2005 – assume como marco a introdução do pastel na obra de Paula Rego com Mulher Cão, trabalho apresentado na sala de exposições temporária e que abre caminho para obras cada vez mais realistas e, simultaneamente, teatrais, como Entre as Mulheres (1997), da série O Crime do Padre Amaro, o conhecido e imponente Anjo (1998) ou o tríptico The Pillowman (2005). Apesar de presente noutros momentos, a gravura compõe a última etapa – 1988-2007 – de trabalhos das conhecidas séries Nursery Rhymes, a primeira em que a artista usou esta técnica, e Jane Eyre, baseada na obra homónima de Charlotte Brontë, a litografias mais recentes como as séries Príncipe Pig.
A sala de exposições temporárias está pensada como última visita. É onde até 18 de Março se expõe um conjunto de obras emprestadas pela Galeria Marlborough, a representante internacional de Paula Rego, com trabalhos icónicos como a Filha do Polícia (1986), a série Avestruzes Bailarinas (1995), baseadas em Walt Disney, ou O Vasto Mar de Sargaço (2000), inspirado na obra homónima de Jean Rhys.
“O museu ideal para mim é aqui. É um sítio mágico, muito especial. Não poderia ter um sítio melhor”, dizia Paula Rego na altura da assinatura do protocolo de empréstimo e doação de obras, explicando desejar um espaço “despretensioso, divertido, vivo”. No início da semana, com a primeira exposição montada, explicava-nos: “Os trabalhos são o menos importante de um museu. O que é importante aqui são as nossas histórias, as nossas histórias portuguesas, que dão vida a tudo”.

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“Os portugueses têm uma vitalidade escondida”


Um museu em nome próprio é, normalmente, o momento último de consagração de um artista – evento raro de se dar em vida. Paula Rego, claramente, não necessitava de um museu em Cascais para a sua consagração. É uma questão de afectos.
Nascida no Estoril em 1934, apesar de radicada em Londres há mais de 30 anos, depois de ter sido aluna da Slade School of Fine Arts na década de 1950, a artista preserva uma casa de família no Estoril, onde fica quando vem a Portugal.
Depois de um protocolo de empréstimo e doação de mais de uma centena de obras da sua colecção pessoal por dez anos à Casa das Histórias, diz: “O meu sonho seria renovar o interesse por pessoas como o [José] Leite de Vasconcelos”, diz, referindo-se ao linguista, filólogo e etnógrafo que coligiu muitos dos contos portugueses em que a sua obra se tem vindo a inspirar. Paula Rego começa por contar a história que ultimamente lhe tem ocorrido com frequência – a do lenhador que chega a casa com fome e da sua mulher que, não tendo nada para lhe oferecer, acaba por cortar e cozinhar um dos próprios seios: “São histórias cruas e muitas vezes cruéis, mas têm uma vitalidade extraordinária. Isso interessa-me mais do que os quadros. Eles partem da força e liberdade dessas histórias. O meu sonho seria trazer para o quotidiano a nossa vitalidade. Os portugueses têm uma vitalidade muitas vezes escondida. É o medo.” Trinta e cinco anos passados sobre a Revolução o medo persiste? “Persiste. E de que maneira. O medo existe mesmo sem ter razão de ser”.
Paula Rego foi a artista que em 1960 fez o óleo Salazar a Vomitar a Pátria, hoje entre as muitas obras da artista na colecção do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian: “O que é importante aqui [no museu] são as histórias, as nossas histórias portuguesas, que dão vida a tudo e não têm igual nas histórias do resto do mundo. Se há alguma vitalidade nos meus bonecos vem através do corpo todo, não é uma coisa cerebral, é qualquer coisa a que estamos habituados desde pequenos”.
a A idade suaviza: “À medida que as pessoas vão envelhecendo, vão passando a gostar de arquitectura não tão radical, mas onde é agradável viver”, diz-nos Eduardo Souto de Moura sentado na esplanada da Casa das Histórias. A sua nova obra partiu e foi desenhada à volta de uma única preexistência – uma preexistência que entretanto desapareceu: uma série de árvores que o arquitecto quis preservar mas que acabaram por ser cortadas, ou porque estavam a morrer ou porque eram infestantes. Ficou o edifício – o positivo do espaço livre entre as árvores desaparecidas: uma distribuição de salas em U à volta de um pátio central, onde foi replantado um carvalho, e uma articulação de volumes interiores a três tempos, tentando acompanhar a escala mais doméstica e o carácter intimista da gravura (parte substancial do espólio do museu) com tectos mais baixos, as necessidades de exposição de pintura de grande escala, com pés-direitos de cerca de cinco metros, e a respiração neutra dos espaços intermédios.
Construído em betão pigmentado a vermelho, a cor contrastante do verde do relvado que o rodeia e o tom de muitas casas da zona de Lisboa, Cascais e Sintra, o edifício ancora-se na tradição da arquitectura portuguesa, nomeadamente numa reinterpretação da obra de Raul Lino, que tem em Sintra uma casa pintada exactamente da cor do museu e pontuada por dois torreões (apesar de, formalmente, as pirâmides da Casa das Histórias se aproximarem mais das icónicas chaminés geminadas do Palácio da Vila). “Já há algum tempo que andava a perseguir e redesenhar o Raul Lino”, explica Souto de Moura, “o que percebi a dada altura foi que, ao tirar os beirais e alguns outros elementos secundários de decoração, ficavam casas vienenses, obras universais modernas. Percebi que ele é mais do que o inventor da casa portuguesa; é um precursor do racionalismo.”
A pedra escura usada no caminho de acesso ao museu e na esplanada é local: azulino de Cascais. “O Távora dizia sempre que a arquitectura boa é aquela onde as pessoas se sentem bem. E é. O importante na arquitectura é a naturalidade das coisas. Mas tudo isto demora uns anos a descobrir.”
Foi directora do Museu de Grão Vasco, de Viseu, e do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Agora, Dalila Rodrigues tem “o privilégio de um artista vivo”.
Especializada nos séculos XV e XVI, explica como “é impossível a obra de Paula Rego deixar um historiador de arte indiferente”: “Sempre admirei a sua capacidade de reinventar a pintura figurativa. Isso transformou o meu interesse diletante [na sua obra] numa área de estudo e pesquisa”.
Com um orçamento de lançamento do museu de dois milhões de euros, mas ainda sem orçamento de funcionamento – deverá ser aprovado no final do mês -, Dalila Rodrigues não avança detalhes sobre a programação do museu, para além da exposição temporária a dedicar daqui a seis meses à obra do marido de Paula Rego, Victor Willing (1928-1988).
Com duas exposições previstas por ano, explica apenas pretender que tanto as exposições com os ciclos de conferências com convidados nacionais e internacionais – a partir de Janeiro – convoquem os mestres que Paula Rego recria e subverte a par com temas fundamentais na obra da artista como a importância matricial do desenho que Paula Rego assume como verdadeira prática. Será “a história da arte como território amplo de trabalho”, ficando a criação emergente “fora de questão”. “Não será a linha de orientação do museu.”

2010 – Côa Valley Odyssey

2010 - Côa Valley Odyssey - Creative Visualization

Happy Birthday, Lauren!

Enquanto não arranjo coragem para construir uma página de Divas Black & White Vintage, aproveito para homenagenar a musa do film noir, que hoje completa a bonita idade de 85 anos.
Lauren Bacall será finalmente agraciada com um Óscar Especial 😉

Botânica das Lágrimas, de Pedro Foyos

As visitas de estudo ao Jardim Botânico da Sétima Colina duram por hábito duas horas.
Contudo, o passeio evocado neste romance, muito exceceu esse tempo, perturbado que foi pelas mais inesperadas e fantásticas atribulações.

Nota de Imprensa: O tema tão actual do “bullying” e das praxes cruéis é tratado neste livro de forma inédita, através de uma narrativa de ficção; porém todos os episódios estão fundados na realidade.

O jornalista Pedro Foyos, confirmando a mestria com que conquistou o público ao lançar O Criador de Letras, que é já uma referência obrigatória no domínio do romance histórico em Portugal, conduz-nos agora à redescoberta do universo alternativo da infância, à idade da pureza primordial, quando os actos pouco dependem da racionalidade. A par da comicidade inverosímil desses actos, uma verdade trágica: os gangues, as praxes e sobretudo o fenómeno “bullying” (tirania juvenil em ambiente escolar) de que são vítimas em Portugal milhares de jovens, a partir da infância.
Dados divulgados pela UNICEF demonstram que as crianças portuguesas são das que mais sofrem acções de violência física ou psicológica, pertencendo Portugal ao grupo de três países onde mais de 40 por cento dos inquiridos afirmam ter sido vítimas de “bullying”.


Um menino-herói procura combater o “bullying” e as praxes cruéis por meio da imaginação e do sonho

O romance Botânica das Lágrimas suscitará redobrado interesse no vasto sector dos educadores, assistentes sociais, professores e pais, na medida em que transmite, página a página, os conflitos emocionais e as dores inconfessadas de uma criança que recorre ao sonho e aos seus heróis de ficção para combater a violência.

É também um livro de descoberta científica, tendo por cenário um Jardim Botânico, cativando a esse nível os leitores para as questões da preservação do Ambiente.
A maioria dos capítulos encadeia-se numa “corrente de Sherezade”, cada história contendo nova história. O final quase sempre inacabado, suspenso sob um recorrente e adversativo “mas…”, reporta o desfecho para o capítulo seguinte.

Divertida e inusual em literatura é a utilização da técnica do “teaser”, intrigando o leitor com anúncios que antecipam tenuemente desenlaces imprevistos cuja revelação será feita páginas adiante, passados minutos, indicados com precisão, pois a “viagem” decorre em tempo real, como um registo fílmico. Tudo se passa num sábado de primavera, entre as 09h15 e as 12h00, com as árvores do Jardim a desempenharem um papel determinante na aventura.

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