Archive for the ‘ Jardins ’ Category

Visita Guiada – Palácio Palmela

Mandado edificar por um arquitecto, em finais do séc. XVIII, o edifício do Palácio Palmela começou por não ser um palácio, mas uma casa grande. No início do séc. XIX, o edifício foi comprado pelo conde da Póvoa, ampliado e transformado em palácio.
Em meados do séc. XIX, a terceira duquesa de Palmela, Maria Luísa de Sousa Holstein, neta do conde da Póvoa, promove uma campanha de obras no interior da sua residência, criando um dos mais sumptuosos palácios da Lisboa oitocentista.
Propriedade do Estado português desde 1977, o Palácio Palmela é, desde 1982, a sede da Procuradoria-Geral da República. Quem o visita pode ainda testemunhar grande parte das decorações que a escultora e benemérita Maria Luís de Sousa Holstein ali promoveu.
Uma visita guiada pelos historiadores Sandra Costa Saldanha e Pedro Urbano.


Out Jazz 2011 – Júlio Resende Trio

Quando entrei esta tarde no Jardim da Estrela para assistir ao concerto do Júlio Resende Trio, percebi porque demorei uma eternidade para estacionar: nunca tinha visto tanta gente no Jardim! Ao chegar ao Coreto, um dos spots do Out Jazz 2011, já ia a meio o cover de Shine on You Crazy Diamond, dos Pink Floyd; outro que não conhecia era este cover de Airbag dos Radiohead. Genial !!


A Casa na árvore

Um prego pode dar mel

No Jardim do Príncipe Real cortaram a Árvore da Moda

Por Susana Neves, in Revista Tempo Livre, Inatel | Março de 2010

Enquanto em Paris, a venerável robínia (“Robinia Pseudoacacia L”.) do Cais Saint-Michel, plantada em 1601, sobrevive com o apoio de uma bengala” gigante de betão e no Kew Garden, em Londres, se designa o espécime plantado em 1762 por “Old Lion” (Velho Leão), numa das mais belas colinas de Lisboa, no histórico Jardim do Príncipe Real, concebido em 1861, as obras de “requalificação” camarárias conduziram não à promoção nem ao prolongamento da longevidade das nossas robínias, algumas centenárias, mas à sua morte precoce.

Desastroso e ignorante “restauro” este que manda abater (sem parecer prévio de quem de direito) as robínias antigas, propondo-se de seguida substitui-las por árvores jovens da mesma espécie, quando a sua antiguidade constituía a memória de um tempo em que Portugal se descobria moderno por plantar robínias nos jardins.

De facto, se a “acácia do Jorge” (filho de Camilo Castelo Branco), uma robínia plantada em frente à casa do escritor em S. Miguel de Seide, em 1871, indica a sua existência em Portugal, em 1872, no Jornal de Horticultura Prática, Jules Meil, então director dos Jardins e Passeios Públicos de Sevilha, escreve sobre a introdução de robínias ainda como uma novidade usada para corrigir «o aspecto monótono da vegetação dos nossos jardins públicos e particulares».

Uns anos mais tarde, em 1886, o artigo “Robinia Pseudo-Acacia” de M. de Freitas, publicado no Jornal de Horticultura Prática, parece indicar que o conhecimento do valor ornamental desta “Papilionaceae” ainda não estava consolidado em Portugal. O articulista descreve com minúcia o «effeito encantador» da folhagem e das flores «que derramam ao longe um odor suave», semelhante ao da «flôr da Laranjeira», observado nas robínias plantadas em «bosques», «avenidas» e «jardins públicos» parisienses, para motivar os leitores a seguirem o exemplo.

O seu entusiasmo ultrapassa, no entanto, a beleza, a qualidade melíflua das suas flores, a partir das quais se faz um «xarope para acalmar as convulsões e os vapores», destacando, sobretudo, a rentabilidade de um plantio intensivo.

Na sua perspectiva, a robínia emerge como uma super-árvore, rápida a crescer, resistente à humidade, adaptável a diferentes condições climatéricas, dotada de uma madeira fácil de cortar, «mais pesada do que a do carvalho», não corrompida pelos insectos, passível de ser utilizada na construção de mobiliário, alfaias agrícolas, rodas de dobar, cadeiras, vasilhas para o vinho ou até, seguindo o exemplo dos EUA (esta espécie provinha dos Montes Apalaches), na construção naval, «em cavernas, curvas e demais peças importantes», entre as quais, embora não o mencione, se celebrizaram em 1819 os pregos de Filadélfia.

A robínia parece de tal forma rentável que se no início a vê como um «recurso inapreciável para as regiões estéreis e deslocadas» vem depois em delírio defender a sua plantação por todo o lado: «O interesse dos proprietários, despertado pela certeza do lucro, não deve desprezar estas indicações úteis, e torna-se-lhe mister multiplicar por toda a parte esta árvore, hoje a mais preciosa de todas».

O sonho de invadir o País com robínias não parece ter alcançado êxito talvez porque, entretanto, já se dera início à exploração do Eucalipto “Globulus” e o artigo/ propaganda “Cultura das Acacias”, de William C. Tait, publicado na anterior edição do Jornal de Horticultura Prática, sobre o sucesso do cultivo «à escala industrial» das “verdadeiras” acácias, vulgo mimosas, tenha convencido de imediato os que procuravam um investimento com resultados comprovados.

Às árvores colonizadoras esta miragem de lucro fácil serve a vocação expansionista e no caso da robínia, uma verdadeira “Hidra vegetal”, qualquer ataque que se lhe faça atiça mais ainda a vontade de se propagar; lançando raízes a grandes distâncias, tece uma rede subterrânea que ajuda a fixar os solos e a faz rebentar onde menos se espera. De «árvore preciosa» a espécie proibida (Decreto Lei nº 565/99), a robínia foi, no entanto, protegida nos jardins da Capital, onde é menos ameaçadora, retomando-se em 1941, «a prática antiga» de lhe lavar o tronco no Verão para evitar que as poeiras o queimem. Um tratamento de beleza especial que os cuidadosos, e outrora existentes, jardineiros de Lisboa lhe prodigalizavam, desconhecendo, por certo, que a História da “Robinia” estava associada à História da Moda.

Jean Robin, botânico real (em sua homenagem Lineu atribuiu o nome científico à espécie), que plantou pela primeira vez esta árvore no Cais Saint-Michel, em 1601, introduzindo-a na Europa, só abria as portas do seu jardim a poucos eleitos, entre eles, ao desenhador e bordador Pierre Vallet. Os livros realizados por ambos inspiraram as novas tendências vegetalistas da moda na Corte de Marie de Médicis.

Ainda no outro dia…

O Jardim estava assim, caduco! Naquela manhã de Maio, depois de deixar a minha filha na escola, enchi-me de coragem e fui ao sombrio Príncipe Real fazer uns bonecos, que aqui reproduzo.

Bancos decrépitos, árvores moribundas a pedir motoserra, uma tristeza! Teimosamente, uns quantos resistentes por lá vagueavam, acompanhados pelo melhor amigo, outros, vagarosamente, saltitando de banco em banco em busca da melhor sombra para a sesta; Os velhotes, que passavam tardes inteiras a jogar às cartas, eram, apesar de tudo, os que mais pareciam indiferentes ao perigo de o céu lhes cair em cima da cabeça.

Em boa hora surgiu então um zeloso funcionário que, para impedir que alguém se magoasse, fechou o Jardim para o aformosear. Parece que têm andado lá umas máquinas de aparar árvores e uns senhores a cortar o mal pela raiz e diz que vai ficar uma coisa linda de ver. Diferente!

Por certo não deixará ninguém indiferente. Com saudades, talvez…

Publicado originalmente no blog dos Amigos do Príncipe Real.

O “não caso” do Príncipe Real

O blog já está a ser alimentado  e centrar-se-á, por enquanto, na so called “requalificação” do jardim,  sobre “a qual” aqui se reproduz o artigo publicado no Público de hoje (link não disponível).

Nenhum jardim Romântico, como o do Príncipe Real, sobreviverá à actual “requalificação” – leia-se transfiguração

No PÚBLICO de 17 de Janeiro, no suplemento Cidades, Ana Vaz Milheiro refere-se ao caso do Jardim do Príncipe Real como um “não caso”, num texto, em estilo de reportagem, que nos merece sérias reservas, tanto mais que a autora apenas ouviu uma das partes em confronto, não respeitando o consagrado princípio do contraditório.

Longe de ser um “não caso”, este processo, por exclusiva culpa da autarquia e do seu pelouro dos espaços verdes, é “o” exemplo perfeito, um caso de estudo, de como não devem ser geridas as relações com os seus munícipes.

O projecto de execução desta obra, de Janeiro de 2009, já previa o abate de 62 árvores, dez das quais no interior do jardim, independentemente do seu estado fitossanitário. A justificação dada para o abate sistemático das árvores de alinhamento – estavam todas doentes – não passou de uma demagógica tentativa de manipular a opinião pública. Na Memória Descritiva do projecto pode ler-se que o arvoredo mantém “um estado sanitário razoável na generalidade”.

Exemplos de incúria e ignorância não faltam. Basta apontar a vontade de substituir as robínias, Robinia pseudoacacia, por árvores da mesma espécie. Será que, dos projectistas às autoridades, ninguém sabe que a plantação dessa espécie infestante é proibida em Portugal? O Igespar parece não o saber ao dar parecer positivo ao projecto. Também a Autoridade Florestal Nacional (AFN), responsável pela autorização de intervenções num raio de 50 metros de árvores classificadas – e neste jardim são seis – e pelo controlo da plantação de infestantes, não emitiu até agora qualquer parecer que se conheça. Reivindicamos, desde o início, uma intervenção digna destas duas entidades reguladoras.

O acompanhamento pela AFN é essencial para a protecção das árvores classifi cadas. A movimentação de máquinas pesadas no interior do jardim, durante meses de elevada pluviosidade e saturação do solo, está a compactar as raízes do arvoredo, comprometendo o seu futuro. Estão, ainda, a ser escavados roços com um metro de profundidade junto ao tronco não protegido das figueiras classificadas, arriscando o corte das suas raízes. Tudo isto deveria ter sido acautelado.

A escolha dos lódãos, Celtis australis, como árvores de alinhamento nunca esteve no centro da polémica. Nunca questionámos esta opção, mas sim o abate indiscriminado de 49 árvores e a intenção de abater mais 13, o que queremos evitar. O desaparecimento destas árvores adultas num curto espaço de tempo teve e terá um forte impacto no ambiente do jardim e não está prevista no projecto a sua total substituição. Igualmente nos preocupa a ausência de visão de futuro: que árvores estão a ser preparadas para substituírem as actuais árvores classifi cadas daqui a 50 anos?

A petição online, de 24 de Novembro, que recolheu 2400 assinaturas, mais não pretendeu do que ser um instrumento de alerta para a defesa do jardim e exigir dos responsáveis o exercício dos direitos de informação e de participação legalmente consagrados. Não foi lançada a despeito de quaisquer esclarecimentos, nunca tornados públicos.

O perigo nela apontado da descaracterização do jardim está, infelizmente, a verifi car-se, como aconteceu no Jardim de S. Pedro de Alcântara, um dos históricos passeios públicos de Lisboa, transformado num terreiro “transparente”.

O calcetamento das áreas verdes a poente do jardim e o desprezo a que é votado o antigo pavilhão do jardineiro, em estilo revivalista do período Romântico, mantido como casa-de-banho da esplanada, apesar do “restauro exemplar” agora em curso, reforçam a descaracterização de todo este espaço. Nenhum jardim Romântico, como o do Príncipe Real, sobreviverá, como tal, à actual “requalificação” – leia-se transfiguração.

Pl’ Amigos do Príncipe Real
Jorge T. Pinto

Contestação sobe no Príncipe Real

Por Cristiano Pereira, Jornal de Notícias de 01-02-2010

Grupo de cidadãos criticou abate de árvores

Várias dezenas de pessoas juntaram-se, ontem, domingo,de manhã, no Príncipe Real, em Lisboa, e manifestaram indignação pelo estado do jardim.

Das 62 árvores marcadas para abate, 49 já foram cortadas. Ainda estão 13 por abater. A situação está a revoltar alguns cidadãos.

“Lutamos para que essas árvores não sejam abatidas a não ser que haja uma comprovadamente perigo para a segurança pública”, afirmou Rui Pedro Lérias, um biólogo que integra o grupo “Amigos do Príncipe Real, e que ontem de manhã juntou várias dezenas de pessoas para uma visita guiada ao jardim onde estão a decorrer obras polémicas. A mobilização partiu do blog “CidadaniaLX.

O biólogo foi quem mais falou perante uma assistência atenta à sua assinalável capacidade de orador e às informações que transmitia sobre cada uma das espécies de árvores do jardim. Rui Pedro Lérias foi, também, bastante crítico em relação à forma como a autarquia está a conduzir a intervenção no jardim.

“Defendemos que apesar de não ser obrigatório teria sido interessante ter sido feito um estudo de impacto ambiental antes de se avançar com o abate de tantas árvores, disse.

Sublinhou ainda que “as árvores não estão aqui como quadros numa parede e têm uma função para além da sua estética: elas filtram o ar da poluição, são uma barreira sonora, são habitat para aves e para morcegos que também são importantes porque comem os mosquitos”. “De repente”, continuou, “o habitat destes seres desapareceu”.

O grupo de “Amigos do Príncipe Real teceu também críticas à medida anunciada pelo vereador Sá Fernandes que promete a plantação de novas árvores no local. “Vão ser árvores que até já podem ter dois ou três metros mas que vão demorar 20 anos até cumprirem as mesmas funções que estas cumpriam”, observou Rui Pedro Lérias.

Outro factor bastante criticado tem a ver com a descaracterização do espaço: “O jardim está a tornar-se transparente”, acusa o biólogo, temendo que ali suceda “o que se passou no miradouro de São Pedro de Alcântara que era um jardim e foi transformado num terreiro”.

Perante a indignação dos cidadãos, o responsável teceu duras críticas ao caso específico de uma palmeira que recentemente “foi considerada estar desalinhada com as outras três” e, como tal, foi transferida para uns metros ao lado. “Em pleno Inverno, tentaram transplantar a palmeira que, claro, acabou por morrer rapidamente”, relatou, acusando os serviços camarários de incompetência: “Nunca se transplantam palmeiras no Inverno!”.

Dúvidas sobre pareceres

Entretanto, o advogado Tiago Taron, também dos Amigos do Príncipe Real, manifestou grandes desconfianças sobre as questões procedimentais do arranque das obras. “Sabemos que quando a obra começou não havia um único parecer de aprovação da Autoridade Florestal Nacional e do Igespar – foi dito que havia mas foi mentira”, acusou. “Se foi usada a mentira no exercício do cargo público eu não vou desistir enquanto não mostrar a evidência que isso aconteceu”, rematou.

Notícia relacionada:
Príncipe Real: moradores mobilizam-se contra Sá Fernandes
Por Alexandre Soares, Publicado no I em 01-02-2010

Visita ao Jardim do Príncipe Real

Vai ter lugar no próximo Domingo, 31 de Janeiro de 2010, pelas 11h30, uma visita guiada ao Jardim do Príncipe Real. Esta visita é promovida pelo grupo “Amigos do Príncipe Real, é gratuita, e tem como objectivo dar a conhecer as características do jardim e as alterações que a Câmara Municipal de Lisboa está a implementar. A visita durará cerca de uma hora.

Os “Amigos do Príncipe Real” consideram esta visita a melhor forma de explicar as razões que nos têm oposto e que nos continuam a opor à intervenção da CML, ao mesmo tempo que viajamos da Grécia à Nova Caledónia, visitando as árvores do jardim. Sabe, por exemplo, porque é o Cedro do Buçaco duas vezes mentiroso? E sabe que está previsto o abate de 62 árvores no jardim desde Janeiro de 2009 e que a CML quer plantar árvores cuja plantação é ilegal em Portugal?

Venha visitar o jardim connosco. Encontro no acesso à Esplanada do Príncipe Real.

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