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400 anos da morte de Hans Leo Hassler

Compositor e organista alemão da alta Renascença e início do Barroco, Hassler era sobretudo conhecido como organista, e foi um dos primeiros a trazer as inovações do estilo veneziano através dos Alpes.
Em 1584, Hassler tornou-se o primeiro de muitos compositores alemães a viajar para a Itália para continuar os seus estudos. Devido às exigências dos patrocinadores católicos, e as suas próprias crenças protestantes, as composições de Hassler representaram uma habilidosa combinação de ambos os estilos musicais religiosos, que permitiram que as suas composições funcionassem em ambos os contextos.
Hassler não era apenas um compositor, mas também um organista activo e consultor de fabricantes de órgãos. Era continuamente reconhecido e era requisitado para experimentar novos instrumentos. Usando o seu vasto conhecimento em órgão, Hassler entrou no mundo da construção mecânica de instrumentos e desenvolveu um órgão de corda (como num relógio de cordas) que foi depois vendido ao imperador Rodolfo II.
Texto de Luis Ramos, Antena Dois.

‘Ombra mai fu’, de George Frideric Handel

No dia em que passam 327 anos sobre o nascimento de George Frideric Handel [1685-1759], compositor alemão naturalizado britânico e cuja existência decorreu durante os séculos XVII e XVIII, sugiro a audição de Ombra mai fù, ária inicial da ópera Serse, apresentada pela primeira vez em Londres no ano de 1738, tendo como solista o contratenor Andreas Scholl, acompanhado pelo conjunto Akademie für Alte Musik de Berlim.

Emma Kirkby no CCB

Só ontem tomei conhecimento, via Facebook, que a soprano Emma Kirkby se apresentará em concerto a 17 e 18 de Fevereiro no Centro Cultural de Belém, acompanhada pelo Divino Sospiro; Sob a direcção musical de Enrico Onofri, Dame Kirkby interpretará Eva na Oratória Morte d’Abel de Pedro António Avondano,  um dos músicos mais reputados e influentes artistas na segunda metade do século XVIII em Lisboa. Szuszi Toth e David Hansen, promissoras vozes barrocas, serão também intérpretes desta grande obra da musica portuguesa! Oportunidade a não perder!

O existencialismo em Calderón de la Barca

A gravura de Nicolas Poussin – O Triunfo de Pã – 1636, ilustra o texto do poeta e dramaturgo  do século de ouro espanhol, Pedro Calderón de la Barca, que nasceu neste dia 17 de Janeiro em 1600 e viveu até 1681.

La vida es sueño - Jornada III - Escena XIX 

SEGISMUNDO

Es verdad, pues: reprimamos
esta fiera condición,
esta furia, esta ambición,
por si alguna vez soñamos.
Y sí haremos, pues estamos
en mundo tan singular,
que el vivir sólo es soñar;
y la experiencia me enseña,
que el hombre que vive, sueña
lo que es, hasta despertar. 

Sueña el rey que es rey, y vive
con este engaño mandando,
disponiendo y gobernando;
y este aplauso, que recibe
prestado, en el viento escribe
y en cenizas le convierte
la muerte (¡desdicha fuerte!):
¡que hay quien intente reinar
viendo que ha de despertar
en el sueño de la muerte! 

Sueña el rico en su riqueza,
que más cuidados le ofrece;
sueña el pobre que padece
su miseria y su pobreza;
sueña el que a medrar empieza,
sueña el que afana y pretende,
sueña el que agravia y ofende,
y en el mundo, en conclusión,
todos sueñan lo que son,
aunque ninguno lo entiende. 

Yo sueño que estoy aquí,
destas prisiones cargado;
y soñé que en otro estado
más lisonjero me vi.
¿Qué es la vida? Un frenesí.
¿Qué es la vida? Una ilusión,
una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño;
que toda la vida es sueño,
y los sueños, sueños son.

Pedro Calderón de la Barca

O mecenato papal na Roma do século XVI, através do génio de Kapsberger

De Johannes Hieronymus Kapsberger, autor de génio veneziano de ascendência alemã (1580-1651) que desenvolveu em Roma o estilo dos instrumentos de corda dedilhada, sugiro a peça Passacaglia do Libro quarto d’intavolatura di chitarrone (1640), interpretada pelo norueguês Rolf Lislevand (alaúde e tiorba).
A escolha foi inspirada pela audição do Musica Aeterna de 10 de Dezembro de 2011.


Bach transcendente

Por Cristina Fernandes, in Ípsilon – 16-Novembro-2011

Uma superlativa interpretação de Philippe Herreweghe e do Collegium Vocale Gent

Nas duas últimas décadas Philippe Herreweghe tem sido responsável por algumas das mais belas gravações das Cantatas de Bach. Ao contrário de outros maestros que se lançaram na ambiciosa aventura da integral (como é o caso de Ton Koopman, John Eliot Gardiner ou Masaaki Suzuki), Herreweghe tem optado antes por uma selecção criteriosa de cantatas, unidas por vínculos temáticos diversos, sem a preocupação de ser exaustivo.
Este último volume, intitulado “Jesu, deine Passion“, constitui uma espécie de coroa de glória desse percurso, já que é excepcional a todos os níveis. Toda a música que Bach escreveu é de qualidade superior, mas as quatro Cantatas agora registadas (BWV 22, 23, 127 e 159) representam pontos culminantes do génio do compositor pela sua exaltante inspiração e pela densidade da própria construção musical.
As Cantatas BWV 22 e 23, destinadas ao primeiro domingo antes da Quaresma, funcionaram como “peças de concurso”, quando Bach se candidatou ao lugar de Kantor da Igreja de São Tomé em Leipzig, pelo que é natural que o compositor se tenha esmerado na sua concepção. As BWV 127 e 159 foram escritas para o mesmo serviço litúrgico nos anos seguintes.
A interpretação de Herreweghe e dos seus músicos é primorosa, tanto nos planos técnico e estilístico, como no modo em que combina emoção e espiritualidade. As intervenções do coro revelam uma luminosa transparência, os solistas – a soprano Dorothee Mields, o contralto Matthew White, o tenor Jan Kobow e o baixo Peter Kooy – cantam com enorme convição e um sentido retórico apurado da relação texto-música e os instrumentistas são exemplares, com destaque para os belíssimos solos de oboé (com o grande Marcel Ponseele), que dialogam com as vozes em múltiplas árias. Também as flautas de bisel têm intervenções eloquentes (por exemplo, na ária “Die Seele ruht”, cantada com delicada sensibilidade por Dorothee Mields) ou os trompetes no recitativo “Wenn einstens die Posaunen Schallen”, verdadeira cena dramática evocadora do Juízo Final. A Cantata BWV 159 recorda o universo da “Paixão segundo São Mateus”, destacando-se a poderosa ária de baixo “Es ist vollbracht” e a ária de contralto “Ich folge di nach”, que se desenrola em contraponto com o soprano que entoa a estrofe do conhecido coral “Ich will hier bei dir stehen”.

Concerto – 300 anos da Igreja do Menino Deus

A Música Sacra no tempo de D. João V (Compositores de 1711 a 1750)
Igreja do Menino Deus | 4 de Novembro de 2011, 21:00h | Entrada livre
Programa:
João Rodrigues Esteves: “Pinguis est Panis”
Johann Sebastian Bach: Ária “Schlummert ein, ihr matten Augen”
G.Ph.Telemann: Cantata “Ihr Völker hört” (Am Feste der heiligen drei Könige)
Johann Sebastian Bach: Sonata em Si bemol Maior, BWV 1021 Adagio/Vivace/Largo/Presto
João Rodrigues Esteves: “Regina Caeli Laetare”
La Nave Va – Ensemble Barroco
Maria Luísa Tavares, Mezzo-Soprano | Armando Possante, Barítono | António Carrilho, Flauta de Bisel | Edoardo Sbaffi, Violoncelo | Jenny Silvestre, Cravo

300 ANOS da IGREJA DO MENINO DEUS: 1711-2011
A Igreja do Menino Deus é uma obra de grande importância histórica e patrimonial. Localizada no Largo do Menino Deus, meio escondida na encosta nascente da Colina do Castelo, este templo é praticamente desconhecido da maior parte dos lisboetas. Mas a sua notável qualidade e originalidade arquitectónica, aliada ao facto de ser uma das raras igrejas que escapou intacta ao grande terramoto de 1755, fazem dela um verdadeiro marco da Arquitectura Barroca nacional. A concepção da obra está atribuída ao Arquitecto Real João Antunes (1642-1712), autor de obras de referência como a Igreja de Santa Engrácia em Lisboa.
Foi no dia 4 de Julho de 1711, que o Rei D. João V, acompanhado dos Infantes, seus irmãos, D. António e D. Manuel, conjuntamente com vários membros da Casa Real, lançou a primeira pedra da igreja. A construção prolongou-se durante 26 anos tendo ficado concluída em 1737, data em que foi sagrada. No dia 25 de Março, o mesmo Rei D. João V, transferiu a imagem “milagrosa” do Menino Deus da Igreja da Ordem Terceira de S.Francisco de Xabregas. Na cerimónia da inauguração, o Rei foi acompanhado em procissão nocturna, com tochas acesas, pela população da capital e pelo jovem Príncipe D. José, seu filho, e os irmãos Infantes D. António e D. Manuel. Depois de colocada a imagem na capela-mor, se cantou o Te Deum “com excelente música de instrumentos e vozes” como nos descreve a Gazeta de Lisboa.

Nave e Capela-mor com embutidos de pedraria (embrechados) | Foto: Fernando Jorge, 2011
Ao observarmos a frontaria da igreja vemos que não está concluída, faltando-lhe o remate de frontão e as torres campanário. Mas o interior é um perfeito e completíssimo exemplo da Arquitectura portuguesa do início do séc. XVIII. Espera-nos um verdadeiro espectáculo da obra total do Barroco. O espaço é amplo, à maneira de grande salão, com cantos cortados o que confere à igreja uma peculiar forma oitavada. As paredes são integralmente revestidas de pedra e com magníficos embutidos de pedraria de várias cores.
Nesta igreja a talha dourada está limitada aos retábulos dos oito altares laterais onde se integra um conjunto de boas pinturas de André Gonçalves (1685-1762) e do pintor espanhol André Ruvira executadas por volta de 1730. O retábulo da capela-mor, em mármore, é do italiano João António Bellini, de Pádua; ao centro, em pequeno nicho, vemos a imagem do Menino Jesus, devota dos populares e que, segundo a tradição, já existia no local sendo conhecida por Menino Deus. A Capela-mor é ainda adornada com duas belas telas trilobadas: um “São Francisco Despojado dos Hábitos Seculares” de Vieira Lusitano (1699-1783) da década de 1730, e um “Trânsito de São Francisco” atribuído ao italiano Francesco Pavona. A arte da pintura do Menino Deus fica completa com o esplêndido tecto pintado, obra de parceria entre Vitorino Manuel Serra, João Nunes Abreu, Jerónimo da Silva e André Gonçalves, representando arquitecturas em tromp-l’oeil e, ao centro, painel com a “Ascensão de São Francisco com as Virtudes”.
As obras foram erguidas com esmolas públicas e ajuda do Rei. O edifício conventual ficou destinado a recolhimento das Franciscanas Mantelatas da Ordem Terceira de S. Francisco de Xabregas.
Actualmente na parte conventual funciona o Centro Social do Menino Deus, gerido por uma Congregação de São José de Cluny, frequentado diariamente por cerca de 170 crianças. A igreja já foi alvo de restauro.
Para quem ainda não conhece este deslumbrante e raro monumento de Lisboa, aconselhamos que o venha descobrir no ano em que celebra 300 anos. Via.

 Tecto da nave com pintura ilusionista em tromp-l’oeil | Foto: Fernando Jorge, 2011

Domenico Scarlatti

Giuseppe Domenico Scarlatti, virtuoso compositor do barroco tardio, nasceu em Nápoles neste dia 26 de Outubro, no ano de 1685, vindo e morrer em Madrid em 1757.

Johann Sebastian Bach [1685-1750], George Frideric Handel [1685-1759] e Domenico Scarlatti [1685-1757] foram três personalidades fundamentais do Barroco Tardio que, por coincidência, nasceram no mesmo ano. Em comum, possuem também o facto de terem sido exímios intérpretes e improvisadores, e compositores de génio no domínio da música de tecla, ainda que a produção que destinaram a instrumentos como o órgão, o cravo ou o clavicórdio ocupe lugares bem diversos no seu percurso individual. Se hoje recordamos Scarlatti como um compositor indissociável do repertório para cravo (posteriormente adoptado pelos pianistas), a música de tecla ocupa um lugar relativamente circunscrito na produção de Handel e assume-se como um dos pilares centrais no desenvolvimento de Bach enquanto compositor. […]
[…]Scarlatti, na sua passagem pelo nosso país após ter sido contratado para o cargo de compositor da corte por D. João V em 1719, foi professor de cravo da infanta D. Maria Bárbara, que acompanharia após o casamento desta com o futuro rei espanhol, Fernando VI. Intérprete de grandes recursos, a princesa marcaria profundamente a evolução artística do compositor. A simbiose professor-aluna foi tão estreita que Scarlatti passou o resto da vida ao seu serviço, mantendo igualmente laços com Portugal – a primeira colecção de peças que publicou, os “Essercizi per Gravicembalo”, foi dedicada a D. João V em agradecimento pelo título de cavaleiro da Ordem de Santiago. Esta colecção, editada em Londres em 1739, deu-lhe fama internacional.[…]
Excerto de Bach, Handel e Scarlatti:Três Mestres da Música de Tecla do Barroco,
Cristina Fernandes, em catálogo da 7.ª edição do Festival Terras sem Sombra.

Cris­tiano Holtz – Suites de pièces pour le clavecin

O cravista brasileiro residente em Portugal Cristiano Holtz decidiu dedicar o seu último CD à música de Handel, seleccionando as suites nºs 3, 7 e 8 do primeiro volume das “Suites de Pièces pour le Clavecin” (1720-25), a suite V do segundo volume (1727) e peças como o “Air” HWV 471 (da colecção de minuetos de 1729), o encantador Minueto em Sol menor HWV 434 e a Sonatina HWV 582.
Um recital ao vivo na Casa-Museu Anastácio Gonçalves, em Maio, serviu de apresentação ao projecto, que vem confirmar a segurança do intérprete, bem como o seu espírito criterioso em matéria de repertório, tendo em conta que a excelente música para cravo de Handel ocupa um lugar mais reduzido na discografia do que a obra dos seus contemporâneos J.S.Bach, Domenico Scarlatti ou Rameau.

O cravo com graves poderosos (graças ao registo de 16 pés) construído por Matthias Kramer a partir de modelos de Christian Zell (c.1683-1763) e Johann Christoph Fleischer (1676-c.1728) contribui para a riqueza da imagem sonora de um registo que proporciona uma diversificada amostra em termos de técnicas de composição, estilos e recursos expressivos.
As suites de Handel nem sempre seguem o modelo convencional na sucessão de danças, contendo por vezes prelúdios e andamentos em escrita fugada como os “Allegri” HWV 433 e 428, que Holtz executa com uma “toucher” brilhante e uma polifonia clara. Nas Gigas ou o “Presto” da Suite HWV 428, mostra agilidade e desenvoltura, contrastando com a profunda introspecção expressiva do “Air” da mesma Suite e a elegância das “Allemandes”. Mesmo na exuberante Suite nº 7, HWV 432, Holtz prefere a dimensão majestosa da música, a arquitectura da construção, em detrimento de um virtuosismo superficial que apenas realçasse a vertente lúdica da composição.
A partir do texto de Cristina Fernandes para o Público de 12 de Agosto de 2011

Cris­tiano Holtz semble pré­fé­rer à une in­té­grale (ou à son amorce) de la mu­sique pour cla­ve­cin de Haen­del une an­tho­lo­gie com­po­sée comme un menu dé­gus­ta­tion : entre chaque Suite, issue du pre­mier ou du se­cond vo­lume, fi­gure en effet une pe­tite pièce, ici un air, là un me­nuet, comme un en­tre­met. Le choix des to­na­li­tés des quatre Suitesre­te­nues, toutes en mi­neur, et ac­ces­soi­re­ment la photo de cou­ver­ture, une four­chette cui­vrée du XVIIIe siècle, donnent une idée de la sa­veur du repas : raf­finé mais so­lide et sé­rieux, peu pro­pice aux mé­langes fan­tai­sistes.
Le cla­ve­ci­niste bré­si­lien sert en effet un Haen­del ma­jes­tueux et grave, fier de ses mou­ve­ments amples et me­su­rés dès le pré­lude de la Suite HWV 433 qui ouvre le pro­gramme. Dans ces épi­sodes d’al­lure im­pro­vi­sée (le sty­lus phan­tas­ti­cus de HWV 428) comme les al­le­gros fu­gués, l’ar­tiste avance avec as­su­rance, gui­dée par une main gauche d’une rare sta­bi­lité. La vo­lonté d’in­ves­tir l’es­pace acous­tique et de pro­fi­ter d’un cla­ve­cin so­nore, aux basses d’orgue, conçu d’après des ins­tru­ments de Chris­tian Zell et Chris­toph Flei­scher s’illustre dans chaque pièce, y com­pris les gigues, plus pré­oc­cu­pées de sur­face que de jeu de jambes. Vo­lon­tiers or­ches­tral (presto de HWV 428) voire lul­liste (ou­ver­ture de HWV 432) par son port royal, le jeu de Cris­tiano Holtz sait aussi évo­quer le chant dou­lou­reux (l’in­tense Air de HWV 428 ju­di­cieu­se­ment placé au centre du disque) ou se lais­ser aller à la dé­sin­vol­ture nar­quoise (Me­nuet en sol mi­neur HMV 434).
Pierre Han­taï dé­clare que son an­cien élève ap­pré­hende “l’œuvre pour cla­ve­cin de Han­del avec une vraie pro­fon­deur, comme une grande et noble mu­sique.” On ne sau­rait le contre­dire. Cette pa­ru­tion s’ajoute aux ré­fé­rences : Oli­vier Bau­mont (Erato) et Ot­ta­vio Dan­tone (Arts).
PAR PHILIPPE VENTURINI | LE RÉPERTOIRE DES CD DE A À Z | 21 JUILLET 2011 | Via http://www.qobuz.com/

Pour toi seule, aimable Inès

Foi um privilégio ter assistido a este Concerto para Inês, brilhantemente idealizado por Miguel Jalôto, que dirigiu o mui competente Ludovice Ensemble, no âmbito do Festival Cistermúsica, Alcobaça.
Este pequeno excerto do texto do monge cisterciense Louis-Adrien du Perron de Castera (1705-1752) pertence à tradução para francês de “Os Lusíadas”, de 1735. A declamação da actriz Louise Moaty foi pungente e o espectáculo muito comovente.

“Belle Ynès tu étoîs dans une solitude agréable
sur la rive du Mondego;
ta bouche ensengnoit aux échos des forêts & des montagnes
le nom chéri que tu portois gravé dans ton cœur,
le nom de ton Prince, dont la présence
faisoit tes délices , & dont le moindre éloignement
te coutoit tant de larmes!”
La Lusiade […] – 1735 | Louis-Adrien du Perron de Castera (1705-1752)