Posts Tagged ‘ Philippe Herreweghe ’

‘Requiem’, de Jean Gilles

No trecentésimo quinquagésimo terceiro aniversário do nascimento de Jean Gilles [1668-1705], maître de musique na Catedral de Saint-Etienne em Toulouse durante os últimos anos de vida e autor de um património musical exclusivamente religioso, o Offertorium, extraído da Missa de Defuntos (Requiem).


Anne-Marie Rodde · Martyn Hill · Ulrich Studer · Jean Nirouët · Peter Kooy
Collegium Vocale Gent · Musica Antiqua Köln · Reinhard Goebel · Philippe Herreweghe

‘Magnificat’, de Frei Manuel Cardoso

Frei Manuel Cardoso [1566-1650], insigne representante da polifonia portuguesa, iniciou os estudos musicais no Collegio dos Moços do Coro da Sé de Évora, onde viria a ocupar o cargo de Mestre de Capela. Foi ainda compositor residente no Convento do Carmo, onde morreu a 24 de Novembro de 1650.
O Magnificat, interpretado pelo Ensemble Vocal Européen sob direcção de Philippe Herreweghe, pertence ao disco Manuel Cardoso, Missa Miserere mihi Domine; Magnificat secundi toni (Harmonia Mundi, 1997)

Bach transcendente

Por Cristina Fernandes, in Ípsilon – 16-Novembro-2011

Uma superlativa interpretação de Philippe Herreweghe e do Collegium Vocale Gent

Nas duas últimas décadas Philippe Herreweghe tem sido responsável por algumas das mais belas gravações das Cantatas de Bach. Ao contrário de outros maestros que se lançaram na ambiciosa aventura da integral (como é o caso de Ton Koopman, John Eliot Gardiner ou Masaaki Suzuki), Herreweghe tem optado antes por uma selecção criteriosa de cantatas, unidas por vínculos temáticos diversos, sem a preocupação de ser exaustivo.
Este último volume, intitulado “Jesu, deine Passion“, constitui uma espécie de coroa de glória desse percurso, já que é excepcional a todos os níveis. Toda a música que Bach escreveu é de qualidade superior, mas as quatro Cantatas agora registadas (BWV 22, 23, 127 e 159) representam pontos culminantes do génio do compositor pela sua exaltante inspiração e pela densidade da própria construção musical.
As Cantatas BWV 22 e 23, destinadas ao primeiro domingo antes da Quaresma, funcionaram como “peças de concurso”, quando Bach se candidatou ao lugar de Kantor da Igreja de São Tomé em Leipzig, pelo que é natural que o compositor se tenha esmerado na sua concepção. As BWV 127 e 159 foram escritas para o mesmo serviço litúrgico nos anos seguintes.
A interpretação de Herreweghe e dos seus músicos é primorosa, tanto nos planos técnico e estilístico, como no modo em que combina emoção e espiritualidade. As intervenções do coro revelam uma luminosa transparência, os solistas – a soprano Dorothee Mields, o contralto Matthew White, o tenor Jan Kobow e o baixo Peter Kooy – cantam com enorme convição e um sentido retórico apurado da relação texto-música e os instrumentistas são exemplares, com destaque para os belíssimos solos de oboé (com o grande Marcel Ponseele), que dialogam com as vozes em múltiplas árias. Também as flautas de bisel têm intervenções eloquentes (por exemplo, na ária “Die Seele ruht”, cantada com delicada sensibilidade por Dorothee Mields) ou os trompetes no recitativo “Wenn einstens die Posaunen Schallen”, verdadeira cena dramática evocadora do Juízo Final. A Cantata BWV 159 recorda o universo da “Paixão segundo São Mateus”, destacando-se a poderosa ária de baixo “Es ist vollbracht” e a ária de contralto “Ich folge di nach”, que se desenrola em contraponto com o soprano que entoa a estrofe do conhecido coral “Ich will hier bei dir stehen”.
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