Archive for the ‘ Aniversário ’ Category

‘Paixão Segundo São Marcos’, de Johann Georg Künstel

De Johann Georg Künstel [ca. 1645 – 1695], organista e compositor do período barroco alemão, a sua Paixão Segundo São Marcos, composta entre 1691 e 1694 em Coburg na Baviera, onde morreu neste dia 20 de Fevereiro, há 330 anos.


Álbum: Künstel: Markuspassion | Ensemble Polyharmonique, dirigido por Alexander Schneider | Christophorus Records, 2019

Gabriele Münter em Murnau

Com Gabriele Münter [19 Fevereiro 1877 – 19 Maio 1962], discípula e companheira de Wassily Kandinsky [1866-1944], o Museu Nacional Thyssen-Bornemisza continua a resgatar do esquecimento grandes artistas femininas do século XX, dedicando uma Exposição a esta figura central do expressionismo alemão, com mais de cem obras entre pintura, desenho, gravura e fotografia.
Da retrospectiva, que terminou na passada semana, fica a obra “As Escolas”, realizada no Verão de 1908 na cidade de Murnau, Baviera, período em que Münter se distanciou do estilo pós-impressionista e encontrou a sua própria linguagem.


‘Shhh / Peaceful’, de Miles Davis

Do álbum de estúdio ‘In a Silent Way’ de Miles Davis, gravado numa única sessão nos estúdios da CBS em 18 Fevereiro 1969, a composição Shh / Peaceful, escrita por Miles, preenche o lado A do disco. A fusão resultante da introdução de instrumentos eléctricos constituiu-se como a antecâmara de Bitches Brew (1970). 


Miles Davis (tpt); Wayne Shorter (ss); John McLaughlin (el-g); Herbie Hancock (el-p);
Chick Corea (el-p); Joe Zawinul (org); Dave Holland (b); Tony Williams (d)

‘Requiem’, de Johann Joseph Fux

Na passagem do ducentésimo octogésimo quarto aniversário sobre a morte de Johann Joseph Fux [ca. 1660 – 1741], compositor e teórico musical austríaco do barroco tardio que exerceu o cargo de Kapellmeister na Catedral de Santo Estêvão em Viena, o solene Kaiserrequiem K 51–53 em Dó menor para cinco vozes, originalmente escrito em 1720 para o funeral de Eleonora Magdalena, viúva do Sacro Imperador Romano-Germânico Leopoldo II, foi posteriormente executado em outras cerimónias fúnebres da Côrte.
Composto pelo Introitus, Kyrie, a sequência Dies irae, o ofertório Domine Jesu Christe, Sanctus, Benedictus, Agnus Dei e a comunhão Lux aeterna, integra o álbum Johann Joseph Fux, Johann Caspar Kerll: Requiems | ℗ Outhere, 2016. Tem como intérpretes os Ensembles L’Achéron e Vox Luminis, com direcção de Lionel Meunier.


‘Tune Thy Musicke To Thy Hart’

We are, perhaps, in a wood-panelled Elizabethan hall, where in the early 17th century the family of a large house gather for their private prayer. Voices and viols mix in harmony, ranging from the familiar simplicity of Thomas Campion‘s “Never weather-beaten sail” to the elaborate verse anthem by Orlando Gibbons’s “See, see the word is incarnate”, the whole story of salvation condensed into six superb minutes. Tallis, Tomkins and Byrd are here, but the revelation is the little-known John Amner, whose “A stranger here” reaches a climax of rare dissonant intensity, powerfully sung. Another triumph for the superb Stile Antico ensemble and Fretwork.Nick Kenyon, The Observer
Tune thy Musicke to Thy Hart: Tudor & Jacobean music for private devotion com os ensembles Stile Antico & Fretwork (Harmonia Mundi, 2012). O álbum pode ser escutado no Spotify.

‘A tocadora de alaúde’, de Orazio Gentileschi

Na passagem do aniversário da morte, neste dia 7 de Fevereiro em Londres, de Orazio Gentileschi [1563-1639], pintor maneirista natural de Pisa, na Toscana, pai da célebre Artemísia (1593 – por volta de 1656), também pintora a quem o Museu Jacquemart-André, um dos mais belos museus de Paris, dedica este ano uma exposição (a visitar em Maio), a obra A tocadora de alaúde, c. 1612/1620 – actualmente na National Gallery em Washington.

Sendo reconhecidamente um dos trabalhos mais famosos de Gentileschi, claramente sob influência de Caravaggio, com quem manteve uma relação de grande proximidade nos primeiros anos do século XVII, beneficia, se assim se pode dizer, de se identificar com o período inicial de Caravaggio, mais luminoso.

A jovem, sentada de costas, tem sobre a mesa um violino, uma flauta e um par de pautas de música; com a cabeça inclinada, ouve atentamente os acordes do alaúde. A combinação dos dois elementos sugere a representação da Harmonia…


‘Mort, tu as navre / Miserere’, de Johannes Ockeghem

De Johannes Ockeghem [por volta de 1410 a 1425 – 6 Fevereiro 1497], compositor da Escola Franco-Flamenga durante a segunda metade do século XV, sendo frequentemente considerado o mais influente entre Guillaume Dufay [1397-1474] e Josquin des Prez [c. 1450/1455–1521], o comovente moteto Mort, tu as navre / Miserere (conhecido como Planctus sur la mort de Binchois), lamento de Ockeghem sobre a morte de Gilles de Binchois [c.1400-1460], relevante compositor da Escola de Borgonha durante o início da Renascença.


Álbum: Binchois, G.: Choral Music, ℗ 2007 Glossa | Ensemble Graindelavoix

‘Pater noster, Ave Maria’, de Gioseffo Zarlino

De Gioseffo Zarlino [31 Janeiro 1517 – 4 Fevereiro 1590], compositor italiano natural da região do Veneto, considerado o mais conceituado teórico musical do século XVI, do álbum Canticum Canticorum Salomonis (Cântico dos Cânticos de Salomão) Pater noster, Ave Maria, o último de doze motetos por ele compostos no final da década de 1540.

Em primeira execução moderna, O Ensemble vocal Plus Ultra, dirigido por Michael Noone, tem como intérpretes Sally Dunkley, Grace Davidson, Clare Wilkinson, Lucy Ballard, Mark Chambers, David Martin, George Pooley, Julian Stocker, Gerry O’Beirne, Warren Trevelyan-Jones, Angus Smith, Giles Underwood e Charles Gibbs.


Concerti “per l’orchestra di Dresda”

Na passagem do trecentésimo vigésimo oitavo aniversário sobre o nascimento de Johann Joachim Quantz [1697 – 1773], prolífico compositor alemão, fabricante de instrumentos, docente e autor de um tratado de referência para todos os que se interessam pela música barroca, deixo o Concerto em Sol maior para duas flautas e orquestra, dividido em três secções, com solos formidáveis!
A gravação de Reinhard Goebel, que dirigiu o Ensemble Musica Antiqua Köln, tem 30 anos e é enriquecida com peças de outras grandes figuras do barroco alemão como Johann David Heinichen [1683-1729] e Johann Georg Pisendel [1687-1755], Konzertmeister responsável pelo enorme sucesso da Orquestra da Côrte de Dresden durante a primeira metade do século XVIII.


Album: Heinichen: Concerti “per l’orchestra di Dresda” – Musica Antiqua Köln, Reinhard Goebel (Archiv, 1995)

Juan Crisóstomo Arriaga, o Mozart espanhol

O dia 27 de Janeiro possui uma curiosa coincidência na histórica da música: a de Juan Crisóstomo Arriaga [1806-1826], compositor  apelidado de Mozart espanhol por, tal como W.A.Mozart [1756-1791], ambos serem jovens prodígios e terem morrido precocemente. Acresce o facto de ambos terem nascido neste dia, com um intervalo de 50 anos.
Enviado pelo pai para Paris com apenas 15 anos de idade, o jovem Juan Crisóstomo foi discípulo de Luigi Cherubini [1760-1842] e, possivelmente em 1824, compôs os Três Quartetos de Cordas que dedicou ao progenitor.
No Verão de 2013, em Madrid, o Ensemble La Ritirata, com Josetxu Obregón no violoncelo e direcção musical, gravou para a Glossa o disco De Arriaga: The Complete String Quartets on Period Instruments, do qual fica o primeiro andamento do Quarteto de Cordas nº 2 em lá maior: Allegro con brio.