Archive for the ‘ O Nú na História da Arte ’ Category

A Herança de Atena – Rembrandt

O último e mais belo nu de Rembrandt (1606-1669) como despudorado pretexto 🙂 para divulgar a página sobre o pintor holandês, elaborada a partir do texto gentilmente cedido por João Chambers, que co-produziu o programa Herança de Atena de 18 de Janeiro de 2009 com Ana Mântua, destinado a assinalar a passagem dos 340 anos da morte do Mestre!

Rembrandt Harmenszoon van Rijn - Bathsheba at Her Bath, 1654

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Estátua Falsa


de oiro falso os meus olhos se douram;
Sou esfinge sem mistério no poente.
A tristeza das coisas que não foram
Na minh alma desceu veladamente.

Na minha dor quebram-se espadas de ânsia,
Gomos de luz em treva se misturam.
As sombras que eu dimano não perduram,
Como Ontem, para mim, Hoje é distancia.

Já não estremeço em face do segredo;
Nada me aloira já, nada me aterra:
A vida corre sobre mim em guerra,
E nem sequer um arrepio de medo!

Sou estrela ébria que perdeu os céus,
Sereia louca que deixou o mar;
Sou templo prestes a ruir sem deus,
Estátua falsa ainda erguida no ar …

poema de Mário de Sá Carneiro, 1913
gravura de Tamara de Lempicka, 1923

As Banhistas, de Ingres

Jean-Auguste-Dominique Ingres ( 1780-1867), que elegeu este tema como um dos seus favoritos, expôs a sua obra em simultâneo com o trabalho de Delacroix descrito no post anterior, no Salão de Paris de1824. Para sua surpresa, foi aclamado como um dos artistas que se opunham ao Novo Romantismo.


A Banhista, 1808

Neste seu primeiro estudo sobre o nú feminino, o apelo estético reside na monumentalização da figura individual.


A Grande Odalisca, 1814

“Quanto mais simples forem as formas, maior a beleza e a força.”


O Banho Turco, 1862

Nesta obra-prima realizada nos últimos anos de vida, Ingres retoma as banhistas e odaliscas dos primeiros anos. Os motivos para estas formas femininas idealizadas que vivem apenas para a beleza e prazer, são baseados em relatos pormenorizados do oriente – descrições sobre os banhos no harém de Maomé – e as cartas onde Lady Montagu descreve os banhos turcos.

Pela beleza abstracta, a magnífica pele branca como leite, as formas graciosas dos seus corpos e os seus cabelos e pela sua sensualidade, as banhistas possuem uma inocência paradisíaca, sem gestos ou comportamentos indecorosos entre si.
A beleza intangível das mulheres – suspensa no tempo – é obtida com grande economia de meios, através dos subtis jogos de luz que lhes moldam as formas e a pele.

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