A Arquitectura Imaginária

Exposição “A Arquitectura Imaginária – Pintura, Escultura, Artes Decorativas”
Museu Nacional de Arte Antiga | 1 Dezembro 2012 – 30 Março 2013

Pedro Alexandrino de Carvalho [1730-1810] & José António Narciso [1731-1811]
Desenho: Pintura monumental de quadratura, do Tecto da Capela do Santíssimo do Paço da Bemposta com a Transfiguração de Cristo – 1793
Um cofre em cristal de 1600 e o mausoléu de Alfredo da Silva, próspero industrial do Estado Novo, podem ter algo em comum? Que relação existe entre um projecto de Álvaro Siza Vieira e o Martírio de São Sebastião, pintura de Gregório Lopes da primeira metade do século XVI?
Repensando a arquitectura enquanto território utópico e conceptual ? e assumindo que projectar é pura fantasia, capaz de contaminar as várias disciplinas artísticas ?, a exposição promove um ângulo novo de aproximação à pintura, à escultura, à ourivesaria, às artes decorativas.
Uma extraordinária viagem por um eclético universo de centena e meia de obras, do MNAA e de outras colecções, públicas e privadas, do século XIV aos nossos dias. Ilustrando diferentes apropriações dos valores e recursos da arquitectura, a mostra divide-se em sete núcleos: A arquitectura enquanto ideia; Idear a arquitectura; A microarquitectura; A arquitectura enquanto metáfora; A arquitectura enquanto ordem; A arquitectura enquanto autoridade; A arquitectura imaginária.
Debate necessariamente retrospectivo e obrigatoriamente histórico mas, sobretudo, contemporâneo. Via.

Passion & Resurrection – Stile Antico

Stile-Antico_Passion & Resurrection

Album Title: Passion & Resurrection–Music inspired by Holy Week
Stile Antico | Release Date: 11/13/2012 | Label: Harmonia Mundi
Works by William Cornysh, Orlando Gibbons, Thomas Tallis, Orlande de Lassus, Cristóbal de Morales, Tomás Luis de Victoria, John McCabe, John Taverner, Francisco Guerrero, William Byrd, Jean Lhéritier, & Thomas Crecquillon
The program concept—settings of texts inspired by the events of Holy Week and Easter—makes sense, but even if we weren’t aware of the liturgical and textual connections among these sacred motets by some of the most illustrious composers of the Renaissance, as listeners we would be immensely satisfied with the first-rate performances and uniformly gorgeous music. You could pick any one of these 13 pieces and justifiably label it a masterpiece, even though some of them are not especially well-known or oft-recorded. Stile Antico, a young British ensemble of 12 or 14 or 15 singers (it changes according to the work at hand), represents the future of serious, unhyped, technically polished, stylistically attuned, and musically affecting choral performance.
If you’re a frequent listener to Renaissance choral music, you have heard Victoria’s O vos omnes—but it’s unlikely that you’ve heard it sung so movingly, the very smallest phrases carefully shaped to capture the music’s textual meaning and emotional effect. The same is true of Tallis’ oft-performed O sacrum convivium and Guerrero’s correspondingly rare and remarkable motet Maria Magdalene. Equally rare—and musically compelling—is the opening work by William Cornysh,  a substantial seven-and-a-half-minute setting of a 16th-century poem, Woefully arrayed, that showcases all of this choir’s sectional and ensemble strengths as well as introducing most of us to a memorable choral piece that, as far as I know, has only been recorded once before, by the Tallis Scholars. That performance, on a wonderful disc devoted entirely to Cornysh (itself an an act of supreme artistic conviction and courage against obvious commercial obstacles) employs single voices on each part, a viable alternative to this current version, only because the Tallis Scholars’ singers back in 1988 were without peer in this repertoire, and without technical flaw, whatever they sang.
Although the notes thankfully provide information about performing editions, we choir directors can only be disappointed to find that several of the program’s more enticing works are not commercially available—such gems as the opening Cornysh piece and the concluding Congratulamini mihi (Rejoice with me, all who love the Lord) by Flemish composer Thomas Crecquillon. This superbly crafted, resolutely joyous piece would be a hit on any serious choral music concert, if only it were published and available to interested choirs. (Incidentally, this same work appears on a 2006 Hyperion disc by the Brabant Ensemble, devoted entirely to Crecquillon; that earlier recording not only shares with Stile Antico the same performing edition of the motet, but also three of the female singers.) And speaking of hits, there’s no more worthy contender here than Flemish composer Jean Lhéritier’s Surrexit pastor bonus. This setting of the matins respond for Easter day, “the good shepherd has arisen…,” will not only be new to almost any of this disc’s listeners, but its captivating harmonic characteristics—not to mention its virtual celebration of the cross-relation—make this piece more than memorable, and eminently repeatable.
Perhaps not so eagerly repeatable is the program’s one contemporary work, John McCabe’s rendition of the “Woefully arrayed” text so compellingly set by William Cornysh in the disc’s opening number. Written for Stile Antico, McCabe’s setting exemplifies a certain trend in modern choral music, creating a sort of faux-atonal framework beset with hard-edged dissonance and rhythmic ambiguity that obscures the continuity of both music and poetry. It’s tough singing and consequently tough listening. Aside from this interesting if not entirely welcome diversion, this program and the first-rate performances should not be missed by anyone who loves Renaissance choral music. Stile Antico continues to honor the high standard set by its illustrious early-music predecessors, ensuring that its ongoing back-to-the-future projects will be both bright and beautiful. Highly recommended.
Review by: David Vernier – ClassicsToday

Frédéric Bazille

Oriundo de uma abastada família Protestante, Frédéric Bazille nasceu em Montpellier a 6 de Dezembro de 1841. Tendo-se mudado para Paris em 1862, com o objectivo de prosseguir os estudos em medicina, o seu interesse pela arte viria a proporcionar-lhe-ia a oportunidade de conhecer Alfred Sisley, Pierre-Auguste Renoir e Claude Monet.
Monsieur Bazille sustentou Renoir e Monet, participou no Salon em 1866 e morreu quatro anos mais tarde, com apenas 29 anos de idade.

Frédéric Bazille (1841-1870), Edouard Manet (1832-1883) – Bazille’s Studio, 1870

Frédéric Bazille (1841-1870), Edouard Manet (1832-1883) - Bazille's Studio, 1870

Rodrigo Leão e as Vozes

Com três convidados de grande qualidade, a oportunidade de rever Rodrigo Leão era única!
As vozes de Scott Matthew e de Neil Hannon (The Divine Comedy) possuem um timbre de tal modo cativante que  conquistam qualquer plateia; Beth Gibbons (Portishead) foi a presença mais discreta da noite, apesar das credenciais – não entendi a sua timidez em palco. O restante alinhamento foi irrepreensível, mas penso que em palcos como os dos Coliseus se perde um pouco da magia deste notável Ensemble.

CORTEX- III Festival de Curtas-Metragens de Sintra

A edição 2012 do Córtex – Festival de Curtas-Metragens de Sintra, acontecimento produzido pela Associação Cultural e Teatral Reflexo, realiza-se  entre 28 de Novembro e  2 de Dezembro no Centro Cultural Olga Cadaval. A acompanhar, no FB.
O Córtex quer ser, acima de tudo, mais uma alternativa ao escoamento e à proliferação do mercado das curtas-metragens produzidas no nosso país, contribuindo desta forma para algum efeito de destaque e mediatismo no trabalho dos realizadores portugueses. Via.
Na Secção Competição Nacional, destacaria Luz da Manhã, realizado por Cláudia Varejão. Com Beatriz Batarda, Elisa Lisboa e Matilde Colaço.

Evocação de Mário Cesariny [9 Agosto 1923 – 26 Novembro 2006]

Para prestar homenagem ao poeta, autor dramático, ficcionista, crítico, ensaísta, artista plástico e expoente do surrealismo português, deixo aqui um excerto do filme Autografia – Mário Cesariny que o realizador Miguel Gonçalves Mendes apresentou em 2004 no doclisboa, e um poema que Manuel António Pina [18 Novembro 1943 – 19 Outubro 2012] lhe dedicou.

Hoje soube-se uma coisa extraordinária,
que morreste. Talvez já to tenham dito,
embora o caso verdadeiramente não
te diga respeito, e seja assunto nossos, vivo.
Algo, de facto, deve ter acontecido
porque nada acontece, a não ser o costume,
amor e estrume; quanto ao resto
tudo prossegue de acordo com o Plano.
Há apenas agora um buraco aqui,
não sei onde, uma espécie de
falta de alguma coisa insolente e amável,
de qualquer modo, aliás, altamente improvável.
Depois, de gato para baixo, mortos
(lembrei-me disto de repente
agora que voltaste malevolamente a ti)
estamos todos. A gente vê-se um dia destes por Aí.

Lope de Vega – 450 anos do nascimento

Comemoram-se hoje os quatrocentos e cinquenta anos do nascimento de Lope de Vega [1562-1635].
A emissão desta semana do Musica Aeterna, dedicada ao poeta, dramaturgo, fundador da comédia espanhola e um dos mais prolíficos autores da literatura universal, inclúi, para além da leitura de vários poemas seus traduzidos pelo meu amigo José Bento, que acabou de completar oitenta primaveras, uma passagem do “Dom Quixote” de Miguel de Cervantes e repertório de Alonso Mudarra, Pedro Rimonte, Francisco Guerrero, Sebastián de Vivanco, Luys de Narváez, Diego Ortiz, Tomás Luis de Victoria, Antonio de Cabezón, Rodrigo de Ceballos, Antonio Martín y Coll e de autores anónimos, todos contemporâneos de Lope de Vega na Espanha dos séculos XVI e XVII.
O link para o podcast será aqui colocado logo que seja disponibilizado pela Antena 2.
    Atada al mar Andrómeda lloraba,
los nácares abriéndose al rocío,
que en sus conchas cuajado en cristal frío,
en cándidos aljófares trocaba.
    Besaba el pie, las peñas ablandaba
humilde el mar, como pequeño río,
volviendo el sol la primavera estío,
parado en su cénit la contemplaba.
    Los cabellos al viento bullicioso,
que la cubra con ellos le rogaban,
ya que testigo fue de iguales dichas,
    y celosas de ver su cuerpo hermoso,
las nereidas su fin solicitaban,
que aún hay quien tenga envidia en las desdichas.
    Atada ao mar, Andrómeda chorava,
os nácares abrindo-se ao rocio,
que em conchas coalhado em cristal frio,
em cândidos aljófares tornava.
    Beijava o pé, as rochas abrandava
humilde o mar, como um pequeno rio;
o sol tornando a primavera estio,
parado em seu zénite a contemplava.
    Os cabelos ao vento buliçoso,
que a cobrisse com eles lhe rogavam,
já que foi testemunha de iguais ditas;
    ciosas de ver seu corpo tão formoso,
as Nereidas seu fim solicitavam,
que até há quem tenha inveja nas desditas.

Folías de España

Originariamente, la folía era un baile nacido en los ambientes populares de la Castilla de fines del siglo XVI. Los tratadistas de la época lejos de hablar de dicho baile con indiferencia, dada su naturaleza popular, trataron de definirlo en la forma y el fondo. De este modo, Covarrubias en su Diccionario Tesoro de la lengua castellana, publicado en 1611, habla de la folía señalando que:
“Es una çierta dança portuguesa, de mucho ruido porque ultra de ir muchas figuras a pie con sonajas y otros instrumentos”

In Memoriam – Antoine Sibertin-Blanc

Em pouco menos de um ano, Portugal perdeu duas notáveis figuras da nossa cultura, ambas ligados à arte dos sons. Depois do desaparecimento da Professora Maria Helena Pires de Matos em Dezembro de 2011, faleceu hoje o Professor Antoine Sibertin-Blanc que foi, durante muitos anos, Titular do Grande Órgão da Sé de Lisboa. Tive o privilégio de o ver o ano passado na Igreja de Linda-a-Velha, num concerto integrado no XIII Festival Internacional de Órgão de Lisboa. Que descanse em paz.

24ª Edição da Temporada “Música em São Roque”

O Coro do Tejo – Ensemble Studio Contrapuncti fará hoje o Concerto de Abertura do Festival “Música em São Roque”, com obras de Heinrich Schütz (1585-1672) e Arcangelo Corelli (1653-1713).

Clique na imagem para descarregar o Programa.

Na sua 24ª edição, a Temporada “Música em São Roque” volta aos locais da sua origem; a Igreja e Museu de São Roque seguindo, como nas edições anteriores, uma linha de programação que privilegia a ligação estética às características próprias dos locais onde decorrem os concertos, a participação de músicos portugueses ou residentes em Portugal e a divulgação do universo musical português.
A Igreja de São Roque acolhe sobretudo obras para coro e orquestra do período barroco e clássico, nomeadamente de Bach, Schütz , Vivaldi, Charpentier, Haydn, Mozart e de um conjunto de compositores portugueses e brasileiros que nos séculos XVII e XVIII aproximaram a história da música destes dois países, como sejam Marcos Portugal, André da Silva Gomes, Emerico Lobo de Mesquita e José Maurício Nunes Garcia, entre outros.
Assumindo-se como iniciativa dinamizadora da atividade musical da comunidade local, a Temporada Música em São Roque prossegue na sua colaboração com as duas principais escolas de música sediadas na área envolvente; a Escola Superior de Música de Lisboa e a Escola de Música do Conservatório Nacional.
O Museu de São Roque será igualmente palco para um interessante concerto intitulado “Uma viagem através do piano e violino” onde se cruzarão obras tradicionais da música erudita com obras de cariz popular. Via.