Archive for the ‘ Música ’ Category

Alessandro Striggio`s Missa “Ecco si Beato Giorno” in 40 and 60 parts

‎[…] Striggio’s mass is scored for 40 voices for most of its length, but goes into 60 for the final ‘Agnus dei’. This makes it by far the biggest piece written up to that time (around 1566) and it probably gave the cue for Tallis to write his 40-part motet Spem in alium: either the mass itself or Striggio’s own 40-part motet Ecce beatam lucem on which the mass seems to be based. Both the mass and this motet were performed together on a European tour Striggio undertook in 1567, bringing them to London as well as to Paris and Vienna. It is thought that Tallis (and the Duke of Norfolk) heard the London performance and decided to rival the scale of it.

The music for the mass disappeared soon after Striggio’s tour, after which it was only known from contemporary written descriptions, and from the survival of Ecce beatam lucem. The hero of its recent rediscovery is Davitt Moroney, the English harpsichordist, who was acute enough to question a miswritten entry in a library catalogue, thereby stumbling upon the missing music. How one conceals the existence of a piece that at its largest requires 60 separate hand-written parts for more than 400 years is a mystery to me, but that is what happened and I have often wondered how Davitt felt when he realised what he had found. Discoveries like that don’t even come once a lifetime. By his own account he then spent a year writing it out and scoring it up. ‎[…]

Leitura relacionada:
– O artigo completo de Peter Phillips pode ser lido na Spectator.
THE EVOLUTION OF AN ERROR, OR HOW STRIGGIO’S MISSA SOPRA ECCO SI BEATO GIORNO WAS LOST (AND FOUND)

Alessandro Striggio`s Missa “Ecco si Beato Giorno” in 40 and 60 parts

The BBC Singers; The Tallis Scholars | Peter Phillips, Chorus master | His Majestys Sagbutts & Cornetts | Davitt Moroney, conductor.


Parte IIParte IIIParte IV

Rinaldo`s première – 300 years

Rinaldo (HWV 7) is an opera by George Frideric Handel composed in 1711, and was the first Italian language opera written specifically for the London stage. The libretto was prepared by Giacomo Rossi from a scenario provided by Aaron Hill, and the work was first performed at the Queen’s Theatre in London’s Haymarket on 24 February 1711.
The story of love, battle and redemption set at the time of the First Crusade is loosely based on Torquato Tasso’s epic poem Gerusalemme liberata (“Jerusalem Delivered“) in which he depicts a highly imaginative version of the combats between Christians and Muslims at the end of the First Crusade, during the siege of Jerusalem. (Source – Wikipedia)

Giambattista Tiepolo – Rinaldo and Armida in the Garden, c1752

Musica Aeterna – Thomas Hobbes (parte III)

Musica Aeterna, por João Chambers – Sábado 29-01-2011 às 14h00 na Antena 2

A Filosofia moral e política do matemático e teórico inglês Thomas Hobbes e os 350 anos do registo do “Leviatã”, em 30 de janeiro de 1651, pela Sociedade Stationer’s (parte III): as leis da natureza e do contrato social, a vida sob o domínio do soberano, a necessidade de lhe obedecer e a música do contemporâneo Henry Purcell.

Musica Aeterna – Thomas Hobbes (parte II)

Musica Aeterna, por João Chambers – Sábado 22-01-2011 às 14h00 na Antena 2

A Filosofia moral e política do matemático e teórico inglês Thomas Hobbes e os 350 anos do registo do “Leviatã”, em 30 de janeiro de 1651, pela Sociedade Stationer’s (parte II): as limitações do poder de decisão e a necessidade da ciência, a motivação, a condição natural da humanidade e, para além de poesia de William Shakespeare, repertório de Thomas Ford, Thomas Tomkins, William Byrd, John Dowland, Tobias Hume, Richard Alison, Thomas Morley, Robert Johnson, Robert Hales, Anthony Holborne, Peter Philips, cujos quatro séculos e meio do nascimento se assinalam em dia indeterminado deste ano, Christopher Simpson e de autores anónimos, todos contemporâneos na Inglaterra dos séculos XVI e XVII. Via.

Divina Proporção: Relações entre a Arte e a Música ao longo do Tempo

CURSOS ARTE 2011
DIVINA PROPORÇÃO: RELAÇÕES ENTRE A ARTE E A MÚSICA AO LONGO DO TEMPO (DA IDADE MÉDIA AO SÉC. XX)
Horário: 25 Jan, 1, 8, 15, 22 Fev, 1 Março, das 18h30 às 20h30 (inclui coffee-break)
Preço: Curso completo: 120€ / por sessão: 20€
Contactos / Inscrições: Rua Acácio Paiva nº27 r/c 1700-004 Lisboa
Tel.: +351 210 993 660, das 14H às 19H
geral@appletonsquare.pt | http://www.appletonsquare.pt | appletonsquare.blogspot.com/ 

Coordenação/ Formação: Ana Mântua
Ana Anjos Mântua foi membro da equipa do Mosteiro dos Jerónimos/ Torre de Belém e do IPPAR desde 1990. Entre 2004 e 2009 integrou a equipa do Museu Nacional do Azulejo. Em 2007 realizou para a Antena 2 o programa Rádio Clássica em parceria com João Chambers, uma série de 13 programas intitulados “Divina Proporção – a contribuição das artes para o percurso da civilização”.

PROGRAMA

Primeira Sessão
A Música enquanto linguagem: cruzamentos entre as diversas formas artísticas:
A Música e a Literatura
A Música e a Arquitectura
A Música e a Pintura
A Música e as diversas artes
As origens da notação musical e os cruzamentos com os manuscritos iluminados medievais
A Ars antiqua na música, comparada com as criações artísticas dos séculos II a XIV, no caminho iniciado para o Renascimento

Segunda Sessão
A Ars nova: o desenvolvimento do novo estilo iniciado, no século XIV, por Philippe de Vitry, florescente com principal incidência em Itália e em França
As tradições medievais nas Belas-Artes e Arquitectura do Quattrocento
Vestígios da polifonia de origem medieval na Itália dos Humanistas
Sentimentos individuais e sensualidade no Renascimento
O número e a sua ordem: experimentação e cálculo

Terceira Sessão
As Formas Barrocas:
A Itália e o surgimento de um novo estilo contra-reformado
Italianismos e fantasias na corte do Rei-Sol
A Flandres, os Países-Baixos e a Inglaterra de 1600 a 1750
O caso alemão ou o triunfo da razão

Quarta Sessão
O Período Clássico – Música do Iluminismo
O ressurgimento das formas da Antiguidade e a sua reinterpretação
O contributo austríaco
O Império francês

Quinta Sessão
O Romantismo, drama e poesia
O Movimento Nacionalista e o surgimento de um sentimento patriótico
Richard Wagner e a “Obra de Arte Total”

Sexta Sessão
Os inícios do século XX
O Impressionismo
As expressões artísticas anteriores à Segunda Guerra Mundial
As artes após a Segunda Guerra Mundial
Concerto final

Musica Aeterna – Thomas Hobbes

Musica Aeterna, por João Chambers – Sábado 15-01-2011 às 14h00 na Antena 2

A Filosofia moral e política do matemático e teórico inglês Thomas Hobbes e os 350 anos do registo, em 30 de janeiro de 1651, pela Sociedade Stationer’s, do “Leviatã”, livro que explana os seus pontos de vista sobre a natureza humana e a necessidade da existência de governos e de sociedades (parte I): a vida, a obra, as influências intelectuais, a ética, materialismo versus auto-conhecimento e, para além de poesia de Robert Jones e de William Shakespeare, repertório de William Byrd, Alfonso Ferrabosco, “O Pai”, William Mundy, Henry Lawes, John Dowland, William Lawes, John Coprario, Alfonso Ferrabosco, “O Jovem”, Thomas Morley, Anthony Holborne, Christopher Simpson e Peter Philips, de quem se assinalam, em dia incerto do corrente ano, quatro séculos e meio sobre a data do nascimento, todos contemporâneos na Inglaterra dos séculos XVI e XVII. Via.

Performance of Lawes’s magnificent “Dialogue Upon a Kiss” taken from Ayres and Dialogues for One, Two and Three Voyces (1653), Hobbes’s favorite song book.

Reconhecido, com todo o mérito, através de um pensamento vanguardista, Thomas Hobbes possuía uma perspectiva do mundo relevante e bastante original para a vida contemporânea. Na verdade, a sua preocupação principal terá sido a questão das ordens social e política, ou seja, o modo como as populações podiam viver em comunidade, em paz e, ao mesmo tempo, evitar o perigo e os receios de uma guerra civil. Para isso, apresentou alternativas significativas, nas quais se devia prestar obediência a um soberano responsável ou, em alternativa, a uma pessoa ou a um grupo com poder para decidir sobre a totalidade dos assuntos governativos. Caso contrário, o que as esperava era um “estado de natureza” semelhante ao de um conflito urbano gerador de situações de insegurança universal, onde todos julgavam ter razão para temer uma morte violenta e a cooperação gratificante era quase impossível. Via.

Suite No. 1 in G Minor by Hobbes’s contemporary Matthew Locke

Antífona para o Natal

Existem três iniciais identificadas neste manuscrito de data indeterminada e que foi executado por um miniaturista italiano, referido como Maestro Daddesco. No folio 32R, a Natividade com H inicial alude a uma antífona para o Natal.

Um luminoso Monteverdi

As ligações referem-se à série de vídeos dedicados aos Concertos Promenade da BBC, Setembro de 2010.
Claudio Giovanni Antonio Monteverdi,1567 – 1643 – Vespro della Beata Vergine, 1610 / SV 206 | Monteverdi Choir | London Oratory Junior Choir | Schola Cantorum of The Cardinal Vaughan Memorial School | English Baroque Soloists | His Majestys Sagbutts and Cornetts | Conducted by John Eliot Gardiner

Com a devida vénia a Cristina Fernandes, que escreveu a crítica para o Público de 02-12-2010.
Em 2010, comemoram-se quatro séculos da publicação das Vésperas da Beata Virgem, de Monteverdi, em Veneza, pelo que esta obra paradigmática dos inícios do Barroco tem um lugar de destaque nas programações de várias instituições. Em Portugal, contamos com duas interpretações por músicos de alto nível num curto espaço de tempo. A primeira teve lugar na segunda-feira, na Gulbenkian, com o coro La Capella Ducale e o ensemble Musica Fiata, sob a direcção de Roland Wilson, e no dia 8 será possível ouvir a versão do agrupamento La Venexiana, dirigido por Claudio Cavina, no Centro Cultural de Belém.

As Vésperas de Monteverdi são uma obra de transição entre o antigo e o novo, que leva ao ponto mais alto, quer a herança da polifonia renascentista, quer as experiências florentinas e venezianas dos inícios do século XVII (como a monodia acompanhada e a policoralidade). À estrutura litúrgica tradicional do Ofício de Vésperas (com os seus Salmos, Antífonas, Hino e Magnificat), Monteverdi acrescentou quatro “concertos” para vozes solistas e baixo contínuo (por vezes também designados por motetes), onde explora características do novo estilo barroco, e a belíssima Sonata sopra Sancta Maria, onde a melodia de cantochão emerge sobre uma luxuriante textura instrumental.

Cada trecho tem uma constituição vocal e instrumental diversa, mas de uma maneira geral Robert Wilson dividiu os seus 10 cantores em dois coros, de modo a potenciar o jogo da policoralidade. O efeito a esse nível foi discreto e o resultado ganharia com uma acústica com mais ressonância, mas tal só seria possível num espaço mais adequado à música desta época do que o Grande Auditório Gulbenkian. Embora menos exuberante do que as interpretações por agrupamentos italianos, La Capella Ducale e o grupo Musica Fiata ofereceram uma versão luminosa das Vésperas que se foi tornando mais envolvente à medida que a obra avançava. O início tímido, com um Dixit Dominus algo linear e pouco pujante, contrastou com a transparência dos planos sonoros, a energia rítmica e as sedutoras nuances de colorido que caracterizaram o Magnificat no final.

Jan van Bijlert – The Concert, 1635-40

Entre outros belos momentos, destaca-se o Nisi Dominus ou o concerto Audi Coelum, com a solução bem conseguida de colocar o cantor responsável pelo eco fora do palco. Tal como sucedia na época de Monteverdi, os cantores responsáveis pelos solos são os mesmos que fazem as partes corais, demonstrando em geral uma sólida qualidade nas duas vertentes. No entanto, deveriam ter ido mais longe no plano da retórica musical e da relação texto-música. Por exemplo, o dueto de sopranos Pulchra es foi algo superficial e houve passagens (como na Sonata sopra Sancta Maria) com algumas imprecisões ou pequenas dessincronizações rítmicas.

Em compensação, o ensemble Musica Fiata demonstrou virtudes como o brilho da sonoridade dos sopros (trombones e cornetos) e um óptimo trabalho ao nível do baixo contínuo (órgão, chitarroni, harpa dupla, violone e lirone), que não se limitou a uma realização básica de preenchimento da harmonia, mas operou um verdadeiro diálogo com o conjunto e deu destaque à identidade de cada instrumento. Quer pela prestação dos músicos de Robert Wilson, quer pelo poder avassalador da extraordinária música de Monteverdi, a assistência foi tomada pelo entusiasmo no final, aplaudindo longamente em pé.

Cristina Fernandes

Stile Antico – Puer Natus Est

Tudor Music For Advent and Christmas (Stile Antico) – Harmonia Mundi HMU807517
Thomas Tallis – Puer Natus Est, Videte Miraculum | Robert White: Magnificat | John Sheppard: Verbum Caro | John Taverner: Audivi vocem de caelo | William Byrd: Gradualia

Surely the pick of the new CDs for Christmas this year, this exquisitely performed and beautifully planned disc is another winner for Stile Antico, a young, versatile and conductor-less group. They bring together Tallis’s incomplete but richly resonant mass Puer natus est with Byrd’s much tighter, shorter Advent motets from The Gradualia, a satisfying contrast. Then they add Robert White’s expansive Magnificat and Sheppard’s glorious Verbum caro to finish. Sometimes there is an emphasis on sound at the expense of the words, but what a sound: perfectly blended, carefully balanced, its sonorities reaching back effortlessly to conjure up a vanished age of devotion. Via.

Manuscrito de Niccolò Jommelli

Obra de Jommelli descoberta na BNP

Por Cristina Fernandes, Público de 15-Outubro-2010

António Jorge Marques contará hoje, às 18h, numa conferência, o processo de identificação do Laudate pueri a quatro coros, obra inédita do grande compositor italiano identificada há um ano

Enquanto fazia as suas habituais pesquisas na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), o musicólogo António Jorge Marques deparou-se com uma partitura intrigante: um Laudate pueri Dominum a 16 vozes, que indiciava ser uma imponente peça policoral com quatro coros e prevendo o uso de três órgãos, mas que não apresentava indicação de autor. A obra tinha sido catalogada como anónima, uma vez que faltava o primeiro caderno.

Depois de algumas tentativas e hipóteses goradas, os estudos caligráficos comparativos que realizou confirmaram tratar-se de um manuscrito autógrafo do compositor italiano Niccolò Jommelli (1714-1774), uma das grandes figuras da música europeia no período que medeia entre o barroco e o classicismo. Foi também um dos compositores de referência na vida musical portuguesa do século XVIII, chegando a ter um contrato com a corte de D. José. O processo de identificação e a importância deste manuscrito descoberto há um ano serão abordados esta tarde, às 18h, por António Jorge Marques numa conferência na BNP.

“Como faltam as primeiras páginas, das quais costumam constar o autor, a data e o título, o manuscrito passou despercebido durante muito tempo”, disse o musicólogo ao P2. “A recuperação de uma nova obra de Jommelli, considerado na sua época um dos maiores compositores, seria sempre um facto importante, mas neste caso a descoberta torna-se valiosa pelo facto de ser uma peça completamente desconhecida e sem paralelo na produção do autor.” O investigador refere que o catálogo temático incluído por Wolfgang Hochstein em Die Kirchenmusik von Niccolò Jommelli (1984) não menciona qualquer obra para 16 vozes. Esta devia ter sido composta para uma grande ocasião, provavelmente para a Capela Giulia, na Basílica de S. Pedro de Roma, já que Jommelli foi mestre adjunto da instituição entre 1750 e 1753. O cerimonial e os repertórios das capelas pontifícias serviram de modelo à prática musical na Capela Real e Patriarcal de Lisboa, mas estão por esclarecer as condições concretas da chegada desta partitura a Portugal.

Em 1752, D. José I (1750-1777) tentou contratar Jommelli, mas o músico preferiu a proposta do duque de Württemberg, transferindo-se para a corte de Estugarda em 1754. O monarca português acabaria por contratar David Perez, outro expoente da ópera napolitana e da música sacra em meados de Setecentos, conseguindo mais tarde assegurar os serviços de Jommelli à distância. Um contrato assinado em 1769 determinava o envio para Lisboa de várias óperas por ano, incluindo duas novas (uma séria e outra cómica), e de uma série de partituras religiosas, em troca de uma avultada pensão anual. Até à morte de D. José, em 1777, os teatros reais portugueses chegaram a levar anualmente à cena quatro óperas de Jommelli.

Algumas das obras religiosas de Jommelli mantiveram-se no repertório das igrejas de Lisboa até finais do século XIX. No Dicionário Biográfico de Músicos Portugueses, de 1900, Ernesto Vieira refere que ainda se interpretava frequentemente a Missa de Requiem e os viajantes estrangeiros setecentistas mencionam amiúde a audição desta e doutras peças de Jommelli na capital portuguesa.

Para uma possível interpretação do Laudate pueri da BNP seria necessário que um musicólogo ou compositor reconstruísse as primeiras páginas. Para já António Jorge Marques, que é também autor de um monumental catálogo da obra religiosa de Marcos Portugal, tem estado sobretudo absorvido com o estudo do manuscrito original, mas a viabilização da execução poderá ser um passo a dar no futuro.

Laudate pueri Dominum a 16 vozes:

autógrafo de uma obra desconhecida de Niccolò Jommelli (1714-1774) descoberto na BNP

CONFERÊNCIA | 15 Outubro | 18h00 | Auditório BNP | Entrada livre

À data da sua morte o compositor Niccolò Jommelli era considerado um dos maiores compositores vivos, vindo posteriormente a ser consistentemente incluído na plêiade dos mais memoráveis autores do século XVIII. Na ocasião Schubart escreveu: “O maior Pã está morto… Se a riqueza de pensamento, a fantasia cintilante, a melodia inesgotável, a harmonia celestial, o profundo domínio de todos os instrumentos e particularmente da poderosa mágica da voz humana […], se tudo isto combinado com a mais acutilante compreensão da poesia musical constitui o génio, então a Europa perdeu o seu maior compositor.”

Dois anos depois de ter subido ao trono, D. José tentou contratar Jommelli que, por esta altura, já era o mais afamado e o mais inovador compositor de ópera italiana em actividade. No entanto, a proposta do Duque de Württemberg, que incluía um novo teatro, acabou por aliciar o compositor, que se mudou para a Corte de Estugarda em 1754. Durante 15 anos produziu música religiosa econtribuiu para reescrever a história da ópera. Em 1769 e a troco de uma vantajosa reforma, D. José conseguiu finalmente obter os serviços de Jommelli, que entretanto passou a viver em Aversa, Itália. O contrato incluía o envio de obras religiosas, e sobretudo de óperas. Até à morte do Rei em 1777, e com adaptações de João Cordeiro da Silva, os teatros reais portugueses chegaram a levar anualmente à cena quatro óperas suas.

No género sacro, a influência de Jommelli em Portugal ainda está por avaliar, mas foi certamente duradoura. Algumas das suas obras religiosas mantiveram-se no repertório das igrejas até finais do século XIX. O Requiem (Hochstein, A.I.3), obra composta em 1756 para as exéquias da Duquesa de Württemberg, foi a mais importante e paradigmática. Ernesto Vieira, na entrada do seu Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes (1900), escreve: “Executa-se ainda muito frequentemente nas egrejas de Lisboa a missa de requiemlibera-me de Jommelli, composições primorosas no estylo sacro.”

O estatuto de Niccolò Jommelli e os laços históricos que o ligam a Portugal tornam a descoberta deste autógrafo (ainda que incompleto) um acontecimento relevante no contexto dos estudos de música sacra de estilo romano de meados do século XVIII. O caso em epígrafe é particularmente interessante porque se trata de uma obra policoral para 16 vozes e baixo contínuo (com utilização de 3 órgãos) completamente desconhecida e sem paralelo na produção do compositor. O trabalho seminal de Wolfgang Hochstein, Die Kirchenmusik von Niccolò Jommelli (1984), que inclui um catálogo temático, não menciona qualquer obra para 16 vozes.

A razão para a ausência de referências na bibliografia da especialidade prende-se com o facto de o primeiro caderno (4 fólios) se encontrar desaparecido. Em consequência, informações cruciais como o autor, a data e o título da obra, grafadas na página de rosto, perderam-se.

A identificação do autor foi realizada através de estudos caligráficos comparativos. Uma proposta para a génese da obra assim como a sua contextualização na vida e obra de Jommelli serão alguns dos temas abordados.

António Jorge Marques