A Natividade Mística, de Botticelli

Não existe nenhuma evidência documental que comprove se foi seguidor de Savonarola; No entanto, alguns dos trabalhos tardios de Botticelli, como A Natividade Mística, são inspirados nos seus sermões, podendo concluir-se que o artista foi atraído de forma decisiva pelo papel central que Savonarola teve nos meios político e cultural dos finais do século XV.

Tem sido sugerido que A Natividade Mística, o único trabalho existente assinado por Botticelli, foi concebida para as suas devoções privadas, ou para alguém próximo.
Não sendo uma obra convencional, pois os acontecimentos tradicionais do nascimento de Cristo, da adoração dos pastores e dos Reis Magos está ausente, esta obra inspira-se  nas Profecias da Revelação de São João e inclui, simbolicamente, textos em latim e em grego.

Em A Natividade Mística, Botticelli estabelece uma ruptura com o realismo pictórico da época, patente na desproporcionada figura do Menino, obrigando a Virgem Maria a estar inclinada dentro do estábulo.
Sob a inscrição “Glória a Deus nas Alturas e Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade” (Lucas 2:14), os anjos no céu dançam empunhando ramos de oliveira, com os quais coroam os pastores, simbolizando a paz.
Sobre o telhado do estábulo, o Céu, que se abre para revelar o Paraíso, deixa cair algumas coroas douradas.
Os anjos que apontam para o berço seguram a inscrição “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29).
Em baixo, os anjos abraçam os homens, enquanto pequenos demónios emergem das profundezas.

Sandro Botticelli - A Natividade Mística, cerca de 1500

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