Archive for the ‘ Música ’ Category

‘Vespro a 5 voci’, de Giovanni Maria Sabino

Giovanni Maria Sabino [30 Junho de 1588 – Abril 1649],  influente compositor durante o início do período barroco em Veneza, a par do contemporâneo Claudio Monteverdi, foi “o primeiro  compositor napolitano a usar violinos em motetos e a introduzir o uso sistemático de uma voz única, com passos virtuosos, num elaborado baixo contínuo”.


Vespro: Magnificat · Ensemble Barocco Giovanni Maria Sabino · Paolo Valerio

Giovanni Maria Sabino: Vespro a 5 voci | ℗ Digressione Music, 2015

‘Adiós Nonino’, por Inês Vaz

Justamente elogiada por Brad Mehldau pela interpretação do tema “Glam Perfume”, a virtuosa acordeonista Inês Vaz lançou no passado mês de Maio o seu segundo álbum, Pétala, uma proposta de fusão entre música e literatura.


Esta é a peça que fecha o disco, como uma despedida. Um arranjo que me deu um gozo enorme construir… quase uma “manta de retalhos” de dois dos arranjos para orquestra que mais me fascinam. – Inês Vaz

Sons e cores da África do Sul

Levado pela curiosidade que me despertou a análise do Guardian ao último álbum do músico e multi-instrumentista Malcolm Jiyane, cujas paisagens sonoras reflectem os sentimentos de pobreza no Soweto,  arredores de Joanesburgo, deixo o tema Global Warning do álbum True Story, ponto de partida para explorar a nova cena jazzística sul-africana.


‘Gemmulae Evangeliorum’, de Melchior Franck (II)

Na passagem do trecentésimo octogésimo quinto aniversário sobre a morte de  Melchior Franck [Zittau, ca. 1579 – Coburg, 1 Junho 1639], compositor protestante alemão activo durante a transição do Renascimento para o Barroco, que exerceu desde 1603 até ao fim da vida o cargo de Kapellmeister da corte de Coburg. No início da sua formação foi aluno de Hans Leo Hassler.

O trabalho de Franck inclui música sacra em alemão e latim, motetos, salmos e música sacra, como os conhecidos Gemmulae Evangeliorum em quatro partes (também publicados como Provérbios do Evangelho em 1623).

Em 2020, o Ensemble Vocal  Cantus Thuringia, dirigido pelo contratenor Christoph Dittmar reuniu em disco perto de duas dezenas de canções sagradas e motetos no álbum Melchior Franck: Geistliche Gesäng und Melodeyen.


Geistliche Gesäng und Melodeyen: No. 1, Steh auf, meine Freundin
Cantus Thuringia · Capella Thuringia · Lachrimae Consort Weimar

‘Fantasia nº 2’ de Froberger, por Gustav Leonhardt

Na passagem do nonagésimo sexto aniversário sobre o nascimento do Mestre  Gustav Leonhardt [1928-2012], fica a Fantasia nº 2  para cravo do compositor, organista e cravista do barroco alemão Johann Jakob Froberger [1616-1667].


Esta composição é a ultima do cd Gustav Leonhardt plays Froberger, lançado pela  Artemisia em Fevereiro de 2024.

50 anos de ‘Hard Talk’, de Mal Waldron

Gravado ao vivo no dia 4 de Maio de 1974 no Festival  East-West ‘ em Nuremberga, Alemanha, o álbum Hard Talk do pianista e compositor Mal Waldron [1925-2002] contou com a participação de Manfred Schoof  na corneta, Steve Lacy no saxofone soprano,  Isla Eckinger  no contrabaixo e  Allen Blairman na bateria.
Fica o tema que preenche o lado B  do álbum, editado pela Enja Records.


‘Abril a Quatro Mãos’

Grândola Vila Morena · Mário Laginha · Bernardo Sassetti · José Afonso
Álbum: Abril a Quatro Mãos (Grandolas), 2020


‘A London Bridge’, de Milt Jackson

Para gravar  ‘A London Bridge’ ao vivo no mítico clube londrino Ronnie Scott’s  nas noites de 23 e 24 de Abril de 1982,  Milt Jackson [1923 – 1999], excepcional vibrafonista e membro fundador do Modern Jazz Quartet, reuniu um quarteto  que integrava Monty Alexander no piano, Ray Brown no baixo e Mickey Roker na bateria.
Do álbum, que seria lançado apenas em 1988, fica o tema de abertura “Impressions”, escrito por John Coltrane.


‘Deuxième leçon du Vendredi Saint’, de Joseph Hector Fiocco

De Joseph-Hector Fiocco [1703 – 1741], compositor do barroco tardio nascido em Bruxelas numa família de músicos de origem italiana, activo como Mestre do Coro na Catedral de Antuérpia entre 1731 e 1737, período em que escreveu as  Lamentações da Semana Santa, fica o excerto Beth – Filii Sion incliti da 2ª Lição para a Sexta Feira Santa para soprano, violoncelo obbligato e baixo contínuo, dividida em seis partes,pelo Ensemble Bonne Corde .


Álbum: Fiocco: Lamentationes Hebdomadæ Sanctæ – Outhere, 2022
Ensemble Bonne Corde · Diana Vinagre, violoncelo barroco & direcção artística
Ana Vieira Leite, soprano · Hugo Oliveira, barítono · Caroline Kang, violoncelo barroco
Marta Vicente, contrabaixo · Fernando Miguel Jalôto, órgão

 

‘Tudo Isto É Jazz!’, no centenário de Luís Villas-Boas

“Tudo Isto é Jazz!” é o primeiro musical português dedicado ao jazz. Um espectáculo que celebra um duplo centenário: o nascimento de Luís Villas-Boas [26 Mar 1924 – 10 Mar 1999], considerado o “pai” do jazz em Portugal, e o primeiro concerto de jazz efectuado no país por um grupo estrangeiro, ocorrido em 1924 no Teatro da Trindade, em Lisboa.


tudo-isto-eh-jazz


Numa inédita combinação de teatro e música, que promete surpreender e encantar, conta-se a história do jazz, o seu início e progressão em Portugal. Sobem ao palco o ator João Lagarto, a Orquestra do Hot Clube de Portugal, dirigida por Pedro Moreira, e diversos convidados, incluindo as cantoras Maria João, Rita Maria e Sofia Hoffmann, e os músicos Ricardo Toscano, Laurent Filipe, Rão Kyao, Zé Eduardo, Jorge Costa Pinto, António José de Barros Veloso e Gonçalo Sousa, representando três gerações de músicos de jazz portugueses. “Tudo Isto é Jazz!” narra a progressão estética do jazz ao longo do século XX. A Orquestra do Hot Clube desdobra-se em diversos grupos, de duos a nonetos, ilustrando os sucessivos estilos jazzísticos que se foram desenvolvendo, desde o ragtime de Scott Joplin e o swing das grandes orquestras de Benny Goodman e Duke Ellington até ao bebop de Charlie Parker, a bossa nova e o jazz-rock, mas também a produção artística dos primeiros músicos portugueses que se profissionalizaram no jazz.

O espectáculo, realizado no Centro Cultural de Belém a 9 de Fevereiro último, está disponível na RTP Palco. Mais logo, por volta das 23h00, a RTP2 exibe o documentário Luiz Villas-Boas: A Última Viagem.

Teatralmente, João Lagarto dá a conhecer o percurso e o legado de Villas-Boas, figura carismática e polémica que encarna em palco, passando pela sua paixão pelo jazz, a fundação do Hot Clube e do Cascais Jazz, e as muitas histórias caricatas que viveu ao longo de mais de cinquenta anos de dedicação a este género musical. E no ano em que se celebra os 50 anos do 25 de Abril, merecem especial destaque as chamadas jazzofobias, protagonizadas nas décadas de 1920 a 1940 por figuras como Ferreira de Castro, Mário Gonçalves Viana e António Alves Martins, convidando à reflexão sobre um período e regime político em que a dignidade humana não abrangia todos por igual.Espetáculo concebido por João Moreira dos Santos, com encenação de Carlos Antunes, guião dramatúrgico de Fernando Villas-Boas e cenografia e caracterização de Blue. Via.