A página sobre Guillaume Dufay, compositor francês que viveu, talvez, de 1397 a 1474 e, exercendo a sua arte num período de relativa estabilidade harmónica, se destacou mais como um artista completo do que, propriamente, por ser um inovador ousado, foi elaborada a partir do texto gentilmente cedido por João Chambers, que produziu o MUSICA AETERNA – Programa 410 – 10 de Outubro de 2009
Guillaume Dufay (1400-1474) – Kirie, da Missa L’homme armé (a quatro vozes) – The Hilliard Ensemble
“Senhor Francisco Português, que veio para Roma estudar, e presentemente é um bravissimo compositor de Concertos e de música de Igreja, e por ser jovem, é um assombro e canta com gosto inatingível…”
Este elogioso comentário faz parte da legenda do único retrato conhecido de Francisco António de Almeida (c.1702-1755), um dos compositores a quem D. João V financiou os estudos em Roma, onde estreou as suas primeiras oratórias, entre as quais “La Giuditta”, a sua última oratória romana, documenta bem a consideração e o reconhecimento que teve em terras italianas.
Autor da primeira ópera representada em Portugal, La Pazienza di Socrate (1733), é também a Almeida que se deve a bela música da oratória “La Giuditta” ( Lena Lootens, Axel Köhler, Martyn Hill, Francesca Congiu – Concerto Köln, René Jacobs, Harmonia Mundi – 1992). A interpretação de René Jacobs realça a beleza melódica e a variedade de emoções desta obra, tirando também grande partido expressivo do tecido musical.
Estreada em Roma em 1726, cuja partitura, dedicada ao embaixador André Melo de Castro quando Almeida estudava na cidade pontifícia, “La Giuditta” não fica atrás em qualidade e invenção musical de outras oratórias de alguns dos seus contemporâneos mais famosos a nível europeu.
Em Abril de 1728, o compositor encontrava-se já em Lisboa, onde foi apresentada a serenata “Il Trionfo della Virtù”. Um dicionário de músicos portugueses setencentista, da autoria de José Mazza, menciona-o como “organista da Patriarcal”.
Além de La Pazienza di Socrate (1733) compôs ainda as óperas La finta pazza (1735) e La Spinalba (1739), várias obras litúrgicas e, provavelmente, música para as representações populares dos Presépios lisboetas. La Spinalba, que tem sido objecto de várias apresentações modernas, revela um estilo elegante e expressivo que acentua mais o carácter sentimental do libreto do que a sua vertente cómica, lembrando por vezes Pergolesi, cuja Serva Padrona fora escrita seis anos antes.
Cristina Fernandes in “Crónicas Musicais de uma Europa Barroca”, Público/Centro Cultural de Belém, 2006
Os sábados musicais são enriquecidos com o Musica Aeterna, de autoria de João Chambers.
A emissão de hoje é dedicada a Claudio Monteverdi (1567-1643) e a Selva morale e spirituale, a primeira antologia de música sacra a ser publicada após as monumentais “Vésperas” de 1610.
Podcast de 05-09-2009
Do repertório sacro do teórico e homem de leis Johann David Heinichen (1683-1729), uma das grandes figuras do alto barroco alemão, destaco a Missa Nr 11 – Dixit Dominus, datada de 1728 e uma das criações mais tardias de Heinichen.
Esta obra foi executada pela Kammerchor Dresden e dirigida por Hans Christoph Rademann (biografia).
“Estamos habituados a julgar os outros por nós próprios,
e se os absolvemos complacentemente dos nossos defeitos,
condenamo-los com severidade por não terem as nossas qualidades.” Honoré de Balzac
A mais recente versão da opera dramática preferida de Mozart – Idomeneo, chega-nos através da Harmonia Mundi, que tem um mini-site exclusivamente dedicado a esta obra, dirigida por René Jacobs. Solistas: Richard Croft (Idomeneo); Bernarda Fink (Idamante); Sunhae Im (Ilia); Alexandrina Pendatchanska (Elettra); Keneth Tarver (Arbace); Nicolas Rivenq (Gran Sacerdote); Luca Tittoto (La Voce).
A caixa contém 3 cds, um livro e um dvd filmado em Dezembro de 2008 em Paris (Salle pleyel) e Wuppertal, Alemanha (Immanuelskirche).
O making-off está disponível neste canal do YouTube: partes 1 – 2 – 3 – 4 – 5
Nascida em Aix-en-Provence, Hélène Grimaud iniciou os seus estudos musicais no Conservatório da sua cidade natal, prosseguindo-os depois em Marselha, com Pierre Barbizet. Aos doze anos de idade foi admitida no Conservatório Nacional Superior de Música de Paris, onde estudou com Jacques Rouvier, Gyorgy Sandor e Leon Fleischer.
O ano de 1987 foi decisivo na carreira de Hélène Grimaud após a sua apresentação no MIDEM em Cannes. A sua actuação neste evento levou Daniel Barenboim a recomendá-la para tocar com a Orquestra de Paris, seguindo-se uma série de concertos, incluindo a sua estreia no Festival de Piano de La Roque d’Anthéron e um recital em Tóquio.
Desde então, Hélène Grimaud apresenta-se regularmente nos principais centros musicais internacionais com importantes orquestras, incluindo a Filarmónica de Berlim, a Philharmonia Orchestra, a Orquestra do Tonhalle de Zurique, a Filarmónica de São Petersburgo e a Sinfónica da NHK. Actua também regularmente com as principais orquestras dos Estados Unidos da América, incluindo as Filarmónicas de Los Angeles e Nova Iorque, a Orquestra de Filadélfia e as Sinfónicas de São Francisco e Boston. Desde o início da sua carreira, colabora com maestros de craveira internacional.
Em 2002, Hélène Grimaud assinou um contrato de exclusividade com a Deutsche Grammophon, tendo sido lançado recentemente o CD “Reflection” , que inclui obras de Brahms e de Robert e Clara Schumann. As suas anteriores gravações para a DG incluem o disco “Credo” (obras orquestrais e a solo de Beethoven e Pärt), um recital Chopin / Rachmaninov e o Concerto para Piano Nº. 3 de Bartók, com a Orquestra Sinfónica de Londres e o maestro Pierre Boulez. Realizou a sua primeira gravação aos quinze anos de idade, incluindo o seu catálogo anterior obras de Liszt, Ravel, R. Strauss, Rachmaninov, e Gershwin.
Hélène Grimaud recebeu numerosos prémios, tendo sido também reconhecida no seu país, onde foi distinguida com o grau de Oficial da Ordem das Artes e das Letras do Ministério da Cultura de França, em 2002. Mais recentemente, recebeu o prémio“Victoire d’honnuer” nos Victoires de La Musique de 2004.
Hélène Grimaud é autora de dois livros, Variations Sauvages e Leçons Particulières, ambos publicados pelas Editions Robert Laffont. Variations Sauvages foi já traduzido para várias línguas. Ambos os livros obtiveram sucesso em França, figurando nas listas dos mais vendidos.
Em 1999, Hélène Grimaud fundou o Wolf Conservation Center, uma causa que continua a defender. Mais recentemente deu o seu apoio a várias organizações de solidariedade e defesa dos direitos humanos, incluindo a Amnistia Internacional, a International Camp Villa Sans Souci e o Worldwide Fund. Via.
«O Amor é filho de Boémia; nunca conheceu lei alguma; se tu me amas, eu não te amo; se eu te amo, sê cauteloso» Esta sinceridade de Carmen, a mais famosa habanerada história da música – L’amour est un oiseau rebelle que nul ne peut pas apprivoiser… (1º Acto) -, que procura o amor do dia e não o amor da sua vida, foi-lhe tão fatal quanto a fatalidade de viver permanentemente apaixonada. «Quem quer a minha alma? Ela está livre!» Dom José, perde-se de amores por esta cigana sevilhana, que o manipula até ao abismo; A paixão e o ciúme toldam-lhe o espírito de tal forma, que o jovem militar irá tornar-se num assassino. «Não tenho medo de nada. Carmen nunca cederá! nasceu livre e livre morrerá!» A cena final do 4º e último Acto decorre no exterior da Praça de Touros, em dia de Corrida. Carmen, que se enamorara pelo toreador Escamilho, reage com indiferença aos avisos das amigas de que Dom José estava na cidade, como que antecipando o que o destino lhe reserva. Dom José chega para a levar e ela rejeita-o. «Je l’aime et devant la mort même, je répèterais que je l’aime!» O que a desgraçada foi dizer… 😦
Georges Bizet (1838-1875) compôs Carmen com o admirável texto escrito pelos libretistas Meilhac e Halévy, a partir de uma novela publicada por Merimée em 1845 na revista «Dois Mundos». Estreada em Março de 1875 na Ópera Cómica de Paris, onde as críticas foram duríssimas, a popularidade de Carmen tornou-se numa referência das obras musicais inspiradas em Espanha embora, quer Bizet quer os libretistas nunca lá tenham estado. 🙂 Este vídeo pertence à adaptação de Carmen para cinema, realizada por Francesco Rosi há 25 anos – creio que foi num dos ciclos de cinema no Fórum Picoas que a vi…
O mestre-organista Dietrich Buxtehude foi um dos maiores expoentes do período barroco alemão. Na cidade alemã de Lübeck, onde viria a morrer em 9 de Maio de 1707, com 70 anos de idade, Buxtehude exerceu as funções de Werkmeister e organista da Marienkirche desde 1668.
Bach e Handel visitaram Buxtehude
Em 1703, Buxtehude foi visitado pelo jovem virtuoso Handel, já reconhecido como um excelente artista. Dois anos mais tarde, Bach viajou para Lübeck na esperança de ouvir a famosa Abendmusiken (música nocturna) tocada por Buxtehude, com quem passou os meses seguintes a aprender a técnica – Albert Schweitzer fez notar as semelhanças de tratamento de Bach e Buxtehude no Prelúdio CoralEin’ feste Burg ist unser Gott.
Escrito em 1727 para a coroação do Rei George II e da Rainha Carolina, Zadok the Priest é um dos quatro hinos compostos por Handel para o efeito e o único que, até hoje, tem sido tocado em todas as cerimónias de coroação em Inglaterra.
Em Zadok the Priest, Handel parafraseia textos da Bíblia do Rei James, sobre a consagração de Salomão – A Rainha Bathsheba implora ao Rei David, às portas da morte, que entregue a coroa a seu filho, Salomão.
Escrito para coro e orquestra, o hino inicia-se com uma tensão crescente entre instrumentos até à entrada do coro, com grande intensidade dramática. Que tal, ouvir “Rejoicing”, “God save the King” e “Alleluia” como prelúdio da Meia-Final da Liga dos Campeões entre Arsenal e Manchester United? 🙂
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Jos d’Almeida
Jos d'Almeida é um compositor de música electrónica épico sinfónica, podendo este género ser também designado como Electrónico Progressivo. Na construção de um som celestial, resultante da fusão de várias correntes musicais, JOS utiliza os sintetizadores desde o início dos anos 80.
Chuck van Zyl
Chuck van Zyl has been at his own unique style of electronic music since 1983. His musical sensibilities evoke a sense of discovery, with each endeavor marking a new frontier of sound.