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Frans Brüggen [1934-2014]: o maestro que ressuscitou a flauta de bisel

Depois de ter revelado ao mundo como a flauta de bisel podia ser um instrumento fascinante, Brüggen converteu-se num mestre que inspirou gerações de instrumentistas e num dos mais admirados maestros especializados na música do Barroco e do Classicismo.

Por Cristina Fernandes, Público de 15 Agosto 2014

Figura chave na redescoberta da flauta de bisel no século XX e brilhante maestro no âmbito do repertório barroco e clássico, o holandês Frans Brüggen (1934-2014) faz parte da geração de ouro que impôs definitivamente o movimento da música antiga interpretada em instrumentos de época de acordo com as práticas de execução históricas no panorama internacional. No próximo dia 30 de Outubro, Brüggen tencionava celebrar o seu 80.º aniversário com a Orquestra do Século XVIII, agrupamento que fundou em 1981 e que protagonizou muitas das suas inesquecíveis gravações dedicadas a compositores como Bach, Rameau, Haydn, Mozart e Beethoven, mas a morte acabaria por surpreendê-lo esta quarta-feira, em Amesterdão, a sua cidade natal.


Frans Brüggen plays J.S.Bach and G.F.Händel, works for Recorder and Traverso (Traversflöte – German flute). With Anner Bijlsma (Barockvioloncello), Gustav Leonhardt & Bob Van Asperen (Harpsichord/organ)

Pioneiros como Arnold Dolmetsch ou Wanda Landowska tinham aberto o caminho, mas foi com personalidades como Nikolaus Harnoncourt, Gustav Leonhardt, Anner Bylsma, os irmãos Kuijken ou o próprio Frans Brüggen que a corrente que viria a ser designada como “interpretação historicamente informada” ganhou a partir da década de 1950 os alicerces que a fizeram explodir em múltiplas direcções. Para além dos princípios gerais que implicavam o estudo dos tratados antigos, estilos e práticas interpretativas, assim como dos contextos que deram origem às obras, vários destes músicos tiveram papéis fundamentais na reabilitação de instrumentos que tinham ficado no esquecimento ao longo de quase dois séculos ou que entretanto tinham sofrido modificações. É o caso de Leonhardt no caso do cravo ou de Bylsma no âmbito do violoncelo barroco, ambos amigos e parceiros de Brüggen em interpretações notáveis do repertório barroco. Frans Brüggen foi o primeiro músico a obter um diploma em flauta de bisel no Muzieklyceum de Amesterdão. Foi aluno de Kees Otten, que tinha sido discípulo de Karl Dolmetsch (pioneiro na redescoberta do instrumento no século XX) e especializou-se também nas versões históricas da flauta traversa, domínios que combinou com estudos no campo da musicologia na Universidade de Amesterdão.


Telemann Fantasie (Frans Brüggen on his famous Bressan Treble recorder (1967)

Durante as décadas de 1960  e 1970 acabaria por se converter na primeira estrela internacional da flauta de bisel, um instrumento que antes era visto como limitado e que ainda hoje é por vezes considerado apenas como uma ferramenta didáctica para crianças.

Brüggen não só devolveu a nobreza de estatuto à flauta de bisel como deu a conhecer ao mundo o seu fascinante repertório da Renascença e do Barroco em interpretações marcadas por uma impressionante agilidade e fluência técnica, meticulosas articulações e variedade de ataques e por uma infinidade de nuances expressivas. A preocupação pelo rigor histórico aliava-se ao seu talento artístico, bem como às capacidades pedagógicas e ao lendário entusiasmo que incutia aos seus alunos, com impacto em várias gerações de músicos. Brüggen foi professor no Real Conservatório de Haia, Erasmus Professor na Universidade de Harvard e Regents Professor na Universidade de Berkeley e interessou-se também pela música contemporânea. Chegou a fundar um grupo de vanguarda em 1972 (Sourcream) e encomendou várias obras para flauta, das quais a mais conhecida é Gesti (1966), de Luciano Berio.

A carreira de Brüggen como flautista solista começou a ficar em segundo plano à medida que crescia o seu interesse pela direcção de orquestra, domínio onde atingiu igualmente uma elevada estatura. Um passo decisivo foi a criação da Orquestra do Século XVIII em 1981, um projecto nascido em conjunto com o musicólogo Sieuwert Verster. Formada por membros de 22 países diferentes, rapidamente atingiu grande notoriedade intenacional graças às digressões anuais e ao contrato discográfico com a Philips. Inicialmente o repertório incidia principalmente no Barroco (Purcell, Bach, Rameau), mas rapidamente se estendeu ao Classicismo (Haydn, Mozart) e aos primórdios do Romantismo (Beethoven, Schubert e Mendelssohn). As suas excelentes gravações podem também encontrar-se em etiquetas como a Harmonia Mundi e a Glossa. Juntamente com os registos como solista e músico de câmara formam um legado imponente de mais de cem discos e revelam o característico gosto de Brüggen pelo detalhe e pela transparência, mas também o seu carisma, energia e inteligência musical.

Como maestro convidado, Frans Brüggen dirigiu diversas formações de primeiro nível como Orquestra do Real Concertgebouw, a Orquestra da Idade do Iluminismo (da qual foi maestro convidado principal), a Orquestra de Câmara da Europa, Sinfónica de Birmingham, a Orquestra do Tonhalle de Zurique, e as Filarmónicas de Roterdão, Israel, Oslo, Hamburgo, Viena e Estocolmo, entre outras. Deixou também a sua marca no Coro Gulbenkian, que estabeleceu uma frutuosa colaboração com a Orquestra do Século XVIII na década de 1990, da qual resultaram diversas digressões conjuntas (com actuações na Holanda, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Holanda, Japão e China) e gravações como a Nona Sinfonia, de Beethoven, e A Criação, de Haydn.

 

300 anos do nascimento de Carl Philipp Emanuel Bach

A emissão do Musica Aeterna dedicada aos hoje assinalados 300 anos do nascimento de Carl Philipp Emanuel Bach pode ser escutada na Antena 2 no próximo domingo 9 de Março, entre as 10h00 e as 12h00.

CLIQUE NA IMAGEM PARA OUVIR O PODCAST
Músico e compositor alemão, segundo filho de Johann Sebastian Bach e Maria Barbara Bach, Carl Philipp Emanuel Bach [8 Março 1714 – 14 Dezembro 1788] ingressou com dez anos na Escola de São Tomé em Leipzig, onde o pai em 1723 se havia tornado cantor. Continuou depois a sua educação como estudante de jurisprudência nas universidades de Leipzig, mas em 1738, depois da sua graduação, passou a dedicar-se definitivamente à música.
Foi um dos compositores mais influentes em sua geração. De 1740 a 1768 esteve em Berlim, a serviço da corte de Frederico, o Grande.
Em 1768, C.Ph.E. Bach sucedeu ao seu padrinho Georg Philipp Telemann como mestre de capela em Hamburgo, e, em consequência do seu novo ofício, passou a dedicar-se com mais atenção à música sacra. A sua obra inclui oratórias, pelo menos três volumes de canções, várias sinfonias e música de câmara. Durante o período que esteve em Berlim escreveu um conjunto de Magnifcat em que aparecem traços da influência de seu pai, uma Cantata de Páscoa e algumas cantatas seculares. Nessa época ele era um dos mais habilidosos e reconhecidos executantes de instrumentos de teclas da Europa. O clavicórdio, o instrumento da sua preferência, sofreu uma breve queda na sua popularidade na Alemanha, em meados do século XVIII, antes de ser de facto suplantado gradualmente pelo pianoforte.
Durante a segunda metade do século XVIII, a reputação de C.Ph.E. Bach permaneceu muito alta. Mozart disse a seu respeito, “Ele é o pai, nós somos os filhos”. A maior parte da formação de Haydn derivou de um estudo da sua obra. Beethoven expressou acerca dele a mais cordial admiração e respeito. Isto deve-se principalmente às suas Sonatas para cravo, que marcam uma época importante na história da forma musical.
Carl Philip Emanuel Bach participou intensamente do movimento musical de seu tempo, contribuindo para a criação de um estilo musical que se foi afastando cada vez mais do Barroco.
Considerado o fundador e precursor do estilo clássico na música erudita, C.Ph.E. Bach morreu em Hamburgo em 14 de dezembro de 1788.
Texto de Luís Ramos

Musica Aeterna – 450 anos sobre o nascimento de Galileu

Emissão do Musica Aeterna, destinado a comemorar os quatrocentos e cinquenta anos do nascimento de Galileu Galilei [15 de Fevereiro de 1564 – 8 de Janeiro de 1642], físico, matemático e astrónomo de importância fundamental na revolução científica do século XVII, acompanhado de poesia, traduzida por Vasco Graça Moura, de Dante Alighieri extraída da “Divina Comédia”, versando a chegada ao céu da Lua e a teoria das manchas lunares e das influências celestes, e repertório de Giorgio Mainerio, Giulio Caccini, Luca Marenzio, Claudio Merulo, Andrea Gabrieli, Girolamo Frescobaldi, Benedetto Ferrari, Claudio Monteverdi, Emilio de’Cavalieri, Jacopo Peri, Carlo Gesualdo, Gregorio Allegri, Marco da Gagliano, Giovanni Rovetta e Francesco Cavalli, todos contemporâneos de Galileu na Península Itálica dos séculos XVI e XVII.

“Mede o que é mensurável e torna mensurável o que não o é!”

Os 450 anos do nascimento de Galileu Galilei

Clique na imagem para ouvir o programa

Jim Hall [1930-2013]

Partiu um dos mais importantes guitarristas da cena jazz, cujo estilo influenciou músicos como Bill Frisell e Pat Metheny, com quem gravou um álbum de originais em 1999, pleno de tons suaves.
Durante a sua longa e aclamada carreira, Jim Hall colaborou com alguns dos monstros do jazz como Sonny Rollins, Ornette Coleman, Paul Desmond, Bill Evans, Jimmy Giuffre ou Ron Carter. Acompanhou ainda Ella Fitzgerald no início da década de sessenta.


Duncan Mackay

Nascido em Leeds a 2 de Julho de 1950, o músico inglês Duncan Mackay foi considerado um promissor violinista com apenas 11 anos de idade, mas seria nos teclados que viria a distinguir-se, após concluir os estudos no final dos anos 60.
Em 1974 lançou o seu primeiro LP  “Chimera” – voz, órgão  Hammond B3 , piano eléctrico e sintetizador ARP; No ano seguinte colaborou com a banda Steve Harley & Cockney Rebel no hit  Come Up And See Me (no vídeo, Mackay tem semelhanças com Elton John), e em 1977 lança o seu segundo trabalho prog-rock “Score”, com a colaboração de nomes como John Wetton  Mel Collins, tendo com este último participado em projectos das bandas King CrimsonAlan Parsons Project e Camel.
Com “Visa”,  o trabalho de Mackay atinge na década de 80 um grau de depuração que o torna merecedor de integrar o lote dos mais reconhecidos compositores de música electrónica.

Do álbum Chimera, 1974

Do álbum Score, 1977

Do Álbum Visa, 1980

“1996” – Ryuichi Sakamoto – Recital Multimédia

29 de Novembro, 21h30 | Escola de Música do Conservatório Nacional | Entrada/Donativo
“Ryuichi Sakamoto é não só um dos compositores contemporâneos mais solicitados, como provavelmente o mais versátil. As bandas sonoras que concebeu para filmes como “O Último Imperador”, “Babel” ou “O Monte dos Vendavais” e uma selecção de obras compostas posteriormente, foram reunidas no trabalho discográfico “1996”, para piano, violino e violoncelo, e apresentado em duas digressões mundiais de sucesso marcante no percurso deste músico.
Criado para a apresentação desta obra e formado pelo pianista João Vasco, o violinista Pedro Lopes e a violoncelista Sofia Gomes, o grupo “e n s 3 m b l e” propõe a apresentação deste concerto em formato multimédia, com a projecção de vídeos concebidos para cada uma das obras de “1996”.
Sintética e harmoniosamente, “1996” reflecte as influências e o amplo universo estético que Sakamoto alcança: de Debussy a Schumann, de Steve Reich à música tradicional japonesa, do depurado tratamento melódico à rarefacção do minimalismo surpreendente.”
ENS3MBLE:
JOÃO VASCO piano e concepção multimédia  | PEDRO LOPES violino | SOFIA GOMES violoncelo
The Sheltering Sky Theme | Sakamoto / e n s 3 m b l e

e n s 3 m b l e

In Memoriam – Montserrat Figueras [1942-2011]

Díaspora Sefardí | Romances & Música instrumental – Alia Vox AV 9809 A+B [CDx2]
Montserrat Figueras, canto | Dirección: Jordi Savall
Ensemble Hespèrion XXI:
Montserrat Figueras (voice), Yair Dalal (oud), Ken Zuckerman (lute, sarod), Pedro Memelsdorf (recorders), Begoña Olavide (psaltery, qanun) Andrew Lawrence-King (arpa doppia), Edin Karamazov (medieval lute), Arianna Savall (medieval harp), Jordi Savall, (lira, viola, rebab), Xavier Díaz (renaissance lute), Pedro Estevan (percussion)] – Jordi Savall, dir.

Suite Vocal para a Igreja de São Nicolau

24 de Novembro às 16h00 – Igreja de S. Nicolau, Lisboa. Entrada livre.
Um visita musical ao património da Igreja de S. Nicolau. O Dr. Luís Farinha Franco irá apresentar as obras de arte da igreja e o Ensemble Vocal Introitus interpretará peças vocais alusivas aos diversos temas abordados.

Ludovice Ensemble – 2as Vésperas Solenes para o Nascimento de São João Baptista ca.1760

Um programa que procura reconstruir a dimensão sonora da célebre Capela de São João Baptista da Igreja de São Roque, encomendada por D. João V em 1742, e criada por Nicola Salvi, Luigi Vanvitelli, João Frederico Ludovice, Agostino Masucci, Mattia Moretti, entre outros. Este concerto pretende apresentar uma componente essencial e até aqui negligenciada desta verdadeira e incomparável Obra de Arte Total.
O Programa, que pode ser consultado aqui, inclui música de Pedro António Avondano (1714-1782), António Teixeira (1707-1774), Antonio Tedeschi (1702-1770), Giovanni Giorgi (ca.1700-1762) e Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594).
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Ludovice Ensemble:
Solos: Eduarda Melo, soprano | Lisa Tavares, alto | Fernando Guimarães, tenor | Hugo Oliveira, baixo
Replenos: Mónica Monteiro, soprano | Fátima Nunes, alto | João Rodrigues, tenor | Armando Possante, baixo & chantre
Instrumentos: Reyes Gallardo & Miriam Macaia, violinos | Diana Vinagre, violoncelo | Joana Amorim, flauta traversa | Mélodie Michel, fagote | Paulo Guerreiro & Laurent Rossi, trompas naturais
Fernando Miguel Jalôto, órgão e direcção

Franz Schubert, por Andreas Staier

Na passagem de mais um aniversário do desaparecimento do genial compositor austríaco, que morreu neste dia em 1828, com apenas 32 anos de idade.

Franz Schubert [31 January 1797 – 19 November 1828] – Sonata in A Major D 959
Andreas Staier, ANDREAS STAIER, Pianoforte Conrad Graf, 1824 (n. 1041)
Live recital, 12 Giugno 1996, Firenze, Accademia B. Cristofori – Prima parte