Archive for the ‘ Jazz ’ Category

‘The Great Pretender’, de Lester Bowie

Buck Ram [1907-1991] escreveu duas canções para o agrupamento vocal The Platters que foram imortalizadas por inúmeros intérpretes ao longo das últimas décadas, Only You e The Great Pretender. Gosto muito da versão de Freddie Mercury mas hoje é de dia de celebrar a fenomenal adaptação de Lester Bowie [1941-1999], que completaria neste dia 11 de Outubro 82 anos.


Lester Bowie, trompete | Hamiet Bluiett, saxofone barítono | Donald Smith, piano | Fred Williams, baixo eléctrico |
Phillip Wilson, bateria | Fontella Bass e David Peaston, vozes

Gravado em Junho de 1981 no Tonstudio Bauer, Alemanha.

Back to Monk (II)

Regresso a Thelonious Monk, nascido neste dia 10 de Outubro em 1917,  com Well You Needn’t  – Live At The Jazz Workshop, 1964 (editado pela Columbia Records em 1982).


Thelonious Monk, piano |  Charlie Rouse, saxofone tenor |  Larry Gales, contrabaixo |  Ben Riley, bateria

‘Things Are Getting Better’ com o vibe de Milt Jackson

No dia de mais um aniversário sobre o desaparecimento de Milt Jackson [1 Janeiro 1923 – 9 Outubro 1999], vibrafonista de excepção e membro fundador do Modern Jazz Quartet, a composição Things Are Getting Better de Cannonball Adderley [1928-1975], que deu o título ao álbum gravado em Nova Iorque a 28 de Outubro de 1958 e editado pela Riverside.


Cannonball Adderley, saxofone alto | Milt Jackson, vibrafone | Wynton Kelly, piano | Percy Heath, contrabaixo | Art Blakey, bateria

‘When Lights Are Low’, de John Coltrane

Em meados de 1961, depois de gravar Africa/Brass, John Coltrane e Eric Dolphy tiveram uma curta residência artística no clube Village Gate em Greenwich Village.  Da gravação ao vivo do álbum Evenings at the Village Gate: John Coltrane with Eric Dolphy  no clube nova-iorquino,  reeditada agora pela Impulse na passagem do quinquagésimo sexto aniversário da morte de Coltrane, fica a interpretação do tema When Lights Are Low de Benny Carter.


‘Minor Swing’, de Django Reinhardt

No dia em que passam 70 anos sobre a morte de Django Reinhardt [1910 – 1953], fica a música ‘Minor Swing’ (1937) que compôs com Stéphane Grappelli [1908 – 1997].
Para evocar a sua memória, deixo ainda a sugestão para este artigo da  France Musique sobre alguns aspectos menos conhecidos da vida do pai do jazz cigano.


‘La Ronde Suite’, de Modern Jazz Quartet

Fundado em 1952, o Modern Jazz Quartet teve em John Lewis [1920-2001] – piano e direcção musical – e Milt Jackson [1923-1999] no vibrafone os principais elementos da formação. Acompanhados pelo contrabaixo de Percy Heath [1923-2005] e pela bateria de Kenny Clarke [1914-1985], gravaram em três sessões – entre 1953 1955 – o álbum “Django“, do qual fica aqui a composição La Ronde Suite (John Lewis), gravada na segunda sessão, neste dia 9 de Janeiro em 1955.


‘On Green Dolphin Street’, de Miles Davis

Pouco antes do Natal de 1965, a composição do segundo Quinteto de Miles Davis, que incluía Herbie Hancock no piano acústico, Ron Carter no baixo, Tony Williams na bateria e Wayne Shorter a substituir George Coleman no saxofone tenor, gravou uma série de oito discos ao vivo no Clube Plugged Nickel de Chicago.
Do terceiro set, gravado neste dia 23 de Dezembro, fica o standard de 1947, On Green Dolphin Street.


‘All The Things You Are’- Modern Jazz Quartet

John Lewis [1920-2001], membro fundador e director musical do Modern Jazz Quartet, foi o autor de All The Things You Are, tema de abertura do álbum MJQ, gravado neste dia 22 de Dezembro em 1952, precisamente há 70 anos.


Milt Jackson, vibrafone · John Lewis, piano · Percy Heath, contrabaixo · Kenny Clarke, bateria

‘Moon Child’, de Pharoah Sanders

Do saxofonista Pharoah Sanders [1940-2022] que nos deixou a 24 de Setembro último, o tema ‘Moon Child’, a única composição de sua autoria que integra o álbum homónimo, gravado neste dia 12 de Outubro em 1989 e lançado pela editora holandesa Timeless Records.


Jazz com passado e futuro

O disco de estreia do pianista João Pedro Coelho é uma maravilhosa surpresa.
Nuno Catarino, Ípsilon de 7 de Outubro de 2022
Crónicas – João Pedro Coelho (2022)



Um dos momentos mais brilhantes no jazz português recente foi a edição do disco de estreia do quarteto de Ricardo Toscano. Nessa gravação, editada pela imparável Clean Feed, ouvíamos não apenas o fervilhante líder saxofonista, em notável forma, mas também os seus acompanhantes, três jovens músicos que se exibiam a um nível muito alto. Um dos membros desse aplaudido quarteto é o pianista João Pedro Coelho. Nascido em 1993, é licenciado em jazz pela Universidade Lusíada e pelo Conservatório de Amesterdão e tem acompanhado músicos e projectos como Elas e o Jazz, Nelson Cascais, André Fernandes, Afonso Pais, João Espadinha e Marta Garrett (no duo Canções da Ilha Deserta) e integra o Trio de Jazz de Loulé.
Coelho apresenta neste seu registo de estreia como líder um conjunto de 11 composições originais, interpretadas em trio. O pianista surpreende ao não se fazer acompanhar por talentos emergentes da sua geração.
Escolheu trabalhar com dois músicos veteranos da cena nacional: o contrabaixista Bernardo Moreira e o baterista André Sousa Machado. Começou por escreveu as composições num processo solitário ao piano e o trio desenvolveu e transformou a música num processo colectivo, durante uma residência artística em Valença, tendo depois seguido para estúdio gravar em Novembro de 2021).
Sendo que o quarteto de Toscano evoluiu sobre a herança coltraneana (e eram lendárias as sessões do grupo a interpretar A Love Supreme), o pianista cresceu com a necessidade de criar estruturas sólidas e fortes, do mesmo modo que McCoy Tyner fazia um som cheio para Coltrane. Mas, neste disco, João Pedro Coelho mostra não se acomodar como simples herdeiro/sucedâneo do “real McCoy”, vai às suas origens e revela os (muitos) mundos que o rodeiam e inspiram. Desde logo, será impossível que qualquer pianista ligado ao jazz em Portugal não carregue a herança de três mestres: Bernardo Sassetti, Mário Laginha e João Paulo Esteves da Silva.