Archive for the ‘ Jazz ’ Category

Jazz com passado e futuro

O disco de estreia do pianista João Pedro Coelho é uma maravilhosa surpresa.
Nuno Catarino, Ípsilon de 7 de Outubro de 2022
Crónicas – João Pedro Coelho (2022)



Um dos momentos mais brilhantes no jazz português recente foi a edição do disco de estreia do quarteto de Ricardo Toscano. Nessa gravação, editada pela imparável Clean Feed, ouvíamos não apenas o fervilhante líder saxofonista, em notável forma, mas também os seus acompanhantes, três jovens músicos que se exibiam a um nível muito alto. Um dos membros desse aplaudido quarteto é o pianista João Pedro Coelho. Nascido em 1993, é licenciado em jazz pela Universidade Lusíada e pelo Conservatório de Amesterdão e tem acompanhado músicos e projectos como Elas e o Jazz, Nelson Cascais, André Fernandes, Afonso Pais, João Espadinha e Marta Garrett (no duo Canções da Ilha Deserta) e integra o Trio de Jazz de Loulé.
Coelho apresenta neste seu registo de estreia como líder um conjunto de 11 composições originais, interpretadas em trio. O pianista surpreende ao não se fazer acompanhar por talentos emergentes da sua geração.
Escolheu trabalhar com dois músicos veteranos da cena nacional: o contrabaixista Bernardo Moreira e o baterista André Sousa Machado. Começou por escreveu as composições num processo solitário ao piano e o trio desenvolveu e transformou a música num processo colectivo, durante uma residência artística em Valença, tendo depois seguido para estúdio gravar em Novembro de 2021).
Sendo que o quarteto de Toscano evoluiu sobre a herança coltraneana (e eram lendárias as sessões do grupo a interpretar A Love Supreme), o pianista cresceu com a necessidade de criar estruturas sólidas e fortes, do mesmo modo que McCoy Tyner fazia um som cheio para Coltrane. Mas, neste disco, João Pedro Coelho mostra não se acomodar como simples herdeiro/sucedâneo do “real McCoy”, vai às suas origens e revela os (muitos) mundos que o rodeiam e inspiram. Desde logo, será impossível que qualquer pianista ligado ao jazz em Portugal não carregue a herança de três mestres: Bernardo Sassetti, Mário Laginha e João Paulo Esteves da Silva.

‘Tetragon’, de Joe Henderson

Do período em que saxofonista tenor norte-americano Joe Henderson [1937-2001] gravou para a Blue Note, entre 1963 e 1968, é de assinalar o magnífico solo em ‘Song for My Father‘ de Horace Silver (1964). 
De Tetragon (1968), que Henderson gravou para a Milestone em duas sessões, a 27 de Setembro de 1967 e 16 de Maio de 1968, respectivamente, fica a composição que empresta o título ao álbum e que foi gravada há precisamente 55 anos.


Joe Henderson, sax tenor | Ron Carter, contrabaixo | Kenny Barron, piano | Louis Hayes, bateria

‘Waltz For Debby’, de  Oscar Peterson

Quando passam sessenta anos de Affinity, álbum de estúdio que o Oscar Peterson Trio gravou em três sessões para a Verve entre 25 e 27 de Setembro de 1962, ano da edição de Very Tall com Milt Jackson, o virtuoso pianista canadiano Oscar Peterson (1925-2007) revisita o standard de Bill Evans, Waltz for Debby, tema que abre o lado A do álbum.


65º aniversário da gravação de ‘Blue Train’, de John Coltrane

Em 15 de Setembro de 1957, John Coltrane reuniu no estúdio de Rudy Van Gelder em Nova Jérsia um sexteto com Lee Morgan no trompete, Curtis Fuller no trombone, Kenny Drew no piano, Paul Chambers no baixo e Philly Joe Jones na bateria para gravar Blue Train.
Para comemorar o 65º aniversário, a Blue Note lança hoje uma edição especial em vinyl com capa de luxo, com base na matriz analógica do álbum original; Uma segunda edição especial fará parte da Tone Poet Audiophile Vinyl Reissue Series, acompanhada de um livro com fotografias de Francis Wolff.


 

Go! de Dexter Gordon

O saxofonista Dexter Gordon [1923-1990] reuniu um elenco de luxo para gravar Go! nos Estúdios Van Gelder, em 27 Agosto 1962, precisamente há 60 anos.
Fica o tema ‘Love for Sale’ composto por Cole Porter.


Butch Warren, contrabaixo | Billy Higgins, bateria | Sonny Clark, piano | Dexter Gordon, saxofone

‘Live At The Village Vanguard – Unissued Tracks’

Composto por Arthur Schwartz [1900-1984], o tema ‘Dancing in the Dark’ faz parte do álbum ‘Live At The Village Vanguard – Unissued Tracks’, lançado em Janeiro de 2022 pela editora japonesa Somethin’ Cool.
Gravado ao vivo em Dezembro de 1990, foi interpretado por um trio de excelência composto pelo pianista Geri Allen [1957-2017], pelo baterista Paul Motian [1931-2011] e pelo contrabaixista Charlie Haden [1937-2014] que hoje completaria 85 anos se fosse vivo.


‘Miles & Monk at Newport’ (III)

O duplo álbum Miles & Monk at Newport combina actuações ao vivo de Miles Davis (1958) e Thelonious Monk (1963) no Newport Jazz Festival, das quais resultaram gravações a 3 de Julho dos respectivos anos. Do primeiro LP, fica a composição ‘Straight, No Chaser’, interpretada pelo sexteto que no ano seguinte gravou Kind of Blue.


Miles Davis, trompete | Cannonball Adderley, sax alto | John Coltrane, sax tenor
Wynton Kelly, piano | Paul Chambers, baixo | Jimmy Cobb, bateria

‘Concorde’, de Modern Jazz Quartet

Escrita pelo vibrafonista Milt Jackson [1923-1999], elemento fundador do Modern Jazz Quartet, a composição “Ralph’s New Blues” é o primeiro tema do lado A do álbum Concorde, gravado a de 2 de Julho de 1955 nos estúdio de Van Gelder em Nova Jérsia, e lançado nesse ano pela Prestige.


Milt Jackson, vibrafone – John Lewis, piano – Percy Heath, contrabaixo – Connie Kay, bateria

‘Let Us Go Into the House of the Lord’, de Pharoah Sanders

O octogenário Pharoah Sanders  é uma lenda do saxofone tenor. Acompanhou a fase mais vanguardista de John Coltrane durante a década de 60 e, após a morte do génio em 1967, colaborou com Alice Coltrane até 1970, ano em que gravaram ‘Journey in Satchidananda’.
Ainda nesse ano, mais precisamente a 1 de Julho, gravou para a Impulse ‘Summun, Bukmun, Umyun’ nos estúdios A&R em Nova Iorque. O tema que dá o título ao álbum é uma orgia musical mas hoje prefiro partilhar ‘Let Us Go Into the House of the Lord’, uma composição mais espiritual.


‘Point of Departure’, de Andrew Hill

Após Black Fire (1963), o álbum de estreia na Blue Note onde gravou durante toda a década de 60, o compositor e proeminente pianista Andrew Hill [30 Junho 1931- 20 Abril 2007] reuniu em Março de 1964 um notável sexteto no estúdio de Van Gelder em Nova Jérsia para gravar Point of Departure, que seria lançado apenas no ano seguinte.

Composto pelo saxofone tenor Joe Henderson [24 Abril 1937 – 30 Junho 2001] e pelo trompetista Kenny Dorham [1924-1972], os restantes três elementos do agrupamento,  Eric Dolphy (sax alto), Richard Davis (contrabaixo) e Tony Williams (bateria) tinham gravado em Fevereiro Out To Lunch!, o legado de Eric Dolphy [1928-1964] à Blue Note.