Pouco se sabe de Tomás Luis de Victoria (1548-1611), assumindo-se que, com excepção de um período da juventude em que foi enviado para Roma e onde rapidamente foi reconhecido como sucessor de Palestrina, teria passado a maior parte da vida direccionado para a espiritualidade, num mosteiro da sua Espanha natal.
Da sua obra, composta na totalidade por música sacra, escolho para esta Sexta-Feira Santa um tema do Ofício de Trevas, interpretado pelo agrupamento The Sixteen, dirigido por Harry Christophers. Para ouvir à luz das velas.
Em toda a obra de Ana Vieira persistente e original, na sua radicalidade e distinção, é o próprio muro de abrigo da arte no seu pedestal que é posto em causa. No Ambiente de 1971, apresenta-nos o ritual fúnebre da arte “plintável”: a Vénus colocada num plinto no centro de uma sala, rodeada de cadeiras vazias afastadas da escultura e afastadas de nós por uma rede (muro?) que não permite aproximação, mas ainda deixa ver. Transparência ou opacidade: o que é a obra de arte e o que pode ela? A sacralização da obra, a sua separação da vida e do quotidiano, é aqui interrogada. Tal como na utilização da arte greco-romana, dos seus corpos perfeitos e memória de um tempo da religião da arte, que deixam agora, com o seu exílio, um lugar vazio, permanecem enquanto ausência – uma ausência saturada -, retiram-se ou parecem perder a solidez. Um esvaziamento. Problemas que encontramos, de outro modo, no tratamento que faz da obra seminal da arte moderna, o Dejeuner sur L´herbe de Manet, que a artista coloca, em 1977, a nossos pés, retirada da parede e projectada no espaço sobre uma encenação de um outro piquenique, dessacralizada, esvaziada da condição de intocável. Des-aurada. Mas, apesar disso, nela também não participamos. Ficamos de fora. A artista constrói, pacientemente, uma frágil moldura para o vazio. Via.
20 de Abril – 21h30 | Governo Civil de Castelo Branco | MIAR DOS GALOS
22 de Abril – 18h00 | Igreja de St. Maria do Castelo | JORDI SAVALL C/ Dimitri Psonis Concerto dedicado a Amato Lusitano, nos 500 anos do seu nascimento ORIENTE – OCIDENTE | Diálogo da Música Antiga e da Música do Mundo PROGRAMA Alba (Rebab & Percussão) – Traditional (Castellón/Berber) Danza del Viento – Sefardita/Andaluzia Saltarello (CSM 77-119) – Alfonso X O Sábio Istampitta: La Manfredina – Trecento mss. (Itália, Século XII) Makam ‘Uzäl Sakil “Turna” – Mss. de Kantemiroglu (Turquia) — La Quarte Estampie Royal – Le manuscrit du roi (Paris, Século XII) Nastaran (Naghma instr.) – Traditional (Afeganistão) Yo me enamorí d’un ayre – Sephardic (Alexandria) Der Makam-i Hüseynï Sakïl-i A^ga Riza – Mss. Kantemiroglu, (Turquia) — Rotundellus (CSM 105) – Alfonso X O Sábio La Seconde Estampie – Le manuscrit du roi (Paris, Século XII) A la una yo nací – Sephardic (Sarajevo) Lamento di Tristano – Trecento mss. (Italy, Século XII) Danza de las Espadas – Traditional (Andaluzia) El Rey Nimrod – Sephardic (Istanbul) Danza ritual – Traditional (Berber/Andaluzia) Chahamezrab – Traditional (Persia) Ductia (CSM 248) – Alfonso X O Sábio Saltarello – Trecento mss. (Itália Século XII)
6 de Maio – 21h30 | Governo Civil de Castelo Branco | RICARDO ROCHA (guitarra portuguesa)
8 de Maio – 17h00 | Conservatório Regional de Castelo Branco | ENSEMBLE CONTRAPUNCTUS
2 de Junho – 21h30 | Cine-Teatro Avenida | “A VIÚVA ALEGRE”, ópera de F. Lehár
Escola Superior de Artes Aplicadas
Johann Sebastian Bach [1685-1750], George Frideric Handel [1685-1759] e Domenico Scarlatti [1685-1757] foram três personalidades fundamentais do Barroco Tardio que, por coincidência, nasceram no mesmo ano. Em comum, possuem também o facto de terem sido exímios intérpretes e improvisadores, e compositores de génio no domínio da música de tecla, ainda que a produção que destinaram a instrumentos como o órgão, o cravo ou o clavicórdio ocupe lugares bem diversos no seu percurso individual. Se hoje recordamos Scarlatti como um compositor indissociável do repertório para cravo (posteriormente adoptado pelos pianistas), a música de tecla ocupa um lugar relativamente circunscrito na produção de Handel e assume-se como um dos pilares centrais no desenvolvimento de Bach enquanto compositor. […]
Excerto de Bach, Handel e Scarlatti:Três Mestres da Música de Tecla do Barroco, Cristina Fernandes, em catálogo da 7.ª edição do Festival Terras sem Sombra.
O segundo evento terá lugar a 16 de Abril, pelas 21h30, na igreja de Santo Ildefonso, matriz de Almodôvar, que recebe um concerto do cravista francês Pierre Hantaï, intitulado “Peregrinações – No 3º Centenário de D. Maria Bárbara, Princesa de Portugal”. O espectáculo gira em torno da música para tecla do século XVIII e incide em obras de Bach, Handel e Scarlatti.
O primeiro semestre de 1961 abalou, de facto, a Humanidade. Começou logo com os EUA a cortar relações com Cuba, embora sem prejudicar o negócio dos charutos. Do mal o menos. Em 4 de Fevereiro, avançámos rapidamente e em força para… Angola, o que nos valeu uma reprimenda do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Feitios! A 11 de Abril, tinha início em Jerusalém o julgamento de Adolf Eichmann, acusado de prejudicar seriamente as relações de boa vizinha que os alemães pretendiam manter com o resto da Europa. No dia seguinte, a 12 de Abril, um russo de nome engraçado tornava-se no primeiro ser humano a viajar no espaço – Yuri Gagarin demorou menos de duas horas a completar uma órbita terrestre. Lucky Bastard !
Em Maio, assim de repente, o único acontecimento relevante de que me recordo, ocorreu na Maternidade Alfredo da Costa. 🙂
Artigos relacionados com a efeméride:
Alexei Leonov, the first man ever to walk in space, was close friends with Yuri Gagarin (video) http://j.mp/gMXe0N – BBC World News
Movie recreates Gagarin’s spaceflight http://j.mp/f0jfwv – BBC World News
British Council celebrates 50th anniversary of Gagarin’s orbit of the Earth with an exhibition and statue in the Mall http://j.mp/dRru7n – The Guardian
Les dormeurs, de Abril de 1965, é uma das últimas grandes obras de Pablo Picasso. Especula-se que o casal que dorme representa o artista e a sua mulher de então, Jacqueline Roque. Picasso morreu a 8 de Abril de 1973 em Mougins, onde realizou Les dormeurs. As suas últimas palavras:
“Brindem à minha saúde, porque eu já não posso beber mais.”
Concerto de Encerramento do Festival Internacional de Órgão de Lisboa Os Seis órgãos da Real Basílica de Mafra Domingo, 3 de Abril de 2011 – 21h30 | Basílica do Palácio Nacional de Mafra
António Leal Moreira (1758-1819) – Sinfonia para a Real Basílica de Mafra João Vaz, órgão do Evangelho | Rui Paiva, órgão da Epístola | António Esteireiro, órgão de São Pedro de Alcântara | António Duarte, órgão do Sacramento | Sérgio Silva, órgão da Conceição | Isabel Albergaria, órgão de Santa Bárbara | Jorge Alves, direcção
Fruto das limitações de espaço no Tubo, tive de compôr a Sinfonia em dois andamentos. 🙂
Na continuação do post anterior – Os Seis órgãos da Real Basílica de Mafra, onde foi apresentada a obra de João José Baldi – Gloria (da Missa para coro e seis órgãos) que encerrou o XIII Festival Internacional de Órgão de Lisboa, o programa segue com a Sinfonia para a Real Basílica de Mafra, de António Leal Moreira (1758-1819).
A concluir a série de três posts dedicados ao Concerto, será apresentado Cantochão – Ave maris stella (arranjo para coro e seis órgãos de João Vaz).
Concerto de Encerramento do Festival Internacional de Órgão de Lisboa
Os Seis órgãos da Real Basílica de Mafra Domingo, 3 de Abril de 2011 – 21h30 | Basílica do Palácio Nacional de Mafra
João José Baldi (1770-1816) – Gloria (da Missa para coro e seis órgãos)
Fernando Guimarães e Carlos Monteiro, tenores | Diogo Dias, barítono | Coro Sinfónico Lisboa Cantat João Vaz, órgão do Evangelho | Rui Paiva, órgão da Epístola | António Esteireiro, órgão de São Pedro de Alcântara | António Duarte, órgão do Sacramento | Sérgio Silva, órgão da Conceição | Isabel Albergaria, órgão de Santa Bárbara | Jorge Alves, direcção
O conjunto dos seis órgãos da Basílica, único no Mundo, foi construído a pedido do Rei D.João VI pelos organeiros António Xavier Machado Cerveira e Joaquim António Peres Fontanes. Os trabalhos prolongaram-se ao longo das primeiras duas décadas do século XVIII; Concebidos como um todo, os seis instrumentos foram concluídos (e inaugurados?) entre 1806 e 1807. Nesse período, a primeira invasão francesa e o exílio da Família Real interromperam drasticamente a actividade musical na Basílica e a utilização regular do conjunto. A inexistência de repertório específico inspirou António Leal Moreira (1758-1819) para compôr a “Sinfonia para a Real Basílica de Mafra” (o vídeo será publicado amanhã).
Após duzentos anos de silêncio e mais de uma década de restauro, os seis órgãos da Basílica voltaram a tocar em Maio de 2010, naquele que foi por muitos considerado “o concerto do século”. O XIII Festival Internacional de Órgão de Lisboa terminou ontem com a repetição do concerto de inauguração.
Nota: gravei o vídeo com telemóvel e sentado no chão. Este estabelecimento não possui livro de reclamações. 🙂
Por ocasião da monumental exposição que o Museu d’Orsay dedica a «Manet, inventeur du Moderne», de 5 de Abril a 2 de Julho de 2011, Le Figaro Hors-Série publica uma edição especial intitulada «Manet, un certain regard», numa profunda abordagem à diversidade da paleta e da inspiração do genial pintor impressionista.
A luta grega pela libertação do domínio turco excitou a imaginação dos liberais intelectuais neo-helenísticos europeus. Eugène Delacroix (1798-1863) escolheu o terrível massacre de Chios, segundo se crê ocorrido a 31 de Março de 1822, quando 20.000 habitantes das ilhas gregas foram assassinados, como forma de chamar a atenção.
Eugène Delacroix - Massacre de Chios, 1824
Delacroix estruturou o plano de pintura em três pirâmides humanas de mortos e moribundos gregos, banhados em luz e côr harmoniosas, tendo-lhe posteriormente acrescentado um brilho difuso.
Eugène Delacroix - Massacre de Chios, 1824 (detalhe)
Jos d'Almeida é um compositor de música electrónica épico sinfónica, podendo este género ser também designado como Electrónico Progressivo. Na construção de um som celestial, resultante da fusão de várias correntes musicais, JOS utiliza os sintetizadores desde o início dos anos 80.
Chuck van Zyl
Chuck van Zyl has been at his own unique style of electronic music since 1983. His musical sensibilities evoke a sense of discovery, with each endeavor marking a new frontier of sound.