Muros, de Ana Vieira

Muros de Abrigo | Ana Vieira | 14 de Janeiro a 27 de Março 2011, CAM | Curadoria: Paulo Pires do Vale
Leituras relacionadas: Muros de Abrigo e Contra a retórica da certeza

Muro-Arte

Em toda a obra de Ana Vieira persistente e original, na sua radicalidade e distinção, é o próprio muro de abrigo da arte no seu pedestal que é posto em causa. No Ambiente de 1971, apresenta-nos o ritual fúnebre da arte “plintável”: a Vénus colocada num plinto no centro de uma sala, rodeada de cadeiras vazias afastadas da escultura e afastadas de nós por uma rede (muro?) que não permite aproximação, mas ainda deixa ver. Transparência ou opacidade: o que é a obra de arte e o que pode ela? A sacralização da obra, a sua separação da vida e do quotidiano, é aqui interrogada. Tal como na utilização da arte greco-romana, dos seus corpos perfeitos e memória de um tempo da religião da arte, que deixam agora, com o seu exílio, um lugar vazio, permanecem enquanto ausência – uma ausência saturada -, retiram-se ou parecem perder a solidez. Um esvaziamento. Problemas que encontramos, de outro modo, no tratamento que faz da obra seminal da arte moderna, o Dejeuner sur L´herbe de Manet, que a artista coloca, em 1977, a nossos pés, retirada da parede e projectada no espaço sobre uma encenação de um outro piquenique, dessacralizada, esvaziada da condição de intocável. Des-aurada. Mas, apesar disso, nela também não participamos. Ficamos de fora. A artista constrói, pacientemente, uma frágil moldura para o vazio. Via.


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