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‘Membra Jesu Nostri’, de Dieterich Buxtehude

Dietrich Buxtehude, organista e compositor que se supõe ter nascido em 1637 na Dinamarca, representa, a par de Heinrich Schütz (1585-1672), o expoente máximo do barroco alemão no século XVII. Morreu neste dia 9 de Maio, em 1707.
Por volta de 1680 Buxtehude escreveu Membra Jesu Nostri, com o título completo Membra Jesu nostri patientis sanctissima – em latim “Os membros santíssimos de nosso Jesus sofredor” -, um ciclo de sete Paixões, cada qual dedicada a uma parte do corpo do Cristo crucificado, em ordem ascendente: pés, joelhos, mãos, lado, tórax, coração, rosto. O texto combina versos da Bíblia com versos de um poema devocional medieval.


Álbum: Buxtehude: Membra Jesu Nostri, 2019
Da cantata nº 5, com a palavra bíblica «Sicut modo geniti», o Concerti a 3 voci «Ad pectus»
Carlos Mena, contratenor · Jeffrey Thompson, tenor · Matthias Vieweg, baixo
Ricercar Consort · Philippe Pierlot, viola baixo
Maggie Urquhart, contrabaixo · Daniel Zapico, tiorba · François Guerrier, orgão

‘Histórias da Paixão de Jesus’, de Pietro Lorenzetti

Pietro Lorenzetti [ca. 1280/85 – ca. 1348] foi um pintor do Trecento italiano, representante da Escola de Siena, que floresceu entre os séculos XIII e XV. Entre 1310 e 1320 participou na grande obra decorativa da Basílica Inferior de Assis – em particular no transepto sul – com afrescos das Histórias da Paixão de Jesus. 


 

Lúmen

A força invisível da mão que segura o corpo contorcido de Cristo, descido da cruz.

Um corpo que se abandona, mas que nunca mais deixará de ser habitado, primeiro fóssil luminescente, em seguida luz pura.

Este corpo é já vestígio, memória. Mas é também recomeço. Indício.
Caminho para a luz. Para o que é ígneo.
A evocação do fogo que arde sem se ver, como uma paixão que se derrama numa intensidade luminosa.

Semelhante paixão (ou natureza) está contida na rocha, no sílex, que, raspado, produz faúlhas nos ramos retorcidos da árvore, combustível.
Será talvez uma oliveira, talvez não. Se for oliveira, então evoca a luz, a imortalidade, a relação cósmica, a morte e o monte famoso.

Imagens da Exposição de fotografias «Lúmen», de André Gomes.
Museu Nacional de Arte Antiga (Abril-Maio de 2006).

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