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Giovanni Pico della Mirandola [1463-1494]

Na passagem de mais um aniversário da morte de uma das personalidades mais significativas do Quattrocento e figura, a todos os títulos fascinante, da História do humanismo europeu, recordo aqui a excepcional emissão do Musica Aeterna dedicada a comemorar os quinhentos anos do nascimento de  Giovanni Pico della Mirandola [1463-1494] que, como simpatizante das correntes neoplatónicas de Florença, se esforçou por conciliar os sistemas de Aristóteles e Platão.

Podcast do Musica Aeterna de 23 Fev 2013
Podcast do Musica Aeterna de 23 Fev 2013

Giovanni Pico della Mirandola

Musica Aeterna – Prophetiae Sibyllarum

O universo das Sibilas, a antologia “Prophetiae Sibyllarum” de Orlando di Lasso, os poemas alusivos do historiador e teólogo dominicano Filippo Barbieri, ou, mais prosaicamente, Philippus de Barberiis, as iluminuras de Hans Mielich, pintor da corte de Alberto V da Baviera, e a música de Christoph Willibald Gluck, Gioseffo Zarlino e de autores anónimos.
João Chambers, Musica Aeterna – Emissão de 6 de Abril de 2013

Lope de Vega – 450 anos do nascimento

Comemoram-se hoje os quatrocentos e cinquenta anos do nascimento de Lope de Vega [1562-1635].
A emissão desta semana do Musica Aeterna, dedicada ao poeta, dramaturgo, fundador da comédia espanhola e um dos mais prolíficos autores da literatura universal, inclúi, para além da leitura de vários poemas seus traduzidos pelo meu amigo José Bento, que acabou de completar oitenta primaveras, uma passagem do “Dom Quixote” de Miguel de Cervantes e repertório de Alonso Mudarra, Pedro Rimonte, Francisco Guerrero, Sebastián de Vivanco, Luys de Narváez, Diego Ortiz, Tomás Luis de Victoria, Antonio de Cabezón, Rodrigo de Ceballos, Antonio Martín y Coll e de autores anónimos, todos contemporâneos de Lope de Vega na Espanha dos séculos XVI e XVII.
O link para o podcast será aqui colocado logo que seja disponibilizado pela Antena 2.
    Atada al mar Andrómeda lloraba,
los nácares abriéndose al rocío,
que en sus conchas cuajado en cristal frío,
en cándidos aljófares trocaba.
    Besaba el pie, las peñas ablandaba
humilde el mar, como pequeño río,
volviendo el sol la primavera estío,
parado en su cénit la contemplaba.
    Los cabellos al viento bullicioso,
que la cubra con ellos le rogaban,
ya que testigo fue de iguales dichas,
    y celosas de ver su cuerpo hermoso,
las nereidas su fin solicitaban,
que aún hay quien tenga envidia en las desdichas.
    Atada ao mar, Andrómeda chorava,
os nácares abrindo-se ao rocio,
que em conchas coalhado em cristal frio,
em cândidos aljófares tornava.
    Beijava o pé, as rochas abrandava
humilde o mar, como um pequeno rio;
o sol tornando a primavera estio,
parado em seu zénite a contemplava.
    Os cabelos ao vento buliçoso,
que a cobrisse com eles lhe rogavam,
já que foi testemunha de iguais ditas;
    ciosas de ver seu corpo tão formoso,
as Nereidas seu fim solicitavam,
que até há quem tenha inveja nas desditas.

Miguel Ângelo Buonarotti

Na entrada relativa a 2 de Dezembro de 1786 da sua Italienische Reise (Viagem a Itália), escrevia Johann Wolfgang von Goethe:

No dia 28 de Novembro voltámos à Capela Sistina. Aberta a galeria que permitia ver o tecto e após a passagem estreita e mal iluminada, somos compensados pela visão da grande obra-prima da arte. Neste momento, estou de tal modo fascinado por Miguel Ângelo, que depois dele já nem tenho gosto pela natureza, especialmente porque sou incapaz de a contemplar com o mesmo olhar de génio com que ele o fez.


Miguel Ângelo Buonarotti – A Criação de Adão, c. 1570
Fresco, c. 280 x 570 cm | Roma, Vaticano, Capela Sistina

A emissão do Musica Aeterna do passado dia 27, dedicada à comemoração dos hoje assinalados 500 anos da revelação do tecto da Capela Sistina ao Papa Júlio II, está disponível em podcast. Absolutamente a não perder!

 

Musica Aeterna – Gil Vicente

Emissão do Musica Aeterna de 22-Setembro-2012. Antena 2, 14h00-16h00

Em época do ano próspera em festas e romarias um pouco por todo o país em honra de santos padroeiros, assinala-se, através do cruzamento entre o “Auto da Feira” e a Bartholomew Fair de Ben Jonson, a efeméride dos 450 anos da “Copilaçam de todalas obras de Gil Vicente”. Transmitir-se-á uma recitação do dramaturgo inglês dita pelo actor Ralph Fiennes e repertório de Pedro de Escobar, Joan Cererols, William Byrd, Orlando Gibbons, Juan Urrede, John Coprario, Diego Ortiz, Juan del Enzina e de autores anónimos. João Chambers

O ano de 1562 assinala a edição da “Copilaçam de todalas obras de Gil Vicente”, sobre cuja vida, não obstante alguns estudos desenvolvidos nesse âmbito, se conhecem poucos pormenores. Apelidado, de forma errónea, como “pai do teatro português”, Mestre Gil, que não apenas a tradição local diz ter nascido em Guimarães, trabalhou, porventura, também como ourives, julgando-se ser ele o autor da valiosa “Custódia de Belém”, obra-prima, de ouro e de esmalte, da arte decorativa manuelina, hoje patente no Museu Nacional de Arte Antiga. Não cabe neste programa apresentar as razões pelas quais se deve rejeitar a paternidade vicentina da dramaturgia no nosso país, bastando para tal invocar que, muito dificilmente, teria começado a escrever sem estar alicerçado num qualquer tipo de legado medieval, como sucedeu, aliás, de modo já comprovado, com os seus homólogos europeus. Na verdade, o certo é que, oriundas dos reinados de D. Manuel e de D. João III, chegaram até nós quarenta e quatro peças concebidas, as quais acabaram por ser publicadas, a título póstumo, pelos filhos Luís e Paula, na data atrás referida, ou seja, há precisamente quatro séculos e meio. Respeitando uma jamais concluída classificação proposta pelo pai, os irmãos dividiram-nas em cinco livros diferentes, a saber: o primeiro dedicado às obras de devoção, o segundo às comédias, o terceiro às tragicomédias, o quarto às farsas e, por último, o quinto, sem designação, que inclui pregações, trovas, cartas e salmos. Ana Margarida Flor/João Chambers. Via.

Musica Aeterna – Hildegard von Bingen

Musica Aeterna dedicado à vida e a obra de Hildegard von Bingen (1098-1179), a “Sibila do Reno”, abadessa beneditina, visionária, profetisa teutónica e considerada como a compositora mais importante da Idade Média.



Myth: Women were oppressed in the Middle Ages
In the 1960s and 1970s, the idea that women were oppressed in the Middle Ages flourished. In fact, all we need to do is think of a few significant women from the period to see that that is not true at all: St Joan of Arc was a young woman who was given full control of the French army! Her downfall was political and would have occurred whether she were male or female. Hildegard von Bingen was a polymath in the Middle Ages who was held in such high esteem that Kings, Popes, and Lords all sought her advice. Her music and writing exists to this day. Elizabeth I ruled as a powerful queen in her own right, and many other nations had women leaders. Granted women did not work on Cathedrals but they certainly pulled their weight in the fields and villages. Furthermore, the rules of chivalry meant that women had to be treated with the greatest of dignity. The biggest difference between the concept of feminism in the Middle Ages and now is that in the Middle Ages it was believed that women were “equal in dignity, different in function” – now the concept has been modified to “equal in dignity and function”. Via.

A substância das coisas

“A fé é a substância de coisas esperadas
e o argumento das que não aparecem;
e isso parece-me ser a essência da fé.”

Dante Alighieri (1265-1321) – in Paraíso

“Foi ilustre, certamente, e cheio de humanidade, o desígnio daqueles que se esforçaram por proteger da inveja os feitos notáveis dos homens eminentes pela sua virtude e defender do esquecimento e da morte os nomes merecedores de imortalidade. Daí as imagens legadas à memória da posteridade, quer as esculpidas no mármore quer as forjadas no bronze; daí as estátuas erigidas, tanto as pedestres como as equestres; daí as colunas e as pirâmides, como diz o poeta, de custos astronómicos; daí, por fim, as cidades edificadas, distinguidas pelos nomes daqueles que a posteridade reconhecida julgou deverem ser confiados à eternidade. Tal é, com efeito, a condição do espírito humano, que, se não é continuamente solicitado pela representação das coisas que, do exterior, nele irrompem, toda a lembrança se escoa facilmente para fora dele.
Outros, porém, olhando a meios mais sólidos e duradouros, confiaram a celebração eterna dos grandes homens não à pedra e ao metal, mas ao cuidado das Musas e aos monumentos incorruptíveis das letras. Mas porque relembro eu estas coisas como se o engenho humano, afeito a estes domínios, não tivesse ousado ir mais além? Com efeito, olhando mais adiante e compreendendo perfeitamente que todos os monumentos humanos acabam por perecer sob a força do tempo e da velhice, concebeu símbolos mais incorruptíveis em relação aos quais o tempo voraz e a invejosa velhice não reivindicassem para si nenhum direito. E, assim, passando para os céus, inscreveu naqueles conhecidos orbes eternos dos astros mais brilhantes os nomes dos que, por seus feitos ilustres e quase divinos, foram julgados dignos de desfrutar com as estrelas de uma vida eterna.”
Galileu Galilei – Sidereus Nuncius ou “O Mensageiro das Estrelas” 
Edição da Fundação Calouste Gulbenkian – tradução de Henrique Leitão

in Musica Aeterna, 12-06-2010

Musica Aeterna – Frederico II, “o Grande”, da Prússia (1712-1786)

Comemorada no passado dia 24, a efeméride dos três séculos da nascença de Frederico II, “o Grande”, da Prússia (1712-1786), o qual, na política interna, personificou a imagem do “despotismo iluminado”, realçada, para além de obras do próprio, através de repertório dos contemporâneos Franz Benda, Ludwig Christian Hesse, Johann Gottfried Müthel, Carl Heinrich Graun, Carl Philipp Emanuel Bach, Christoph Schaffrath, Georg Anton Benda e Johann Philipp Kirnberger. Por João Chambers.
Parte IParte II

Adolph von Menzel - A Flute Concert of Frederick the Great at Sanssouci, 1852

Adolph von Menzel (1815-1905) – A Flute Concert of Frederick the Great at Sanssouci, 1852

Musica Aeterna – seis séculos do nascimento de Joana d’Arc

Dias 07 e 14 de Janeiro, na Antena 2.

Considerando a documentação, toda de uma excepcional riqueza histórica, a sobreviver até aos nossos dias, constituída pelos vários volumes dos dois processos que lhe instauraram – o de condenação em 1431 e o de reabilitação em 1456 –, Joana d’Arc mantém-se como uma das personagens mais conhecidas e enigmáticas do século XV. Na verdade, esta circunstância refere-se, em primeiro lugar, ao contraste que tornou a sua acção, a par das fontes históricas que a documentam, profundamente desconcertante. Desde camponesa iletrada, ou seja, a parca instrução limitava-se a pouco mais do que saber recitar de cor várias orações, aos ecos de sermões escutados ou até às conversas com personalidades influentes, foi guindada a uma posição de grande destaque na História de França.
João Chambers

O mecenato papal na Roma do século XVI, através do génio de Kapsberger

De Johannes Hieronymus Kapsberger, autor de génio veneziano de ascendência alemã (1580-1651) que desenvolveu em Roma o estilo dos instrumentos de corda dedilhada, sugiro a peça Passacaglia do Libro quarto d’intavolatura di chitarrone (1640), interpretada pelo norueguês Rolf Lislevand (alaúde e tiorba).
A escolha foi inspirada pela audição do Musica Aeterna de 10 de Dezembro de 2011.