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“Diálogos sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo”, de Galileu

Início dos problemas com a Igreja Católica
[…] Em 1616, Galileu foi chamado a Roma, por ordem do Papa Paulo V, para ser advertido de que só poderia considerar o heliocentrismo (e a teoria de Copérnico) como mera hipótese académica (uma forma de facilitar cálculos), mas nunca como um facto. Tal advertência foi-lhe dada pelo cardeal Belarmino, que também o avisou de que o livro de Copérnico fora proibido. É de notar coragem e perseverança de Galileu, pois nesses tempos desafiar a Igreja era muito perigoso: em 1600, o monge Giordano Bruno fora queimado vivo, atado a um poste, por afirmar que o Universo podia ser infinito e que haveria muitos planetas habitados, além da própria Terra. O inquisidor foi precisamente… Roberto Belarmino, mais tarde beatificado (1923) e canonizado (1930), passando a ser Santo e conhecido como São Roberto Belarmino.

A vida continua
Galileu contém-se por algum tempo, mas por fim (c.1624) começa a escrever uma das suas maiores obras: os Diálogos sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo, onde compara os sistemas geocêntrico (de Ptolomeu) e heliocêntrico (de Copérnico). O Papa desse tempo, Urbano VIII, autoriza-o a escrever esse livro desde que fale dos dois sistemas sem tomar partido pelo sistema heliocêntrico, suposto como mera hipótese. O livro é publicado em 22 de Fevereiro de 1632, mas o Papa, anteriormente amigo e admirador do sábio italiano (quando era o cardeal Maffeo Barberini), sente-se ridicularizado numa personagem do livro, defensora do geocentrismo (os inimigos de Galileu tiveram a habilidade de convencê-lo nesse sentido). A fúria do Papa é imensa e o livro é proibido: em 1633 Galileu é chamado a Roma, acorrentado se se recusar, apesar de já velho (69 anos) e doente. Ao fim de muitos e extensos interrogatórios e depois de lhe terem mostrado os instrumentos de tortura da Inquisição (o temível Santo Ofício), é forçado a negar as suas convicções. Não é queimado vivo, devido ao apreço do Papa e à influência de muitos amigos poderosos que tinha. Em vez disso é condenado a prisão perpétua, mais tarde comutada em prisão na sua casa pessoal de Arcetri, nos arredores de Florença. Sempre vigiado pelos oficiais da Inquisição.
Fontes: Portal do Astrónomo e Wikipedia

A substância das coisas

“A fé é a substância de coisas esperadas
e o argumento das que não aparecem;
e isso parece-me ser a essência da fé.”

Dante Alighieri (1265-1321) – in Paraíso
“Foi ilustre, certamente, e cheio de humanidade, o desígnio daqueles que se esforçaram por proteger da inveja os feitos notáveis dos homens eminentes pela sua virtude e defender do esquecimento e da morte os nomes merecedores de imortalidade. Daí as imagens legadas à memória da posteridade, quer as esculpidas no mármore quer as forjadas no bronze; daí as estátuas erigidas, tanto as pedestres como as equestres; daí as colunas e as pirâmides, como diz o poeta, de custos astronómicos; daí, por fim, as cidades edificadas, distinguidas pelos nomes daqueles que a posteridade reconhecida julgou deverem ser confiados à eternidade. Tal é, com efeito, a condição do espírito humano, que, se não é continuamente solicitado pela representação das coisas que, do exterior, nele irrompem, toda a lembrança se escoa facilmente para fora dele.
Outros, porém, olhando a meios mais sólidos e duradouros, confiaram a celebração eterna dos grandes homens não à pedra e ao metal, mas ao cuidado das Musas e aos monumentos incorruptíveis das letras. Mas porque relembro eu estas coisas como se o engenho humano, afeito a estes domínios, não tivesse ousado ir mais além? Com efeito, olhando mais adiante e compreendendo perfeitamente que todos os monumentos humanos acabam por perecer sob a força do tempo e da velhice, concebeu símbolos mais incorruptíveis em relação aos quais o tempo voraz e a invejosa velhice não reivindicassem para si nenhum direito. E, assim, passando para os céus, inscreveu naqueles conhecidos orbes eternos dos astros mais brilhantes os nomes dos que, por seus feitos ilustres e quase divinos, foram julgados dignos de desfrutar com as estrelas de uma vida eterna.”
Galileu Galilei – Sidereus Nuncius ou “O Mensageiro das Estrelas” 
Edição da Fundação Calouste Gulbenkian – tradução de Henrique Leitão

in Musica Aeterna, 12-06-2010

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