‘Frescos no Palácio Médici-Riccardi’, de Luca Giordano

 

Luca Giordano, nascido em Nápoles a 18 de Outubro de 1634, iniciou a sua aprendizagem com José de Ribera (Lo Spagnoletto), vindo a desenvolver um estilo semelhante ao de Rubens [1577-1640] ou Van Dyck [1599-1641], e sobretudo ao dos pintores venezianos como Ticiano ou Veronese, os quais havia descoberto no início da década de 60 numa viagem ao norte de Itália.
Giordano trabalhou intensamente entre 1683 e 1685 nos tectos da galeria do Palazzo Médici-Riccardi, em Florença.

Galleria Luca Giordano – Palazzo Médici-Riccardi, Firenze

Carlos II chamou-o para a corte espanhola em 1692 e, durante a década seguinte, realizou os frescos da igreja de San Lorenzo no Escorial e os episódios bíblicos no Palácio Buen Retiro, perto de Madrid.
Luca Giordano morreu na sua terra natal a 12 de Janeiro de 1705.

‘Antídoto contra la pestilente poesía de las «soledades»’, de Juan de Jáuregui

Juan de Jáuregui nasceu em Sevilha em 1583, de pais nobres. Sobre a sua formação pouco se sabe, excepto que esteve em Itália, provavelmente a estudar pintura. Na verdade, no seu tempo teve fama como pintor, de cuja obra não restam senão algumas gravuras em livros de época, pois o retrato de Cervantes que lhe foi atribuído já não se considera seu.


Retrato de Miguel de Cervantes (?) de Juan de Jáuregui.
Alonso Zamora Vicente, Historia de la Real Academia Española, Madrid, Espasa, 1999, p. 12.

Em Roma, publicou em 1607 a tradução de Aminta de Torquato Tasso.
Em Sevilha, Jáuregui participou na tertúlia que se realizava no atelier do pintor Francisco Pacheco (mestre e sogro de Velásquez); pelo que é geralmente incluído no grupo que, a partir do século XIX, se tem autodenominado impropriamente escola sevilhana.
Em 1614 começou a escrever o Antídoto contra la pestilente poesía de las «Soledades», aplicado a su autor para defenderle de si mesmo, […]
Em 1618, Jáuregui publicou um volume de Rimas com uma tradução do Aminta (em que muito alterou face à saída em 1607). A Introdução às Rimas é um texto importante para conhecer a poesia de Jáuregui e o que ele pensava da poesia do seu tempo.
Jáuregui fixou-se em Madrid em 1619, sendo censor de novelas a partir de 1621 até à sua morte, em 11 de Janeiro de 1641.
Em 1624 publicou em Madrid o poema Orfeo e o Discurso poético, em que expõe as suas ideias sobre poesia. Estes dois livros foram então julgados contraditórios: enquanto o Discurso poético é um ataque ao gongorismo extremo dessa altura, o Orfeo foi lido como um poema que segue os grandes poemas de Luis de Góngora [1561-1627], saídos uns anos antes. O Orfeo é um poema dividido em cinco cantos, com 186 oitavas, que segue o tema de Orfeu e Eurídice exposto nas Metamorfoses de Ovídio, valendo-se também das Geórgicas de Virgílio, da Eneida e de fontes italianas, nomeadamente Poliziano e Marino. […]

E Já que a lira, em afinadas vozes,
precursora do canto se adianta,
e em mui lentos acordes ou velozes
soa a constante ou trémula garganta,
feras vorazes, áspides atrozes
amansa terno, sonoroso encanta;
chega essa voz, em rochas e montanhas,
a infundir vidas, a humanar entranhas.

Fragmento do Canto IV de Orfeo

A publicação de Orfeo provocou o aparecimento do Orfeo en lengua castellana, assinado por Juan Pérez Montalbán, amigo de Lope de Vega, que tem sido considerado pela crítica como o verdadeiro autor desta obra, mas que não quis aparecer descoberto contra Jáuregui, que, com o seu Antídoto, se tornara um dos maiores inimigos de Góngora. […]
Jáuregui é uma interessante figura da primeira metade do século XVII em Espanha, tanto pela sua poesia como pelas suas ideias, que mantinha com independência frente aos grandes poetas do seu tempo. Seguiu a evolução da poesia espanhola desde Garcilaso de la Vega [1498? – 1536], sendo um cultista que possivelmente aprendeu com Góngora mas não se alistou no grupo que se formou em torno do autor das Soledades; Seguindo a lição de Garcilaso e Herrera, teve a preocupação de ser claro, como se depreende dos seus escritos teóricos. A sua poesia, sobretudo o Orfeo, distingue-se pela capacidade descritiva, pela movimentação e colorido próprio do pintor que ele foi.

in Antologia da Poesia Espanhola do Siglo de Oro, segundo volume – Barroco
selecção e tradução de José Bento

Posters de ‘Metropolis’

O poster mais conhecido da obra-prima Metropolis de Fritz Lang [1890-1976] foi concebido pelo artista gráfico e ilustrador Heinz Schulz-Neudamm [1899-1969] para a Produtora e Distribuidora alemã UFA, que estreou o filme em Berlim a 10 de Janeiro de 1927.

Poster para Metropolis (92,7 x 205 cm),  por Heinz Schulz-Neudamm.  Berlim, 1926

Para o lançamento do filme em França, que viria a ocorrer em Outubro desse mesmo ano, a ACE – L’Alliance Cinématographique Européenne, encomendou o material promocional ao designer russo Boris Bilinsky [1900-1948]. São dele os posters que se seguem:

Poster para Metropolis (240 x 320 cm),  por Boris Bilinsky.  Paris, 1927

Poster para Metropolis (160x 240cm),  por Boris Bilinsky.  Paris, 1927

Poster para Metropolis (240x 320cm),  por Boris Bilinsky.  Paris, 1927

‘Blue Maqams’, de Anouar Brahem

Depois do projecto Souvenance [ECM, 2014] apresentado pelo Quarteto do músico tunisino em concerto com a Orquestra Gulbenkian a 28 de Abril de 2015,  Anouar Brahem regressa a Lisboa para a apresentação ao vivo do álbum Blue Maqams [ECM, 2017] a 16 de Abril no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian,
Vem isto a propósito, claro está, do artigo de Gonçalo Frota publicado no Ípsilon:

No ano em que celebra o 60.º aniversário, o tunisino reuniu à sua volta uma formação de luxo — Dave Holland, Jack DeJohnette e Django Bates — para a gravação de Blue Maqams, lugar de encontro entre as liberdades da música árabe e do jazz.

O álbum pode ser escutado no Spotify

 

‘Estava a Mãe Dolorosa’, de Pergolesi

Em mais um aniversário do compositor barroco Giovanni Battista Pergolesi, que nasceu neste dia 4 de Janeiro em 1710 e faleceu com apenas 26 anos em 17 de Março de 1736, partilho a tocante abertura “Duo Stabat Mater dolorosa”, aqui interpretada pelo contratenor Tim Mead e pela soprano Lucy Crowe, dirigidos por David Bates durante a gravação que o Ensemble La Nuova Musica realizou em 2017 para a Harmonia Mundi.

 

‘Raparigas debaixo de árvores’, de August Macke

No período em que estudou na Academia de Düsseldorf, August Macke [3 Janeiro 1887 – 26 Setembro 1914] desenhou cenários para Louise Dumont, directora do Teatro Schauspielhaus. Em 1907 viajou para Paris, onde teve contacto com os Impressionistas franceses.

Em 1909 conheceu Franz Marc [1880-1916], com quem participou na fundação da Associação de Novos Artistas de Munique. Ambos viajaram para Paris em 1912 com o intuito de visitar Guillaume Apollinaire [1880-1918] e Robert Delaunay [1885-1941].

Os alicerces artísticos da decisiva experiência na Tunísia – para onde viajou na Primavera de 1914 na companhia de Paul Klee [1879-1940] e Louis Moilliet [1880-1962] -, tinham já sido fornecidos pelo Orfismo de Delaunay, com a sua fragmentação das formas em cor e luz.
Fruto desta atmosfera, surgiu a obra ‘Raparigas debaixo de árvores’, que Macke completou após o regresso da viagem.

As raparigas a brincar entre as árvores, nas margens do lago, confundem-se com a cor, luz e espaço circundantes. A escolha das cores é utilizada de forma a unir as figuras com a paisagem. As pinceladas grossas que distinguem os tons quentes dos frios e os claros dos escuros, enfatizam a impressão de movimento em cada um dos segmentos.

“Natal”, de Miguel Torga

“Natal”, de Miguel Torga
“Adoração dos magos” (painel da esquerda – detalhe), de Hieronymus Bosch

Um anjo imaginado,
Um anjo diabético, atual,
Ergueu a mão e disse: — É noite de Natal,
Paz à imaginação!
E todo o ritual
Que antecede o milagre habitual
Perdeu a exaltação.

Em vez de excelsos hinos de confiança
No mistério divino,
E de mirra, e de incenso e ouro
Derramados
No presépio vazio,
Duas perguntas brancas, regeladas
Como a neve que cai,
E breve como o vento
Que entra por uma fresta, quizilento,
Redemoinha e sai:

A volta da lareira
Quantas almas se aquecem
Fraternalmente?
Quantas desejam que o Menino venha
Ouvir humanamente
O lancinante crepitar da lenha?

‘Inverno’, de Giuseppe Arcimboldo

Entre 1549 e 1558, Giuseppe Arcimboldo [c.1527 – 1593] assistiu o seu pai nas oficinas da Catedral de Milão, tendo-se iniciado nessa altura na composição de vitrais. Em 1562 foi chamado para a Côrte de Fernando I de Praga e no ano seguinte realizou o primeiro conjunto das «Estações». Em 1566 pintou os quatro «Elementos».
No final de 1569, ambos os conjuntos foram oferecidos ao sucessor de Fernando I, o Imperador Maximiliano II.


O «Inverno» é um busto composto por um tronco de árvore. O nariz é um ramo rachado, a barba restolho de musgo e o cabelo feito de ramos; a boca são dois fungos e o olho uma racha do tronco. Na roupa, feita de palha, distingue-se a letra M (de Maximiliano II).

‘Paz – Funeral no Mar’, de William Turner

Nascido em Londres em 1775, J.M. William Turner tinha apenas 14 anos quando foi admitido na Royal Academy of Arts. Tendo começado a pintar a óleo em 1796, fez viagens prolongadas a várias regiões da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Em 1802 estudou os mestres no Louvre, com particular atenção a Claude Lorrain, que teve acrescida influência nas suas obras de efeitos atmosféricos lumínicos.
As pinturas de Turner são visões do poder da natureza, como as representações de naufrágios e desastres naturais. Ao abandonar a forma ou ao revelá-la apenas através de contornos indefinidos, Turner conferiu à luz um poder próprio.
Morreu na sua cidade natal a 19 de Dezembro de 1851.

Na obra ‘Paz – Funeral no Mar’, exposta na Tate Gallery em 1842, Turner presta homenagem ao pintor escocês David Wilkie, que morreu em 1841 a bordo de um vapor. A cena é dominada por uma névoa pálida que esbate a água e o céu na mesma luz fria. A única zona quente e luminosa é o local do funeral, onde o corpo é baixado à água, à luz de tochas flamejantes que parecem rasgar o casco do navio.

From Baroque to Fado – A Journey Through Portuguese Music

“From Baroque to Fado – A Journey Through Portuguese Music”, é uma jornada através do tempo e do lugar, com elementos de música árabe e galega que vão da música medieval até ao fado tradicional, numa viagem musical desde o século XIII até aos nossos dias.
Este disco é o produto do concerto gravado ao vivo em 2016 no Grande Auditório da Gulbenkian.


Artigos no Público e no Diário de Notícias.