Posts Tagged ‘ Maneirismo ’

‘Verão’, de Giuseppe Arcimboldo

Os retratos de Giuseppe Arcimboldo [c.1527 – 1593], que morreu neste dia 11 de Julho, eram divertidas e surpreendentes composições de frutas e vegetais, como este “Verão” de 1563.


Giuseppe Arcimboldo [c.1527 – 1593] – ‘Verão’, 1563
Kunsthistorisches Museum, Vienna

‘Sacra Famiglia con angeli’, de Parmigianino

Quando o pintor maneirista Parmigianino [11 Janeiro 1503 – 24 Agosto 1540] deixou a sua cidade natal Parma para se mudar para Roma em 1524, esta Família Sagrada com Anjos , que se encontra no Museu do Prado, foi uma das obras que o artista levou consigo para apresentar ao Papa Clemente VII.

‘Inverno’, de Giuseppe Arcimboldo

Entre 1549 e 1558, Giuseppe Arcimboldo [c.1527 – 1593] assistiu o seu pai nas oficinas da Catedral de Milão, tendo-se iniciado nessa altura na composição de vitrais. Em 1562 foi chamado para a Côrte de Fernando I de Praga e no ano seguinte realizou o primeiro conjunto das «Estações». Em 1566 pintou os quatro «Elementos».
No final de 1569, ambos os conjuntos foram oferecidos ao sucessor de Fernando I, o Imperador Maximiliano II.


O «Inverno» é um busto composto por um tronco de árvore. O nariz é um ramo rachado, a barba restolho de musgo e o cabelo feito de ramos; a boca são dois fungos e o olho uma racha do tronco. Na roupa, feita de palha, distingue-se a letra M (de Maximiliano II).

Garcia Fernandes – O aparecimento de Cristo à Virgem Maria

Virgem da Anunciação (Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra)

Fazendo parte do acervo do Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra, e atribuído a Garcia Fernandes, o tríptico que apresenta como painel central O aparecimento de Cristo à Virgem Maria e se encontra cronografado de 1531, terá sido resultante de uma encomenda feita para a igreja do mosteiro de clarissas de Santa Clara-a-Antiga, em Coimbra, pela abadessa, D. Margarida de Castro que iniciou a direcção do convento em 1529. D. Margarida era filha do Conde de Monsanto, D. Álvaro de Castro, alcaide-mor de Lisboa e camareiro de D. Afonso V. Deste modo, a prioresa, quer pela linhagem, quer pelos contactos com a nobreza, adquiriu uma elevada cultura e sensibilidade artística que a levou a encomendar, aos melhores artistas da época, boas obras de arte para o seu mosteiro. […]

Joaquim Caetano de Oliveira evidencia a importância deste conjunto ao afirmar:

“Este tríptico inaugura, no conjunto de obras conhecidas, a década mais prolífera e importante de Garcia Fernandes. […] O pintor inicia com esta obra um processo de autonomização crescente do seu estilo, progressivamente mais aberto a modelos italianizantes com uma nova noção da importância da figura, pelo seu isolamento, pela idealização dos modelos femininos e pela forma como os panejamentos se vão moldar ao corpo.”

O tríptico representa no painel central o tema da Aparição de Cristo à Virgem Maria, cotejado, nos planos secundários, por episódios centrados no tema da Ressurreição e apresenta, no anverso dos volantes, o Anjo Gabriel (à esquerda) e a Virgem da Anunciação (à direita), esta última ilustrada na figura 3. A Virgem encontra-se sentada directamente sobre o tapete, ou sobre um coxim, numa posição frontal. As feições revelam uma jovem de rosto sereno, ligeiramente inclinado, faces rosadas, fronte bastante pronunciada, olhar fixo no chão e lábios fechados. Os braços, abertos em atitude de orante, apresentam as mãos com as palmas viradas para o observador, dedos finos e levemente afastados, obedecendo a um correcto desenho anatómico e a um domínio perfeito da volumetria o que já se verificava no tratamento do rosto através de uma perfeita utilização dos tons das carnações. Sobre o regaço de Maria o pintor representou um livro. Este consiste num belíssimo exemplar de um códice iluminado, indicando que a jovem Anunciada se encontrava ocupada na leitura e meditação das Sagradas Escrituras, ou de umlivro de orações. […]

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Texto de Luis Alberto Casimiro, docente e investigador, douturado pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto no Ramo de Conhecimento em História da Arte.

Primavera, de Giuseppe Arcimboldo

Sem perder as referências do Classicismo, o Maneirismo reflectia as inquietações próprias de qualquer transição.
À beleza clássica, sem alma, sucedeu a espiritualidade, povoada pelo fantástico e pelo onírico, cheios de movimento. A proporção geométrica das representações clássicas foi-se esbatendo e as obras ganhavam espacialidade, proporcionando abordagens mais subjectivas.
Os retratos de Giuseppe Arcimboldo eram divertidas e surpreendentes composições de frutas e vegetais.

giuseppe-arcimboldo_primavera_1573

Giuseppe Arcimboldo - Primavera, 1573 (Museu do Louvre)

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