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“Robert King suggests that Michael Haydn‘s Requiem of 1771 for the Archbishop-Prince of Salzburg (28-02-1698 / 16-12-1771) reflects a personal outpouring of grief for the loss of Haydn’s beloved patron and the recent death of his infant daughter. The fervent expressions of grief, consolation and hope must have made some impression on the 15-year-old Mozart. A comparison with Mozart’s Requiem setting of 20 years later is inevitable: Haydn didn’t give his solo quartet anything that compares with the immediacy of Mozart’s ‘Tuba mirum‘, but the older man’s masterful choral writing, brilliant orchestral scoring and sensitive use of solo voices created plenty of musical riches and dramatic moods, such as the brooding Kyrie and the bursting energy of the ‘Dies irae’.
The quartet of soloists is impeccable; the choir and orchestra of The King’s Consort prove to be increasingly assured and dynamic with each recording released. Robert King’s measured and emphatic direction makes it easy to appreciate why the Requiem was performed at his brother Joseph’s funeral in 1809.
His interpretation of the sunnier, extrovert Missa in honorem Sanctae Ursulae (1793) helps the music to sound natural and spontaneous. In some respects the Mass is an even finer composition, full of charismatic and inventive musical charms (it’s worth buying for Carolyn Sampson’s ravishing ‘Benedictus’ alone).
Anybody who enjoys the choral works of Mozart and Joseph Haydn will be delighted by this double-disc set, and will probably concur that Michael Haydn’s neglect in the shadow of his younger friend and older brother is substantially corrected by these exquisite performances.” Gramophone Classical Music Guide, 2010. Via.
A 12 dias de completar 68 anos, Enrique Morente, considerado o grande inovador do Flamenco, não resistiu ao maldito. O El País e a sua jornalista Amelia Castilla honram a memória de mais um Grande de Espanha que deixa saudades.
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido…
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave…
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
O Hacker mais famoso do momento, na primeira pessoa. O justiceiro do século XXI que deixa os media muito mal na fotografia e que simultaneamente se serve dos jornalistas para fazerem (por ele) o trabalho sujo.
Não me convences, rapaz.
As ligações referem-se à série de vídeos dedicados aos Concertos Promenade da BBC, Setembro de 2010.
Claudio Giovanni Antonio Monteverdi,1567 – 1643 – Vespro della Beata Vergine, 1610 / SV 206 | Monteverdi Choir | London Oratory Junior Choir | Schola Cantorum of The Cardinal Vaughan Memorial School | English Baroque Soloists | His Majestys Sagbutts and Cornetts | Conducted by John Eliot GardinerCom a devida vénia a Cristina Fernandes, que escreveu a crítica para o Público de 02-12-2010.
As Vésperas de Monteverdi são uma obra de transição entre o antigo e o novo, que leva ao ponto mais alto, quer a herança da polifonia renascentista, quer as experiências florentinas e venezianas dos inícios do século XVII (como a monodia acompanhada e a policoralidade). À estrutura litúrgica tradicional do Ofício de Vésperas (com os seus Salmos, Antífonas, Hino e Magnificat), Monteverdi acrescentou quatro “concertos” para vozes solistas e baixo contínuo (por vezes também designados por motetes), onde explora características do novo estilo barroco, e a belíssima Sonata sopra Sancta Maria, onde a melodia de cantochão emerge sobre uma luxuriante textura instrumental.
Cada trecho tem uma constituição vocal e instrumental diversa, mas de uma maneira geral Robert Wilson dividiu os seus 10 cantores em dois coros, de modo a potenciar o jogo da policoralidade. O efeito a esse nível foi discreto e o resultado ganharia com uma acústica com mais ressonância, mas tal só seria possível num espaço mais adequado à música desta época do que o Grande Auditório Gulbenkian. Embora menos exuberante do que as interpretações por agrupamentos italianos, La Capella Ducale e o grupo Musica Fiata ofereceram uma versão luminosa das Vésperas que se foi tornando mais envolvente à medida que a obra avançava. O início tímido, com um Dixit Dominus algo linear e pouco pujante, contrastou com a transparência dos planos sonoros, a energia rítmica e as sedutoras nuances de colorido que caracterizaram o Magnificat no final.
Entre outros belos momentos, destaca-se o Nisi Dominus ou o concerto Audi Coelum, com a solução bem conseguida de colocar o cantor responsável pelo eco fora do palco. Tal como sucedia na época de Monteverdi, os cantores responsáveis pelos solos são os mesmos que fazem as partes corais, demonstrando em geral uma sólida qualidade nas duas vertentes. No entanto, deveriam ter ido mais longe no plano da retórica musical e da relação texto-música. Por exemplo, o dueto de sopranos Pulchra es foi algo superficial e houve passagens (como na Sonata sopra Sancta Maria) com algumas imprecisões ou pequenas dessincronizações rítmicas.
Em compensação, o ensemble Musica Fiata demonstrou virtudes como o brilho da sonoridade dos sopros (trombones e cornetos) e um óptimo trabalho ao nível do baixo contínuo (órgão, chitarroni, harpa dupla, violone e lirone), que não se limitou a uma realização básica de preenchimento da harmonia, mas operou um verdadeiro diálogo com o conjunto e deu destaque à identidade de cada instrumento. Quer pela prestação dos músicos de Robert Wilson, quer pelo poder avassalador da extraordinária música de Monteverdi, a assistência foi tomada pelo entusiasmo no final, aplaudindo longamente em pé.
Cristina Fernandes
