“D. Carlos I, fotógrafo amador”

A exposição “D. Carlos I, fotógrafo amador” patente na Torre do Tombo até Julho, integra 46 fotografias, a maioria assinadas e legendadas pelo próprio monarca, mas também fotografias tiradas pela Rainha, sua mulher, D.ª Amélia, e os filhos, o Príncipe Real D. Luís Filipe e o Infante D. Manuel (futuro D. Manuel II, último a ocupar o trono português).
A exposição das imagens esteve patente, recorde-se, o Verão passado no Paço Ducal dos Bragança, em Vila Viçosa e pertencem à Fundação da Casa de Bragança. Podemos ver as campanhas oceanográficas do soberano, touradas de canastra, regatas em Paço de Arcos, a armação do atum no Algarve, e membros da Família Real, assim como os banhos em Cascais e o iate Amélia. D. Carlos herdou dos pais, D. Luís e D.ª Maria Pia o gosto pelas inovações num século onde tudo era novo em termos de mecanismos. Curioso, observador, o Rei integrava-se no devir social do seu tempo e seguia todas as inovações.
Em Lisboa a exposição é enriquecida com a exibição do documentário “D. Carlos, Oceanógrafo” (1997), de Jorge Marecos Duarte e Sérgio Tréfaut, com narração, Luís Miguel Cintra, que utiliza fotografias tiradas por Sua Majestade.
Outra mais valia desta mostra é a área documental em que será mostrado pela primeira vez ao público o pergaminho de 60X80 cm relativo ao auto de juramento da Constituição Portuguesa da época por D. Carlos, e assinado nas Cortes (Parlamento) por todos os dignitários.
Os visitantes poderão ver ainda a certidão de nascimento de D. Carlos e o contrato de casamento celebrado com a Princesa Amélia de Orleans.
Uma mostra que, segundo nota da Torre do Tombo pretende “estabelecer uma ponte entre a arte fotográfica praticada pelo soberano e o testemunho da sua própria vida e do seu tempo”. Via http://hardmusica.pt/


Artur Agostinho (1920-2011)

Quando era miúdo, tinha sempre dificuldade em identificar quem era Joaquim Agostinho e Artur Agostinho. Sabia simplesmente que pertenciam ambos à Família Sportinguista! 🙂

Um dia, subi o Elevador da Bica sentado ao lado do senhor Artur. Finalmente percebi! Pela idade que aparentava, só podia ser o senhor Artur. Que Parvo Que Eu Sou! 🙂

Poesia e Morte

Que me perdoe quem não é apreciador da Festa Brava, Arte que tantos poetas inspirou, de Lorca a Celaya, mas há poesia bastante neste artigo de Andrés Amorós para o ABC sobre a Corrida deste fim de semana em Valência, onde o madrileno Alberto Aguilar foi colhido.

La emoción del toro serio

Alberto Aguilar sufrió una cornada y cortó una oreja como Tomás Sánchez a la corrida de Adolfo Martín

Como San José ha caído en sábado, se alarga un día más la Feria taurina, cuando ya se han quemado las Fallas. La seria corrida deAdolfo Martín trae la emoción que otras tardes hemos echado de menos: cortan oreja Tomás Sánchez y Alberto Aguilar, herido por el último.

Anoche, en la “cremá”, hablaban de toros Rita Barberá, con Vicente Barrera, y Francisco Camps, con Enrique Ponce. La falla iba cayendo, poco a poco, en el fuego: tanto trabajo, tanto arte, tanto esfuerzo… El fuego se lo ha llevado: queda sólo un montón de cenizas. Consumiéndolo, lo ha purificado; y también, esperemos, a nosotros. Y a la Tauromaquia… La corrida de Adolfo Martín está muy bien presentada, con pocos kilos pero cabezas aparatosas. Varios son aplaudidos de salida. El comportamiento es otra cosa: blandean, salta uno la barrera y lo intentan dos más, no dan mucho juego. Los han picado mal, eso sí: mucho y trasero. Rafaelillo, prácticamente, no tiene opciones. A su primero le pegan mucho, tapándole la salida. Recuerdo la frase de don Antonio Chacón: “Yo soy como los toros de Saltillo, que embisten mejor cuando les llega la sangre hasta la pezuña”. No es éste el caso, por desgracia: flojea, se queda muy corto. Sólo puede darle una lidia correcta, sin lucimiento.

El cuarto, serio, con poca codicia, se derrumba: ¿flojo o lesionado? Le piden que lo mate : lo hace con una buena estocada. El valiente murciano prácticamente ha quedado inédito.

Especial emoción se vive con el segundo toro, escurrido pero con muchos pitones. (Recuerdo a Góngora: “Media luna las armas de su frente…”). Salta la barrera y sale distraído, con la cara alta. Tomás Sánchez lo somete, consigue series cortas pero intensas, tragando mucho. Entrando rápido, logra la estocada y la merecida oreja.

Recibe al quinto con buenas verónicas. Es un toro incierto, que humilla pero queda corto. Uno a uno, va sacando naturales de mérito. En uno, es trompicado y queda un rato a merced del toro . El trasteo también ha tenido emoción pero pincha en hueso antes de lograr la estocada. Para lo poco que torea, ha estado muy digno.

Alberto Aguilar sale a demostrar que se merece estar en las Ferias. Su primero intenta saltar, está justo de fuerzas pero mete la cabeza. Lo llama de lejos, adelantando la muleta y tirando bien de él; consigue derechazos templados pero el toro se queda a medias y él diestro pincha.

El sexto, muy veleto, alirado, con casi seis años, transmite mucho. Lo lidia bien, le planta cara, conduce las embestidas. En un derrote, es herido en la pierna izquierda; sangrando y cojo, consigue, a la segunda, la estocada y la oreja: un gesto de hombre.

Se acaban de cumplir los cien años del nacimiento de Gabriel Celaya. He recordado sus versos: “Soy un ibero / y, si embiste la muerte, / yo la toreo”. Ésa sigue siendo la grandeza de nuestra Fiesta.

Ha concluIdo la Feria de Fallas. De todo lo que anoche se quemó, esta mañana ya no quedaba nada. Los bomberos y el servicio de limpiezas de la ciudad funcionan de maravilla. Al salir a la calle, notamos con extrañeza la ausencia de la Falla: como ese vacío que deja una muela, cuando nos la extrae el dentista, y, al día siguiente, seguimos pasando la lengua por el hueco… Una vez más, era necesario que muriera todo lo viejo para que naciera, como pide San Pablo, el hombre nuevo. ¿Llegará también esa regeneración que tanto necesita la Fiesta? Soñemos: un año más, llega la primavera.

Flowering plum tree – Japonaiserie (after Hiroshige) – Vincent van Gogh, 1887

Quando amanhecer em Portugal, neste dia 20 de Março, estaremos a celebrar o Equinócio da Primavera enquanto a Terra do Sol Nascente sofre, mesmo quando as cerejeiras estão em flor.  
A minha homenagem, através da visão poética que Van Gogh nos deixou da Mãe-Terra.

One may recognize a Japanese influence even in Vincent van Gogh’s later work. In the stylized designs, the use of strong contours and contrasting colors, the cut-off compositions, and in his continuing interest in certain themes, such as blossoming trees or twisting branches.

Van Gogh made this painting after a Japanese print by Hiroshige from the extensive collection he shared with his brother. He closely followed the composition of Hiroshige, but did not stick to the exact colours of the original. The Oriental characters he painted on the frame were derived from a Japanese example. The text they create has no coherent meaning and their function is primarily decorative.

The ancient plum tree that was the subject of the original print by Hiroshige had the poetic nickname of ‘the sleeping dragon plum tree’. A name it got from the way that the tree branched out via a network of underground roots only to emerge above ground somewhere else. Via.

Joe Morello (1928-2011)

O Quarteto de Dave Brubeck, com Brubeck ao piano, Paul Desmond no saxophone alto, Eugene Wright no baixo e Joe Morello na bateria, adquiriu notoriedade ao longo da década de 50; Porém, estava escrito nas estrelas que 1959 seria um ano excepcional para o jazz: a par de Kind of Blue de Miles Davis, apresentava-se ao mundo “Time Out”. O álbum, que incluía “Take Five” com um solo memorável de Morello e “Blue Rondo a la Turk”, tornou-se num dos discos de jazz mais populares de sempre, em grande parte devido à secção rítmica de Wright e Morello.


Afeganistão: Encruzilhadas do Mundo Antigo

Exposição “Afghanistan: Crossroads of the Ancient World”
British Museum | 3 de Março a 3 de Julho de 2011


Gold crown from Tillya Tepe, 1st century AD

Resultante da posição geográfica na região e das relações de comércio e culturais com os países vizinhos da Ásia Central como o Irão, a Índia e a China, estão acessíveis algumas das mais importantes descobertas arqueológicas do Antigo Afeganistão, bem como peças únicas cedidas pelo Museu Nacional do Afeganistão, em Cabul. O conjunto, superior a 200 objectos, apresenta-se sob a forma de uma encruzilhada cultural do Mundo Antigo, desde esculturas clássicas, mobiliário da Índia, do Egipto e ornamentos em ouro.

Todos os objetos foram encontrados entre 1937 e 1978, tendo-se temido pelo seu desaparecimento após a invasão soviética de 1979 e a guerra civil que se seguiu, quando o Museu Nacional foi atingido pelos talibãs.


Fragment of a bowl depicting bearded bulls (Tepe Fullol), 2200-1900 BC

As descobertas mais antigas, parte de um tesouro com cerca de 4000 anos, constituem os primeiros artefactos de ouro encontrados no Afeganistão e estão ligadas às trocas comerciais com as civilizações do Irão e do Antigo Iraque. As mais recentes provêm de três outros locais no norte do Afeganistão e pertencem ao período situado entre o século 3º aC e o século 1º dC.


Enamelled glass goblet from Begram, 1st century AD

Relacionado:
Artigo “Looted Afghan treasures identified” e conjunto de imagens no The Independent
Artigo “Treasures from Afghanistan: in pictures” no The Telegraph

Serenata do Cisne Bravo

Em Janeiro de 2010 no Lago Hokkaido – Japão, o fotógrafo Stefano Unterthiner captou a graciosidade poética dos cisnes bravos. O trabalho que realizou para a National Geographic valeu-lhe  o 2º Prémio da World Press Photo na categoria Natureza.

Heroínas no Thyssen – Atalanta

Que feliz coincidência, a escolha de 8 de Março para a inauguração da Exposição no Museu Thyssen, já que hoje se celebra o 100º aniversário do Dia Internacional da Mulher.

Guido Reni – Atalanta e Hipómenes, 1618-1619

Como Ártemis y sus ninfas, la mortal Atalanta rechaza el culto de Afrodita y destacaba en los ejercicios supuestamente masculinos: la caza, la lucha cuerpo a cuerpo, la carrera. La figura de Atalanta encierra una amenaza potencial contra los roles de género que ha sido desactivada una y otra vez, desde el propio Ovídio hasta las interpretaciones pictóricas del mito. En la pintura victoriana, no obstante, la iconografía de cazadoras y atletas antiguas será rescatada para imaginar la emancipación del cuerpo femenino y el derecho al deporte como precursor en la conquista de otros derechos sociales y políticos.


Noël Hallé – The Race between Hippomenes and Atalanta, 1762-65
Oil on canvas, 321 x 712 cm | Musée du Louvre, Paris

Josephine Baker em Portugal

Para comemorar o 70.º aniversário da estreia da artista em Portugal, em Março de 1941, João Moreira dos Santos e o Teatro daTrindade propõem para os dias 11 e 12 de Março a peça Uma Noite com Josephine Baker ( o evento consiste num espectáculo multimedia que inclui música, teatro e vídeo, e ainda a apresentação do livro de João Moreira dos Santos sobre a ligação de Baker a Portugal entre 1933 e 1960. 
Complementarmente, realiza-se a 12 de Março o passeio guiado Na Peugada de Josephine Baker pela Lisboa dos Anos 30/50.

Josephine Baker, que nos anos 20 foi o ícone do jazz e da libertação sexual, escandalizando a velha Europa com as suas ousadas e desnudadas danças, passou sete vezes por Portugal, entre 1939 e 1960. Desde simples escalas a concertos, acções de espionagem para os serviços secretos franceses, uma tentativa frustrada de adopção e até declarações políticas pró-fraternidade universal, não passou despercebida nem sem levantar protestos pela sua arte e cor.João Moreira dos Santos

 

 

Oriente – Ocidente

(Anònim Sefardi)

Yo m’enamori d’un aire,
d’un aire d’un donzell,
d’un donzell molt formós,
bell del meu cor.

Yo m’enamori de nit,
la lluna m’ enganyà.
Si hagués estat de dia,
yo no hauria conegut l’amor.

Si altre cop yo m’enamoro,
que sigui de dia, amb sol.