Archive for the ‘ Pintura ’ Category

Natal

Um anjo imaginado, 
Um anjo diabético, atual, 
Ergueu a mão e disse: — É noite de Natal, 
Paz à imaginação! 
E todo o ritual 
Que antecede o milagre habitual 
Perdeu a exaltação. 

Em vez de excelsos hinos de confiança 
No mistério divino, 
E de mirra, e de incenso e ouro 
Derramados 
No presépio vazio, 
Duas perguntas brancas, regeladas 
Como a neve que cai, 
E breve como o vento 
Que entra por uma fresta, quizilento, 
Redemoinha e sai: 

A volta da lareira 
Quantas almas se aquecem 
Fraternalmente? 
Quantas desejam que o Menino venha 
Ouvir humanamente 
O lancinante crepitar da lenha? 

“Natal”, de Miguel Torga
“Adoração dos magos” (painel da esquerda – detalhe), de Hieronymus Bosch

Evocação de Mário Cesariny [9 Agosto 1923 – 26 Novembro 2006]

2º pólo expositivo da mostra inaugural da CASA DA LIBERDADE – Mário Cesariny.
Exposição “Homenagem a Cesariny”. Inauguração a 26 de Novembro, 18h, na Perve Galeria de Alfama.
Conta com a intervenção de vários artistas que, por via da afinidade artística e da admiração nutrida por Mário Cesariny, se quiseram associar a esta evocação no momento exacto em que passam 7 anos sobre a data da sua morte.
O momento ficará também assinalado pelo lançamento do 1º volume da obra “Poéticas Pós-Pessoa. Antologia do surrealismo e suas derivações em Portugal”. Uma edição artística bilingue, português e francês, da autoria de Isabel Mayrelles, realizada ao longo de 30 anos e que será editada em quatro volumes e enriquecida com um conjunto assinalável de múltiplos artísticos.
Inauguração com a presença de Carlos Calvet e de Cruzeiro Seixas, artistas que realizaram as obras que integram o 1º volume da antologia. Via.

Cenas Religiosas dos séculos XIV-XVII (II)

“Dentro de la escuela de pintura italiana destaca la pareja de lienzos de Giovanni Paolo Panini [17 de Junio de 1691 – 21 de Octubre de 1765], ‘La expulsión de los mercaderes del templo’ y ‘La piscina probática’, pintados en Roma hacia 1724 y cuyas escenas, con numerosos grupos de personajes, se organizan en el marco de monumentales arquitecturas.” – Via Museo Thyssen-Bornemisza.

Giovanni Paolo Panini – ‘La Expulsion de los mercaderes del Templo’, 1724

Giovanni Paolo Panini | La piscina probática, c. 1724

Albrecht Dürer – “Massacre dos dez mil cristãos”

Em 29 de Maio de 1453, a capital do Império Bizantino, Constantinopla (Istambul), cai às mãos do Império Otomano, apagando assim os últimos vestígios do Império Romano. Em 1508, Albrecht Dürer ilustrou a barbárie turca com este “Massacre dos dez mil cristãos”.

Albrecht Dürer - Marter der zehntausend Christen - 1508

Albrecht Dürer – ‘Marter der zehntausend Christen’, 1508
Kunsthistorischen Museum, Viena

 

São Jorge

Pensa-se que os Cruzados ingleses que ajudaram o Rei Dom Afonso Henriques a conquistar Lisboa, em 1147 terão sido os primeiros a trazer a devoção a São Jorge para Portugal. No entanto, só no reinado de Dom Afonso IV de Portugal que o uso de “São Jorge!” como grito de batalha se tornou regra, substituindo o anterior “Sant’Iago!”.
O Santo Dom Nuno Álvares Pereira, Condestável do Reino, considerava São Jorge o responsável pela vitória portuguesa na batalha de Aljubarrota e aí está a Ermida de São Jorge a testemunhar esse facto. O Rei Dom João I de Portugal era também um devoto do Santo, e foi no seu reinado que São Jorge substituiu Santiago maior como padroeiro de Portugal. Em 1387, ordenou que a sua imagem a cavalo fosse transportada na procissão do Corpus Christi.
Entre as diversas lendas sobre São Jorge, como a “do dragão e da princesa”, a data de 23 de Abril do ano de 303 é tida como o dia da sua morte. Via.
Michiel van Coxcie [1499-1592] – A Tortura de São Jorge, 1580s

Michiel van Coxcie - The Torture of St George, 1580s

‘As Banhistas’, de Paul Cézanne

O tema de As Banhistas, em que composições figurativas se fundem com a paisagem, foi um dos conceitos que Cézanne [19 Janeiro 1839 – 22 Outubro 1906] desenvolveu ao longo da sua carreira artística, durante a qual reinterpretou várias versões e em diversos formatos o tema da mitologia clássica, procurando estabelecer uma ruptura com as possibilidades de representação pictórica e, simultaneamente, criar obras de valor intemporal.

Os corpos femininos nus de As Banhistas não foram incluídos pela sua beleza mas pela harmonia entre as figuras e a paisagem. A obra assumiu um papel  inspirador durante o despontar do cubismo, nomeadamente para Picasso e Matisse.

Paul Cézanne, 1839 – 1906 | Bathers (Les Grandes Baigneuses) – about 1894-1905
nationalgallery.org.uk

‘Adoração dos Magos’, de Gentile da Fabriano

O Retábulo “Adoração dos Reis Magos”, datado de 1423, pertence ao Museu Uffizi em Florença. Contém elementos da Procissão dos Reis Magos, da Fuga para o Egipto e da Apresentação ao Templo, incluindo ainda animais exóticos, como leopardos e macacos. Esta obra de Gentile da Fabriano [c.1370-1427] é um expoente do gótico italiano no início do século XV.

Gentile da Fabriano [c.1370-1427] - Adorazione dei Magi, 1423

A Sistina é uma Capela (« Silenzio ! »)

Esta edição do “Le Figaro Hors-série“, dedicada à comemoração dos 500 anos da revelação do tecto da Capela Sistina ao Papa Júlio II por Miguel Ângelo Buonarotti, é mesmo para guardar!

figaro-capela sistina

Frédéric Bazille

Oriundo de uma abastada família Protestante, Frédéric Bazille nasceu em Montpellier a 6 de Dezembro de 1841. Tendo-se mudado para Paris em 1862, com o objectivo de prosseguir os estudos em medicina, o seu interesse pela arte viria a proporcionar-lhe-ia a oportunidade de conhecer Alfred Sisley, Pierre-Auguste Renoir e Claude Monet.
Monsieur Bazille sustentou Renoir e Monet, participou no Salon em 1866 e morreu quatro anos mais tarde, com apenas 29 anos de idade.

Frédéric Bazille (1841-1870), Edouard Manet (1832-1883) – Bazille’s Studio, 1870

Frédéric Bazille (1841-1870), Edouard Manet (1832-1883) - Bazille's Studio, 1870

O exílio de Rimbaud

Jean-Nicolas Arthur Rimbaud (Charleville, 20 de Outubro de 1854 – Marselha, 10 de Novembro de 1891)
Extracto da única obra por si publicada – Une Saison en Enfer, 1873: Délires II, Alchimie du verbe
Ilustração “Portrait d’Arthur Rimbaud” de Pablo Picasso, 1960
À moi. L’histoire d’une de mes folies.
Depuis longtemps je me vantais de posséder tous les paysages possibles, et trouvais dérisoire les célébrités de la peinture et de la poésie moderne.
J’aimais les peintures idiotes, dessus de portes, décors, toiles de saltimbanques, enseignes, enluminures populaires ; la littérature démodée, latin d’église, livres érotiques sans orthographe, romans de nos aïeules, contes de fées, petits livres de l’enfance, opéras vieux, refrains niais, rythmes naïfs.
Je rêvais croisades, voyages de découvertes dont on n’a pas de relations, républiques sans histoires, guerres de religion étouffées, révolutions de mœurs, déplacements de races et de continents : je croyais à tous les enchantements.
J’inventai la couleur des voyelles ! — A noir, E blanc, I rouge, O bleu, U vert. — Je réglai la forme et le mouvement de chaque consonne, et, avec des rythmes instinctifs, je me flattai d’inventer un verbe poétique accessible, un jour ou l’autre, à tous les sens. Je réservais la traduction.
Ce fut d’abord une étude. J’écrivais des silences, des nuits, je notais l’inexprimable. Je fixais des vertiges.