Archive for the ‘ Jazz ’ Category

Bitches Brew – Legacy Edition

O duplo álbum “Bitches Brew” não é de fácil digestão. Acontece que esta semana é colocada à venda a especialíssima reedição dos 40 anos, o que faz com que, além de continuarmos a querer Miles, teremos os próximos 40 anos para o degustar. No final da vida vão ver que valeu a pena o investimento


We want Miles!

Por Rodrigo Amado – Ípsilon, 26-08-2010
40 anos depois, “Bitches Brew” regressa em reedição: um dos discos mais determinantes da história da música, cuja influência se estendeu muito para além do jazz, atingindo, em sucessivas ondas de choque, o rock, o funk ou o hip-hop. O tempo passou, mas continuamos a querer Miles
Em 1970, o Concorde realiza o primeiro voo supersónico, o Brasil vence a Itália no campeonato do mundo, e o universo da música está ao rubro. Os Beatles anunciam oficialmente a sua separação, morrem Jimi Hendrix e Janis Joplin, Iggy Pop e os Stooges gravam o genial “Fun House” e saem, pelos Black Sabbath, “Black Sabbath” e “Paranoid”, considerados os primeiros verdadeiros álbuns de heavy-metal.
Nesse mesmo ano, com os Beatles a desmoronarem-se e o heavy-metal a aparecer, Miles Davis (1926-1991), trompetista que viria a tornar-se um dos mais influentes músicos do século XX, também deu notícias. Eram notícias importantes: “Bitches Brew”, o álbum que lançou em 1970, foi um disco de culto antes de se transformar num clássico intemporal, um dos primeiros discos de jazz a estender a sua influência muito para além das fronteiras do género, atingindo, em sucessivas ondas de choque, todo o espectro musical, do rock à soul, do funk ao hip-hop. Agora que faz 40 anos, “Bitches Brew” reaparece, em reedição histórica, já na próxima terça-feira, dia 31. Reaparece é maneira de dizer: ao longo destas quatro últimas décadas, a música popular nunca deixou de estar sob influência, sob a sua influência.
Nesse ano em que editou “Bitches Brew”, Miles era já uma estrela. Levava um modo de vida aristocrático, dividido entre mulheres belíssimas (teve casos com Juliette Gréco e Jeanne Moreau), carros desportivos, uma mansão em Nova Iorque e uma “villa” de luxo em Malibu, na Califórnia. Muitos jovens, sobretudo negros, copiavam a sua forma de vestir e chegou mesmo a ser feito um anúncio para a gigante Bell Telephone em que um homem falava ao telefone com uma mulher: “Estava aqui sentado a ouvir o Miles Davis tocar ‘My funny valentine’, e lembrei-me de ligar…”.
Miles fazia-se pagar caro. Os seus concertos eram disputados a preço de ouro pelos promotores mais conceituados, para os quais à qualidade da música se somava o efeito curiosidade que a figura de Miles despertava. Uma curiosidade instigada pelos mitos que circulavam em seu redor, alimentados pelo feitio irascível do trompetista, mistura explosiva de uma desarmante sinceridade e de um ego do tamanho do mundo. Numa ocasião, perguntou ao saxofonista Bob Berg porque tinha feito um solo onde não era suposto. Berg respondeu: “Estava a soar tão bem que tive de entrar”. “Bob,” respondeu Miles, “a razão por que estava a soar bem era porque tu não estavas a tocar.”
Era implacável, Miles. Numa das raras entrevistas que deu em directo para a televisão, vemo-lo a entrar, carrancudo, e a deixar o entrevistador pendurado, de mão estendida para o cumprimentar. Senta-se sem dizer nada, e começamos a sentir os nervos do jornalista. Quando este finalmente lhe faz, com um sorriso amarelo, a primeira pergunta, “O que pensa dos Beach Boys?”, Miles atira-lhe, seco, “isso não tem piada!” e começa a falar daquilo que bem lhe apetece.
Mas havia outro Miles, aquele que um jornalista da “Playboy” confessou, ter encontrado, depois de com ele passar dois dias: este Miles exercita-se no ginásio de casa, cozinha costeletas de vitela para a família, recebe chamadas de amigos, vê televisão, dá aulas de boxe aos três filhos e, claro, pega num dos trompetes lá de casa para fazer algumas escalas a alta velocidade.
A maldição da mudança
Em Agosto de 69, Miles leva para o estúdio um grupo alargado de músicos: Wayne Shorter (saxofone), Bennie Maupin (clarinete baixo), Joe Zawinul (piano eléctrico), Chick Corea (piano eléctrico), John McLaughlin (guitarra), Dave Holland (contrabaixo), Harvey Brooks (baixo eléctrico), Lenny White (bateria), Jack DeJohnette (bateria), Don Alias (congas) e Jim Riley (shaker). Tendo como indicação pouco mais do que um ritmo, um “riff” ou alguns sinais, os músicos lançam-se em longas “jams” que são depois trabalhadas por Miles e Macero, utilizando técnicas de pós-produção consideradas altamente inovadoras na altura (tape loops, tape delays, reverb chambers ou echo effects). O disco, um LP duplo com uma brilhante ilustração de capa, surreal e psicadélica, composta por Abdul Mati Klarwein – tornar-se-ia um enorme sucesso comercial, com mais de meio milhão de cópias vendidas, algo totalmente impensável para um artista jazz. Apesar de considerado uma “traição” por muitos dos que veneravam o Miles dos anos 50 e 60, este novo som, espacial, pesado, escuro e intenso, coloca de novo Miles à frente das inovações musicais da década.
A liberdade dada aos músicos nas sessões de gravação tornou-se lendária, como Miles comentou em entrevista a Les Tomkins: “Quis que os músicos se mantivessem afastados do que é confortável. Há demasiada porcaria no mundo com a qual é suposto estarmos confortáveis. Temos de nos manter na ponta dos pés, a lutar.”
Foi o que ele fez, de resto. Depois de “Bitches Brew”, Miles não esperou muito tempo para mudar de novo, de forma radical, o seu som. Ele próprio dizia: “Tenho de mudar constantemente, é como uma maldição.”
Do jazz para a pop
Músico em permanente transformação, Miles tinha estado presente, sempre na linha da frente, nas grandes revoluções ocorridas no jazz durante as décadas de 40, 50 e 60, ao lado de Charlie Parker, John Coltrane, Gil Evans, Gerry Mulligan, Cannonball Adderley ou Herbie Hancock, entre muitos outros. Deste período, ficaram obras incontornáveis que marcam definitivamente a história do jazz como “Birth of the Cool”, “Miles Ahead” ou “Kind of Blue”. Mas Miles não se sentia satisfeito com o estatuto atingido, pelo contrário.
Cansado do meio hermético do jazz e fortemente influenciado pela sua companheira de então, Betty Mabry – que se tornaria conhecida como Betty Davis, assinando um par de álbuns históricos -, sentia necessidade de atingir um público mais alargado, ouvindo incessantemente Jimi Hendrix, Sly Stone, James Brown, Santana, Marvin Gaye, ou até mesmo os Beatles, dos quais louvava as técnicas avançadas de pós-produção de álbuns como “Sgt. Pepper’s” ou “White Album”. Por esta altura, aceitava reduções nos honorários, para tocar nas primeiras partes de grupos como a Steve Miller Band ou os Grateful Dead. Com impacto assegurado na história do jazz, o trompetista procurava agora deixar a sua marca na música popular. Para que esta transição acontecesse, necessitava de um som mais eléctrico, fortemente baseado no groove, e estava disposto a assumir a direcção de tudo o que acontecia, no palco ou no estúdio, inscrevendo agora nos seus discos (o primeiro foi “Filles de Kilimanjaro”) a frase “Directions in Music by Miles Davis”. Quando grava, em Fevereiro de 1969, “In a Silent Way”, colaborando de perto com o super-produtor Teo Macero, expande o seu quinteto com a entrada de Herbie Hancock, Joe Zawinul e John McLaughlin, dando início a um som que viria a desenvolver em “Bitches Brew”, um caleidoscópio de ambientes e texturas musicais, marcado por ritmos hipnóticos e improvisações incisivas e agrestes. Um som que pode agora ser visto como a perfeita banda sonora para o final de uma década tumultuosa, com o mundo a beira do colapso, refém das convulsões sociais de 69, da Guerra Fria e do pesadelo do Vietname.
Era evidente que ele vinha do jazz, mas não era evidente para onde ele ia. “Sou apenas um trompetista. Consigo fazer uma coisa apenas – tocar o meu trompete -, e é isso que causa toda esta confusão. Não sou um ‘entertainer’ nem procuro sê-lo. Sou apenas um músico. Quando não estou a tocar, estou a pensar em música. Penso nela todo o tempo, quando estou a comer, a nadar, a desenhar. Não gosto sequer da palavra jazz. E não toco rock também. Faço apenas a música que o dia recomenda.”
E os dias, em 1970, recomendavam “Bitches Brew”.
This super-deluxe edition celebrates one of the most remarkable albums in Miles Davis’s career and jazz history in general. Originally released in 1970, Bitches Brew became Davis’s first gold album. This anniversary 4-disc package offers the original album on CD plus an audiophile vinyl pressing on 2 LPs; previously unissued material including extensive live performances of much of the same music including a DVD of the entire Copenhagen performance from November 4, 1969. Also included is a 48-page 12×12 book, memorabilia envelope, and large fold out poster.

Um dos muitos colossos da discografia de Miles Davis, “Bitches Brew” assinala o sucesso das técnicas de pós-produção como parte integrante da música

Ao ouvir os seis temas originais que compõem o duplo LP de “Bitches Brew”, é difícil conceber que nem tudo é o que parece, de tal forma a música soa espontânea, instintiva e natural. Assinalando, em conjunto com “In a Silent Way”, o início da (agora) celebrada fase eléctrica de Miles Davis, “Bitches Brew” foi gravado com uma banda alargada de músicos – Wayne Shorter (saxofone), Bennie Maupin (clarinete baixo), Joe Zawinul (piano eléctrico), Chick Corea (piano eléctrico), John McLaughlin (guitarra), Dave Holland (contrabaixo), Harvey Brooks (baixo eléctrico), Lenny White (bateria), Jack DeJohnette (bateria), Don Alias (congas) e Jim Riley (shaker) -, aos quais se juntou um outro elemento, talvez o “músico” mais importante da banda: o produtor Teo Macero. Em conjunto com Miles, Macero escolheu excertos das longas “jams” que foram gravadas, editando-as em colagens que se tornam posteriormente imperceptíveis, e aplicando-lhes uma série de efeitos de estúdio – loops, delays, reverbs e echos – que fazem com que aquilo que é agora ouvido no disco esteja bastante distante do que foi na realidade gravado.
Em três dias de sessões onde nem tudo correu da melhor forma – em discussão com Macero, Miles chegou a aboandonar o estúdio dizendo aos músicos para fazerem o mesmo e regressando pouco depois, amuado, para continuar as gravações -, músicos e produtor construiram um admirável mundo novo. Aproximando-se dos universos de Sly Stone, James Brown, Jimi Hendrix ou Marvin Gaye, Miles e os seus músicos destilam um som poderoso onde se sobrepõem longos vamps, repetitivos e hipnóticos, e improvisações cruas e incisivas, em espiral, que fazem de “Bitches Brew” uma genial amálgama de rock distorcido, blues, voodoo-funk, jazz progressivo e riffs endiabrados.
Quando termina a sexta faixa extra desta “Legacy Edition”, que inclui ainda um DVD inédito gravado ao vivo na Dinamarca, somos impelidos a ouvir tudo de novo, procurando prolongar a sensação narcótica de abandono deixada pela música, bem espelhada nas imagens surreais e idílicas criadas para a capa por Mati Klarwein. Directo para o topo das reedições do ano!
Relacionado:
Live Jazz: Bitches Brew Remix at the Sunset Junction Festival, por Devon Wendell

Michael Dessen Trio

Centro Cultural de Belém – Cafetaria Quadrante – 05 de Agosto de 2010, 22:00 – Entrada Livre
MICHAEL DESSEN trombone | CHRISTOPHER TORDINI contrabaixo | DAN WEISS bateria

No jazz electroacústico de Michael Dessen conjuga-se a tradição afro-americana com a técnica e a sonoridade da música experimental. No seguimento da produção musical de George Lewis, Dessen toca trombone recorrendo ao computador para processamento digital. A este método de criação em tempo real, o músico californiano denominou “digibone”.

Part 1, Jazz Telemotions from Michael Dessen on Vimeo.

This trio plays a unique mix of adventurous improvisation, intricate compositions, abstract soundscapes, and polyrhythmic flow. I compose the music and perform on trombone and live electronics, joined by a bassist and drummer. In August 2010, I’m excited to be recording a new trio album in Lisbon for Clean Feed Records, with Christopher Tordini on bass and Dan Weiss on percussion. Michael Dessen

Excerpt from Between Shadow and Space; More info and music samples…

Stella by Starlight – Miles Davis

Este standard, tantas vezes imortalizado, é peça obrigatória em qualquer colecção musical. Pertence ao disco The Complete Concert 1964: My Funny Valentine + Four and More [Live].

Miles Davis (tp) George Coleman (ts) Herbie Hancock (p) Ron Carter (b) Tony Williams (ds)
“Philharmonic Hall”, Lincoln Center, NYC, set one, February 12, 1964

Herbie Hancock’s all-star set

Legendary jazz musician Herbie Hancock delivers a stunning performance alongside two old friends – past drummer for the Headhunters, Harvey Mason, and bassist Marcus Miller.
Listen to the end to hear them sweeten the classic “Watermelon Man.”

Guimarães Jazz 2009

Quinta, 12 Novembro | 22h00 | Música | Grande Auditório | Kind of Blue @ 50
Jimmy Cobb´s so what Band Featuring Wallace Roney, Vincent Herring, Javon Jackson, Larry Willis & Buster Williams

Editado em 1959 pelo lendário trompetista Miles Davis (1926-1991) e tido por muitos como uma verdadeira obra-prima da história do jazz, o álbum “Kind of Blue” cumpre este ano meio século de existência.

Em homenagem a este acontecimento, o famoso baterista Jimmy Cobb, único elemento ainda vivo da formação original da gravação, decidiu recordar a edição do disco, realizando uma série de concertos com uma formação que conta com a colaboração de um importante conjunto de músicos – Wallace Roney, Javon Jackson, Vincent Herring, Larry Willis e Buster Williams.
Ao mesmo tempo, surge no mercado uma edição comemorativa que inclui 2 CDs com a totalidade dos takes gravados no momento do seu registo discográfico, incluindo ainda um livro com textos e fotos, um documentário em DVD sobre “Kind of Blue” e um LP com a edição original do trabalho. “Kind of Blue” foi um dos discos mais vendidos de sempre, uma obra fundamental, olhado por muitos como o trabalho mais importante em toda a história do jazz. Em 2003 foi eleito pela revista “Rolling Stone” o 12º melhor álbum de todos os tempos (entre 500 títulos seleccionados), não sendo por isso de admirar que tenha tantas vezes sido considerado um álbum imprescindível em qualquer discografia. Nesse ano fantástico de 1959, durante o qual aconteceram grandes momentos musicais, importantes contributos para a consolidação de uma corrente estética e musical que haveria de ser essencial na afirmação definitiva do jazz, “Kind of Blue” juntava na 30th Street, Nova Iorque, nos estúdios da Columbia Records, alguns dos maiores improvisadores do século XX: Miles Davis (trompete), John Coltrane (saxofone tenor), Bill Evans (piano, excepto em “Freddie Freeloader” – Wynton Kelly), Paul Chambers (contrabaixo), Cannonball Adderley (saxofone alto) e Jimmy Cobb (bateria). A primeira sessão deu origem ao lado A do disco e decorreu a 2 de Março, gravando-se “So What”, “Freddie Freeloader” e “Blue in Green”. Um mês depois, a 22 de Abril, estes músicos voltaram a reunir-se para registarem “Flamenco Sketches” e “All Blues”.
Produzido por Teo Macero, “Kind of Blue” é a soma de muitas genialidades: as de Miles Davis associadas às espantosas qualidades artísticas de cada um dos músicos presentes que revelaram uma da capacidade de improvisação fora de comum para a época. Segundo Jimmy Cobb, “Kind of Blue” foi “feito no céu”. Segundo a opinião insuspeita do pianista Herbie Hancock, o disco é um acontecimento raro, uma junção de energias que se transformaram n’ “Um marco não só da história do jazz, mas também da história da música”.

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Sexta, 13 Novembro | 22h00 | Música | Grande Auditório | Hank Jones Trio

Aos 91 anos, Hank Jones é uma lenda viva do jazz. A sua carreira é feita de sete décadas como pianista e compositor com centenas de discos gravados, quer acompanhando os mais variados tipos de artistas, quer como líder, registando mais de sessenta trabalhos.

Primogénito de sete irmãos, nasceu em 1918, no estado do Mississippi, no contexto de uma família destinada a ter uma profunda relação com o jazz. É irmão do famoso baterista Elvin Jones e do trompetista e compositor Thad Jones, infelizmente já desaparecidos. Hank Jones foi um dos grandes impulsionadores do bebop e tocou com quase todos os grandes nomes da história do jazz como Coleman Hawkins, Ella Fitzgerald, Charlie Parker, Max Roach, Artie Shaw, Benny Goodman, Lester Young, Cannonbal Adderley, John Coltrane, Wes Montgomery, John Lewis, Tommy Flanagan, Ron Carter, Gato Barbieri, Eddie Gomez, Al Foster, Sonny Stitt, Oscar Peterson, Charlie Haden e Joe Lovano. Durante a sua carreira acompanhou Ella Fitzgerald, assim como Frank Sinatra e Diana Krall. Muito poucos deverão saber que Hank Jones foi o pianista que acompanhou Marilyn Monroe quando esta cantou o célebre “Happy Birthday Mr. President” a John F. Kennedy.
Apesar de ter pensado em reformar-se em 1987, Hank Jones continua activo e prolífico, tocando pelo mundo inteiro, gravando e dirigindo masterclasses em inúmeras universidades, como Harvard ou Nova Iorque. O mundo confirma-o como um dos últimos sobreviventes daquele núcleo de músicos excepcionais que ajudaram a consolidar o jazz em todas as partes do planeta. Para além de muitos outros prémios e homenagens, recebeu o título de Master of Jazz, atribuído pelo National Endowment for The Arts – um prémio que consagra a sua dedicação e paixão por esta música. Neste concerto, Hank Jones sobe ao palco acompanhado por dois intérpretes de excepção: George Mraz e Willie Jones III.

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Sábado, 14 Novembro | 22h00 | Música | Grande Auditório | Branford Marsalis Quartet

Branford Marsalis é um prestigiado saxofonista, um homem que se movimenta por dentro de inúmeros interesses musicais do jazz, blues e funk, a projectos de música clássica como o conhecido Marsalis Brasilianos, a partir da exploração do imaginário musical de Heitor Villa-Lobos.

Três vezes galardoado com um Grammy, tem desenvolvido a sua carreira como instrumentista de excepção, compositor dotado e director da Marsalis Music, uma editora por si fundada em 2002, através da qual tem produzido os seus próprios projectos, assim como os de artistas jovens, considerados novos talentos em ascensão do mundo do jazz. Oriundo de Nova Orleães, Branford Marsalis nasceu em 1960, no seio de uma família, considerada uma das maiores referências musicais da cidade: o patriarca/pianista/professor Ellis Marsalis e os seus filhos Wynton, Delfeayo e Jason. Começou a adquirir notoriedade quando integrou os Art Blakey’s Jazz Messengers e participou em inúmeros concertos com o quinteto do irmão Wynton Marsalis, no início dos anos 80, antes mesmo de ter formado o seu próprio grupo. Acompanhou e gravou com grandes lendas da história do jazz, como Miles Davis, Dizzy Gillespie, Herbie Hancock e Sonny Rollins. Conhecido pelo seu espírito inovador e pela sua visão musical muito abrangente no que diz respeito aos géneros, estilos e tipos de música, a sua actividade tem vindo a ampliar-se nos últimos anos, tendo-se tornado um solista de referência nas famosas orquestras sinfónicas de Chicago, Detroit, Dusseldorf e Carolina do Norte. Os seus interesses diversificados reflectem a sua cultura e as muitas actividades que tem realizado nos mais diversos contextos. Passou dois anos em digressão, tendo gravado com Sting e foi director musical do “The Tonight Show with Jay Leno”. Durante dois anos, colaborou com os Grateful Dead e Bruce Hornsby, participou nos filmes “Throw Mama from the Train” e “School Daze”, fez a banda sonora para “Mo’ Better Blues”, entre outros filmes, e foi o anfitrião do programa Jazz Set da National Public Rádio. O seu último CD, “Metamorphosen”, lançado em Março deste ano, assinala o 10º aniversário do quarteto de Branford Marsalis, um dos grupos mais poderosos e inventivos do jazz actual. Este grupo trabalha a improvisação como um bloco de sonoridades, retirando ideias de todos os géneros de música. Este conjunto de instrumentistas está junto há muitos anos e é capaz de criar, em simultâneo, formas antagónicas de estruturação musical que nalguns momentos surgem extremamente enérgicas, noutros intensamente melódicos.

Os meus destaques foram obtidos na página oficial do Guimarães Jazz 2009, onde se pode consultar a totalidade da programação.

Hank Jones Trio

HANK JONES TRIO – Culturgest, 15-11-2009

Hank Jones Trio – Hank Jones, piano| George Mraz, contrabaixo| Willie Jones III, bateria

Como sideman, destaco de Hank Jones – ainda em actividade aos 91 anos -, o álbum de 1959 Somethin’ Else de Cannonball Adderley, entre colaborações com Ella Fitzgerald, Dexter Gordon, Ron Carter e Max Roach, só para citar alguns.
Como lieder do Hank Jones Trio, esta lenda viva do bebop gravou em 2005 For My Father com George Mraz no baixo e Dennis Mackrel na bateria.

Os músicos que o acompanham no concerto desta noite são intérpretes de excepção, com uma carreira sólida. Mraz, checo de origem, já tocou com Oscar Peterson, Stan Getz, Tommy Flanagan, Chet Baker, entre outros. Allen, apresentou-se, por exemplo, com Freddie Hubbard, George Coleman, Michael Brecker e é director artístico do Departamento de Jazz da Julliard School.

Cascais Jazz vai renascer após 21 anos

Duarte Mendonça começou a produzir o Cascais Jazz em 1974, já na sua quarta edição. Agora é o responsável pelo renascimento do festival que partiu do visionário Luís Villas-Boas.

Duarte Mendonça

1971: No Início era o Cascais Jazz…

Há pouco mais de 35 anos, o septeto de Miles Davis tocava no Dramático de Cascais e dava início ao mais mítico Festival de Jazz do País. O advogado Daniel Proença de Carvalho recorda o concerto que mais o marcou “pela total perplexidade que gerou. Não esperávamos aquela música, a liberdade dos músicos jovens que acompanharam Miles Davis. Ficámos hora e meia em silêncio e só depois vivemos uma explosão de emoção”, descreve ao DN. O advogado foi um dos 12 mil ‘privilegiados’ que assistiu ao festival que o próprio músico fez questão de abrir. Após um longo interregno de 21 anos, o Cascais Jazz está de regresso. E com ele uma mão cheia de músicos que marcaram os palcos de Cascais na época.
A ideia de retomar o festival de Cascais, já em Dezembro, partiu de Duarte Mendonça, actualmente ligado à produção de eventos como o Estoril Jazz e que co-produziu o Cascais Jazz a partir de 74: “Estava na Praia Verde [Algarve] quando me questionei sobre o que teria acontecido à marca do Cascais Jazz. Quando cheguei, liguei para o Instituto de patentes e resolvi registar a marca, bem como a insígnia”, refere ao DN.
Duarte Mendonça contactou a família de Luís Villas-Boas, que deu início ao festival, e o presidente da Câmara, António Capucho, que “ficou encantado com a ideia”, frisa.
A primeira (re) edição, em memória de Luís Villas-Boas, está agendada para os dias 4,5 e 6 de Dezembro no Centro de Congressos do Estoril. Assumindo que ainda não sabe como vai constituir o elenco deste festival nos próximos anos, Duarte Mendonça apenas assegura que “será semelhante ao do Estoril Jazz. A diferença entre os dois festivais estará no Jazz Latino. Estou a pensar introduzir dois concertos de bandas mais ligadas à bossa nova e salsa no Estoril Jazz já na próxima edição”, refere.
A ideia de organizar mais um festival não assusta o organizador, agora com 78 anos. “O que faz a idade das pessoas é a cabeça”, brinca. “Eu sinto que tenho 40 anos de cabeça”, conclui.
Por Diana Gomes – DN

Excelentes notícias!! Vamos lá matar saudades do que não vi… 🙂

Back to Monk

Monk – Live At The Jazz Workshop, 1964
Thelonious Monk – piano. Charlie Rouse – tenor. Larry Gales – bass. Ben Riley – drums.

Thelonious Monk played his first San Francisco club engagement in October of 1959. According to all accounts, opening night (at the Black Hawk, one of the city’s two top-ranked jazz clubs) was close to a total disaster. In a complete reversal of the way legend has always typecast Thelonious, he showed up for work more or less on time – but he was the only one on the bandstand. The rest of his quartet never made it.


Well, actually Charlie Rouse, who had joined Monk almost exactly a year earlier and was to remain his constant working companion through the entire Columbia Records period, showed up for the second set. (His excuse was weird enough to have the ring of truth to it. Arriving in town that afternoon, and feeling quite travel-weary, he had checked into a YMCA near the club and took a nap that lasted quite a while longer than planned, having requested a wake-up call that for some reason was never made.) This was more than two years after Monk’s great breakthrough, when playing with the emerging John Coltrane at New York’s soon-to-be-legendary Five Spot had started him towards new heights of public acclaim. Nevertheless, the booking apparently only paid enough to enable him to take one sideman across the country. The Los Angeles bassist and drummer hired for the week showed up the next day, but it was no way for a great pianist to first encounter one of America’s great cultural centers.

I know all of this for a certainty because I was in San Francisco at the time. Actually, the only reason I wasn’t at the Black Hawk that evening was because I was recording not too far away – at the Jazz Workshop, where the young Cannonball Adderley quintet was taping a “live” album that would lead them to world-wide stardom.



(Major companies often having been slow to respond to the less obvious jazz forms of that day, both artists were then recording for my New York based independent label, Riverside.) During the week I had reason to learn that Thelonious was rapidly gaining an appreciation of the California city; I still vividly recall the day he took me to lunch at a family-style Italian restaurant in the North Beach area, where the staff greeted him affectionately.

Among the more important things that happened to Monk during the next few years were several returns to the jazz clubs of that city and the beginning of a long relationship with a major label. The latter move led to a much higher profile for Thelonious, including the same rare honor gained by fellow Columbia Records star Dave Brubeck – having his picture on the cover of Time magazine! In the fall of 1964, the two elements combined when Monk, this time carrying a full cadre of musicians, played successive engagements at the It Club in Los Angeles, and the Jazz Workshop in San Francisco, and Columbia elected to record him in performance at both venues. (Opening night in the City by the Bay was, without question, a much happier occasion than in 1959.)



Of course there was a bit of maneuvering and inconvenience involved. Either economy or efficiency, or perhaps the schedule of Teo Macero, Monk’s designated producer at the label, dictated that the two chunks of location recording were jammed together – almost literally back to back. The band was recorded in Los Angeles on a Saturday and Sunday, the last two night of that stand, and then again further north on the first two of the next. (And Monk barely got time to travel – a good part of his off-day was spent in a Los Angeles studio cutting five numbers for a planned solo piano album.) It actually is a seriously bad idea to record right at the start of an on-the-road club date. The musicians haven’t yet gotten used to their new hotel rooms and how to get from the lobby to the job, let alone feeling comfortable and relaxed on the bandstand or in the backstage area, or accustomed to how they sound in the room.



But in addition to several better-known attributes, Thelonious Monk was a thorough professional, capable of working productively under almost any circumstances. It helped that he possessed limitless self-confidence – including both an instinctive faith in his own ability and the conviction that he had clothed his sidemen in the same invulnerable armor. And more than any other jazz artist in my experience, he seemed able to block out the influence of the tape machine, to proceed without appearing to be altering his performance to accommodate the requirements of recording. If you happen to be the producer in charge of the live recording session, this last quality is not necessarily a good thing. Usually – though perhaps not always – some adjustments should be made. Visual elements help make a drum solo more exciting; maintain audience interest for longer stretches of time, involve the viewer/listener more deeply through the charisma of an intriguing personality. But in constructing an album that will remain fascinating when deprived of any visual aids, it is not always possible to retain total reality. The most effective live recordings are often those that appear to be entirely natural and unrestricted, but actually are planned and disciplined. Monk was never particularly interested in or approving of simulation or compromise in connection with his music. (I have produced what I consider rather successful in-person Monk albums, but it certainly was far from easy.)



One striking characteristic of the body of music here is the lack of repetition. Aside from the set-closing theme, “Epistrophy,” only one number (“Evidence”) appears to have been played more than once a night. This much variety is certainly how Thelonious would have programmed an evening of club work, but it is definitely not the prescribed way to make a record. In the studio, standard procedure is to repeat a selection until you are satisfied, then go on to the next. Most club recording varies this only by not repeating anything immediately, but concentrates on limited repertoire and repeats almost everything in each new set – which in this era meant three or four times a night. This may partially explain why Columbia issued virtually none of the 1964 California live material for almost two decades – and then only chose to release a limited number of selections. And several of those had been trimmed in length to something closer to the duration of a studio recording, usually by drastic shortening or even elimination of bass and drum solos.



But in preparing the reissue versions of this material, I was fortunately not asked to prepare a ‘normal’ record. Instead, it could be something of more historical validity, could draw its real strength from being a valid recreation of how it felt to spend time in a club when Monk was performing. Basically this is a pretty complete recreation of what he played when the tape machines were rolling on each of his quartet’s first two nights at the Jazz Workshop. Some selections were, for whatever reasons, incompletely recorded, and there’s a good possibility that tape was not continuously rolling all the time. But this is whatever can be considered issuable from two nights of work. It seems clear that the audience for jazz records usually demands perfection in what emerges from the studio, but is quite prepared to relish quirks and imperfections in on-the-spot recordings. That works out particularly well in this instance. If what you are looking for in a ‘live’ recording is something direct and honest, possibly a little rough (as the artist recalls and reaches out for a number he may not have included in his standard repertoire for years), but never at all routine or standardized – if that’s what you have in mind, it’s hard to think of anyone better equipped than Thelonious to provide it. Via.

Orrin Keepnews – October 2000

Kind of Blue @ 50

Kind of Blue: 50th Anniversary Collectors Edition

Originalmente editado pela Columbia Records em 17 de Agosto de 1959, Kind of Blue anunciava um novo género musical: A espontaneidade de tocar duas ou três notas, obtendo o mesmo efeito melódico que as oito das progressões elaboradas, abria lugar ao improviso… e ao bebop.

O trompetista Miles Davis reuniu um sexteto notável de músicos – Cannonball Adderley ( saxofone alto), Paul Chambers (baixo), Jimmy Cobb (bateria), John Coltrane (saxofone tenor ), Bill Evans (piano) (Wynton Kelly toca piano em “Freddie Freeloader”) – e reinventaram o jazz!
Cinquenta anos após o lançamento,
Kind of Blue continua a transportar os ouvintes para o seu universo próprio, inspirando também músicos para que criem novos sons – desde o jazz acústico até ao ambiente pós-moderno – de todas as formas possíveis e imaginárias.

Jimmy Cobb, único sobrevivente da formação original, recebeu há pouco menos de um ano o Prémio NEA Jazz Masters 2009, em cerimónia realizada no Lincoln Center’s Rose Hall.
Com a bonita idade de 80 anos, apresenta-se em Lisboa (CCB, 11 de Novembro) com a sua  So What Band –  Wallace Roney (trompete), Javon Jackson (sax tenor), Vincent Herring (sax alto), Larry Willis (piano) e Buster Williams (contrabaixo), para partilhar com os admiradores portugueses as cinco masterpieces “So What”, “Freddie Freeloader”, “Blue In Green”, “All Blues” e “Flamenco Sketches”.

Jimmy Cobb - Kind of Blue @ 50

Sketches of Spain – 50th Anniversary

HE CAN READ MY MIND AND I CAN READ HIS – Miles Davis sobre Gil Evans

Sketches of Spain was the third collaboration (after Miles Ahead, 1957, and Porgy and Bess, 1958) between Miles Davis and Gil Evans for Columbia Records, and reunited the charismatic trumpeter with Gil Evans (1912-1988) following the 1959 recording of Kind of Blue. It is in these late ’50s recordings that Miles Davis (1926-1991) emerged as one of the supreme lyric-expressive players in jazz, representing as well a high point in his career and the culmination—at least temporarily—of a decade-long artistic/stylistic journey.

The centerpiece of the five tracks that comprised the original 1960 LP release of Sketches of Spain is “Concierto de Aranjuez,” originally written for guitar and orchestra by Joaquin Rodrigo in 1939. A masterpiece of its kind, it seemed tailor-made for Gil’s and Miles’s purposes, and provided their inspiration for the album’s all-Spanish/Andalusian flamenco theme. What attracted both men to this rather melancholy music, filled with a sense of longing and loneliness, was its intrinsic kinship with the blues. Both idioms flow from the same emotional bloodlines, as expressions of resistance to oppression and inhumanity. In this context, Miles was able to further discover his own distinctive voice and sound, and Evans was the one arranger/composer who could provide him with the appropriate complimentary orchestral settings that would accommodate Miles’s unique talents. The rest is history.

This historic edition presents the original album augmented by alternate and extra tracks, illustrating how this synergy developed. “The Maids of Cádiz” (from the 1957 album Miles Ahead) is the first example of Gil Evans adapting a composition of Spanish origin for an orchestral collaboration with Miles. The live performance of “Concierto de Aranjuez,” the only such ever given, took place in Carnegie Hall in 1961, offering a rare, heightened performance of this centerpiece. “Teo,” (from the 1961 album Someday My Prince Will Come) a small group piece dedicated to Producer Teo Macero, is simpatico with “Solea”—the other jewel from the original album, with its orchestral palette that is, in a word, sublime.