Arquivo de Abril, 2009

Darwin: A Life in Poems

drw

‘Plankton’

The deck is dazzle, fish-stink, gauze-covered buckets.
  Gelatinous ingots, rainbows of wet flinching amethyst
  and flubbed, iridescent cream. All this
means he’s better; and working on a haul of lumpen light:

polyps, plankton, jellyfish and sea butterflies, the pteropods.
  “So low in the scale of nature, so exquisite in their forms!
  You wonder at so much beauty — created,
apparently, for such little purpose!” They lower his creel

to blue pores of subtropical ocean. Wave-flicker, white
  like a gun-flash over the blown heart of sapphire.
  Peacock eyes, beaten and swollen,
tossing on lazuline steel.

in Darwin: a life in poems (2009), de Ruth Padel – descendente de Darwin

sea-butterfly

Hieronymus Bosch, revisto e aumentado

Esta imagem representa apenas um frame do tríptico Jardim das Delícias de Hieronymus Bosch, a mais recente das obras primas do Museu do Prado em Giga pixeis a ter sido carregada para o Google Maps.
Este pequeno detalhe está no canto inferior direito do painel central. Divirtam-se! 🙂

Hieronymus Bosch - O Jardim das Delícias Terrenas (detalhe do painel central), 1504

A Jangada da Medusa, de Théodore Géricault

Este quadro é uma das obras fundamentais do século XIX. O tema retrata um acontecimento recente da época, o salvamento dos sobreviventes ao naufrágio da fragata “La Méduse”, que se teria afundado perto da costa do Senegal, em 1816.

Cento e cinquenta pessoas andaram à deriva durante dez dias numa jangada. Restavam quinze sobreviventes, quando finalmente avistaram um barco. Foi este o momento escolhido pelo pintor. Gericault propôs-se contar a tragédia através do relato de dois dos sobreviventes, representados ao pé do mastro, que lhe deram uma descrição precisa da jangada. As suas preocupações com o realismo, levaram-no ao hospital para observar os sobreviventes e os cadáveres, tendo não só levado para o seu atelier de trabalho um pedaço de cadáver em decomposição, como inclusive decidido passar algum tempo em mar alto. Nos modelos humanos em que se inspirou, encontrava-se Eugène Delacroix, a figura moribunda de cabeça para baixo, ao centro.

La Méduse” (1819) é um exemplo perfeito do Romantismo – pela inspiração sobre um episódio de terror da história contemporânea – e escorreita na fluidez do dramatismo, embora recorra à tradição Neoclássica da estrutura piramidal.

A obra seminal de Gericault tem um vincado carácter político – frequente na literatura -, pela reflexão que propõe sobre o sentimento abolicionista, sendo que foi das primeiras representações na arte europeia a utilizar um preto como símbolo de todas as esperanças da humanidade, o que na época esteve longe de ser consensual, tendo chegado a ser desacreditada no Salão de Paris em 1819 e, talvez por isso mesmo, foi muito bem recebida em Inglaterra, no ano seguinte, onde foi vista por 40 mil pessoas, um número invulgar, à época.  🙂
Theodore Gericault (1791-1824), foi uma figura chave do Romantismo francês.  Tendo sido fortemente influenciado por esta obra de Michelangelo, também  a sua influência se torna evidente, por exemplo, nesta obra de Delacroix.

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Em Junho de 1816, o navio Medusa içou velas, juntamente com outros três navios, em direcção ao porto de Saint-Louis, o qual tinha sido oferecido por Inglaterra a França como prova de boa-fé pela restauração da Monarquia, após a capitulação de Napoleão. O navio, cujo capitão era Hugues Duroy de Chaumereys, transportava cerca de 400 pessoas, incluindo o novo Governador do Senegal.

Pretendendo aproveitar o bom tempo, O Medusa ganhou significativa vantagem sobre os outros navios mas, no início de Julho, por alegada incompetência do capitão, encalhou num banco de areia. As tentativas de largar carga ao mar não resultaram, também porque Chaumereys impediu a tripulação de lançar os canhões ao mar.

Os passageiros mais importantes foram colocados em barcos salva-vidas, suficientes apenas para 250 pessoas; As restantes foram colocadas numa jangada atada a um dos salva-vidas e que submergiu parcialmente pelo excesso de peso que transportava. A dada altura, acidentalmente ou não, o cabo soltou-se. O que se passou a seguir foram cerca de duas semanas de pesadelo num mar tempestuoso, com mortes brutais e até actos de canibalismo. Quando a jangada foi encontrada, restavam apenas 15 sobreviventes.

A tragédia gerou um verdadeiro escândalo, com o capitão a ter de responder num tribunal marcial e os franceses a passarem pelo ridículo perante os ingleses.

As elevadas dimensões da obra (491 cm × 716 cm), lembram as pinutras históricas tradicionais embora, aqui os heróis sejam substituidos pelos deserdadados da vida,  deixados à sua sorte, perdidos no mar, sem saber se viriam a ser salvos.

Géricault  denota nesta obra uma notável mestria, com a interligação dos “triângulos”, característicos do Renascimento e do período Barroco. A figura do africano representa um dos vértices dos quatro triângulos. Os  outros são representados pelos mortos e pelos moribundos (ao centro), pelos que estão junto do mastro e finalmente pelos que se tentam erguer. A intensidade dramática divide-se entre a angústia das figuras de primeiro plano e a esperança das mais distantes.

Depois  de avistado, o navio que os salvou, o Argus, desapareceu durante mais de duas horas, causando o pânico e o desespero nos náufragos; Daí a silhueta difusa, sem se perceber se se aproxima se se afasta. Os tons tempestuosos do mar e do céu, carregados de luz e sombra, mostram a mercê dos homens face à Natureza, atraindo-nos assim para o centro da cena.

 

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Top 10: Manly Movie Deaths

Os vídeos que se seguem, deve ser visualizados num respeitoso silêncio, em memória de uns tipos que deram uma luta dos diabos antes de morrer. E não é bonito de ver! Só quem tenha andado à porrada a sério dá valor a estas coisas. Se quiser votar na morte mais valorosa, pode fazê-lo aqui. Nada de lamechiches, que eles têm snifers para detectar lágrimas de crocodilo.
Uma selecção destas terá sempre de ser redutora, além de subjectiva. No entanto, custa a crer como é que o bravo Elias em Platoon (1986) fica de fora. Eu? Gostaria de morrer como o Bill, que teve uma vida preenchida. 🙂

10. Leon em The Professional (1994)

09. Optimus Prime em Transformers: The Movie (1986)

08. Tony Montana em Scarface (1983)

07. The Terminator em Terminator 2: Judgment Day (1991)

06. Bill em Kill Bill Vol. 2 (2004)

05. Goose em Top Gun (1986)

04. Obi-Wan Kenobi em Star Wars (1977)

03. Nick em The Deer Hunter (1978)

02. William Wallace em Braveheart (1995)

01. Apollo Creed em Rocky IV (1985)

Finest Hour

Seria o livro sobre Obama maçador?! O facto é que ele dormia o sono dos justos! 🙂

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Handel – música eterna

Coloquei aqui uma página, a partir do texto gentilmente cedido por João Chambers, com o qual produziu o MUSICA AETERNA do passado sábado 11 de Abril de 2009, dedicado a assinalar os 250 anos da morte de Georg Frideric Handel, data que hoje se celebra com fogo de artifício. 🙂

Breve biografia, via Antena 2
George Frideric Handel nasceu em Halle a 23 de Fevereiro de 1685. Começou a tocar cravo às escondidas do pai, que não queria vê-lo como músico. Quando de uma visita à corte de Saxe-Weisenfells, o duque, impressionado com seu talento, convenceu o seu pai a colocá-lo sob a orientação de F.W. Zachau, organista da catedral de Nossa Senhora, em Halle. Aos sete anos, aprendeu vários instrumentos contraponto e composição.
Aos onze anos já era um mestre no órgão, violino, cravo e outros instrumentos e começou a compor. Atendendo à vontade do pai, Handel fez estudos jurídicos na universidade de Halle, doutorando-se em direito.
Em 1703 transferiu-se para Hamburgo, então o centro teatral da Alemanha. Foi aí que se encenou a sua primeira ópera, Almira (1705), valendo-lhe várias encomendas, conseguindo recursos com os quais, se mudou para a Itália. Foi muito bem sucedido como compositor de música sacra, de música de câmara, de oratórias e de óperas, em Roma, em Nápoles e Veneza, onde rivalizou, em prestígio, com o grande Alessandro Scarlatti.
De volta à Alemanha, foi então convidado pelo príncipe de Hannover, George Ludwig, para ocupar o cargo de mestre de capela na sua corte, em 1710. Foi então para a Inglaterra, onde compôs a ópera Rinaldo. Handel sentiu-se mais fascinado pelo centro musical de Londres, para onde viajou antes de assumir o cargo em Hanôver. Dividiu o seu tempo entre as duas cidades, fixando-se em Londres em 1713, vivamente prestigiado pela corte da rainha Ana. Em 1714, com a morte da rainha, ascendeu ao trono inglês, como rei George I, o eleitor de Hanôver. Handel tornou-se o músico principal da corte.
De volta a Hanôver, em 1717, compôs A Paixão. Mas logo regressou a Londres, designado mestre de capela pelo duque de Chandos. Compôs o oratório Esther e várias obras sacras. Foi professor de música das princesas de Gales em honra das quais compôs as Variações harmónicas para cravo.
Como maestro da Academia Real de Música (1720), desenvolveu intensa actividade, compondo óperas em estilo italiano que obtiveram enorme sucesso. Em 1737 foi atingido por uma paralisia parcial, e em 1738, a sua companhia de óperas foi à falência. Handel abandonou o género. Foi com Judas Macabeu (1747), composto para celebrar a vitória inglesa contra os rebeldes escoceses, que Handel pode desfrutar de um novo período de popularidade. Os seus últimos anos foram prejudicados pela cegueira progressiva, porém, continuou a trabalhar com grande energia e, dias antes da sua morte, ainda dirigiu O Messias, no Convent Garden. Handel morreu em Londres a 14 de Abril de 1759.

Peter Zumthor – Prémio Pritzker 2009

O arquitecto suíço, cujo trabalho tive oportunidade de conhecer na Exposição Peter Zumthor-Edifícios e Projectos 1986-2007 na LX Factory durante parte do último trimestre de 2008, recebeu o Prémio Pritzker 2009, que Álvaro Siza havia recebido em 1992! 🙂

O júri do prémio frisou alguns projectos-chave de Zumthor, em especial as termas na cidade suíça de Vals, «a sua obra-prima», mas também o Museu de Arte Kolumba, em Colónia (Alemanha), um projecto de linhas contemporâneas, que se relaciona com «camadas de história». Via.

‘A construção é a arte de formar um todo com sentido a partir de muitas partes. Os edifícios são testemunhos da capacidade humana de construir coisas concretas. O verdadeiro núcleo de qualquer tarefa arquitectónica encontra-se, no meu entender, no acto de construir. É aqui, onde os materiais concretos são reunidos e erigidos, que a arquitectura imaginada se torna parte do mundo real.’

Peter Zumthor

Evidência Empírica

De acordo com o Evangelho segundo São João, O Apóstolo São Tomé perdeu uma das aparições de Cristo aos Apóstolos, após a Ressurreição. Tomé, popularmente conhecido como “O Céptico”, tem a seguinte inscrição no Credo dos Apóstolos: “Descendit ad inferos tertia die resurrexit a mortuis”;  A menos que pudesse tocar nas feridas de Cristo, não acreditaria no que lhe fôra dito. Uma semana mais tarde, Cristo apareceu, pediu a Tomé para estender as mãos, lhe tocar, e disse: “Santificados sejam os que não viram e ainda assim acreditaram”. Após ver Jesus vivo, Tomé professou a sua fé e ficou conhecido como  “O Crente”.

A angústia da descrença tocou Caravaggio. Poucas gravuras suas são fisicamente tão fortes – o seu Tomé leva ao limite a curiosidade, antes de afirmar “Meu Senhor, Meu Deus“! Esta composição junta cuidadosamente as quatros cabeças na procura da verdade sendo que, curiosamente, a cabeça de Cristo é a menos visível, surgindo discretamente na penumbra.

Tendo Jesus sido cruxificado, o que terá levado Caravaggio a expôr a ferida no tronco e não as das mãos e pés? 🙂

Caravaggio - The Incredulity of Saint Thomas, 1601-02

 

a vida depois da morte…

ou uma enorme falta de prática para cometer suicídio. Prreize der Leaderr!

Fuga para o Egipto

Fuga para o Egipto - Policarpo de Oliveira Bernardes, c. 1730 - Museu Nacional do Azulejo