Posts Tagged ‘ Romantismo ’

‘Course de chevaux’, de Théodore Géricault

De Théodore Géricault [26 Setembro 1791 – 26 Janeiro 1824], ‘Course de chevaux’, c.1817.

Théodore Géricault [1791-1824] – ‘Horse Race’, ca. 1817
Museo Nacional Thyssen-Bornemisza, Madrid

A execução de Lady Jane Grey

Os últimos momentos de Jane Grey, bisneta de Henrique VII, proclamada Rainha de Inglaterra após a morte de Eduardo VI, tal como ela, protestante. Vítima de uma conspiração dos partidários de Mary Tudor, a filha católica de Henrique VIII, foi condenada à morte na Torre de Londres, por alta traição.
Pode ser vista até domingo na The National Gallery, Londres.

The Execution of Lady Jane Grey - Paul Delaroche, 1833

O beijo

Há cento e cinquenta anos, Francesco Hayez (1791-1882) pintou O Beijo que, muito justamente, se tornou num dos símbolos da transição do Neoclassicismo para o Romanticismo Italiano. Hayez construiu a sua obra principalmente em Milão, onde foi Director da Academia das Belas Artes de Brera.

Francesco Hayez - O Beijo, 1859


A Jangada da Medusa, de Théodore Géricault

Este quadro é uma das obras fundamentais do século XIX. O tema retrata um acontecimento recente da época, o salvamento dos sobreviventes ao naufrágio da fragata “La Méduse”, que se teria afundado perto da costa do Senegal, em 1816.

Cento e cinquenta pessoas andaram à deriva durante dez dias numa jangada. Restavam quinze sobreviventes, quando finalmente avistaram um barco. Foi este o momento escolhido pelo pintor. Gericault propôs-se contar a tragédia através do relato de dois dos sobreviventes, representados ao pé do mastro, que lhe deram uma descrição precisa da jangada. As suas preocupações com o realismo, levaram-no ao hospital para observar os sobreviventes e os cadáveres, tendo não só levado para o seu atelier de trabalho um pedaço de cadáver em decomposição, como inclusive decidido passar algum tempo em mar alto. Nos modelos humanos em que se inspirou, encontrava-se Eugène Delacroix, a figura moribunda de cabeça para baixo, ao centro.

La Méduse” (1819) é um exemplo perfeito do Romantismo – pela inspiração sobre um episódio de terror da história contemporânea – e escorreita na fluidez do dramatismo, embora recorra à tradição Neoclássica da estrutura piramidal.

A obra seminal de Gericault tem um vincado carácter político – frequente na literatura -, pela reflexão que propõe sobre o sentimento abolicionista, sendo que foi das primeiras representações na arte europeia a utilizar um preto como símbolo de todas as esperanças da humanidade, o que na época esteve longe de ser consensual, tendo chegado a ser desacreditada no Salão de Paris em 1819 e, talvez por isso mesmo, foi muito bem recebida em Inglaterra, no ano seguinte, onde foi vista por 40 mil pessoas, um número invulgar, à época.  🙂
Theodore Gericault (1791-1824), foi uma figura chave do Romantismo francês.  Tendo sido fortemente influenciado por esta obra de Michelangelo, também  a sua influência se torna evidente, por exemplo, nesta obra de Delacroix.

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Em Junho de 1816, o navio Medusa içou velas, juntamente com outros três navios, em direcção ao porto de Saint-Louis, o qual tinha sido oferecido por Inglaterra a França como prova de boa-fé pela restauração da Monarquia, após a capitulação de Napoleão. O navio, cujo capitão era Hugues Duroy de Chaumereys, transportava cerca de 400 pessoas, incluindo o novo Governador do Senegal.

Pretendendo aproveitar o bom tempo, O Medusa ganhou significativa vantagem sobre os outros navios mas, no início de Julho, por alegada incompetência do capitão, encalhou num banco de areia. As tentativas de largar carga ao mar não resultaram, também porque Chaumereys impediu a tripulação de lançar os canhões ao mar.

Os passageiros mais importantes foram colocados em barcos salva-vidas, suficientes apenas para 250 pessoas; As restantes foram colocadas numa jangada atada a um dos salva-vidas e que submergiu parcialmente pelo excesso de peso que transportava. A dada altura, acidentalmente ou não, o cabo soltou-se. O que se passou a seguir foram cerca de duas semanas de pesadelo num mar tempestuoso, com mortes brutais e até actos de canibalismo. Quando a jangada foi encontrada, restavam apenas 15 sobreviventes.

A tragédia gerou um verdadeiro escândalo, com o capitão a ter de responder num tribunal marcial e os franceses a passarem pelo ridículo perante os ingleses.

As elevadas dimensões da obra (491 cm × 716 cm), lembram as pinutras históricas tradicionais embora, aqui os heróis sejam substituidos pelos deserdadados da vida,  deixados à sua sorte, perdidos no mar, sem saber se viriam a ser salvos.

Géricault  denota nesta obra uma notável mestria, com a interligação dos “triângulos”, característicos do Renascimento e do período Barroco. A figura do africano representa um dos vértices dos quatro triângulos. Os  outros são representados pelos mortos e pelos moribundos (ao centro), pelos que estão junto do mastro e finalmente pelos que se tentam erguer. A intensidade dramática divide-se entre a angústia das figuras de primeiro plano e a esperança das mais distantes.

Depois  de avistado, o navio que os salvou, o Argus, desapareceu durante mais de duas horas, causando o pânico e o desespero nos náufragos; Daí a silhueta difusa, sem se perceber se se aproxima se se afasta. Os tons tempestuosos do mar e do céu, carregados de luz e sombra, mostram a mercê dos homens face à Natureza, atraindo-nos assim para o centro da cena.

 

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